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INDÍGENAS APRESENTAM PLANO AMBIENTAL

01/05/2018

Os Tenetehára são os primeiros indígenas do Maranhão a concluírem o etnomapeamento, essencial para a conservação ambiental de suas terras.

Tenetehára apresentam o PGTA
Gilberto Soares/MMA
Lideranças da tribo Tenetehára se reuniram na quinta-feira (26), em Brasília, com técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para apresentar o Plano de Gestão Territorial e Ambiental para a terra indígena Caru, no Maranhão. O etnomapeamento da área demarcada de 172 mil hectares no município de Bom Jardim, habitada pela etnia, é resultado de chamada pública realizada em 2016 com recursos do Ministério do Meio Ambiente.

Acesse fotos da reunião

O trabalho realizado pela Associação Wirazul, composta por membros da tribo, é um instrumento de gestão ambiental e territorial, onde os próprios indígenas definem o uso dos recursos naturais e as medidas de conservação ambiental. Para Rodrigo Lima Medeiros, da coordenação de Agroextrativismo do Ministério, o Plano de Gestão contribui para melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas. “São regras de convivência entre eles e sua relação com o território”, explica.

A Terra Indígena Caru é próxima da Reserva Biológica Gurupi, extensa área do bioma Amazônia.  É prioridade, estabelecida pelo MMA, que a região onde está situada seja transformada em um mosaico de áreas protegidas. Entendimentos nesse sentido vêm sendo mantidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) junto às comunidades da região.  Além delas, fariam parte do arranjo, as terras indígenas Awa e Alto Turiassu. O projeto contempla a conservação da vegetação nativa do bioma e várias espécies da fauna e da flora, algumas em risco de extinção.

POLÍTICA NACIONAL

A chamada pública, realizada no âmbito da Política Nacional de Gestão da Terras Indígenas (PNGATI), contemplou ainda quatro outros projetos, que estão em fase de conclusão. O objetivo fundamental da política, instituída pelo governo federal, é estimular os povos indígenas a protagonizarem a gestão do próprio território.  Para a conservação do meio ambiente, os indígenas são considerados parceiros estratégicos. Por viverem na terra e compartilharem suas tradições, eles acabam atuando como agentes ambientais. “Protegem a terra contra a invasão de madeireiros, garimpeiros e caçadores e ajudam a combater o desmatamento ilegal”, conclui Rodrigo Medeiros.

Por: Paulenir Constâncio/ Ascom MMA



Arte Tapajós: arte e protesto para salvar o coração da Amazônia

29/06/2016

Em julho, artistas do mundo todo participarão de um dia de arte em apoio aos índios Munduruku e sua luta pela conservação do Rio Tapajós. Todos podem participar, saiba como.

Em apoio ao povo Munduruku, que luta há mais de 30 anos contra os planos do governo de construir um complexo hidrelétrico no Rio Tapajós, no coração da Amazônia, artistas do mundo todo participarão de um dia de arte de rua e protesto contra a usina de São Luiz do Tapajós: é o Arte Tapajós. O Rio Tapajós é lar de diversos povos indígenas e abriga uma biodiversidade incomparável e trata-se de um dos últimos rios livres da Amazônia.

O evento acontecerá nos dias 9 e 10 de julho, quando artistas convidados pelo Greenpeace executarão grandes painéis de grafiti em três capitais do Brasil: São Paulo, Manaus e Rio de Janeiro, levando cor e informação à estas grandes metrópoles brasileiras, tão distantes da realidade da Amazônia.

Arte Tapajós

Os artistas convidados doarão sua arte e seu trabalho para fortalecer a luta dos Munduruku, ajudando a amplificar sua voz. Mas qualquer pessoa pode participar, com qualquer tipo de arte de rua!

Para quem nunca fez arte urbana, mas não quer ficar de fora, essa é a oportunidade perfeita para começar! Acesse os kits disponíveis no site e siga as dicas do Greenpeace de como fazer um stencil ou um lambe-lambe. Aqui você encontra todas as informações que irá precisar para escolher um bom local e começar. Daí é só juntar os amigos e promover sua própria arte em defesa do Tapajós na sua cidade.

Você pode cadastrar uma atividade no site de mobilização O Bugio e divulgar seu evento. No dia, você também pode organizar outros eventos e intervenções, como oficinas de camisetas, palestras e até shows de música e compartilhar sua manifestação com o mundo!

Mostre que você também quer proteger o coração da Amazônia e mostre que as barragens hidrelétricas são um mau negócio para o Brasil, seus povos e sua biodiversidade. Junte-se aos Munduruku para proteger o coração pulsante da floresta.


RELATORA DA ONU VISITA POVOS INDÍGENAS BRASILEIROS



20/03/2016

Após uma visita ao Brasil entre os dias 7 e 17 de março, a relatora da ONU Victoria Tauli-Corpuz falou sobre as condições dos indígenas no país.

 Segundo ela, "em termos gerais, minha primeira impressão após esta visita é de que o Brasil possui uma série de disposições constitucionais exemplares em relação aos direitos dos povos indígenas, e que no passado o país deixou patente sua liderança mundial no que se refere à demarcação dos territórios indígenas. Entretanto, nos oito anos que se seguiram à visita de meu predecessor, há uma inquietante ausência de avanços na solução de antigas questões de vital importância para os povos indígenas e para a implementação das recomendações do Relator Especial. Ao contrário, houve retrocessos extremamente preocupantes na proteção dos direitos dos povos indígenas, uma tendência que continuará a se agravar caso não sejam tomadas medidas decisivas por parte do governo para revertê-la."

O objetivo da visita foi identificar e avaliar as questões enfrentadas pelos povos indígenas do Brasil para propor uma série de recomendações com base em sugestões anteriores, de 2008. Nos dias da visita, Victoria esteve nos estados de Mato Grosso do Sul, Bahia e Pará. Em Brasília, a relatora se reuniu com representantes dos três Poderes do Governo e participou de reuniões nos escritórios nacionais e locais do Ministério Público Federal, da FUNAI e do Vice-Governador do Mato Grosso do Sul.

Em sua visita ao Mato Grosso do Sul, ela conheceu o povo Guarani-Kaiowá; na Bahia, visitou os Tupinambás e conversou com representantes dos Pataxós; na região da Volta Grande, no Pará, esteve em Juruna, terra indígena Paquiçamba. A relatora visitou, no total, mais de 50 povos indígenas, incluindo os Yanomami, Maxakali, Manoki e Ka’apor, bem como a Rede de Cooperação Amazônica, além de ter recebido vários pedidos de visita de diversas comunidades indígenas de todo o país.

Victoria disse que tantos os representantes dos povos indígenas como a sociedade civil e o Governo forneceram-lhe um grande volume de informações, as quais serão revisadas para a elaboração de um relatório que será submetido, em setembro, ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O objetivo do relatório é ajudar os povos indígenas e o Governo a encontrarem soluções para os desafios contínuos enfrentados por essas comunidades no Brasil.

Um ponto que a relatora ressaltou é “a dedicação dos povos indígenas às boas práticas e aos enfoques proativos de modo a prosseguir na efetivação de seus direitos. Dentre essas ações incluem-se: a elaboração de protocolos de consulta, a autodemarcação de terras, o estabelecimento de alianças com as comunidades quilombolas e ribeirinhas com vistas ao fortalecimento de seus direitos à terra e à auto governança; e a autoproteção de territórios". Todas essas ações constituem passos importantes para a autogestão e regulamentação de seus territórios e para o exercício de sua autodeterminação e autonomia, tal como previsto na Convenção 169 da OIT e na Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas. 

As primeiras impressões de Victoria com as visitas é de que o Brasil é exemplar em relação aos dispositivos constitucionais que garantem direitos aos povos indígenas, embora haja uma ausência de avanços na solução de questões vitais para eles. Houve, pelo contrário, retrocessos que preocupam a condução na garantia de proteção dos direitos dos povos indígenas. Ela relata os seguintes pontos como desafiadores para o Brasil:

• a Proposta de Emenda à Constituição, PEC 215, e outras legislações que solapam os direitos dos povos indígenas a terras, territórios e recursos;

• a interpretação equivocada dos artigos 231 e 232 da Constituição na decisão judicial sobre o caso Raposa Serra do Sol;

• a introdução de um marco temporal e a imposição de restrições aos direitos dos povos indígenas de possuir e controlar suas terras e recursos naturais;

• a interrupção dos processos de demarcação, incluindo 20 terras indígenas pendentes de homologação pela Presidência da República, como por exemplo a terra indígena Cachoeira Seca, no estado do Pará;

• a incapacidade de proteger as terras indígenas contra atividades ilegais;

• os despejos em curso e as ameaças constantes de novos despejos de povos indígenas de suas terras;
• os profundos e crescentes efeitos negativos dos megaprojetos em territórios indígenas ou próximos a eles;

• a violência, assassinatos, ameaças e intimidações contra os povos indígenas perpetuados pela impunidade;

• a falta de consulta sobre políticas, leis e projetos que têm impacto sobre os direitos dos povos indígenas;

• a prestação inadequada de cuidados à saúde, educação e serviços sociais, tal como assinalam os indicadores relacionados ao suicídio de jovens, casos de adoção ilegal de crianças indígenas, mortalidade infantil e alcoolismo;

• e o desaparecimento acelerado de línguas indígenas.

Em vistas disso, os riscos enfrentados pelos indígenas na Constituição de 1988 continuam sendo os mesmos. A mídia e outros atores retratam-nos de forma distorcida e como possuidores de grandes extensões de terra. Entretanto, é o setor do agronegócio que as ocupa. “Mesmo onde os povos indígenas possuem terras demarcadas na região amazônica, eles não desfrutam do efetivo controle sobre seus recursos devido às crescentes invasões e atividades ilegais, tais como mineração e extração de madeira”, relata Vicotoria.

Outra questão preocupante para a relatora da ONU é ameaça que os povos indígenas sofrem. “Em 2007, segundo o CIMI, 92 líderes indígenas foram assassinados, ao passo que em 2014 o número havia aumentado para 138. O estado de Mato Grosso do Sul foi o que registrou o maior número de mortes”. O alarmante nesses dados é que as autoridades governamentais não estiveram nas áreas sob ameaça para averiguar a violação de direitos humanos a que está submetida a população indígena.

A omissão do Estado sobre grandes projetos do setor privado em áreas ocupadas pelos indígenas, sem que eles sejam sequer consultados, viola a Convenção 169 da OIT e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Em relação a esses grandes projetos, algumas questões levantadas pelos povos indígenas escutados pela relatora são:

• A não implementação das condicionantes estabelecidas e das medidas mitigatórias necessárias com relação ao projeto de Belo Monte, tais como o fortalecimento da presença local da FUNAI; a demarcação da terra indígena Cachoeira Seca, bem como a regularização e plena proteção das terras indígenas Apyterewa e Paquiçamba; a compensação pela perda de seus meios de subsistência; e a criação de bases de fiscalização para proteger terras indígenas. O efeito acumulativo de tal inação foi a ameaça à própria sobrevivência dos povos indígenas impactados;

• O uso do instituto da suspensão de segurança pelo Judiciário em um crescente número de projetos de desenvolvimento para evitar questionamentos legais por parte de povos indígenas;

• A licença emitida, sem consultas, para o projeto de mineração de ouro de Belo Sun, próximo à usina de Belo Monte, e a falta de uma avaliação acumulativa dos impactos ambientais, sociais e de direitos humanos sobre os povos indígenas;

• A falta de consultas e a ausência de demarcação de terras indígenas afetadas pelo complexo da represa no rio Tapajós;

• A falta de consultas em relação à extração de bauxita e as usinas hidrelétricas associadas, que, juntas, representam um enorme complexo industrial, envolvendo povos indígenas e comunidades quilombolas em Oriximiná, no Pará;

• A poluição do Rio Doce causada pelo rompimento da barragem em Minas Gerais e seu impacto sobre povos indígenas, como os Krenak, que dependem do rio para seu sustento e subsistência;

• A ausência de consultas e consentimento para a instalação de grandes linhas de transmissão dentro de terras demarcadas protegidas pela Constituição, tais como as dos Waimiri-Atroari em Roraima.

Segundo a relatora, “esses e outros casos demonstram uma falta de compreensão, por parte do governo, sobre a natureza da consultas de boa fé, prévias, livres e informadas com povos indígenas, que são exigidas a fim de obter seu consentimento e proteger seus direitos em conformidade com as obrigações do Estado afirmadas na Convenção 169 da OIT e na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas”.

É urgente a conclusão do processo de demarcação das terras indígenas, pois isso é fundamental para a garantia dos seus demais direitos e para evitar os altos índices de desmatamento, a destruição de rios e empobrecimento dos solos decorrentes da prática intensiva de de monoculturas e atividades de mineração, o que impede as terras e as águas de garantir a sustentabilidade alimentar dos povos indígenas no futuro.

Naturalmente, é preciso vontade política para reverter esse cenário de descaso com os povos indígenas brasileiros e atender a Constituição de 1988. Da parte deles, segundo a relatora da ONU, "há uma determinação manifesta por todos os povos indígenas de manter suas culturas e suas línguas e determinar seu próprio futuro, bem como as medidas proativas que vêm tomando para esse fim, oferece motivos de esperança para os povos indígenas e a sociedade brasileira como um todo".

Em vistas disso, Victoria apresentou uma série de recomendações em seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos para ajudar a encontrar soluções para os desafios atuais enfrentados pelos povos indígenas:

• Medidas imediatas devem ser tomadas para proteger a segurança dos líderes indígenas e concluir as investigações sobre todos os assassinatos de indígenas;

• Devem ser redobrados os esforços para superar o impasse atual relativo à demarcação de terras, pois as soluções urgentes e vitais são possíveis caso exista a necessária vontade política;

• Há uma necessidade premente e imediata de rever os cortes propostos ao orçamento da FUNAI e garantir que as representações locais da FUNAI não sejam alvo de tais medidas, e que sejam, na verdade, fortalecidas para poder fornecer os serviços básicos dos quais dependem os povos indígenas e outros órgãos do Estado;

• Devem ser revistas e observadas a jurisprudência dos órgãos de supervisão da OIT e a orientação do Relator Especial sobre a implementação do direito a consultas prévias em relação a políticas, legislação e projetos com impacto potencial sobre os direitos de povos indígenas. Tais consultas devem ser conduzidas de forma a atender as especifidades de cada povo indígena, conforme estabelece a Convenção 169 da OIT e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas;

• O Estado deve reconhecer e apoiar as medidas proativas que vêm sendo tomadas por povos indígenas para exercer seus direitos na prática, em conformidade com seu direito à autodeterminação;
• Diálogos devem ser iniciados com povos indígenas em relação à possível realização de um Inquérito Nacional para sondar alegações de violações de seus direitos, promover conscientização e oferecer reparação para violações de direitos humanos;

• Deve ser viabilizada a efetiva participação de povos indígenas na determinação de como as minhas recomendações e as de meu predecessor podem ser implementadas e supervisionadas.

Fonte: GreenMe

ÍNDIOS AMAZÔNICOS LEVAM SEUS CONHECIMENTOS SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS PARA COP-21

Paulo Junqueira, do ISA, apresenta o evento

02/12/2015

Em evento realizado pelo ISA, na tarde dessa terça-feira (1º), indígenas do Alto Rio Negro (AM) e do Parque Indígena do Xingu (MT) falam de suas percepções sobre as mudanças no tempo e no meio ambiente

Nesta terça-feira (1º), a realidade dos povos indígenas no Brasil chegou à COP-21 com depoimentos de quatro lideranças do Alto Rio Negro (AM) e do Parque Indígena do Xingu (MT). Em um evento com mais de 60 participantes, realizado pelo Instituto Socioambiental, no Espaço do Clima da Sociedade Civil na COP, o site Ciclos anuais do Rio Tiquié e o filme “Para onde foram as andorinhas?” apresentaram em detalhe os impactos das mudanças climáticas que os povos indígenas na Amazônia brasileira estão sentindo em seus territórios.

André Baniwa, vindo do Rio Içana, no noroeste amazônico, foi o primeiro a falar: “Os Estados Nacionais já levam mais de 20 anos discutindo o problema da questão climática, um problema que aponta o fim do planeta, mas não encontram solução. E os povos indígenas conhecem e entendem que sua relação com a natureza é de respeito. Milenarmente os povos indígenas estão trabalhando para o bem-viver. O mundo inteiro precisa aprender”.

O líder Baniwa cobrou atenção dos chefes de Estado para os conhecimentos indígenas, denunciando os ataques do Estado brasileiro aos direitos territoriais indígenas – que já conta com 22 anos de atraso nas demarcações de Terras Indígenas. Para o seu povo, o que se avizinha é um tempo de silenciamento do mundo: “Os xamãs do povo Baniwa dizem que esse mundo vai parar daqui a algum tempo e não haverá sinal de vida. Será um período silencioso, na nossa previsão”.

André Baniwa à direita alertou para a previsão dos xamãs de seu povo de que haverá um silenciamento no mundo

No Rio Negro, onde vivem 22 povos indígenas diferentes, um projeto de pesquisa colaborativa está permitindo registrar as formas tradicionais de manejo ambiental e traduzí-los para os não indígenas. Com base em uma metodologia simples, o registro em diários, a pesquisa ganhou um formato inovador – um site com gráficos interativos. Os infográficos contam com medições de nível do rio e a pluviometria, além das estações do ano informadas por pesquisadores indígenas do Rio Tiquié de acordo com as constelações conhecidas pelos Tukano.

Dagoberto Azevedo, do Rio Negro e Yapatsiama Waura, do XIngu

Segundo o pesquisador e estudante de Antropologia Dagoberto Tukano, que participou dessa pesquisa por oito anos, o trabalho começou pela constatação de que estavam acontecendo mudanças na região e que o crescimento de certas espécies vegetais ou a piracema dos peixes não estavam acontecendo no tempo certo: “As coisas não aconteciam conforme os conhecimentos dos pajés. Abacaxi, pupunha, mandioca não nasciam no tempo certo”, contou Dagoberto . Aloisio Cabalzar, antropólogo do ISA responsável pelo projeto, explicou: "No Rio Negro são os conhecedores indígenas os responsáveis pela manutenção dos ciclos anuais, por meio de benzimentos e rezas”.

Dois graus a menos

O evento contou também com a primeira exibição de um documentário sobre a realidade do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, uma ilha de floresta em pé cercada pela produção agropecuária de soja e milho. “Para onde foram as andorinhas?”, feito em parceria com o Instituto Catitu, trouxe a perspectiva dos principais anciãos dos povos do Parque, entre eles, Yapatsiama Waura, que participou do evento.

Tukupe Waura lembrou ao final que seu povo depende da floresta e que 
"dinheiro não compra floresta e dinheiro não se come"

Yapatsiama lembrou da primeira vez que se viu uma grande queimada no Xingu, em 2005: “Quando nós jovens não estávamos acreditando, entendendo o que é que estava acontecendo, os pajés explicaram para nós que algo estava errado”. Agora, as mudanças estão claras inclusive para ele: “Está muito quente demais e as flores não estão conseguindo florescer. É muito quente. Nós estamos muito tristes”.

O ancião do povo Waura falou também do impacto de grandes empreendimentos, como hidrelétricas, sobre as Terras Indígenas: “O rio, a cada ano que passa, está sendo barrado. Agora diminuiu o fluxo do rio e os peixes estão morrendo. Vai morrer mais ainda. Vai morrer tudo o que tem no nosso território”.

Fechando os debates, o jovem agente de saúde indígena Tukupe Waura deixou uma mensagem de indignação diante da tentativa de barrar o aumento de 2°C na temperatura global nos próximos 100 anos: “As aldeias de vocês são diferentes. As nossas estão esquentando. Nós estamos aqui para diminuir ao contrário. Por isso meu apelo aqui ao mundo. É para diminuir ao contrário: dois graus a menos!”

O evento foi realizado a convite da Embaixada da França e aconteceu na sala no Espaço da sociedade civil. Ainda durante a COP-21 haverá mais três edições.


Tatiane Klein
ISA



Espírito de união toma conta da cerimônia de encerramento dos JMPI


02/11/2015

A cidade de Palmas parou para ver a cerimônia de encerramento do maior evento esportivo e cultural realizado na capital tocantinense até hoje. Os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, que reuniu durante nove dias etnias de todo o Brasil e de várias partes do mundo, chegou ao fim neste sábado (31.10).

O articulador dos Jogos, o indígena Marcos Terena, aproveitou a ocasião para agradecer ao Ministério do Esporte, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), ao governo de Tocantins e à prefeitura de Palmas, parceiros do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC) na realização do torneio, além dos voluntários e do público em geral.



As arquibancadas da Arena Verde estavam lotadas. A cada passagem de delegação, as pessoas vibravam. As diferentes etnias, 24 brasileiras e outras de 23 países, desfilaram com trajes típicos, apresentaram suas danças e se despediram do público. A cantora Saina, única representante russa, fez um show com sua harpa de boca e arrancou aplausos da multidão.

Com o lema dos Jogos na cabeça: “O importante não é competir e sim celebrar”, as delegações mostraram o espírito de união que tomou conta do evento. Elas foram chamadas uma a uma, alternando entre uma etnia brasileira e outra estrangeira. Na entrada, o mestre de cerimônia contava ao público um pouco da história e dos costumes de cada uma delas, além de destacar a atividade esportiva e cultural que aquele povo realizou durante os JMPI.



Dos Pataxós da Bahia aos Maoris da Nova Zelândia, todos participaram daquele momento, mostrando ao mundo a importância do povo indígena e a força da cultura representada nos trajes, pinturas, cocares, adereços, música e outras manifestações.

A importância do fogo foi destacada com o acendimento da pira e com a entrada dos indígenas da etnia Terena, de Mato Grosso. Naquele momento, o público recebe uma mensagem: o locutor pede a todos que deixem seus corações incendiarem de amor, força e paz.

Uma cascata de fogos invade o céu de Palmas e um texto aparece: “Novas sementes foram plantadas em Palmas. Nós fizemos história e uma nova jornada nos espera no Canadá: Os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas 2017”. 



Texto: Cleide Passos/ Fotos: Roberto Castro, de Palmas


Índios Guarani-Kaiowás dão grito de socorro em Paris

François Guillot/AFP

23/07/2015

"Estamos aqui para pedir socorro e ajuda, não apenas pelas florestas e pela natureza, mas também pela vida", afirmou em coletiva de imprensa Valdelice Veron (à esq), filha de um cacique guarani-kaiowá assassinado por um fazendeiro em 2003

O desmatamento do Mato Grosso do Sul para o cultivo de soja e cana de açúcar está provocando o lento genocídio dos índios que moram no estado - denunciaram nesta quarta-feira, em Paris, membros do povo indígena Guarani-Kaiowá.

"Estamos aqui para pedir socorro e ajuda, não apenas pelas florestas e pela natureza, mas também pela vida", afirmou em coletiva de imprensa Valdelice Veron, filha de um cacique guarani-kaiowá assassinado por um fazendeiro em 2003.

Assim como o pai de Valdelice, 299 índios da comunidade morreram nos últimos 10 anos em razão de conflitos gerados pela expansão das plantações.

"No Mato Grosso do Sul o sangue guarani-kaiowá está sendo derramado", disse Valdelice, que é porta-voz do grupo, segunda maior população indígena do Brasil - com cerca de 45 mil membros distribuídos em 42 mil hectares.

Ameaçada de morte, ela viajou pela primeira vez para fora do país acompanhada pelo cacique Natanael Vilharva-Cáceres.

Os dois participaram na terça-feira da "Cúpula das Consciências", um encontro de reflexão convocado pela França paralelamente às negociações para um acordo global sobre a mudança climática no final do ano.

Eles afirmam que estas mortes são perpetradas por milícias privadas contratadas por grandes proprietários de plantações de soja e cana.

"Estamos vivos, mas estão nos matando pouco a pouco e de várias maneiras", afirmou o cacique Vilharva-Cáceres, que ostentava o tradicional cocar de plumas usado pelos guarani-kaiowás.

No banco dos réus estão as plantações extensivas de soja transgênica que prosperaram impulsionadas pela demanda massiva da China e das grandes empresas que exploram o "petróleo verde" dos agrocarburantes.

"A soja e o etanol que vocês consumem estão misturados com o sangue guarani-kaiowá", disse Veron em Paris.

No final da década passada ocorreu uma explosão da demanda mundial de agrocarburantes como o etanol fabricado com cana de açúcar cuja produção se multiplicou por seis entre 2000 e 2010, passando de 19 milhões a 1 bilhão de metros cúbicos.

A ONG francesa Planète Amazone cita as multinacionais Raizen, Breyfuss, Bunge, Syngenta e a franco-suíça Louis Dreyfus Commodities por intermédio de sua filial Bioenergia, entre os "causadores da desgraça dos guarani-kaiowá".

"Assassinatos, apropriação de terras, desnutrição, saúde precária, moradia insalubre, acidentes de trabalho e salários atrasados são questões de todos os dias para o povo guarani-kaiowá", apontou a ONG.

- No gabinete de Dilma -O cacique Vilharva-Cáceres admitiu que a Constituição brasileira garante os direitos dos povos indígenas. "É apenas um papel, mas pelo menos está escrito", afirmou o líder guarani, antes de denunciar vários projetos de emenda constitucional que ameaçam a perenidade destes direitos.

"A discriminação no Brasil é muito grande", lamentou o líder. "A gente mal pode entrar num restaurante ou passear livremente pela rua".

Valdelice Veron explicou que o processo de atribuição de terras aos índios é realizado em três etapas: a identificação antropológica, na qual devem dar provas de que as terras pertencem a eles, uma análise pelo Superior Tribunal Federal (STF), encarregado de redigir o decreto de demarcação, e o aval final da presidência.

"A presidente Dilma Rousseff é conivente com estes crimes porque há muito tempo que em seu gabinete estão 22 decretos de homologação esperam sua assinatura", contou.

Os povos indígenas foram recebidos na segunda-feira no palácio do Eliseu, sede da presidência da França, pelo ativista ambiental Nicolas Hulot, emissário especial de François Hollande para a proteção do planeta e na tarde desta quarta-feira foram à Assembleia Nacional francesa.

* AFP


Audiência dia 6 na Assembleia Legislativa debaterá conflito agrário em MS

07/02/2015

Deputados estaduais e federais de Mato Grosso do Sul estão buscando agendar uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em uma tentativa desesperada de dar solução ao conflito por terras consideradas indígenas em Mato Grosso do Sul.

Mara Caseiro (PTdoB), Zé Teixeira (DEM), Paulo Corrêa (PR), Antonieta Amorim (PMDB) e Eduardo Rocha (PMDB) encabeçam o movimento na Assembleia Legislativa. Eles agendaram para o dia 6 de julho, às 10h, nova audiência pública para tratar sobre o tema.

O debate foi solicitado pelos próprios produtores rurais, que se reuniram ontem (29), com parlamentares e prefeitos na sede da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul). A reunião aconteceu após as últimas invasões ocorridas a região Sul do Estado.

Nos últimos dias, três propriedades rurais foram ocupadas pelos indígenas. Na segunda-feira (22), a fazenda Madama, em Coronel Sapucaia, foi invadida. Os índios só deixaram o local depois de produtores rurais enfrentá-los. Em Aral Moreia, as fazendas Água Boa e 27 Estrelas também foram ocupadas pelos índios na quarta-feira (24).

Durante o encontro na Assomasul, Mara Caseiro desabafou e disse que tem vergonha de pertencer à classe política em um país “tão sem vergonha quanto o Brasil”.

“Não sei mais o que podemos fazer, dá muito desânimo, porque já conversamos com a ministra Gleisi Hoffmann, levamos todas as demandas discutidas em audiência pública aqui em Mato Grosso do Sul, falamos com o ministro José Eduardo Cardozo, pedimos socorro, mas nada aconteceu”, lamentou, destacando que a classe produtora está saindo totalmente enfraquecida desse processo.

Para a deputada, trata-se de uma ação orquestrada para acabar com o setor produtivo no País, sem que a presidente Dilma Rousseff tome qualquer tipo de providência.

“Me causa indignação ver as pessoas terem que sair de suas casas, vendo suas propriedades invadidas sem nada poderem fazer. Me causa desespero saber quer as propriedades estão sendo depredadas, que as lavouras e insumos e estão sendo destruídos, e ninguém faz nada. Rasgam a Constituição brasileira e fica tudo por isso mesmo”, disparou.

No início do mês o governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), conversou com o ministro da Justiça sobre a questão indígena. Na ocasião, ele se comprometeu em dar um posicionamento em 30 dias, mas até agora não houve respaldo.

Agora, a bancada federal tenta uma nova agenda não só com José Eduardo Cardozo, mas também com o presidente do STF (Superior Tribunal de Justiça), ministro Ricardo Lewandowski.

Mara Caseiro realizou audiência pública no dia 27 de maio de 2013 e, por meio de documento, resultante dos debates, comunicou o Ministério da Justiça sobre o risco de mortes durante os conflitos agrários. Dias depois, o índio Oziel Gabriel perdeu a vida durante confronto em Dois Irmãos do Buriti.

“Vamos continuar a perder vidas se nada for feito”, alertou a parlamentar.


No Brasil, população indígena é de 896,9 mil

20/04/2015

De acordo com o censo, foram identificadas 305 etnias, das quais a maior é a Tikuna, e reconhecidas 274 línguas

A atual população indígena brasileira, segundo dados do Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010, é de 896,9 mil indígenas. De acordo com a pesquisa, foram identificadas 305 etnias, das quais a maior é a Tikúna, com 6,8% da população indígena. 

Também foram reconhecidas 274 línguas. Dos indígenas com 5 anos ou mais de idade, 37,4% falavam uma língua indígena e 76,9% falavam português. 

Os Povos Indígenas estão presentes nas cinco regiões do Brasil, sendo que a região Norte é aquela que concentra o maior número de indivíduos, 342,8 mil, e o menor no Sul, 78,8 mil. Do total de indígenas no País, 502.783 vivem na zona rural e 315.180 habitam as zonas urbanas brasileiras.

Segundo o censo, 36,2% dos indígenas vivem em área urbana e 63,8% na área rural. O total inclui os 817,9 mil indígenas declarados no quesito cor ou raça do Censo 2010 (e que servem de base de comparações com os Censos de 1991 e 2000) e também as 78,9 mil pessoas que residiam em terras indígenas e se declararam de outra cor ou raça (principalmente pardos, 67,5%), mas se consideravam “indígenas” de acordo com aspectos como tradições, costumes, cultura e antepassados.

Os números também revelaram um equilíbrio entre os sexos para o total de indígenas: 100,5 homens para cada 100 mulheres, com mais mulheres nas áreas urbanas e mais homens nas rurais. Entretanto, existe um declínio no predomínio masculino nas áreas rurais entre 1991 e 2010, especialmente no Sudeste (de 117,5 para 106,9) Norte (de 113,2 para 108,1) e Centro-Oeste (de 107,4 para 103,4).

A etnia Tikúna tinha o maior número de indígenas (46,1 mil), resultado influenciado por 85,5% deles que residiam em terras indígenas. Os indígenas da etnia Terena estavam em maior número fora das terras (9,6 mil).

Nas terras indígenas, as etnias Yanomámi, Xavante, Sateré-Mawé, Kayapó, Wapixana, Xacriabá e Mundurukú não estavam presentes nas 15 mais enumeradas fora das terras. Já fora das terras, as não coincidentes eram Baré, Múra, Guarani, Pataxó, Kokama, Tupinambá e Atikum.

O censo também mostra que foram demarcadas 505 terras indígenas, cujo processo de identificação teve a parceria da Fundação Nacional do Índio (Funai) no aperfeiçoamento da cartografia. Essas terras representam 12,5% do território brasileiro (106,7 milhões de hectares), onde residiam 517,4 mil indígenas (57,7% do total).

Apenas seis terras tinham mais de 10 mil indígenas, 107 tinham entre mais de mil e 10 mil, 291 tinham entre mais de cem e mil, e em 83 residiam até cem indígenas. A terra com maior população indígena é Yanomami, no Amazonas e em Roraima, com 25,7 mil indígenas, indígenas, 5% do total.




Fonte: Portal Brasil, com informações do IBGE e da Funai


Fundo Amazônia assina primeiro contrato elaborado por indígenas

Contrato assinado entre o BNDES e os índios ashaninka tem valor de 
R$ 6,6 milhões (Divulgação/BNDES)

18/04/2015

O primeiro contrato elaborado por índios e apresentado ao Fundo Amazônia, sem intermediação de organizações não governamentais (ONGs) ou entidades do setor público, foi assinado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Associação Ashaninka do Rio Amônia, situada no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre, na fronteira com o Peru.

O contrato, assinado nessa quinta (16), tem valor de R$ 6,6 milhões e se refere ao projeto Alto Juruá, que beneficia não só o povo Ashaninka, mas também comunidades indígenas e não indígenas localizadas no entorno da Terra Indígena (TI) Kampa do Rio Amônia, envolvendo várias áreas protegidas.

Segundo informou hoje (17) a assessoria de imprensa do BNDES, o projeto objetiva promover o manejo e a produção agroflorestal nas comunidades, com o propósito de constituir alternativa econômica sustentável ao desmatamento, além de apoiar iniciativas de monitoramento e controle do território e de fortalecimento da organização local, na região do Alto Juruá, no Acre.

Serão atendidos pelo projeto os 720 habitantes da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, mais 600 pessoas da Terra Indígena do Rio Breu, além de 50 comunidades da Reserva Extrativista Alto Juruá. Serão capacitadas ainda seis comunidades Ashaninka do Peru. O projeto tem prazo de execução de 36 meses.

Nesta sexta-feira, representantes da Associação Ashaninka do Rio Amônia estiveram reunidos com técnicos do banco para tratar de detalhes do projeto. A operação foi aprovada em fevereiro passado e resultou de análise conjunta do projeto Alto Juruá pela equipe do BNDES, responsável pelo Fundo Amazônia, com representantes dos Ashaninka.

Segundo o BNDES, o projeto com os Ashaninka do Rio Amônia é a quinta iniciativa que o Fundo Amazônia apoia tendo como objetivo específico o fortalecimento de povos indígenas. Os cinco projetos somam R$ 75 milhões de apoio financeiro, em recursos não reembolsáveis. Mais oito projetos de comunidades indígenas atendidos pelo Fundo Amazônia totalizam R$ 14 milhões. Até 1º de abril deste ano, o número de projetos apoiados pelo Fundo Amazônia foram 72, no valor de R$ 1,086 bilhão, sendo que nem todos já tiveram os recursos liberados. O total desembolsado foi R$ 421,3 milhões.

Estabelecido pelo Decreto 6.527, de 1º de agosto de 2008, o Fundo Amazônia tem por finalidade captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia. O fundo é gerido pelo BNDES, que aplica os recursos advindos das doações. De outubro de 2009 até o último dia 13 de março, as doações recebidas pelo Fundo Amazônia alcançavam cerca de R$ 2,060 bilhões.

Fonte: EBC


Na Cúpula dos Povos, índios acessam Facebook e checam e-mails


Índio acessa Facebook durante os intervalos dos fóruns da Rio+20 (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

17/06/2012

Tiuré, da tribo potiguara, criou um perfil na rede social há dois anos.
Índio acredita que internet pode ajudar a divulgar os problemas da tribo.

Tássia Thum
Do G1 RJ

Além dos penachos coloridos e dos desenhos no corpo, os índios da tribo Potiguara não esquecem de carregar os computadores e smartphones. Nos intervalos dos fóruns e debates da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, o índio Tiuré aproveita para checar seus e-mails e mensagens no Facebook. Usuário da rede social há dois anos, ele acredita que a ferramenta pode ajudar a divulgar a cultura e os problemas que sua tribo enfrenta.

“Preciso divulgar essa luta dos potiguaras para o maior número possível de pessoas e, principalmente, para as autoridades, então nada melhor do que usar o Facebook, já que todo mundo está conectado lá”, diz o índio.

Tiuré, que mora na aldeia Lagoa do Mato, na Paraíba, conta que todas as escolas próximas à aldeia têm computadores conectados à internet. “Todos nós adoramos as redes sociais. Eu gosto de conhecer índios de outras tribos e pessoas interessadas em conhecer a cultura indígena. Cada vez aumenta o acesso dos índios ao ensino superior, concursos públicos e aos bens de consumo da tecnologia”, fala o indígena, que é conselheiro do cacique de sua tribo.

Ele diz que o principal problema enfrentado pelos potiguaras é a perda de território da tribo para os usineiros da cana de açúcar e para indústrias da mineração. “A nossa tribo já teve uma extensão de mais de 14 milhões de hectares e hoje temos apenas 20 mil hectares”, protesta o índio.

De acordo com os índigenas, a população da tribo potiguara tem cerca de 14 mil pessoas, sendo uma das maiores do Brasil. Além da Paraíba, há representações dos potiguaras nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.


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