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PROJETO TARTARUGAS NO MAR


Foto: iStockphoto/Thinkstock

O litoral do Rio Grande do Sul é uma importante área de alimentação para as tartarugas marinhas cabeçuda (Caretta caretta), verde (Chelonia mydas), e de couro (Dermochelys coriacea). São registrados em menor número indivíduos da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). Além disso, de toda a costa brasileira, o litoral do Rio Grande do Sul é o único que apresenta alta taxa de mortalidade da tartaruga-cabeçuda e da tartaruga-de-couro.

Diversas ações antrópicas tais como poluição, atividade pesqueira, desenvolvimento costeiro, consumo de carne e ovos e utilização da carapaça ameaçam a sobrevivência das tartarugas marinhas. Entre elas, a captura incidental na pesca é a maior responsável pelo declínio das populações de tartarugas marinhas em todo o mundo.

As áreas de desova das tartarugas marinhas no Brasil são bem conhecidas, sendo que cerca de 90% dos estudos são realizados nessas áreas. Apesar de pouco conhecidas, as áreas de alimentação das tartarugas marinhas são locais de extrema importância para sua conservação, já que esses animais passam a maior parte da vida nessas áreas. Com isso, ainda há a necessidade de se identificar os padrões de uso do hábitat costeiro e oceânico pelas tartarugas marinhas nas áreas de alimentação, visando a proposição de medidas que possam reduzir as ameaças enfrentadas por esses animais.

Assim, o objetivo geral do projeto é reduzir a mortalidade das tartarugas marinhas causadas pela captura incidental na pesca no sul do Brasil, a partir de ações integradas de pesquisa, gestão e envolvimento comunitário.

O município sede do Projeto Tartarugas no Mar é a cidade de Rio Grande – RS, sendo que algumas atividades são desenvolvidas nas cidades de São José do Norte – RS, Laguna – SC e Itajaí – SC.

Conheça o Caminho das Tartarugas

(Clique na imagem para acessar os dados)



Análise avalia saúde de tartarugas marinhas no Brasil

23/07/2014

As tartarugas-verdes foram capturadas com 
ajuda das equipes do Projeto Tamar-ICMBio
Foto: Wikimedia Commons
Resultados das análises da bióloga Silmara Rossi em tartarugas-verdes acometidas, ou não, por uma doença tumoral, a fibropapilomatose, capturadas em cinco regiões monitoradas pelo Projeto Tamar-ICMBio, indicaram exposição a compostos poluentes e sua provável acumulação no organismo dos animais amostrados. O objetivo da pesquisa, realizada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, foi o de estudar aspectos relacionados à imunossupressão causada por esta doença, além de verificar a presença de compostos orgânicos chamados de bifenilas policloradas (PCBs).

“Utilizados em transformadores, capacitores, fluídos de transferência de calor e como aditivos na formulação de plastificantes, tintas, adesivos e praguicidas, os PCBs estão proibidos no Brasil desde 1981, porém 31% da sua produção mundial atingiu o meio ambiente. Como possuem a capacidade de se acumularem nos seres vivos, podem causar diversos efeitos em sua saúde e, por isso, podem estar relacionados com o desenvolvimento da fibropapilomatose nas tartarugas verdes”, explica Silmara. A tese teve orientação da professora Eliana Reiko Matushima. Já as análises da presença de PCBs foram realizadas no laboratório de Ecotoxicologia, do Cena, sob a supervisão do professor Valdemar Luiz Tornisielo.

As tartarugas-verdes, da espécie Chelonia mydas, foram capturadas com a colaboração das equipes do Projeto Tamar-ICMBio, nas cidades de Florianópolis (Santa Catarina), Ubatuba (São Paulo), Vitória (Espírito Santo) e Almofala (Ceará), além da ilha de Fernando de Noronha (Pernambuco), e contribuíram para possibilitar a obtenção das amostras sanguíneas das tartarugas.

Fibropapilomatose
Durante três anos, entre agosto de 2010 e novembro de 2013, foram coletadas amostras e os resultados obtidos em 49 animais indicaram 33 com fibropapilomatose para aqueles que tiveram analisadas a atividade dos leucócitos e provenientes de Ubatuba. Já nas 80 tartarugas que tiveram os PCBs analisados, 59 não apresentaram fibropapilomatose e 21 tiveram a doença identificada.

“Os animais acometidos tiveram maiores concentrações dos compostos, com algumas exceções para as tartarugas capturadas em Vitória. Correlações indicaram que conforme aumentou a concentração de PCBs nas amostras, aumentou a atividade dos linfócitos. Porém, outros experimentos ainda precisam ser realizados para confirmar a relação dos poluentes com a fibropapilomatose”, afirmou Silmara.

A tese de doutorado, denominada Análise da atividade de leucócitos e de bifenilas policloradas aplicada ao estudo da fibropapilomatose em Chelonia mydas (Testudines, Cheloniidae) (Linnaeus, 1758), contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Silmara integrava o Programa de Pós-Graduação Interunidades Cena/Esalq, na área de concentração de Ecologia Aplicada.



Pesquisador do Inpa receberá 9º Prêmio Behler de Conservação de Tartarugas nos EUA

Foto: Acervo do pesquisador Richard Vogt

11/07/2014

O prêmio é concedido anualmente para homenagear estudiosos no campo da tartaruga de água doce pelos trabalhos relevantes de conservação dessas espécies

O pesquisador e estudioso em quelônios Richard Carl Vogt, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), receberá no próximo dia 7 de agosto o 9º Prêmio Behler de Conservação de Tartarugas, a ser entregue em Orlando, estado norte-americano da Flórida. A premiação é resultado do trabalho de pesquisas e conservação de tartarugas de água doce desenvolvido por Vogt, nos últimos 45 anos, nos Estados Unidos (EUA), México e Brasil.

O prêmio é concedido anualmente para homenagear estudiosos da tartaruga de água doce e reconhecer os trabalhos relevantes de conservação feitos com as espécies. A indicação é feita em conjunto com Aliança de Sobrevivência das Tartarugas, da União Internacional para a Conservação da Natureza/Grupo de Especialistas em Jabutis e Tartarugas de Água Doce, da Turtle Conservancy e do Fundo de Conservação da Tartaruga. 

John L. Behler (1946-2006) foi um naturalista norte-americano, herpetólogo (estudioso de répteis e anfíbios), autor e ativista conhecido por seu trabalho na conservação de espécies ameaçadas de tartarugas, cobras e outros répteis. Atuou de 1976 a 2006 como curador de répteis e anfíbios, do Zoológico do Bronx, em Nova York (EUA). Foi membro-fundador da Aliança de Sobrevivência das Tartarugas, que hoje financia o Prêmio Behler. Por isto, o trabalho de conservação de tartarugas aquáticas e terrestres leva o nome dele.

Pesquisas 

Entre as pesquisas relevantes desenvolvidas por Richard Vogt, doutor em Zoologia pela Universidade de Wisconsin (Madison, Estados Unidos), está a descoberta em 1979, juntamente com James J. Bull, pesquisador e professor da Universidade do Texas, em Austin (EUA), de que a determinação do sexo das tartarugas se dá pelo tempo de incubação dos ovos de acordo com a temperatura. Os pesquisadores comprovaram que a incubação no sol a uma temperatura acima de 33 graus nasce fêmea e em menos de 30 graus (à sombra) nasce macho.

Em 2012, Vogt e a então doutoranda do Inpa, Camila Ferrara, foram os primeiros pesquisadores a comprovar que há comunicação acústica entre as tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) e que os sinais sonoros começam a ser utilizados pelo grupo ainda dentro do ovo. Além disso, eles também comprovaram, em 2014, que as tartarugas mantêm um comportamento de cuidado parental entre mães e filhotes, que migram juntos por mais de 75 quilômetros pelos rios. 

Ameaça

Das 16 espécies existentes na Amazônia brasileira, o pesquisador Vogt destaca que a tartaruga-da-amazônia é a mais ameaçada por conta do consumo da carne e pelo grande interesse econômico. Segundo o pesquisador, apesar da existência de inúmeros projetos em conservação, a fiscalização por parte dos órgãos fiscalizadores e a implantação de criadouros legalizados (criação em cativeiro), a ameaça continua contra essa espécie.

“Tem gente que pensa que tartaruga é para servir de comida para o homem, mas, na verdade, o lugar das tartarugas é na natureza para servir de proteína, em forma de ovos e filhotes, para outros animais (lontras, ariranhas, jacarés, pássaros e muitos peixes) que precisam dessa fonte de alimento para sobreviver”, defende o pesquisador.

Para Vogt, uma das maneiras de equilibrar o problema, em se falando de economia, são as fazendas legalizadas de tartarugas que criam essas espécies em cativeiro para desestimular o comércio ilegal nos grandes centros urbanos, por meio da oferta autorizada de quelônios. Em rápida procura pelos restaurantes de Manaus, o prato a la carte de sarapatel de tartaruga com os acompanhamentos para duas pessoas pode custar até R$ 120 aproximadamente. 

“Existem boas fazendas em Manaus e Rio Branco (Acre), e esse sistema é a melhor forma de criar e vender essas espécies adultas legalmente para o consumo”, diz o pesquisador. “O problema é que às vezes o homem quer levar tudo da natureza para vender na cidade. Ao invés de adquirir no mercado negro, é melhor comprar nessas fazendas, pois no mercado no ilegal, os quelônios muitas vezes são roubados de reservas, levando as fêmeas adultas, que são matrizes reprodutoras e que vivem cerca de 60 a 80 anos. E isso causa enorme prejuízo à natureza e danos a essa população”, complementa.

Vogt conta que, em 1890, Tefé (AM) possuía a maior população de tartarugas do Brasil e, hoje, essa população, no rio Solimões, “praticamente acabou”. “Na Reserva de Mamirauá, que fica no município de Tefé, por exemplo, existem somente 25 fêmeas desovando”, afirmou.

Proteção

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mantém o Projeto Tartarugas da Amazônia para proteger os tabuleiros de desova (praias utilizadas pelas tartarugas para desova) a fim de manter a população de tartarugas. Segundo Richard Vogt, este é o maior programa do mundo de conservação de tartarugas da água doce. 

“Nenhum outro país chega a 5% do que o Brasil está investindo em dinheiro e recursos humanos na proteção dessas espécies. O Brasil é o único país que sabe o valor dessas espécies e está ajudando na conservação dessas populações. Sem o trabalho do ICMBio e do Ibama, as tartarugas da Amazônia sumiriam do mapa, mas agora são listadas internacionalmente como em perigo de extinção”, afirma Vogt.

O Projeto Tartarugas da Amazônia atua em parceria com o Inpa, Associação de Ictiólogos e Herpetólogos da Amazônia, Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Um dos objetivos do projeto é ampliar ainda mais os estudos científicos desenvolvidos com cinco principais espécies: Podocnemis expansa (tartaruga-da-amazônia), Podocnemis unifilis (tracajá), Podecnemis erythrocephala (irapuca), Podecnemis sextuberculata (pitiú) e o Peltocephalus dumerilianus (cabeçudo).

Parcerias

As pesquisas desenvolvidas pelo pesquisador Vogt recebem apoio do Inpa e de outras fontes financiadoras, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Boticário, Conservation International, WWF, Wildlife Conservation Society e, mais recentemente, da Petrobras.

Exposição de tartarugas vivas

Para Richard Vogt, a maior realização dele como pesquisador é o Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia (Cequa), que trabalhará com pesquisas, conservação de tartarugas e educação ambiental. Desde 2001, o projeto é financiando pela Petrobras.

Construído numa área de 20 X 40 metros e localizado no Bosque da Ciência no Inpa, o prédio do Cequa está quase pronto e contará com exposições de tartarugas amazônicas vivas em ambientes de aquário com informações sobre a conservação, ecologia e biologia das espécies.

“É um projeto inédito e não existe no mundo nenhum outro centro nesse porte para conservação de tartarugas de água doce no mundo”, ressalta Vogt. 



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