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MINISTROS SE REÚNEM EM PARIS, NA RETA FINAL PARA A CONFERÊNCIA DO CLIMA

Ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal (centro), ao 
lado do chanceler francês, Laurent Fabius (d.), e da secretária-executiva 
da ONU para as Mudanças Climáticas, Christiana Figueres.
REUTERS/Benoit Tessier
09/11/2015

A três semanas do início da Conferência do Clima de Paris, a COP 21, ministros de mais de 60 países se reúnem na capital francesa a partir deste domingo para acelerar as negociações de um acordo mundial sobre as mudanças climáticas. O Brasil está representado.

Durante três dias, os ministros do Meio Ambiente e da Energia devem tentar reduzir as divergências, ainda numerosas, que pairam sobre as negociações. O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, destacou que o objetivo da reunião - a terceira neste ano - "não é renegociar o texto conseguido na última sessão de diálogos em Bonn [Alemanha]", e sim "facilitar o acordo final" aguardado em Paris.

"É uma espécie de ensaio geral antes da conferência de Paris", explicou Fabius, presidente da COP 21.

O acordo global que se espera do evento deve limitar a 2°C o aumento da temperatura do planeta, na comparação com a era pré-industrial. Acima desse limite, os cientistas apontam consequências dramáticas para os ecossistemas e as economias, como a repetição de grandes enchentes ou secas devastadoras.

Em outubro, durante a sessão anterior de debates, os negociadores da ONU aprovaram um texto de 55 páginas, repleto de parênteses e alternativas a serem definidas, muitas vezes contraditórias. "Os ministros devem trabalhar o texto e começar a adotar opções claras, pensando no acordo de Paris", disse Jennifer Morgan, do World Ressources Institute.

Desacordos permanecem sobre vários pontos do texto

A conferência se inicia em 30 de novembro. Os participantes têm muito trabalho pela frente, já que persistem desacordos importantes em vários pontos: a ajuda financeira dos países do Norte aos países do Sul para financiar as políticas climáticas, os objetivos a longo prazo, a distribuição do esforço contra o aquecimento do planeta entre os países desenvolvidos, emergentes e pobres, assim como a revisão periódica dos compromissos assumidos pelos Estados para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

"Caso consigamos chegar a um acordo sobre o princípio e a periodicidade de uma cláusula de revisão para cima dos compromissos nacionais (...), teremos dado um passo muito importante", opinou Fabius.

Urgência para evitar aquecimento maior

Um relatório da ONU divulgado há uma semana lembrou a urgência de intensificar os esforços: os compromissos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa apresentados por 146 países até outubro resultariam em uma alta provável da temperatura de entre 2,7°C e 3°C até 2100, muito acima do objetivo de 2°C.

A questão do financiamento da luta contra o aquecimento global, em especial a ajuda aos países em desenvolvimento que mais sofrem seus efeitos, é crucial para o sucesso da COP 21. Nas negociações preparatórias de Bonn, não foi possível se chegar a um consenso. Os países calcularam que a conta vai chegar a US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020, data em que entrará o vigor o acordo de Paris. Até o momento, US$ 65 bilhões estão garantidos e há promessas de outros US$ 20 bilhões.

Essa "pré-COP" tentará aproximar as posições sobre o princípio do aumento dos financiamentos a partir de 2020, a participação no esforço dos países emergentes, e não apenas dos países ricos, e a aceleração do financiamento destinado à adaptação às mudanças climáticas.

Putin confirma presença

O presidente russo, Vladimir Putin, estará em 30 de novembro em Paris na abertura da grande conferência mundial sobre o clima, anunciou neste domingo o ministro francês das Relações Exteriores. "O primeiro dia estará reservado aos chefes de Estado e de Governo. Já temos mais de 100 respostas positivas e devem discursar o presidente dos Estados Unidos, o presidente da China, o presidente da Rússia, o primeiro-ministro da Índia, com certeza o secretário-geral das Nações Unidas, o presidente francês e muitos mais", disse Fabius.

A conferência mundial sobre o clima vai até 11 de dezembro. Para evitar a repetição do fracasso da COP de Copenhague, de 2009, os líderes mundiais decidiram comparecer ao dia de abertura, para fortalecer as negociações logo no início. O presidente americano Barack Obama, o chinês Xi Jinping e a brasileira Dilma Rousseff já confirmaram presença.

Com informações AFP

Fonte: RFI


François Hollande na China para falar de economia e de ecologia

O Presidente francês François Hollande em Chongqing na China.
AFP/AFP
06/11/2015

Cinco ministros, 23 personalidades e 50 empresários. O Presidente francês, François Hollande, apostou forte nesta deslocação à China para a economia francesa, mas igualmente para a Conferência sobre o Clima (COP 21) que vai decorrer em Paris a partir de 30 de Novembro. Esta segunda-feira a China aceitou um compromisso ambiental.

A França apostou numa mudança de espírito e de política em Pequim. O objectivo da visita do Presidente francês foi claramente enunciada por François Hollande quando chegou à China: a França espera compromissos do maior poluidor mundial antes da COP21.

Esta segunda-feira as expectativas foram alcançadas pelo Presidente francês: a China aceitou um compromisso, no qual admite prosseguir os esforços após a Conferência em Paris com uma "cláusula de revisão". Concretamente, todos os cincos anos vai haver uma avaliação para saber em que ponto está cada país e se respeitam os compromissos.

É um passo importante sobretudo que a ONU admitiu que os compromissos atuais vão levar a um aumento de 2,7°C no aquecimento global em vez dos 2°C inicialmente previstos.

Primeiro poluidor do planeta com 25% de emissões de gases com efeito de estufa, a China também é o líder dos 77 países em desenvolvimento e foi um dos responsáveis pelo fracasso da cimeira em Copenhaga, na Dinamarca, em 2009.

Este compromisso de Pequim poderá levar outros países a seguir o exemplo chinês.

Chegada a Chongqing

Pontes gigantescas com quatro vias de circulação, por cima do rio Yang Tsé, e de seguida, dezenas de prédios com 30 a 40 andares, eis o que encontrou o Presidente francês François Hollande ao chegar a Chongqing, primeira etapa de três horas no seu périplo pela China.

«Hoje estamos com um bom dia», disse um empregado do consulado francês, mostrando o seu telemóvel. É que, como muito expatriados ou até chineses, no ecrã do telemóvel, tem o índice da qualidade do ar na cidade, que é altamente poluído.

Chongqing, é uma cidade-região com 33 milhões de habitantes, quer dizer sensivelmente metade da população francesa num espaço tão grande como a Áustria. É também a sede de empresas com indústrias pesadas, um símbolo que a China quer virar uma página.

A ambição de Pequim hoje é a seguinte: ser o líder mundial do crescimento verde e ganhar o apoio das classes médias urbanas que querem uma melhor qualidade de vida. Um momento chave na história do país.

Fonte: RFI


Obama e Raúl Castro promovem encontro histórico entre EUA e Cuba

Encontro entre Obama e Raúl Castro foi disputado pelos jornalistas que 
acompanham a Cúpula das Américas, na Cidade do México (11/04/2015)
AP Photo

12/04/2015

No primeiro encontro após 50 anos sem relações diplomáticas, presidente fazem reunião bilateral na Cúpula das Américas

Na primeira conversa entre os presidentes de Cuba e Estados Unidos em mais de 50 anos, Raúl Castro e Barack Obama reiteraram a promessa de avançar na reaproximação dos dois países. O encontro histórico ocorreu neste sábado (11), na VII Cúpula das Américas, no Panamá.

Em uma pequena sala de reunião, no Centro de Convenções da Cidade do Panamá, Obama e Castro sentaram lado a lado em um encontro significativo que o presidente norte-americano chamou de "virar a página" nas divisões entre os dois países.

"Está é, obviamente, uma reunião histórica", disse Obama logo após os dois se sentarem. "Foi a minha crença de que era a hora de tentar algo novo, que era importante para nós nos envolvermos mais diretamente com o governo cubano. E principal, [nos envolvermos] com o povo cubano."

Em seguida, Raúl Castro afirmou concordar com tudo que Obama disse. "Cuba e EUA vão manter reuniões para avançar no restabelecimento das relações diplomáticas entre Havana e Washington", relatou Castro.

"Vamos fazer reuniões como países vizinhos devem fazer para estabelecer reuniões com vizinhos. Mas é necessário sermos pacientes", afirmou Castro para emendar: "Em alguns pontos vamos concordar, em outros discordar. Podemos discordar em um momento de uma coisa e continuar discutindo esse assunto para, no futuro, chegar a um acordo."

Por fim, Castro pediu ajuda de países presentes na Cúpula. "Espero que, com a ajuda de outros países presentes aqui, possamos nos aproximar mais."

No dia 17 de dezembro, Obama declarou o fim da "abordagem ultrapassada" dos Estados Unidos a Cuba, anunciando o restabelecimento de relações diplomáticas, bem como os laços econômicos e de viagens para a ilha – uma mudança histórica na política dos EUA, que visa pôr fim a um meio século de inimizades da Guerra.

Enquanto Obama fazia o comunicado na Casa Branca, o presidente cubano Raúl Castro também discursava para sua própria nação em Havana. Naquele dia, Obama e Castro falaram ao telefone por mais de 45 minutos.

Em discursos concomitantes transmitidos para o mundo todo, os líderes de Cuba e EUA falaram sobre o embargo da nação americana à ilha caribenha, iniciado em 7 de fevereiro de 1962.

O anúncio foi resultado de mais de um ano de negociações secretas entre os EUA e Cuba. O restabelecimento das relações diplomáticas foi acompanhada pela libertação do americano Alan Gross e de um espião norte-americano feita por Cuba e EUA, que também tinha três espiões presos na Flórida.


Chefes de estado em fotografia oficial da VII Cúpula das Américas. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Uma fonte norte-americana destacou que o papa Francisco e o Vaticano desempenharam papel fundamental como intermediários para a reaproximação entre os dois países. O papa também enviou carta com um apelo pessoal a Barack Obama e a Raúl Castro, e o Vaticano acolheu delegações dos dois países para finalizar a reaproximação.

Libertação

Alan Gross, preso pelo governo cubano desde 2009, foi libertado em 17 de dezembro como parte de um acordo com Havana e que abre o caminho para uma grande reformulação na política dos EUA em relação à ilha, altos funcionários do governo disseram à CNN.

O ex-espião esteve preso por quase 20 anos no país comunista, disseram funcionários da administração Obama. Gross é um homem não-americano, cuja identidade permanece em segredo de acordo com os funcionários, que falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a discutir o assunto publicamente.

Embargo precisa ser votado no Congresso norte-americano

Conhecido pelos cubanos como "el bloqueo" (o bloqueio), o embargo norte-americano a Cuba foi uma medida adotada pelos EUA no auge da Guerra Fria que interditou totalmente a relação econômica, financeira e comercial entre os dois países, separados por uma fronteira marítima de apenas 535 km.

A medida foi imposta no início dos anos 1960, depois do revolucionário e então recém-empossado líder cubano, Fidel Castro, iniciar uma aproximação com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), representada pela Rússia.

Após uma restrição inicial para a importação de açúcar cubano ao território norte-americano, instituída pelo então presidente dos EUA Dwight Eisenhower em 1960, John F. Kennedy ampliou as restrições para o grau máximo dois anos depois, suspendendo relações de nações anteriormente tão próximas – antes da Revolução Cubana que removeu a ditadura de Fulgencio Batista do poder, Cuba era conhecido como um "quintal dos EUA", onde empresários exploravam seus recursos e as elites passavam temporadas gastando dólares em seus cassinos e hotéis de luxo.

Devido ao aumento da tensão por influência entre soviéticos e norte-americanos, em 1962 Cuba foi protagonista daquela que ficou conhecida como a Crise dos Mísseis.

Em resposta à instalação de mísseis nucleares na Europa e à tentativa dos EUA de derrubarem Castro em Cuba, no ano anterior, os russos colocaram mísseis em território cubano apontados diretamente para os EUA em outubro.

A tensão acabou levando os EUA a impor restrições para viagens de seus cidadãos ao país caribenho, bem como à restrição comercial total entre as nações-membro da Organização dos Estados Americanos (OEA) com os cubanos. Também colaborou para a assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, cujo objetivo foi conter a corrida armamentista mundial, em 1968.

O embargo total, no entanto, prosseguiu, com presidentes norte-americanos assinando continuamente sua prevalência ao longo dos anos. Entre eles, o próprio Barack Obama, eleito chefe do Poder Executivo do país em 2008 com a promessa de terminar com o longo bloqueio à nação caribenha, conhecida pelos mais diversos problemas sociais.


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