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Países do Caribe contabilizam destruição causada pelo furacão Sandy

Crédito: Divulgação
04/10/2012

Fenômeno também deixou rastros de destruição no Caribe e mais de 70 pessoas morreram. A ONU teme pelo desabastecimento de alimentos em Cuba e no Haiti. Já nos EUA, outro furacão poderá atingir o país na próxima semana.

Uma semana após a passagem do furacão Sandy, a dimensão da destruição nos países caribenhos agora está sendo contabilizada. Além dos desabrigados e da destruição de plantações, Sandy causou a morte de mais de 70 pessoas na região – grande parte no Haiti.

Funcionários das Organizações das Nações Unidas (ONU) na capital cubana, Havana, descreveram Sandy como o pior furacão que já passou pela ilha nos últimos 50 anos. De acordo com dados do governo, 11 pessoas morreram. Mas fontes extra-oficiais falam em mais vítimas.

O furacão destruiu e danificou seriamente mais de 200 mil casas, hospitais e escolas. Além disso, Sandy arruinou cerca de 100 mil hectares de plantações e, consequentemente, as colheitas dos próximos meses. O escritório da ONU em Genebra, na Suíça, teme pela segurança alimentar em toda a ilha.

Ajuda insuficiente
Cuba sofre frequentemente com a passagem de furacões. Porém, esta foi a primeira vez que uma catástrofe natural atingiu um centro urbano do país: a cidade de Santiago de Cuba, com 500 mil habitantes, a segunda maior do país. De acordo com dados de um diplomata europeu, o governo cubano prestou ajuda rápida às vítimas, mas hesitou em receber a oferta de ajuda da ONU e de outros países.

Com isso, a ajuda de organizações religiosas teve um importante papel. A organização Caritas disse que já recebeu apoio financeiro dos Estados Unidos, da Suíça e da Alemanha. Países politicamente próximos de Cuba – como Bolívia, Venezuela e Rússia – encaminharam também ajuda humanitária.

Haiti: "Um desastre de grande dimensão"
Há também preocupações com a falta de alimentos no Haiti. O governo decretou estado de emergência no país para, assim, conseguir implementar um plano de ajuda eficaz para a população.

Haiti decretou estado de emergência e há preocupação
com a falta de alimentos
O primeiro-ministro haitiano, Laurent Lamothe, qualificou os estragos causados por Sandy como "um desastre de grande dimensão". Os números da ONU, em Genebra, na Suíça, confirmam que 60 haitianos morreram, 20 mil ficaram desabrigados e 70% da colheita no sul do país ficou comprometida. No total, 1,8 milhão de habitantes no país sofreram as consequências do furacão e, de acordo com o governo, houve prejuízo de 100 milhões de dólares.

O Haiti é o país mais pobre do continente americano e já foi atingido, no passado, por várias catástrofes naturais. Ainda não foram recuperados os estragos por causa do terremoto ocorrido no início de 2010.
Na época, 300 mil pessoas morreram. Desde então, uma epidemia de cólera levou à morte 7 mil pessoas. É bem possível que a tempestade Sandy possa ter espalhado o vírus da cólera na região.
Onda de frio nos EUA

Após a passagem do furacão na costa leste dos Estados Unidos, milhões de pessoas ainda estão sem fornecimento de energia elétrica e de combustível.

Muitos permanecem em casas sem aquecimento e teme-se, agora, uma onda de frio nas regiões afetadas por Sandy. Até a próxima semana são esperadas temperaturas de até seis graus.

Pessoas aguardam para comprar combustível
em um posto em Nova York
Ainda de acordo com meteorologistas, um outro furacão – porém mais fraco do que Sandy – se forma sobre o Oceano Atlântico e poderá atingir a costa leste dos Estados Unidos já na próxima semana.
De acordo com informações da emissora CNN, o número de vítimas do furacão aumentou e chegou a 106 somente nos Estados Unidos e duas no Canadá.


Eleições
Cidadãos norte-americanos das regiões atingidas pelo furacão deverão, mesmo assim, votar nas eleições desta terça-feira (06/11). Eles deverão efetuar o voto em caminhões do Exército ou em acampamentos montados por militares, segundo informou o jornal The New York Times. De acordo com a emissora CNN, eventualmente os eleitores poderão votar por e-mail ou pelo envio de fax.

FC/epd/dpa
Revisão: Mariana Santos

Fonte: DW


Sandy passou de furacão para ciclone ao tocar solo dos EUA; entenda


Imagem de satélite mostra Sandy sobre a Costa Leste dos EUA nesta terça-feira (30) (Foto: AP)

30/10/2012

Fenômeno teve início no Caribe,atingindo Cuba, Jamaica e Haiti.
Serviço climático disse que tempestade deve entrar para livro dos recordes.

Eduardo Carvalho
Do Globo Natureza, em São Paulo

O furacão Sandy, que tocou a Costa Leste dos Estados Unidos nesta segunda-feira (29) e que já matou pelo menos 15 pessoas no país e uma no Canadá, se aproximou da região continental norte-americana classificado como furacão de categoria 1, tendo sido "rebaixado" para ciclone extra-tropical assim que tocou o solo -- o que não retirou seu poder destrutivo.

O fenômeno teve origem na região do Caribe e, antes de castigar os EUA, afetou áreas da Jamaica, de Cuba e do Haiti, provocando ao menos 67 mortes.

Mas como nasce um furacão e como funciona sua categorização? O meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que o fenômeno climático é resultado da combinação de alta temperatura na superfície do oceano, elevada quantidade de chuvas e queda da pressão do ar (sistema que favorece uma subida mais rápida do ar e uma constante evaporação da água do mar).

"Esse sistema costuma se formar em áreas próximas à Linha do Equador. Sem ventos inicialmente, o calor do oceano (2 ºC a 3 ºC acima do normal) provoca uma evaporação rápida da água, formação de nuvens e de chuva. Com a precipitação, a temperatura ao redor da nuvem aquece e provoca uma queda da pressão atmosférica na superfície do mar. Na prática, isso provoca ventos favoráveis à formação de chuva", disse.

Ele explica ainda que, com a queda da pressão do ar, os ventos se intensificam e começam a se movimentar no oceano (em espiral), podendo atingir o continente.

saiba mais


Categorias de furacões
De acordo com a Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera (NOAA, na tradução do inglês), instituto do governo dos EUA responsável pelo monitoramento climático, a temporada de furacões no Oceano Atlântico em 2012 teve início em 1º de junho e deve se encerrar em 30 de novembro. O fenômeno Sandy é o 10º furacão na região e a 18ª tempestade tropical do ano.

Os furacões se dividem em cinco categorias de força pela escala Saffir-Simpson. Fenômenos classificados na categoria 1 têm ventos de até 152 km/h. Tempestades com ventos entre 153 km/h e 176 km/h estão na categoria 2.

Furacões com ventos entre 177 km/h e 207 km/h são classificados na categoria 3. Foram classificados neste patamar os fenômenos Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, e matou 1.700 pessoas, e Glória, que 1985 atingiu a região da Carolina do Norte e Nova York e causou oito mortes.

Na categoria 4, os ventos têm velocidade entre 209 km e 250 km. Já os furacões classificados na categoria 5 são aqueles que registram ventos com velocidade acima de 251 km/h, de acordo com o meteorologista do Inmet.

Mudanças no caminho
O furacão Sandy perdeu sua força ao tocar o solo na região de Nova Jersey na noite desta segunda-feira (29) e foi reclassificado como tempestade extra-tropical. Schneider afirma que, apesar da mudança do nome, a potência do fenômeno climático continua destrutiva, já que a velocidade dos ventos pode variar entre 63 e 117 km/h.

“Sua força foi reduzida porque perdeu o contato direto com a água quente do oceano, considerada o principal combustível para o furacão. Mas ao entrar em contato com o continente, encontrou temperaturas mais frias e se reorganizou como um ciclone extratropical, que segue rota da área sul da Costa Leste para a área norte do país”, disse.

Boletim divulgado às 5h (horário de Brasília) pela NOAA, apontava que os ventos na região do estado da Pensilvânia estavam em 105 km/h. Já a quantidade de chuva causada pelo furacão era de 295,15 mm na cidade de Wildwood Crest, no estado de Nova Jersey.

Relação com o aquecimento global?
O meteorologista disse que a formação de furacões na região do Atlântico Norte tem a ver com uma variabilidade natural da temperatura do oceano, que sofre alterações a cada período de aproximadamente 50 anos.

Schneider afirma que desde 1995 há registro de elevação da temperatura da água do oceano em uma área que compreende o litoral do Nordeste do Brasil, a região do Caribe (na América Central) até próximo à Groenlândia – compreendendo a Costa Leste dos Estados Unidos. “Não é nada fora do comum, é uma consequência direta dessa elevação natural”, disse.

Pesquisa divulgada neste mês na revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA, a "PNAS", sugere que tempestades tropicais de grande porte podem ocorrer em períodos espaçados entre 10 anos e 30 anos. Os cientistas temem que a contínua elevação da temperatura global possa acentuar ainda mais o número de eventos extremos pelo planeta.

29 de outubro - Skyline de Manhattan sob blecaute durante passagem de Sandy (Foto: Reuters)

Para o livro dos recordes
Christopher Vaccaro, porta-voz da NOAA, disse ao G1 que uma possível conexão do furacão Sandy com a mudança climática será foco de pesquisas futuras de cientistas da instituição. No entanto ele afirma que o tamanho e a força desta tempestade são bem inesperados para essa parte dos Estados Unidos.

“O alcance e a abrangência dos impactos desta tempestade, que vão de inundações costeiras a nevascas em regiões montanhosas vão colocar essa tempestade no livro dos recordes”, explicou o porta-voz do Serviço Nacional do Clima dos Estados Unidos ao G1.

Fonte: G1 Natureza


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