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Entenda o Acordo de Paz entre o governo colombiano e as Farc

Presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, durante cerimônia de assinatura do acordo
Carlos Silva/Presidencia de la República
26/09/2016

Reparação às vítimas, investimentos no campo e entrega das armas às Nações Unidas estão entre os principais pontos do texto
  
Depois de mais de cinquenta anos de conflito armado entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), um acordo de paz foi selado nesta segunda-feira (26). O objetivo é evitar mais vítimas e tornar o País mais seguro e estável.

Segundo o governo da Colômbia, as Farc se comprometeram a entregar todas as suas armas às Nações Unidas; a não se envolver em crimes como sequestro, extorsão ou recrutamento de crianças; romper ligações com o tráfico de drogas; e cessar ataques contra as forças de segurança e civis.

O acordo diz que haverá justiça e reparação às vítimas e as Farcs poderão fazer política sem usar armas. O texto assinado inclui um plano para o desenvolvimento agrícola integral, dando aos ex-guerrilheiros acesso à terra e a serviços, além de criar uma estratégia para a substituição sustentável de cultivos ilícitos.

Com esse documento, será criado um sistema de justiça para punir os responsáveis por crimes no qual as vítimas terão algum tipo de reparação. As punições incluem restrição de liberdade e, no caso de o autor não reconhecer o crime, pode ir para a cadeia comum por até 20 anos.

Fim das plantações de coca

O governo colombiano também irá desenvolver um plano de investimentos para o desenvolvimento do campo para dar aos agricultores oportunidades de ter renda e qualidade de vida de maneira lícita, sem o cultivo e produção de drogas.

As Farc ainda se comprometeram a romper os laços com o mercado de drogas, além de apoiar os esforços do governo para combater o narcotráfico. Os movimentos sociais que estão na base das Farc receberão garantias de que poderão fazer política sem armas.

O acordo tem todo o apoio do Brasil, que faz fronteira com a Colômbia. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente da República, Michel Temer, mencionou o acordo de paz e, durante conversa com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, manifestou apoio ao acordo

Quais os benefícios do acordo?

O fim das Farc como um movimento armado;
Entrega das armas e a volta dos guerrilheiros à vida civil;
O fim do sequestro, extorsão e hostilidade contra a população e o poder público;
Reparação e justiça às vítimas;
Paz com oportunidades legais para o desenvolvimento do campo sem drogas;
Fortalecimento das instituições democráticas e estaduais da Colômbia;
A luta mais eficaz contra as organizações criminosas e o tráfico de drogas.

Fonte: Portal do Planalto, com informações do governo da Colômbia

Farc ratificam acordo de paz na Colômbia por unanimidade

Farc: milícia mudou o tom, promovendo shows e palestras, com direito a citação 
de Gabriel García Marquez - REUTERS /John Vizcaino

24/09/2016

Planície do Yari - Líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deram apoio unânime a um acordo de paz firmado no último mês com o governo do país.

O anúncio concluiu uma semana de deliberações em que a guerrilha tentou se apresentar sob uma nova luz a colombianos céticos que os culpam por décadas de violência.

Com shows de artistas de rap, conferências sobre o papel das Farc no cuidado ao meio ambiente e entrevistas com a imprensa internacional, líderes evitaram a retórica de antagonismo que os colombianos costumam esperar deles.

"A guerra não acabou", disse o líder conhecido pelo pseudônimo de Ivan Marquez no final de uma coletiva de imprensa. "Diga a Mauricio Babilônia que ele pode soltar as borboletas amarelas", declarou em referência ao personagem do livro "Cem Dias de Solidão", de Gabriel Garcia Marquez.

Ivan Marquez disse que as Farc formarão um partido político até maio de 2017. Muitos colombianos aguardam por detalhes sobre uma transição das Farc para um movimento político uma vez que o grupo entregue suas armas a observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) nos próximos seis meses.

O presidente colombiano Juan Manuel Santos e o líder das Farc conhecido como Timochenko devem assinar o acordo na segunda-feira na cidade caribenha de Cartagena em um evento que deve ter a participação de mais de uma dezena de chefes de Estado, do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e do secretário de Estado norte-americano John Kerry.

Timochenko fez um apelo especial pelos milhões de vítimas do conflito de meio século, dizendo que, além do fim das hostilidades, as famílias se beneficiariam ao saber a verdade sobre o que ocorreu com seus parentes.

"Finalmente teremos uma segunda oportunidade", declarou.

Fonte: Exame.com


Colômbia: necessidades humanitárias aumentam após último surto de violência

Foto: MSF
10/07/2015

Muitas comunidades estão encurraladas com medo de novos confrontos

Deslocamentos, restrições acerca da mobilidade e falta de acesso a bens e serviços básicos, como cuidados de saúde: essas são as principais consequências da escalada do conflito em vários municípios nos departamentos de Nariño, Cauca e Vale Cauca, no sudoeste da Colômbia, que causou uma crise humanitária entre a população. 

“O impacto na saúde mental dessas pessoas é enorme. O medo de novos confrontos e a falta de abrigo adequado está impedindo que algumas populações deixem seus municípios”, diz Pierre Garrigou, coordenador-geral da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Colômbia. “O confronto também levou a deslocamentos massivos em alguns lugares”, adiciona.

O incidente do dia 16 de abril, que matou 11 soldados, levou à retomada de bombardeios liderados pelas Forças Armadas. Em meio a um desses ataques, 26 guerrilheiros foram mortos. Após esse episódio, no dia 22 de maio, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram um fim ao cessar-fogo unilateral, causando uma intensificação do conflito entre os dois lados, com confrontos, perseguições, bombardeios e dispositivos explosivos plantados em áreas povoadas.

Em maio e junho, um total de 525 incidentes violentos foram registrados em partes do país, 75% ocorreram em departamentos do sudoeste, de acordo com dados do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Resposta de MSF

Equipes de MSF que já trabalhavam na região estão respondendo ao aumento das necessidades humanitárias das populações nesses três departamentos desde o incidente em que 11 soldados morreram. Cerca de 1.800 pessoas participaram de atividades de saúde mental, incluindo grupos de atenção individual e em grupo, atividades psicossociais e treinamento em primeiros socorros psicológicos.

No município de Lopez de Micay, onde deslocados chegaram, as equipes também distribuíram kits de higiene e de cozinha, na medida em que as condições de vida nos abrigos são muito precárias.

Uma paciente com sintomas de estresse agudo atendida por MSF no auditório da escola Micay de Lopez – no litoral de Cauca Pacífico, onde há 865 novas pessoas deslocadas – chegou com seus quatro filhos: “Quando o bombardeio começou, eu caí no chão. Eu os escutei correndo ao redor do jardim. As crianças começaram a chorar, tudo parecia muito estar muito perto. Quando eles começaram a atirar, as crianças estavam chorando e me perguntaram, ‘mamãe, mamãe, nós vamos morrer?’ E eu falei a elas que ficassem quietas, e nós ficamos no chão até que tudo se acabasse. Eu não quero lembrar daquele horror, mas, todos os dias, as memórias voltam, eles fecham a porta e lá estou eu, sofrendo. Onde estamos agora, somos apenas um amontoado de gente. Eu me pergunto por quanto tempo ficaremos aqui, dormindo no chão.”

Equipe de emergência

“As necessidades humanitárias na região continuam aumentando, e uma equipe móvel de resposta de emergência já está em campo para reforçar a atuação das nossas equipes regulares na área”, explica Pierre Garrigou.

A equipe, composta por um psicólogo, um médico e um logístico, está, atualmente, atuando na área rural de Tumaco, avaliando as necessidades após o ataque do dia 22 de junho no gasoduto transandino, que afetou 301 comunidades na área do Rio Mira. Além disso, no centro urbano, onde, no último mês, houve 41 eventos violentos, 150 mil habitantes foram deixados sem abastecimento de água.

MSF atua na Colômbia desde 1985, nas regiões de Cauca e de Nariño. Em Cauca, equipes de MSF oferecem terapia individual e em grupo em hospitais e bairros. As equipes treinam líderes comunitários, promotores de saúde, parteiras e professores para oferecerem primeiros socorros psicológicos quando um incidente violento ocorrer.



Papa Francisco visitará Colômbia e pede apoio para acordo de Paz

Imagem de arquivo mostra o presidente da Colômbia,Juan Manuel Santos, 
e o Papa Francisco durante encontro no Vaticano (Foto: AFP)

02/04/2015

Data de visita não foi divulgada. 
'Não devemos perder energia', diz em relação a negociação com as Farc.

O Papa Francisco visitará a Colômbia, divulgou o Vaticano nesta quinta-feira (2) em carta à liderança católica do país, sem especificar a data. O pontífice pediu aos colombianos para se empenharem pela paz, enquanto o país lidera conversas com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para acabar com o conflito que já dura 50 anos.

"Sua santidade convida todos a serem colaboradores na construção da paz", informava a carta, adicionando que o papa argentino de 78 anos expressou solidariedade com as vítimas da guerra, que deixou 220 mil mortos.

"Nós não devemos perder energia ou esperança com as dificuldades deste projeto", de acordo com a carta, que falava sobre esforços para a paz.

"Nós vamos receber (o papa) com braços abertos como mensageiro da paz e reconciliação", disse o presidente Juan Manuel Santos em seu Twitter.

O governo segue por mais de dois anos com conversas de negociação de paz com Farc.

Negociadores até o momento entraram em acordos parciais sobre a reforma agrária, um fim para o tráfico de drogas e participação política para ex-rebeldes. No momento estão debatendo sobre reparações às vítimas e desmobilização da guerrilha.

Fonte: G1


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