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OIM lança apelo de US$ 84 milhões para ajudar Iêmen

Agência parceira da ONU faz apelo para ajudar as pessoas atingidas 
pelo conflito no Iêmen. Foto: OIM

23/05/2015

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Agência diz que dinheiro será usado para prestar assistência às pessoas afetadas pelo conflito,

Alto Comissariado da ONU de Direitos Humanos afirmou que mais de mil pessoas já morreram no país por causa da violência.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, fez um apelo esta sexta-feira de US$ 84 milhões para ajudar as pessoas atingidas pelo conflito no Iêmen.

O dinheiro, equivalente a R$ 253 milhões, vai ser usado para atender as necessidades da população dentro do território iemenita e nos países vizinhos.

Mortos e Feridos

O conflito já afeta 20 das 22 províncias do Iêmen. Segundo o Alto Comissariado da ONU de Direitos Humanos, pelo menos 1.037 civis foram mortos, incluindo 130 mulheres e 234 crianças, entre 26 de março e 20 de maio. O número de feridos chega a quase 2,5 mil.

O Escritório de Direitos Humanos disse ainda que durante esse mesmo período houve uma destruição maciça da infraestrutura do país, principalmente nas cidades de Áden e Sanaa, a capital.

Nos últimos dois meses, a violência e a emergência humanitária forçaram a fuga de mais de 20 mil pessoas do Iêmen para a região do chamado "chifre da África".

Além de iemenitas, estão incluídos neste grupo refugiados da Somália e trabalhadores migrantes de outros países que estavam no Iêmen.

Djibuti e Somália

Durante os cinco dias da pausa humanitária na região, entre 12 e 17 deste mês, centenas de pessoas deixaram o país de barco em direção a Djibuti e Somália.

Desde março, 13 mil pessoas fugiram para Djibuti pela proximidade geográfica com o Iêmen. Na Somália, o número de migrantes e refugiados vindos do Iêmen passa de sete mil.

A porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos pediu a todos os lados envolvidos no conflito que participem, de boa-fé, das consultas que estão sendo realizadas em Genebra para solucionar a crise.

Fonte: ONU

"Desmaiei de dor", lembra top model da Somália sobre mutilação genital

Waris Dirie foi mutilada quando tinha 5 anos e agora luta para acabar com o 
procedimento em todo o mundo 

24/05/2015

Waris Dirie tinha 5 anos quando foi circuncidada com navalha; Somália é o país que mais pratica mutilação genital no mundo: 98% das somalis de 15 e 49 anos passaram pelo procedimento

O som rítimico dos tambores ainda ecoa nas lembranças de Waris Dirie cada vez que ela ouve falar sobre mutilação genital feminina. A somali tinha 5 anos quando foi acordada pela mãe no meio da noite e levada a um local ermo. Quando viu uma mulher seguir em sua direção com uma lâmina de barbear quebrada, não teve dúvida: seria mutilada.

Cenário: Todos os anos, três milhões de meninas sofrem mutilação genital no mundo

Waris Dirie foi mutilada quando tinha 5 anos e agora luta para acabar com o procedimento em todo o mundo

Abril: Abrigo na Tanzânia protege meninas durante temporada de mutilação genital

"Fechei meus olhos e rezei para que fosse rápido. E foi, já que desmaiei de tanta dor e só acordei quando já havia acabado. Foi horrível. Senti como se tivesse perdido um braço", lembra Waris, hoje com 49 anos, durante conversa com o iG.

Assim como Waris, 98% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos foram submetidas à mutilação genital na Somália, segundo dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, coletados em 29 países entre a África e o Oriente Médio, onde se concentra a prática. Depois da Somália, a Guiné tem o segundo maior índice de circuncidadas: 96%. Djibouti e Egito têm, respectivamente, 93% e 91% da população nessa faixa etária mutilada. Em Eritreia e no Mali, o número chega a 89%. Em Serra Leoa e no Sudão, a prevalência é de 88%. 

Tradição milenar

Todos os anos, cerca de 3 milhões de meninas são submetidas à mutilação genital no mundo. Somado ao impacto do crescimento populacional, o número pode chegar a 63 milhões de mutilações genitais femininas até 2050, estima o Unicef.

A tradição de ao menos cinco mil anos de história que consiste em cortar partes do clitóris e dos pequenos e grandes lábios da vagina. Em algumas localidades, o corte ainda é feito à navalha. 

De acordo com Olga Regina Zigelli Garcia, pesquisadora do Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o procedimento teria função sanitária – a mulher se tornaria mais limpa após o ato – e também atenderia a questões culturiais: o clitóris é visto por sociedades patriarcais como a falsa representação do pênis e, portanto, competiria com a virilidade masculina. Na maioria dos casos, a mutilação da vagina veta à mulher o direito ao prazer sexual.

"A remoção das partes 'masculinas' e 'impuras' da vagina são procedimentos que, para os homens, torna as meninas 'limpas' e 'bonitas'", complementa Sheema Sengupta, chefe de proteção à criança do Unicef na Somália.

Depois do procedimento, Waris passou duas semanas se recuperando com hemorragia e febre alta. Para acelerar a cicatrização, a criança teve pernas e tornozelos atados com tiras de pano por quase um mês. "Mesmo sendo apenas uma garotinha, sabia que aquilo era errado. Deus me fez perfeita. Não precisavam ter tirado uma parte de mim", diz ela.

Théo Lermer, ginecologista, sexólogo e colaborador do ambulatório de sexualidade do Hospital das Clínicas (HC), explica que tribos ainda realizam a mutilação genital extrema, onde a mulher tem o clitóris e os pequenos lábios arrancados por meio de facões e navalhas, sem o menor nível de profilaxia. 

"Nesses casos, a vagina é costurada e se torna, basicamente, os orifícios para urinar e menstruar. Depois disso, durante a relação sexual, essa mulher sente bastante dor e, quando engravida, corre sério risco de morrer. Se ambos sobreviverem, é provável que a mulher sofra com fístulas", afirma.

Apesar do sofrimento, Waris jamais se rebelou contra os pais. Pelo menos não até os 13 anos, quando a família avisou que ela teria de se casar com um homem bem mais velho. Na noite que antecedeu o matrimônio, a jovem fugiu de casa e buscou abrigo junto a um tio que trabalhava em uma embaixada. Levada por ele para Londres, na Inglaterra, Waris se tornou empregada doméstica na casa do embaixador da Somália, mas fugiu depois de meses sem qualquer remuneração. Instalada em um albergue, a jovem conseguiu emprego em um restaurante do McDonal’s, onde acabou sendo descoberta pelo fotógrafo Terence Donovan e iniciou seu trabalho como modelo. 

"Foi um choque para uma garota muçulmana que não conhecia nada do mundo como eu", brinca. "Depois disso, dei início à minha carreira. Foram muitos desfiles e trabalhos publicitários. Mas jamais esqueci da mutilação genital." 

Para ajudar outras meninas que se submeterem à mutilação genital e evitar que milhares de outras sofressem a mesma dor, a ex-top model se tornou ativista social e escreveu o livro "Flor do deserto", que posteriormente se tornou filme com título homólogo e que teve a somali como co-produtora. Depois de anos modelando, Waris passou a se dedicar exclusivamente à Desert Flower Foundation, ONG que apoia mulheres afetadas pela mutilação genital e tenta proteger possíveis vítimas. Hoje, Waris mora em Viena com os filhoa Aleeke, de 17 anos, e Leon, de 5. 

No país com maior número de mutilações genitais do mundo, 67% das mulheres somalis não acham que o procedimento deve acabar. A porcentagem é expressiva, mas ainda menor do que a da Guiné, que tem o maior índice de aceitação do continente: 81% das mulheres são contra o fim da prática. Mali, com 80%, Serra Leoa, 74%, e Gâmbia, 72%, completam a lista dos países onde a maioria das mulheres apoia a circuncisão. Na contramão desse movimento, 93% das mulheres de Benin e Gana acham que a prática deve ser banida. 

"Grande parte da população somali é analfabeta. Claro que acreditam em várias tradições. As mulheres não têm status social e são abusadas em todo a sua vida. Essa realidade precisa mudar", diz Waris.

De acordo com Claudio Bertolli Filho, professor de antropologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), como a mutilação genital representa valores centenários para esses países, a permanência da prática deve ser discutida e, em muitos casos, respeitada.
Mapa dos países com maior número de mulheres e crianças submetidas à mutilação genital na África

"Essa é uma cultura que passa de geração para geração. Para nós ocidentais, por exemplo, é normal a mulher implantar silicone em várias partes do corpo e fazer cirurgia de reconstituição de hímen para ficar virgem novamente. Se a circuncisão não for total, não acho que deveria ser erradicada", pondera.

Já Olga, do Instituto de Estudos de Gênero da UFSC, acredita que o procedimento, considerado uma violação dos direitos humanos, não pode ser mantido apenas por seu "questionável valor cultural". "Essa prática, além de violar a dignidade humana, também viola os direitos da criança, já que meninas entre quatro e oito anos também são violadas. Não podemos legitimar crueldades e desigualdades com a desculpa da tradição", argumenta. 

Pelo fim da mutilação genital

Na Somália, o procedimento é proibido por lei, mas nem sempre respeitado. Em regiões como a autônoma Puntland, no nordeste somali, além da legislação há ainda uma fatwa religiosa – decreto islâmico – impedindo a prática. O Unicef em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas e o governo federal da Somália atuam para implementar novas legislações sobre o assunto e contam com auxílio de assistentes sociais e médicos, entre outros profissionais, para aconselhar a população a se opor à prática nas áreas mais isoladas do continente. 

"Para mudar essa realidade, precisamos de uma combinação de ações e intervenções, incluindo a execução de políticas sociais e de líderes religiosos como influenciadores e agentes-chave nas comunidades", explica Sheema Sengupta.

Terrorismo e fome

Alvo de disputa no período colonial entre o Reino Unido, França e a Itália, a Somália foi criada em 1960 e, desde então, seu desenvolvimento econômico e social tem sido lento. Com a relação azedada com os vizinhos Quênia, Etiópia e Djibouti por suas reivindicações territoriais, o país só passou a desfrutar de alguma estabilidade a partir de 2012, com a queda do presidente Barre e a instauração de um novo governo. Mas os anos de ausência política expressiva trouxe consequências difíceis para a nação. 

O grupo terrorista Al-Shabab – A Juventude, em árabe –, responsável pelo ataque terrorista à universidade do Quênia que deixou 148 mortos e cuja ligação com a rede Al-Qaeda é conhecida internacionalmente, foi um resultado da crise. Criado em 2006 como uma ala radical da extinta União das Cortes Islâmicas da Somália, que combatia as forças etíopes apoiadoras do fraco governo interino, o grupo tem grande influência nas áreas rurais do país e realiza ataques sistemáticos tanto dentro quanto fora da Somália.

A ascensão da pirataria somali também despertou preocupação internacional e levou até a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a assumir a liderança em uma grande operação antipirataria. Os esforços internacionais começaram a dar frutos em 2012, quando os ataques piratas caíram drasticamente nessa região.

Mas os problemas do país não se limitam ao terrorismo. Entre 1992 e 2012, a Somália contabilizou cerca de meio milhão de mortes em decorrência da fome. Somente em 2011, durante uma das piores secas em seis décadas na África, mais de 250 mil foram mortos – metade crianças com menos de 5 anos, conforme indicou o Consórcio de Organizações Não Governamentais. Outros milhares ficaram à beira da inanição e fugiram para o Quênia e Etiópia em busca de comida.


Fome e Crise humanitária na Somália

Menina somali aguarda pela sua vez para coletar água 

22/04/2015
  
Publicado por África Urgente, em 21 de março de 2014 

Somália é considerada um dos países mais pobres da África, lugar onde a fome e os conflitos crescem a cada dia que se passa. Devido à seca e a falta de ajuda alimentar cerca de 3,6 milhões de pessoas vivem sobre o risco de fome e algumas chegam até a morrer, a maioria delas são crianças que morrem devido à desnutrição, um problema que não se acaba, e ao passar dos anos vai ficando pior são centenas de somalis prejudicados com este problema, alguns deles vivem em acampamentos dentro e fora da capital de Mogadíscio. Por lá o  sofrimento e castidade são constantes um cenário de dor e muito sofrimento podemos ver todos os dias.

A taxa de mortalidade está crescendo a cada ano que se passa e a  grande e a  causadora de tudo isso é a fome. Entre maio de 2012 e agosto o número de mortes subiram para 258.000 pessoas somalis que morreram de fome, a mortalidade infantil da Somália  aumentou para 29 mil crianças e este numero tende a crescer todos estão vivendo em um estado de calamidade todos desnutridos fracos precisando de vitaminas e proteínas algumas desabrigadas sem ter onde ir, o maior numero de mortos estão de 133.000 todas  crianças com menos de 5 anos de idade.

Em media já morrem cerca de 300 crianças por dia, e 640 mil crianças somalis estão subnutridas, todas precisando de ajuda para sobreviver à fome na Somália foi provada por causa de uma grave seca no Chifre da África e foi piorando devido a falta de segurança no país que infelizmente está em guerra civil desde a queda do presidente Siad Barre em 1991 a cada ano que se passa a situação na Somália vai ficando pior milhares de famílias somalis estão doentes e desnutridas.



Grupo armado deixa mortos e faz reféns em universidade no Quênia

Homem ferido é atendido em local de ataque à universidade no Quênia 
(Foto: Simon Maina/AFP)
02/04/2015

Ao menos 147 pessoas morreram; ataque deixou dezenas de feridos.
Número de mortos pode aumentar, pois há vítimas em estado grave.

O governo do Quênia atualizou para 147 o número de pessoas que morreram nesta quinta-feira (2) quando um grupo de homens armados atacou a Universidade de Garissa, no leste do Quênia e na fronteira com a Somália, informou uma fonte policial à agência Reuters. O ataque deixou dezenas de feridos.

Ao menos dois suspeitos foram mortos pela polícia. Segundo o Ministério do Interior, a operação de resgate se intensificou para libertar os estudantes sequestrados e 90% da ameaça foi neutralizada. Ainda de acordo com o ministério, 500 dos 815 estudantes foram resgatados.

O grupo radical islâmico Al-Shabaab reivindicou o ataque e afirmou que a ação é uma vingança contra a intervenção de tropas do Quênia na Somália. Sheikh Abdiasis Abu Musab, porta-voz do grupo, disse que os muçulmanos que estavam no local foram soltos, enquanto os cristãos ainda eram feitos reféns. De acordo com ele, havia diversos corpos de cristãos mortos dentro do prédio.

Médicos do hospital de Nairobi atendem uma mulher ferida nos ataques a uma 
universidade no Quênia (Foto: AP)

O governo está tentando localizar os estudantes da universidade para estimar o número de mortos e reféns. O ministro do Interior do Quênia, Joseph Nkaissery, afirmou que 280 dos 815 estudantes da universidade foram encontrados. “Esforços estão em andamento para localizar os outros”, disse o Centro de Operação de Desastres do governo queniano.

O incidente começou por volta das 5h30 (horário local, 23h30 de quarta, 1º, em Brasília), quando os atiradores entraram no centro universitário, começaram a disparar indiscriminadamente e detonaram vários artefatos explosivos, segundo o Centro de Operação de Desastres.

O inspetor geral da polícia, Joseph Boinnet, explicou em comunicado que também houve um tiroteio entre os atiradores e os policiais que protegiam as residências dos estudantes. "Os atiradores conseguiram entrar nas residências", afirmou Boinnet, acrescentando que neste momento as Forças de Defesa do Quênia e a polícia efetuam uma operação conjunta para pôr fim ao ataque.

Estudantes se refugiam em um veículo durante ataque a universidade. (Foto: AP Photo)

Reféns e feridos

Segundo o Ministério do Interior, o grupo armado conseguiu entrar em uma residência e mantém um número ainda não conhecido de reféns. "Dos quatro prédios, três foram esvaziados. Mas os agressores estão cercados", disse um tuíte do Ministério do Interior.

As primeiras informações de que havia quatro feridos mudaram para 30. "Pelo menos 30 feridos foram transferidos ao hospital, quatro deles em estado muito grave. A maioria das vítimas tem ferimentos de bala", informou a Cruz Vermelha do Quênia através de sua conta oficial no Twitter.

Desde outubro de 2011, quando o exército queniano entrou na Somália para combater o Al-Shabaab, o país foi alvo de constantes atentados terroristas, o mais grave deles no shopping Westgate, ocorrido em 2013 e no qual morreram pelo menos 67 pessoas.

ONU condena o ataque

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon condenou o "ataque terrorista" perpetrado por islamitas shebab contra uma universidade no Quênia e exigiu que os responsáveis sejam levados à justiça.

"Ban espera que a situação esteja logo sob controle sem que haja mais danos àqueles que estão detidos (reféns) e pede que os responsáveis pelo ataque sejam rapidamente levados à justiça", afirmou seu porta-voz.

Fonte: Globo.com


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