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POR QUE A FRANÇA SE TORNOU ALVO DO ESTADO ISLÂMICO

Ataque à casa de shows Bataclan deixou mais de 80 mortos
Foto: AFP PHOTO / MARTIN BUREAU / AFP

15/11/2015

Grupo terrorista afirmou que ataques seriam uma resposta aos "bombardeios contra os muçulmanos em terras do califado"

O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria dos ataques que deixaram ao menos 129 mortos na sexta-feira, em Paris. Em comunicado publicado na internet em duas versões, em árabe e em francês, o grupo afirmou que os ataques de Paris seriam uma resposta aos "bombardeios contra os muçulmanos em terras do califado", um termo geralmente utilizado para designar as regiões do Iraque e da Síria controladas pelo EI.

"Que a França e aqueles que seguem seu caminho saibam que permanecerão entre os alvos do Estado Islâmico", acrescentou a organização extremista sunita.

A França, que participa de uma coalizão internacional, realiza ataques aéreos contra os jihadistas no Iraque e na Síria. O atos da sexta-feira são os mais mortais dos últimos 40 anos na Europa, ao lado dos atentados lançados em 11 de março de 2004, em Madri.

Reportagem do jornal The Guardian divulgada neste sábado indica que a França tem sido o mais ativo da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos para neutralizar posições do grupo extremista na Síria. No início desta semana, caças franceses atacaram, por exemplo, instalações de gás e petróleo dominadas pelo Estado Islâmico em Deirez-Zor. A estratégia é minar a infraestrutura terrorista e uma de suas principais fontes de receita. O presidente francês, François Hollande, anunciou o deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle para o Golfo Pérsico para dar suporte à ofensiva.

O primeiro ataque francês contra a milícia foi em setembro. Em outubro, aviões franceses bombardearam um campo de treinamento na cidade de Raqqa, uma espécie de capital do califado que o Estado Islâmico diz ter instaurado na região.

Embora o governo francês tenha negado que buscava alvos específicos, o jornal Le Monde publicou que o ataque tinha o objetivo de matar Benghalem Salim, 35 anos, guerrilheiro responsável por cooptar cidadãos franceses para integrar as fileiras do grupo. Cerca de 600 franceses teriam se juntado ao Estado Islâmico nos últimos anos.

No total, segundo o Guardian, a França teria realizado mais de 271 ataques aéreos contra a Síria. Os caças utilizados são os Rafale estacionados em base nos Emirados Árabes Unidos e os Mirage 2000, que partem da Jordânia.A França foi o primeiro país a se juntar à coalizão liderada pelos americanos, o que torna o país o alvo número 1, mais vulnerável e mais próximo para a vingança dos fanáticos do Estado Islâmico.

Mais cedo, o presidente francês, François Hollande, havia dito que o grupo orquestrou o pior ataque na França desde a Segunda Guerra Mundial e prometeu revidar. O presidente declarou três dias de luto nacional e colocou a segurança da nação em seu nível mais alto. Ele disse que a França "vai ser implacável para com os bárbaros do Estado Islâmico":

— A França vai agir por todos os meios em qualquer lugar, dentro ou fora do país.

A França já está bombardeando alvos dos extremistas na Síria e no Iraque e tem tropas lutando com extremistas na África. Há dois anos, participa da coalizão antijihadista que luta contra o Estado Islâmico no Iraque e, em outubro, estendeu os bombardeios aéreos à Síria, país em guerra desde 2011. Desde 2014, o EI controla uma ampla faixa de território entre os dois países.

Os atentados, cometidos quase simultaneamente a partir das 21h20min (18h20min de Brasília) de sexta-feira, também deixaram 300 feridos, 80 deles em estado grave. Oito criminosos morreram nos ataques e, segundo o procurador-geral de Paris, François Molins, cúmplices ou coautores dos ataques podem estar soltos.

Pelo menos 82 pessoas morreram na casa de espetáculos Bataclan, lotada com quase 1,5 mil espectadores quando os terroristas invadiram o local durante a apresentação do grupo americano Eagles of Death Metal.

— Dois ou três indivíduos sem ter o rosto coberto entraram com armas automáticas do tipo kalashnikov e começaram a atirar aleatoriamente contra o público. Isso durou uns 10, 15 minutos. Foi extremamente violento e houve uma onda de pânico — relatou um apresentador da rádio Europa 1, Julien Pearce, que estava no local.

Outra testemunha afirmou à emissora France Info que um dos atiradores gritou "Alá Akbar" (Deus é grande) antes de abrir fogo. Os autores do ataque citaram a intervenção francesa na Síria para justificar as ações, disse uma testemunha à AFP.

— Eu ouvi quando eles falaram claramente aos reféns: "A culpa é de Hollande, a culpa é do seu presidente, não tem motivo para intervir na Síria" — declarou à AFP Pierre Janaszak, 35 anos, que estava no Bataclan.

Pelo menos 128 pessoas morreram e 250 ficaram feridas nos ataques em Paris na sexta
Foto: Philippe Wojazer/REUTERS/FOLHAPRESS

Confira o mapa dos ataques:


Fonte: Zero Hora


Grupo armado deixa mortos e faz reféns em universidade no Quênia

Homem ferido é atendido em local de ataque à universidade no Quênia 
(Foto: Simon Maina/AFP)
02/04/2015

Ao menos 147 pessoas morreram; ataque deixou dezenas de feridos.
Número de mortos pode aumentar, pois há vítimas em estado grave.

O governo do Quênia atualizou para 147 o número de pessoas que morreram nesta quinta-feira (2) quando um grupo de homens armados atacou a Universidade de Garissa, no leste do Quênia e na fronteira com a Somália, informou uma fonte policial à agência Reuters. O ataque deixou dezenas de feridos.

Ao menos dois suspeitos foram mortos pela polícia. Segundo o Ministério do Interior, a operação de resgate se intensificou para libertar os estudantes sequestrados e 90% da ameaça foi neutralizada. Ainda de acordo com o ministério, 500 dos 815 estudantes foram resgatados.

O grupo radical islâmico Al-Shabaab reivindicou o ataque e afirmou que a ação é uma vingança contra a intervenção de tropas do Quênia na Somália. Sheikh Abdiasis Abu Musab, porta-voz do grupo, disse que os muçulmanos que estavam no local foram soltos, enquanto os cristãos ainda eram feitos reféns. De acordo com ele, havia diversos corpos de cristãos mortos dentro do prédio.

Médicos do hospital de Nairobi atendem uma mulher ferida nos ataques a uma 
universidade no Quênia (Foto: AP)

O governo está tentando localizar os estudantes da universidade para estimar o número de mortos e reféns. O ministro do Interior do Quênia, Joseph Nkaissery, afirmou que 280 dos 815 estudantes da universidade foram encontrados. “Esforços estão em andamento para localizar os outros”, disse o Centro de Operação de Desastres do governo queniano.

O incidente começou por volta das 5h30 (horário local, 23h30 de quarta, 1º, em Brasília), quando os atiradores entraram no centro universitário, começaram a disparar indiscriminadamente e detonaram vários artefatos explosivos, segundo o Centro de Operação de Desastres.

O inspetor geral da polícia, Joseph Boinnet, explicou em comunicado que também houve um tiroteio entre os atiradores e os policiais que protegiam as residências dos estudantes. "Os atiradores conseguiram entrar nas residências", afirmou Boinnet, acrescentando que neste momento as Forças de Defesa do Quênia e a polícia efetuam uma operação conjunta para pôr fim ao ataque.

Estudantes se refugiam em um veículo durante ataque a universidade. (Foto: AP Photo)

Reféns e feridos

Segundo o Ministério do Interior, o grupo armado conseguiu entrar em uma residência e mantém um número ainda não conhecido de reféns. "Dos quatro prédios, três foram esvaziados. Mas os agressores estão cercados", disse um tuíte do Ministério do Interior.

As primeiras informações de que havia quatro feridos mudaram para 30. "Pelo menos 30 feridos foram transferidos ao hospital, quatro deles em estado muito grave. A maioria das vítimas tem ferimentos de bala", informou a Cruz Vermelha do Quênia através de sua conta oficial no Twitter.

Desde outubro de 2011, quando o exército queniano entrou na Somália para combater o Al-Shabaab, o país foi alvo de constantes atentados terroristas, o mais grave deles no shopping Westgate, ocorrido em 2013 e no qual morreram pelo menos 67 pessoas.

ONU condena o ataque

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon condenou o "ataque terrorista" perpetrado por islamitas shebab contra uma universidade no Quênia e exigiu que os responsáveis sejam levados à justiça.

"Ban espera que a situação esteja logo sob controle sem que haja mais danos àqueles que estão detidos (reféns) e pede que os responsáveis pelo ataque sejam rapidamente levados à justiça", afirmou seu porta-voz.

Fonte: Globo.com


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