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Síria: mais de 50 mortos em ataque contra hospital em Aleppo



03/05/2016

MSF afirma que a situação permanece crítica na cidade síria, que foi totalmente bombardeada

É com profunda tristeza que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirma, até o momento, a morte de mais de 50 pessoas – incluindo pacientes e ao menos seis profissionais médicos – após os ataques aéreos contra o hospital Al Quds apoiado por MSF em Aleppo, na Síria. A instalação e áreas ao seu redor foram atingidas na noite do dia 27 de abril por bombardeios que não pouparam nenhuma parte da cidade.

“O céu está caindo em Aleppo. A cidade, onde têm se instalado consistentemente as frentes de batalha desse conflito brutal, agora está sob o risco de sofrer uma ofensiva completa, sem que lugar algum seja pouopado”, diz Muskilda Zancada, coordenadora-geral de MSF na Síria. “Ataques contra hospitais e profissionais médicos são um indicador devastador de como a guerra na Síria está sendo travada, uma das inúmeras maneiras brutais por meio das quais os civis estão sendo alvejados.”

Esta não é a primeira vez que o hospital Al Quds é atingido por bombas; a instalação já foi prejudicada e parcialmente destruída algunas vezes. A última delas foi em 2015. Além do Al Quds, MSF recebeu relatos de que outro centro de saúde, que não recebe o apoio da organização, também foi atingido.

“MSF apoia o hospital Al Quds desde 2012. Tem sido uma grande honra para nós poder trabalhar de maneira tão próxima com pessoas tão dedicadas”, diz Zancada. “Nós vemos dia sim dia não o quanto eles arriscam suas vidas em meio ao inferno dessa guerra, para garantir que a população possa ter acesso a cuidados médicos. Sua perda é nossa perda, e nós continuamos comprometidos em ajudar o hospital a retomar as atividades.”

Agora, MSF está desesperadamente preocupada com a situação das cerca de 250 mil pessoas que enfrentam a ameaça crescente de ficarem completamente isoladas, sem acesso a cuidados médicos.

“O ataque contra o hospital Al Quds destruiu um dos últimos locais em Aleppo onde se poderia encontrar humanidade. Aleppo já é um fragmento do que era antes; e esse último ataque parece determinado a eliminar até mesmo isso”, acrescenta Zancada.

MSF gostaria de atestar o trabalho heroico de médicos sírios em todo o país, que continuam tentando tratar suas comunidades em condições inimagináveis. O hospital solicitou apoio em termos de equipamentos médicos e medicamentos, e MSF está empenhada em ajudar nisso e em sua reconstrução.

MSF mantém seis instalações médicas no norte da Síria e apoia mais de 150 hospitais e centros de saúde no país, entre eles, o hospital Al Quds. A organização presta suporte à instalação desde 2012 com doações irregulares e desde 2014 com doações regulares de medicamentos.

SÍRIA: DISCURSO DA PRESIDENTE INTERNACIONAL DE MSF

Foto: MSF

20/02/2016

A Dra. Joanne Liu fala sobre a crise humanitária na Síria no Palácio das Nações, em Genebra

Hoje, na Síria, o anormal é agora normal. O inaceitável é aceitável.

Os ataques brutais e implacáveis a civis são o aspecto dominante dessa guerra. Além do incontável número de mortos, as centenas de milhares de pessoas fugindo por sobrevivência. Muitas das quais encurraladas, e negadas o direito fundamental de fugir.

Ataques deliberados contra infraestruturas civis, incluindo hospitais que batalham para oferecer assistência vital, são rotina. Cuidados de saúde na Síria estão na mira de bombas e mísseis. O sistema está em colapso.

Falando com clareza: os ataques contra civis e hospitais precisam parar. A normalização de tais ataques é intolerável.

O ataque mais recente aconteceu há apenas três dias, em 15 de fevereiro, em Mar’at Al Numan, na província de Idlib. Às 9h00, ataques aéreos destruíram um hospital apoiado por Médicos Sem Fronteiras (MSF). Ao menos 25 pessoas foram mortas, entre elas nove profissionais médicos e 16 pacientes. Outras dez pessoas ficaram feridas.

De acordo com relatos feitos pela equipe médica no local, quatro mísseis atingiram o hospital em meio a um ataque que durou cerca de dois minutos. Quarenta minutos depois, após a chegada do resgate, o local foi bombardeado novamente.

Esses ataques secundários, conhecidos como “double taps” no jargão militar, que tiveram como alvo o pessoal médico e de resgate que tentava salvar os feridos, são revoltantes. Mas não parou por aí. Um hospital próximo dali, que recebeu muitas das pessoas feridas no primeiro ataque, foi atingido uma hora depois.

Essa destruição cínica dos hospitais e a morte de pessoal médico priva comunidades inteiras do acesso a cuidados médicos essenciais.

Esse ataque só pode ser considerado deliberado. Provavelmente, foi conduzido pela coalizão liderada pelo governo sítio que está predominantemente ativa na região.

Nós dizemos em alto e bom som: o médico do seu inimigo não é seu inimigo.

O hospital em Mar’at Al Numan era uma chance de sobrevivência. A instalação tinha 30 leitos e contava com 54 profissionais, dois centros cirúrgicos, um ambulatório e uma sala de emergência. Milhares de pessoas eram tratadas mensalmente.

E o ataque a Mar’at Al Numan apenas ecoa uma realidade ainda mais ampla.

Em 2015, MSF coletou dados médicos de 70 clínicas e hospitais apoiados pela organização na Síria. Mais de 154 mil pessoas feridas na guerra foram tratadas. Dessas, entre 30 e 40% eram mulheres e crianças.

As informações que reunimos são estarrecedoras, mas são apenas um retrato de algo muito maior. As pessoas feridas ou aquelas que são mortas fora das instalações de saúde apoiadas por MSF permanecem fora dessa contagem. É muito provável que a situação real seja muito, muito pior.

Igualmente chocantes são os 101 ataques aéreos ou bombardeios que atingiram instalações apoiadas por MSF nos últimos 13 meses. Diversas das estruturas foram atingidas duas vezes após a chegada de pessoal médico e de resgate. Pacientes nos disseram que agora estão com muito medo para irem a hospitais.

Com ataques mais intensos nos últimos dias e semanas, muitos milhares de pessoas, incluindo mulheres e crianças, estão fugindo para sobreviver.

Cem mil pessoas estão no norte da Síria, próximo a Azaz. Elas estão tentando escapar dos progressivos bombardeios aéreos e combates em terra. Elas estão encurraladas entre a fronteira turca e a frente de batalha. Na medida em que a Turquia fez esforços notáveis para abrigar milhões de refugiados sírios, uma potencial catástrofe civil agora se instala por suas fronteiras. Enquanto isso, no sul, situação similar se desdobra na fronteira atualmente fechada com a Jordânia.

Entre 1,6 e 1,9 milhão de outros sírios estão sitiados, sem poder escapar de ataques aéreos aleatórios e devastadores. Eles precisam desesperadamente de suprimentos médicos, alimentos e outros itens essenciais.

Quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) estão envolvidos nas operações militares na Síria. Eles estão falhando em cumprir com suas próprias resoluções no que diz respeito à proteção de civis e de cuidados de saúde, e à provisão de assistência humanitária.

A vida na Síria está despedaçada. Não há segurança nem santuários diante dos ataques implacáveis. Escolas, hospitais e casas estão destruídos. Milhões fugiram. Outros não podem fazer o mesmo, e estão enjaulados em meio a fronteiras fechadas.

Hoje, a Síria é um matadouro.

Somos testemunhas de um fracasso global coletivo.    

Ataques a instalações de saúde e outros alvos civis precisam cessar, e ser objeto de investigações independentes.

Repetimos nossa demanda para que os bombardeios sejam interrompidos nas áreas sob cerco.

Pedimos o aumento e o desimpedimento da oferta de ajuda, e a evacuação imediata dos feridos e doentes. As pessoas têm o direito fundamental de fugir de uma guerra ativa.

O Conselho de Segurança da ONU, e todos os poderes envolvidos na região, precisam fazer mais, simplesmente para salvar vidas. Simplesmente para acabar com essa agonia.


MINISTRO DIZ QUE FRANÇA NÃO PENSA EM SUSPENDER A COP-21

15/11/2015

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse hoje (14) que não será suspensa ou adiada a COP-21, conferência sobre clima, com início marcado para o dia 30, em Paris.

Fabius afirmou que a conferência é indispensável para o combate ao desregramento climático mundial e “evidentemente será realizada”, apesar dos ataques terroristas de ontem (13) e do temor de que novos atentados possam ocorrer.

O ministro assegurou que serão tomadas toda as providências para a proteção dos mais de 150 presidentes e chefes de estado presentes, entre eles o pesidente Barack Obama, dos Estados Unidos, e XI Jinping, da China. À  conferência que se estenderá até o dia 11 de dezembro, estarão presentes  7 mil delegados, 10 mil observadores e mais de 3 mil jornalistas.

Antes da abertura oficial da conferência, no dia 29, haverá uma Marcha pelo Clima, organizada por movimentos sociais, para a qual estão previstas mais de um milhão de pessoas.


POR QUE A FRANÇA SE TORNOU ALVO DO ESTADO ISLÂMICO

Ataque à casa de shows Bataclan deixou mais de 80 mortos
Foto: AFP PHOTO / MARTIN BUREAU / AFP

15/11/2015

Grupo terrorista afirmou que ataques seriam uma resposta aos "bombardeios contra os muçulmanos em terras do califado"

O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria dos ataques que deixaram ao menos 129 mortos na sexta-feira, em Paris. Em comunicado publicado na internet em duas versões, em árabe e em francês, o grupo afirmou que os ataques de Paris seriam uma resposta aos "bombardeios contra os muçulmanos em terras do califado", um termo geralmente utilizado para designar as regiões do Iraque e da Síria controladas pelo EI.

"Que a França e aqueles que seguem seu caminho saibam que permanecerão entre os alvos do Estado Islâmico", acrescentou a organização extremista sunita.

A França, que participa de uma coalizão internacional, realiza ataques aéreos contra os jihadistas no Iraque e na Síria. O atos da sexta-feira são os mais mortais dos últimos 40 anos na Europa, ao lado dos atentados lançados em 11 de março de 2004, em Madri.

Reportagem do jornal The Guardian divulgada neste sábado indica que a França tem sido o mais ativo da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos para neutralizar posições do grupo extremista na Síria. No início desta semana, caças franceses atacaram, por exemplo, instalações de gás e petróleo dominadas pelo Estado Islâmico em Deirez-Zor. A estratégia é minar a infraestrutura terrorista e uma de suas principais fontes de receita. O presidente francês, François Hollande, anunciou o deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle para o Golfo Pérsico para dar suporte à ofensiva.

O primeiro ataque francês contra a milícia foi em setembro. Em outubro, aviões franceses bombardearam um campo de treinamento na cidade de Raqqa, uma espécie de capital do califado que o Estado Islâmico diz ter instaurado na região.

Embora o governo francês tenha negado que buscava alvos específicos, o jornal Le Monde publicou que o ataque tinha o objetivo de matar Benghalem Salim, 35 anos, guerrilheiro responsável por cooptar cidadãos franceses para integrar as fileiras do grupo. Cerca de 600 franceses teriam se juntado ao Estado Islâmico nos últimos anos.

No total, segundo o Guardian, a França teria realizado mais de 271 ataques aéreos contra a Síria. Os caças utilizados são os Rafale estacionados em base nos Emirados Árabes Unidos e os Mirage 2000, que partem da Jordânia.A França foi o primeiro país a se juntar à coalizão liderada pelos americanos, o que torna o país o alvo número 1, mais vulnerável e mais próximo para a vingança dos fanáticos do Estado Islâmico.

Mais cedo, o presidente francês, François Hollande, havia dito que o grupo orquestrou o pior ataque na França desde a Segunda Guerra Mundial e prometeu revidar. O presidente declarou três dias de luto nacional e colocou a segurança da nação em seu nível mais alto. Ele disse que a França "vai ser implacável para com os bárbaros do Estado Islâmico":

— A França vai agir por todos os meios em qualquer lugar, dentro ou fora do país.

A França já está bombardeando alvos dos extremistas na Síria e no Iraque e tem tropas lutando com extremistas na África. Há dois anos, participa da coalizão antijihadista que luta contra o Estado Islâmico no Iraque e, em outubro, estendeu os bombardeios aéreos à Síria, país em guerra desde 2011. Desde 2014, o EI controla uma ampla faixa de território entre os dois países.

Os atentados, cometidos quase simultaneamente a partir das 21h20min (18h20min de Brasília) de sexta-feira, também deixaram 300 feridos, 80 deles em estado grave. Oito criminosos morreram nos ataques e, segundo o procurador-geral de Paris, François Molins, cúmplices ou coautores dos ataques podem estar soltos.

Pelo menos 82 pessoas morreram na casa de espetáculos Bataclan, lotada com quase 1,5 mil espectadores quando os terroristas invadiram o local durante a apresentação do grupo americano Eagles of Death Metal.

— Dois ou três indivíduos sem ter o rosto coberto entraram com armas automáticas do tipo kalashnikov e começaram a atirar aleatoriamente contra o público. Isso durou uns 10, 15 minutos. Foi extremamente violento e houve uma onda de pânico — relatou um apresentador da rádio Europa 1, Julien Pearce, que estava no local.

Outra testemunha afirmou à emissora France Info que um dos atiradores gritou "Alá Akbar" (Deus é grande) antes de abrir fogo. Os autores do ataque citaram a intervenção francesa na Síria para justificar as ações, disse uma testemunha à AFP.

— Eu ouvi quando eles falaram claramente aos reféns: "A culpa é de Hollande, a culpa é do seu presidente, não tem motivo para intervir na Síria" — declarou à AFP Pierre Janaszak, 35 anos, que estava no Bataclan.

Pelo menos 128 pessoas morreram e 250 ficaram feridas nos ataques em Paris na sexta
Foto: Philippe Wojazer/REUTERS/FOLHAPRESS

Confira o mapa dos ataques:


Fonte: Zero Hora


Iêmen: hospital de MSF é destruído por ataques aéreos

Foto: Miriam Czech/MSF

27/10/2015

Instalação era a única em funcionamento na região de Haidan; ao menos 200 mil pessoas ficarão sem acesso a cuidados médicos vitais

Ataques aéreos realizados no fim da noite passada (26/10) pela coalizão liderada pela Arábia Saudita no norte do Iêmen destruíram um hospital apoiado pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O pequeno hospital, no distrito de Haidan, na província de Saada, foi atingido por vários ataques aéreos que tiveram início às 22h30 (horário local) de ontem. Funcionários do hospital e dois pacientes conseguiram escapar antes dos subsequentes ataques aéreos que ocorreram por mais de duas horas. Um profissional foi levemente ferido enquanto fugia. Com o hospital destruído, pelo menos 200 mil pessoas ficarão sem acesso a cuidados médicos vitais.

“Esse ataque é outro exemplo de um total desrespeito pelos civis no Iêmen, onde bombardeios tornaram-se uma rotina diária”, disse Hassan Boucenine, coordenador-geral de MSF no Iêmen.

O bombardeio de civis e hospitais é uma violação do Direito Internacional Humanitário e MSF exige que as forças de coalizão expliquem as circunstâncias do ataque em Haidan. As coordenadas geográficas do hospital eram regularmente compartilhadas com a coalizão liderada pela Arábia Saudita, e a cobertura da instalação podia ser claramente identificada pelo logo de MSF.

“Mesmo 12 horas após os ataques aéreos, eu podia ver a fumaça saindo da instalação”, disse Miriam Czech, coordenadora do projeto de MSF em Saada. “A ala de internação, o ambulatório, a maternidade, o laboratório e a sala de emergência estão todos destruídos. Este era o único hospital que ainda funcionava na região de Haidan”, contou.

MSF começou a apoiar o hospital em maio deste ano. Desde então, cerca de 3.400 pacientes foram tratados, com uma média de 200 feridos de guerra admitidos por mês na emergência.

“O Iêmen está em uma guerra total, na qual a população encurralada no lado errado do conflito é considerada um alvo legítimo”, disse Hassan Boucenine. “Mercados, escolas, estradas, pontes, caminhões transportando comida, acampamentos de pessoas deslocadas e estruturas de saúde têm sido bombardeados e destruídos. E as primeiras vítimas são os civis.”

A prioridade de MSF é restabelecer uma nova instalação de saúde o mais rápido possível, a fim de manter a oferta de cuidados médicos para a população de Haidan.

MSF é uma organização médico-humanitária internacional fundada em 1971. Hoje, MSF oferece serviços de saúde imparciais e gratuitos àqueles em necessidade em mais de 60 países em todo o mundo, incluindo o Iêmen. No Iêmen, MSF atua em oito províncias do país - Sanaa, Saada, Aden, Taiz, Amran, Al-Dhale, Ibb e Hajja. Desde o início da crise no Iêmen, em março de 2015, MSF tratou mais de 15.500 feridos de guerra e ainda oferece serviços de saúde não emergenciais.



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