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Síria: “Nós esperamos que o massacre termine”

Síria: “Nós esperamos que o massacre termine” - Foto: MSF

04/06/2016

Enfermeiro supervisor do hospital Al Salamah, evacuado no dia 27/05, fala sobre a situação no distrito de Azaz, de onde as frentes de batalha estão cada vez mais próximas

Yahya Jarad é supervisor de enfermagem do hospital Al Salamah da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Síria, tendo se formado em 2007 como enfermeiro pela universidade de Aleppo. Na última sexta-feira (27/05), MSF teve de evacuar os pacientes do hospital Al Salamah e fechar a instalação à medida que as frentes de batalha se aproximavam. Também devido a essa situação, cerca de 100 mil pessoas estão encurraladas no distrito de Azaz, no norte do país.

“Nós esperamos que a guerra acabe e o massacre termine. Mas parece que isso não vai acontecer tão cedo.”

Eu comecei a trabalhar em MSF em outubro de 2012, e tenho trabalhado como enfermeiro supervisor no hospital Al Salamah desde então. Em fevereiro do ano passado, eu tive de deixar minha casa e me refugiar próximo do hospital. Nós nos mudamos para tendas e foi muito difícil, mas estamos tentando lidar com a nossa atual situação.

Uma nova onda de pessoas fugindo de suas casas chegou na região à medida que a frente de batalha se aproximava cada vez mais nos últimos 10 dias. Acampamentos próximo de zonas de conflito foram evacuados e as pessoas foram forçadas a fugir novamente. Agora, elas vivem em condições muito precárias, em meio a oliveiras, sem quaisquer serviços.

A cidade vizinha de Mare’a está completamente cercada

Distribuição de itens de primeira necessidade para famílias recém-deslocadas no distrito de Azaz (Foto: MSF) À medida que os confrontos se aproximavam, hospitais foram forçados a fechar. Nós tivemos de evacuar pacientes e equipes médicas. Apenas uma equipe reduzida foi mantida para lidar com a estabilização de casos emergenciais e encaminhar pacientes a outros hospitais e centros médicos.

Nós vivemos e trabalhamos em uma área pequena e isolada, que basicamente não recebe qualquer assistência, e nós não podemos encaminhar pacientes que não temos condições de tratar para Aleppo ou Idlib.

No meu trabalho normal, sou responsável por supervisionar a equipe de enfermagem, acompanhar os serviços oferecidos a pacientes e checar os equipamentos e ferramentas em uso no hospital.

Estamos falando sobre o único hospital da região norte de Azaz que pode oferecer vacinação às crianças. O hospital também dispõe de um ônibus que realizava atividades de encaminhamento nos acampamentos, registrava pacientes, levava-os ao hospital para tratamento, e depois de volta para casa.

Em fevereiro, a região presenciou um grande fluxo de pessoas que fugiam de suas casas e nós tivemos de estruturar uma equipe médica para lidar com a situação fora do hospital. A equipe, que inclui enfermeiros e assistentes de enfermagem, visitaram os acampamentos para identificar casos de desnutrição e necessidades de vacinação, detectar surtos e registrar doenças existentes, como infecções respiratórias.

Uma segunda equipe estava encarregada de realizar vacinações e transporte de pacientes para o hospital. Nós atendemos pequenos surtos de doenças, como sarampo e infecções do trato respiratório superior.

As pessoas esperam voltar para suas casas quando a guerra terminar, mas muitas casas foram destruídas e deixadas em ruínas.

Nós esperamos que a guerra acabe e o massacre termine, e que os deslocados tenham condições de voltar para casa. Mas parece que isso não vai acontecer tão cedo. Estamos fazendo o que podemos e além. Ficamos felizes quando vemos nossos pacientes recuperados. Isso nos dá mais ânimo para continuar o trabalho que estamos realizando.

Essa é uma situação humanitária difícil e as pessoas estão tentando lidar com isso, enquanto agências de ajuda estão lutando para fornecer itens básicos. Nós esperamos que a situação melhore. ”


Síria: mais de 50 mortos em ataque contra hospital em Aleppo



03/05/2016

MSF afirma que a situação permanece crítica na cidade síria, que foi totalmente bombardeada

É com profunda tristeza que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirma, até o momento, a morte de mais de 50 pessoas – incluindo pacientes e ao menos seis profissionais médicos – após os ataques aéreos contra o hospital Al Quds apoiado por MSF em Aleppo, na Síria. A instalação e áreas ao seu redor foram atingidas na noite do dia 27 de abril por bombardeios que não pouparam nenhuma parte da cidade.

“O céu está caindo em Aleppo. A cidade, onde têm se instalado consistentemente as frentes de batalha desse conflito brutal, agora está sob o risco de sofrer uma ofensiva completa, sem que lugar algum seja pouopado”, diz Muskilda Zancada, coordenadora-geral de MSF na Síria. “Ataques contra hospitais e profissionais médicos são um indicador devastador de como a guerra na Síria está sendo travada, uma das inúmeras maneiras brutais por meio das quais os civis estão sendo alvejados.”

Esta não é a primeira vez que o hospital Al Quds é atingido por bombas; a instalação já foi prejudicada e parcialmente destruída algunas vezes. A última delas foi em 2015. Além do Al Quds, MSF recebeu relatos de que outro centro de saúde, que não recebe o apoio da organização, também foi atingido.

“MSF apoia o hospital Al Quds desde 2012. Tem sido uma grande honra para nós poder trabalhar de maneira tão próxima com pessoas tão dedicadas”, diz Zancada. “Nós vemos dia sim dia não o quanto eles arriscam suas vidas em meio ao inferno dessa guerra, para garantir que a população possa ter acesso a cuidados médicos. Sua perda é nossa perda, e nós continuamos comprometidos em ajudar o hospital a retomar as atividades.”

Agora, MSF está desesperadamente preocupada com a situação das cerca de 250 mil pessoas que enfrentam a ameaça crescente de ficarem completamente isoladas, sem acesso a cuidados médicos.

“O ataque contra o hospital Al Quds destruiu um dos últimos locais em Aleppo onde se poderia encontrar humanidade. Aleppo já é um fragmento do que era antes; e esse último ataque parece determinado a eliminar até mesmo isso”, acrescenta Zancada.

MSF gostaria de atestar o trabalho heroico de médicos sírios em todo o país, que continuam tentando tratar suas comunidades em condições inimagináveis. O hospital solicitou apoio em termos de equipamentos médicos e medicamentos, e MSF está empenhada em ajudar nisso e em sua reconstrução.

MSF mantém seis instalações médicas no norte da Síria e apoia mais de 150 hospitais e centros de saúde no país, entre eles, o hospital Al Quds. A organização presta suporte à instalação desde 2012 com doações irregulares e desde 2014 com doações regulares de medicamentos.

Ato público pelas vítimas do bombardeio em Kunduz, Afeganistão



02/11/2015

MSF - Na terça-feira (3/11), completará um mês do bombardeio ao hospital de trauma de Médicos Sem Fronteiras em Kunduz, no Afeganistão. Junte-se a MSF em um ato público em homenagem aos nossos colegas e pacientes mortos e feridos nesta tragédia.

Nós nos reuniremos na Praia de Copacabana, às 18h30, ao lado do Posto 5. Com este evento, também queremos evitar que o sofrimento de 300 mil pessoas - que ficaram sem acesso à saúde por causa da destruição desta unidade médica - seja esquecido.

O hospital era a única instalação do tipo no noroeste do Afeganistão, com mais de 460 profissionais habilitados para oferecer cuidados cirúrgicos, pós-operatórios e de reabilitação de altíssima qualidade. Só em 2014, mais de 22 mil pacientes receberam cuidados no hospital e mais de 5.900 cirurgias foram realizadas.

Bombardear unidades de saúde é uma violação do Direito Internacional Humanitário e Médicos Sem Fronteiras exige que uma investigação independente apure exatamente o que aconteceu. Em qualquer conflito armado, as instalações médicas, pacientes e profissionais de saúde têm de ser respeitados. Não podemos deixar que esse tipo de ataque continue acontecendo. Até as guerras têm regras.

Coloque uma camiseta branca e junte-se a nós.

O que: Ato público pelas vítimas do bombardeio em Kunduz
Onde: Praia de Copacabana, ao lado do Posto 5 (altura da Rua Sá Ferreira)
Quando: terça-feira (3/11), às 18h30


Iêmen: hospital de MSF é destruído por ataques aéreos

Foto: Miriam Czech/MSF

27/10/2015

Instalação era a única em funcionamento na região de Haidan; ao menos 200 mil pessoas ficarão sem acesso a cuidados médicos vitais

Ataques aéreos realizados no fim da noite passada (26/10) pela coalizão liderada pela Arábia Saudita no norte do Iêmen destruíram um hospital apoiado pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O pequeno hospital, no distrito de Haidan, na província de Saada, foi atingido por vários ataques aéreos que tiveram início às 22h30 (horário local) de ontem. Funcionários do hospital e dois pacientes conseguiram escapar antes dos subsequentes ataques aéreos que ocorreram por mais de duas horas. Um profissional foi levemente ferido enquanto fugia. Com o hospital destruído, pelo menos 200 mil pessoas ficarão sem acesso a cuidados médicos vitais.

“Esse ataque é outro exemplo de um total desrespeito pelos civis no Iêmen, onde bombardeios tornaram-se uma rotina diária”, disse Hassan Boucenine, coordenador-geral de MSF no Iêmen.

O bombardeio de civis e hospitais é uma violação do Direito Internacional Humanitário e MSF exige que as forças de coalizão expliquem as circunstâncias do ataque em Haidan. As coordenadas geográficas do hospital eram regularmente compartilhadas com a coalizão liderada pela Arábia Saudita, e a cobertura da instalação podia ser claramente identificada pelo logo de MSF.

“Mesmo 12 horas após os ataques aéreos, eu podia ver a fumaça saindo da instalação”, disse Miriam Czech, coordenadora do projeto de MSF em Saada. “A ala de internação, o ambulatório, a maternidade, o laboratório e a sala de emergência estão todos destruídos. Este era o único hospital que ainda funcionava na região de Haidan”, contou.

MSF começou a apoiar o hospital em maio deste ano. Desde então, cerca de 3.400 pacientes foram tratados, com uma média de 200 feridos de guerra admitidos por mês na emergência.

“O Iêmen está em uma guerra total, na qual a população encurralada no lado errado do conflito é considerada um alvo legítimo”, disse Hassan Boucenine. “Mercados, escolas, estradas, pontes, caminhões transportando comida, acampamentos de pessoas deslocadas e estruturas de saúde têm sido bombardeados e destruídos. E as primeiras vítimas são os civis.”

A prioridade de MSF é restabelecer uma nova instalação de saúde o mais rápido possível, a fim de manter a oferta de cuidados médicos para a população de Haidan.

MSF é uma organização médico-humanitária internacional fundada em 1971. Hoje, MSF oferece serviços de saúde imparciais e gratuitos àqueles em necessidade em mais de 60 países em todo o mundo, incluindo o Iêmen. No Iêmen, MSF atua em oito províncias do país - Sanaa, Saada, Aden, Taiz, Amran, Al-Dhale, Ibb e Hajja. Desde o início da crise no Iêmen, em março de 2015, MSF tratou mais de 15.500 feridos de guerra e ainda oferece serviços de saúde não emergenciais.



MSF lança petição mundial pela investigação do ataque no Afeganistão

Foto: Andrew Quilty/Oculi

16/10/2015

Pedido é para que os EUA consintam com investigação sobre os ataques aéreos devastadores ao hospital de MSF em Kunduz

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou hoje uma petição pedindo aos cidadãos de todo o mundo que reivindiquem ao presidente Barack Obama e aos Estados Unidos o consentimento com uma investigação independente dos bombardeios do hospital de trauma de MSF em Kunduz, no Afeganistão, em 3 de outubro.

MSF solicitou uma investigação independente pela Comissão Internacional Humanitária para a Apuração dos Fatos (IHFFC, na sigla em inglês) dos repetidos ataques aéreos norte-americanos ao hospital, que mataram 12 profissionais da organização e 10 pacientes, e feriram mais de 30 pessoas. A Comissão é o único órgão permanente estruturado especificamente para investigar violações do Direito Internacional Humanitário. Agora que a Comissão ofereceu formalmente seus serviços, MSF está pedindo aos Estados Unidos e ao presidente Obama que dêem seu consentimento com uma investigação acerca dos bombardeios do hospital de Kunduz. O consentimento é requerido antes que uma investigação verdadeiramente imparcial possa ser iniciada.


O ataque destruiu completamente o hospital, interrompendo o acesso de centenas de milhares de pessoas a cuidados de trauma emergenciais no norte do Afeganistão, o que representa uma grave violação do Direito Internacional Humanitário.

“O respeito às leis de guerra é o que protege nossos profissionais e pacientes em meio a zonas de conflito no mundo inteiro”, afirma Jason Cone, diretor executivo de MSF nos Estados Unidos. “Precisa haver uma investigação independente e imparcial para estabelecer os fatos desse terrível ataque ao nosso hospital. Pedimos ao presidente Obama que consinta com a investigação conduzida pela Comissão Internacional para a Apuração dos Fatos imediatamente. O consentimento com a investigação é um passo essencial para que o presidente Obama demonstre o comprometimento do governo dos EUA com as Convenções de Genebra e que as forças americanas reconheçam e respeitem as instalações médicas como espaços protegidos sob o Direito Internacional Humanitário.”

As coordenadas geográficas precisas do hospital de Kunduz, operante há quatro anos, foram fornecidas às autoridades americanas e afegãs em Washington e em Cabul dias antes dos bombardeios, e o hospital continha cerca de 200 pacientes e profissionais no momento do ataque. Investigações conduzidas pelos EUA, pela OTAN e pelo governo afegão foram iniciadas, mas é impossível esperar que as partes envolvidas no conflito conduzam investigações independentes e imparciais acerca de atos militares nos quais estão envolvidos.

A preservação de instalações de saúde como espaços neutros e protegidos depende de uma investigação independente. Sem o reconhecimento desses princípios, MSF e outras organizações humanitárias não poderiam atuar em zonas de conflito e outros locais tomados pela violência. MSF não poderia oferecer a assistência médica de que tantas pessoas precisam desesperadamente.  

O pedido de MSF não diz respeito apenas aos eventos em Kunduz, nem apenas aos Estados Unidos. É direcionado a todas as nações e partes envolvidas em conflitos, e uma oportunidade para que todos reafirmem seu comprometimento com o Direito Internacional Humanitário, para que reafirmem o direito de organizações como MSF de prover assistência médica de forma independente e imparcial em meio a zonas de conflito e para que reafirmem o esforço de trazer ao menos alguma humanidade em meio à pior das circunstâncias, agora e no futuro.

A petição é uma iniciativa global que também será conduzida por escritórios de MSF por todo o mundo, inclusive MSF-Brasil


#independentinvestigation
#investigaçãoindependente
#evenwarshaverules
#atéasguerrastêmregras

Fonte: MSF


Afeganistão: MSF exige explicações após ataques aéreos mortais atingirem hospital em Kunduz

Foto: MSF


05/10/2015

Doze profissionais e dez pacientes, incluindo três crianças, foram mortos; 37 pessoas foram feridas, incluindo 19 profissionais

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) condena fortemente o terrível bombardeio aéreo de seu hospital em Kunduz, no Afeganistão. Doze profissionais e dez pacientes, incluindo três crianças, foram mortos; 37 pessoas foram feridas, incluindo 19 profissionais. Esse ataque constitui uma violação grave do direito internacional humanitário.

No momento, todos os indícios apontam para o fato de que o bombardeio foi realizado por forças de coalizão internacional. MSF exige uma explicação completa e transparente da coalizão em relação às suas atividades de bombardeio aéreo em Kunduz na madrugada deste sábado, 3 de outubro. MSF pede também uma investigação independente sobre o ataque para garantir a máxima transparência e responsabilização.

“Esse ataque é abominável e uma grave violação do direito internacional humanitário”, disse Meinie Nicolai, presidente de MSF na Bélgica. “Nós exigimos total transparência por parte das forças de coalizão. Não podemos aceitar que essa terrível perda de vidas seja simplesmente descartada como ‘danos colaterais’.”

Das 2h08 até as 3h15 do horário local de hoje, o hospital de trauma de MSF em Kunduz foi atingido por uma série de bombardeios aéreos em intervalos aproximados de 15 minutos. O prédio central do hospital, comportando a unidade de terapia intensiva, as salas de emergência e a ala de fisioterapia, foi repetidamente atingido de modo muito preciso durante cada ataque aéreo, enquanto outros prédios ao redor da instalação ficaram, praticamente, intocados.

“As bombas caíram e, então, nós ouvimos o avião sobrevoando em volta”, disse Heman Nagarathnam, coordenadora-geral dos programas de MSF no norte do Afeganistão. “Houve uma pausa e depois mais bombas caíram. Isso aconteceu repetidas vezes. Quando eu consegui sair do escritório, o principal prédio do hospital estava envolto em chamas. As pessoas que tinham condições de se mover correram rapidamente para os dois bunkers do prédio em busca de segurança. Mas os pacientes que eram incapazes de escapar queimaram até a morte, enquanto estavam deitados em seus leitos.”

 O bombardeio foi realizado mesmo após MSF ter enviado, repetidas vezes nos últimos meses, as coordenadas geográficas de seu hospital de trauma para os militares afegãos e da coalizão e oficiais civis. A comunicação mais recente foi feita na terça-feira, dia 29 de setembro, a fim de evitar que o hospital fosse atingido. Como uma prática rotineira de MSF em zonas de conflito, a organização comunicou a localização exata da instalação a todas as partes em conflito.

Após os ataques, a equipe de MSF tentou desesperadamente salvar a vida de seus colegas e pacientes feridos, improvisando um centro cirúrgico em uma sala não danificada. Alguns dos pacientes mais gravemente feridos foram transferidos para um hospital em Puli Khumri, a duas horas de carro.

 “Além de resultar na morte de nossos colegas e pacientes, esse ataque cortou o acesso da população de Kunduz a cuidados de trauma urgentes, em uma época em que esses serviços são extremamente necessários”, disse Meinie Nicolai. “Mais uma vez, pedimos a todas as partes beligerantes que respeitem civis, instalações de saúde e profissionais médicos, de acordo com o direito internacional humanitário.”

Desde que confrontos eclodiram na segunda-feira, 28 de setembro, MSF tratou 394 feridos. No momento do ataque aéreo, havia 105 pacientes e seus acompanhantes no hospital, junto a mais de 80 profissionais nacionais e internacionais de MSF. A organização expressa suas sinceras condolências às famílias e aos amigos de seus profissionais e pacientes que perderam suas vidas tragicamente neste ataque.

O hospital de MSF é a única instalação do tipo em toda a região nordeste do Afeganistão. Há quatro anos, o hospital tem oferecido cuidados de trauma vitais. Em 2014, mais de 22 mil pacientes receberam cuidados na instalação e mais de 5.900 cirurgias foram realizadas ali. MSF trata todas as pessoas de acordo com suas necessidades médicas e não faz distinção com base em etnia, religião ou filiação política.

MSF é uma organização médico-humanitária internacional e começou a trabalhar no Afeganistão em 1980. MSF inaugurou o centro de trauma de Kunduz em agosto de 2011 para oferecer cuidados médicos e cirúrgicos gratuitos e de qualidade a vítimas de traumas, como acidentes de trânsito, assim como àquelas com ferimentos derivados do conflito, como estilhaços de bombas e ferimentos a bala. No Afeganistão, MSF apoia o Ministério da Saúde no hospital de Ahmad Sha Baba, no leste de Cabul, na maternidade de Dasht-e-Barchi, no oeste de Cabul, e no hospital de Boost, em Lashkar Gah, na província de Helmand. Em Khost, no leste do país, MSF opera um hospital-maternidade. A organização conta apenas com financiamento privado para a realização de seu trabalho no Afeganistão e não aceita recursos de nenhum governo.

Informações atualizadas em 04/10/2015, às 12h10: 

“Sob a presunção clara de que um crime de guerra foi cometido, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) exige que uma investigação completa e transparente sobre o evento seja conduzida por um órgão internacional independente. Contar apenas com uma investigação interna gerida por uma parte do conflito seria totalmente insuficiente. Nenhum profissional da nossa equipe relatou qualquer confronto dentro do complexo hospitalar de MSF antes do ataque aéreo realizado pelos Estados Unidos na madrugada de sábado, 3 de outubro. O hospital estava lotado de profissionais de MSF, pacientes e seus acompanhantes. Doze profissionais e dez pacientes, incluindo três crianças, foram mortos no ataque. Nós reiteramos que o prédio principal do hospital, onde o pessoal médico estava cuidando dos pacientes, foi atingido repetidamente e de modo muito preciso durante cada ataque aéreo, enquanto o restante do complexo foi deixado quase praticamente intacto. Nós condenamos este ataque, que constitui uma grave violação do direito internacional humanitário.” - Christopher Stokes, diretor-geral de MSF.

Informações atualizadas em 04/10/2015, às 16h10: 

"MSF está indignada com as recentes manifestações vindas de algumas autoridades do governo afegão justificando o ataque ao hospital da organização em Kunduz. Essas declarações sugerem que forças afegãs e americanas, trabalhando em conjunto, decidiram abater um hospital em completo funcionamento, com mais de 180 profissionais de saúde e pacientes em seu interior, por alegarem que membros do Talibã estavam presentes na instalação. Isso equivale a admitir um crime de guerra. Isso contradiz absolutamente as tentativas iniciais do governo americano de minimizar o ataque categorizando-o como 'efeito colateral'. Não é possível justificar esse abominável ataque ao nosso hospital, que resultou na morte de profissionais de MSF enquanto trabalhavam e de pacientes deitados em seis leitos. MSF reitera sua exigência por uma investigação completa, transparente, independente e internacional." - Christopher Stokes, diretor-geral de MSF.


Afeganistão: MSF condena invasão armada violenta a hospital em Kunduz

Foto: Michael Goldfarb
05/07/2015

Organização suspende atividades até que o respeito às atividades médicas e aos pacientes seja assegurado

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) condena a violenta invasão de membros armados das Forças Especiais Afegãs ao centro de trauma de MSF em Kunduz, no Afeganistão. O incidente é uma violação inaceitável da Lei Humanitária Internacional, que protege serviços médicos de ataques.

Na quarta-feira, 1 de julho, às 14h07, homens fortemente armados das Forças Especiais Afegãs entraram no complexo hospitalar de MSF, isolaram a instalação e começaram a atirar para o alto. Os homens armados agrediram fisicamente três membros da equipe de MSF e entraram no hospital armados. Então, eles se dirigiram a três pacientes, para prendê-los. A equipe do hospital fez o melhor que pôde para garantir a continuidade da oferta de cuidados médicos aos três pacientes e, em meio a esse processo, um profissional de MSF foi ameaçado com armas apontadas em sua direção por dois homens. Após aproximadamente uma hora, os homens armados liberaram os três pacientes e deixaram o complexo hospitalar.

"Estamos chocados com esse incidente", conta o Dr. Bart Janssens, diretor de operações de MSF. "Desde a sua abertura em 2011, o Centro de Trauma de Kunduz foi um lugar onde todos os pacientes podiam receber cuidados médicos e cirúrgicos gratuitos em segurança. Esse grave evento coloca em risco a vida de milhares de pessoas que dependem do centro para receber cuidados urgentes."

O centro de MSF é a única instalação desse tipo na região nordeste do Afeganistão que oferece cuidados voltados para trauma que salvam vidas e membros dos pacientes feridos. Em 2014, mais de 22 mil pacientes receberam cuidados no hospital e mais de 5.900 cirurgias foram realizadas. MSF tem conseguido oferecer esse tipo de cuidados em um contexto tão volátil graças à garantia do reconhecimento e do respeito às suas atividades por parte da comunidade e dos envolvidos no conflito.

MSF segue uma rígida política que proíbe a entrada de armas em todas as suas instalações. As ameaças ao pessoal e pacientes da organização e a incapacidade de oferecer cuidados médicos em um contexto seguro nos obriga a suspender temporariamente nossas atividades no Centro de Trauma de Kunduz. Estamos solicitando reuniões urgentes com os Ministérios da Defesa e do Interior para buscar garantias oficiais de que nosso trabalho médico vai ser respeitado e que um incidente como esse não acontecerá novamente.

"Em todos os conflitos com os quais MSF trabalha, nós nunca nos posicionamos a favor de qualquer um dos lados", afirma o Dr. Bart. "Nossos médicos tratam todas as pessoas de acordo com suas necessidades médicas, e não fazem distinções com base na raça, etnia, credos religiosos ou afiliação política de nossos pacientes. Qualquer pessoa ferida precisando de cuidados médicos urgentes será atendida no centro de trauma de MSF em Kunduz."

MSF é uma organização médica internacional que atuou pela primeira vez no Afeganistão em 1980. MSF inaugurou o Centro de Trauma de Kunduz em 2011 para oferecer cuidados médicos e cirúrgicos gratuitos a vítimas de trauma, como acidentes de trânsito, bem como àqueles com ferimentos resultantes de bombas ou balas relacionados com o conflito. No Afeganistão, MSF presta suporte ao hospital de Ahmad Sha Baba, do Ministério da Saúde, no leste de Cabul, à maternidade de Dasht-e-Barchi, a oeste de Kabul, e ao hospital Boost, em Lashkar Gah, na província de Helmand. Em Khost, no leste do país, MSF mantém uma maternidade. A organização conta exclusivamente com financiamento privado para realizar seu trabalho no Afeganistão e não aceita recursos de quaisquer governos.



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