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DESTA VEZ A COP COMEÇOU COM CLIMA

150 líderes de Estado e de Governo foram convocados para abertura da COP21. 
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

01/12/2015

Por Ana Carolina Amaral, especial de Paris para Envolverde 

A Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, a COP-21, começou nesta segunda em Paris com clima de negociação e esperança por um acordo climático. A ambição é de se conseguir um compromisso que barre o aumento da temperatura média global em até 2ºC. Desta vez, em vez de convidar os Chefes de Estado e de Governo para assinar o acordo no fim da Conferência, o país anfitrião inverteu a estratégia e recebeu os líderes nacionais hoje, já na abertura. Para os membros da delegação brasileira que acompanham as negociações do clima, a mudança fez diferença.

Rubens Born, consultor de meio ambiente e representante da sociedade civil que acompanhou 14 edições da conferência, vê a chegada dos líderes no primeiro dia do evento como um avanço significativo. “Agora os diplomatas têm a responsabilidade de negociar o que seu líder afirmou no discurso”, aponta.  Ricardo Young, vereador por São Paulo e também integrante da delegação brasileira, concorda com a avaliação. “Antes os presidentes vinham para assinar o acordo, mas não tinha acordo para assinar. Enquanto que os negociadores, sem uma posição definida de seus Chefes de Estado, não tinham liberdade e atuavam de forma hesitante”, ele lembra.

Em seu discurso na plenária principal, Dilma Roussef defendeu hoje um acordo legalmente vinculante, ou seja, que gere consequências para os países que se comprometam. A União Europeia concorda, mas China e Estados Unidos, maiores emissores globais e que anunciaram suas metas voluntárias (INDC) conjuntamente em agosto, não assinalam nessa direção.

O instrumento da INDC foi também elogiado pelos representantes brasileiros. “Os anúncios voluntários criaram a oportunidade dos países discutirem seus compromissos internamente e com soberania. Com isso, os limites já estão dados, o que facilita a negociação”, avalia Young. “Não quero ser ingênuo, mas começamos com um tom de otimismo”, aposta Born, que completa: “nos próximos dias vamos ver se o discurso vai virar comando para resolver os gargalos do documento.”

Dinheiro, cobrança e tecnologia: os gargalos 

Para Young, o financiamento das soluções climáticas se mostra cada vez mais perto de ser resolvido, com avanço na regulamentação do Fundo Verde e aumento da disposição de países doadores – a exemplo da prorrogação do acordo entre Brasil e Noruega sobre o Fundo Amazônia para até 2020. Já Born avalia que a criação de mecanismos de cobrança para a aplicação dos compromissos é um gargalo que está aparecendo conforme a viabilidade do acordo climática se aproxima. “Nem o Protocolo de Kioto, nem a Convenção do Clima falam em cobrança, então é algo que vamos precisar criar aqui”, explica.

A questão da tecnologia contra as mudanças climáticas segue com poucos sinais de avanço. Hoje a presidente Dilma Roussef teve conversas com líderes da Alemanha, Noruega, Japão e China. Para a imprensa, ela destacou que  “o desenvolvimento tecnológico é crucial para as energias renováveis, principalmente a solar.” Born avalia que a posição brasileira deixa clara a baixa disposição em tornar a matriz energética mais limpa.

Na sua leitura, a escolha de 2005 – um ano com pico de desmatamento – como ano-base para a meta de redução das emissões brasileiras a partir do combate ao desmatamento ilegal na Amazônia pode ser uma tentativa de se abrir espaço para o aumento das emissões no setor de energia. “A gente sabe que a redução absoluta se relativiza com o ano que foi escolhido como base, 2005, e com isso se cria espaço para compensar a redução das emissões da floresta com o aumento das emissões de energia”, ele avalia.

À sombra de Copenhague 

“Nosso maior medo é repetir Copenhague”, comentou o cônsul francês para assuntos políticos Thibault Samson em São Paulo, logo antes do início da COP. As inovações que trouxeram os posicionamentos dos países para o momento anterior às negociações diplomáticas parecem confirmar que os esforços franceses carregam aprendizados da COP-15. Como declarou hoje na plenária de abertura o presidente da França, François Hollande, o acordo climático precisa ser ambicioso o suficiente para resolver o problema, mas não a ponto de que não possa ser executado.

“Não existe bala de prata”, concorda Roberto Waack, da Coalizão Brasil pelo Clima. Para ele, a presença de mais de 500 mil pessoas em várias cidades do mundo na Marcha Mundial pelo Clima e iniciativas apresentadas pelas empresas e pela sociedade civil aqui na COP-21, a exemplo da Carbon Price Coalition, comprovam que o entendimento das mudanças climáticas avançou . “O protagonismo da sociedade civil pelo mundo é o que já está fazendo a diferença”, aposta. (#Envolverde)

.* Ana Carolina Amaral é jornalista formada pela Unesp, mestra em Ciências Holísticas pelo Schumacher College (UK) e moderadora da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental.

 Fonte: Envolverde


BAN DIZ QUE "HÁ FORTE COMPROMISSO PARA APROVAÇÃO DE ACORDO DO CLIMA"

Ban Ki-moon participa da reunião de chefes de Estado da Commonwealth, em Malta. 
Foto: ONU/Rick Bajornas

29/11/2015

Secretário-geral fez a declaração em pronunciamento em Malta, onde participa da reunião de chefes de Estado da Commonwealth; ele segue para Paris neste sábado; Conferência da ONU sobre Mudança Climática começa na segunda-feira na capital francesa.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU afirmou esta sexta-feira em Malta, que "há um forte compromisso da comunidade internacional para aprovar o acordo sobre o clima".

Ban Ki-moon fez a declaração durante um pronunciamento na Conferência dos chefes de Estado da Commonwealth, grupo que integra ex-colônias britânicas e outros países.

Estrelas

Ban afirmou que "talvez ainda seja prematuro julgar o que vai acontecer". Segundo ele, tudo depende dos Estados-membros, mas ele acha que "as estrelas estão se alinhando na mesma direção".

O chefe da ONU disse que "o compromisso não vem só do governo, mas também do setor privado e da sociedade civil".

Ban declarou que "as pessoas estão pedindo aos líderes atuais que transformem o mundo num lugar melhor e ambientalmente sustentável para que as próximas gerações possam viver em paz, harmonia, prosperidade e de uma forma segura".

Agenda 2030

O secretário-geral lembrou que em setembro, os presidentes e chefes de governo adotaram na ONU a visionária agenda de desenvolvimento 2030.

Segundo ele, o combate à mudança climática é apenas um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável incluídos no documento. Mas Ban explicou que "se o mundo não lidar com esse problema agora, todos os outros 16 objetivos não poderão ser implementados e tudo poderá fracassar".

Por causa disso, o chefe da ONU afirmou que "todos devem agir agora". Ban declarou que há mais de 20 anos se fala sobre o assunto.

Durban

Ele lembrou que em 2011, em Durban, na África do Sul, pela primeira vez, os Estados-membros concordaram em preparar um acordo sobre o clima universal que deveria estar pronto em 2015.

Ban falou ainda sobre um mecanismo de monitoramento sobre a implementação das cláusulas e promessas feitas pelos países para redução das emissões de gases que causam o efeito estufa, entre outros.

O secretário-geral elogiou a iniciativa e disse que o processo de revisão a cada cinco anos já recebeu o sinal verde da França, da China e da maioria dos Estados-membros.

Ban afirmou que "essa será uma forma de ter certeza de que o acordo será implementado em sua totalidade com confiança e segurança".

Fonte: Rádio ONU


COP 21 - Paris 2015



A França foi oficialmente nomeada país sede da 21ª Conferência do clima em 2015 (Paris 2015) durante a 19ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP19).

A COP21, a qual chamamos também de Paris 2015, será uma das maiores conferências internacionais já organizadas em território francês.

Nesse contexto, a França enfrenta um duplo desafio:

=> Como país sede, deverá receber durante duas semanas, nas melhores condições possíveis, milhares de delegados e expectadores sob os auspícios das Nações Unidas;

=> Enquanto país que detém a presidência da COP, deverá agir como facilitador em todas as etapas da negociação, estabelecendo um clima de confiança, conciliando pontos de vista e permitindo a adoção de um acordo por unanimidade.

Uma Conferência das Partes com desafios sem precedentes

Essa conferência surge em um momento crucial, já que deve resultar em um acordo internacional sobre o clima que irá conter o aquecimento global abaixo de 2 ° C.

Com base nos trabalhos da COP20 em Lima, trata-se de estabelecer em dezembro de 2015 uma série de decisões.

Antes de tudo, face ao desafio das alterações climáticas, um acordo ambicioso e vinculativo que se aplicaria a todos os países.

Em seguida, contribuições nacionais (iNDC), que representam o esforço que cada país espera poder realizar. O financiamento da luta contra as mudanças climáticas será também um componente crucial, do qual uma das etapas foi concluída com a primeira capitalização do fundo verde com uma quantia que chega a 9,3 bilhões de dólares – dos quais aproximadamente 1 bilhão foi concedido pela França. Enfim, as inciativas desenvolvidas a nível infra-estatal pelas coletividades locais, organizações da sociedade civil e empresas vão ampliar a mobilização e se somar às contribuições dos Estados.

De fato, a futura presidência francesa optou por apoiar, tendo em vista Paris 2015, uma agenda de soluções. Trata-se do conjunto de iniciativas complementares ao acordo internacional, empreendidas a nível local pelos governos, por autoridades locais, assim como por agentes não estatais, e que contribuem para reforçar o compromisso dos Estados em matéria de redução das emissões de gases do efeito estufa, de adaptação aos impactos das alterações climáticas e de financiamento. Essa agenda de soluções se baseia em uma troca de boas práticas, de transferência de conhecimento e de tecnologias necessárias para que seja realizada uma transição para economias de baixo carbono.




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