Mostrando postagens com marcador Biomas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Biomas. Mostrar todas as postagens

ÁRVORES NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA


05/11/2022

Conheça a lista de espécies de árvores nativas da Mata Atlântica, considerado o segundo maior bioma depois do Bioma Amazônico

Considerada a segunda maior floresta do Brasil em tamanho, as árvores da Mata Atlântica ficam atrás apenas da Mata Amazônica.

É um bioma que foi extremamente devastado desde a colonização, restando apenas uma parte de mata nativa que está presente de forma espalhada na maioria dos estados brasileiros, sendo eles: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

O bioma das árvores da Mata Atlântica que antes chegava a ocupar cerca de 13% até 15% do território nacional, abrangia uma área de 1.315.460 km² de extensão, hoje ocupa apenas 12,5, e é classificada como uma vegetação em extinção.

Isso ocorreu devido às atividades agrícolas e agropecuárias e pela exploração industrial realizadas pelos homens ao longo dos anos, o que resultou no crescimento da área urbana, destruindo parte deste bioma.

Clima e vegetação

Por se tratar de um bioma que está localizado em várias partes do Brasil, as árvores da Mata Atlântica possuem vários tipos de clima, predominando o tropical úmido. Sendo composta também em partes, pelo clima subtropical úmido e o semiárido. De modo geral, este bioma caracteriza-se por possuir altas temperaturas durante o ano todo e elevados níveis de umidade. 

A vegetação das árvores da Mata Atlântica está relacionada com a diversidade climática de cada região, que são influenciadas por fatores como teor de oxigênio, iluminação, umidade e ainda temperatura.

Essa vegetação se caracteriza por espécies de árvores mais altas, com suas copas mais próximas umas das outras, formando um dossel que controla a quantidade de luz que irá atingir as árvores e as vegetações mais baixas. São comuns arbustos de pequeno porte, além de ervas e gramíneas, musgos e brotos, e também trepadeiras que se desenvolvem nos troncos das árvores. 

Sendo um bioma que recebe pouca luz, os solos da Mata Atlântica conseguem se manter úmidos por muito tempo, porém são, em sua maioria, pobres. Isto porque possuem altos níveis de acidez, pouco oxigênio e pouca profundidade, caracterizando solos de baixa fertilidade.

Porém, para as árvores da Mata Atlântica, existe decomposição das folhas das árvores mais altas, que geram grande acúmulo de matéria orgânica nos solos, abastecendo com nutrientes para as plantas e animais que necessitam da decomposição para sobreviver.


Conheça a principal lista de espécies características da Mata Atlântica:

Açoita Cavalo Miúdo (Luehea divaricata)
Araça Amarelo (Psidium cattleianum)
Babosa Branca (Cordia superba)
Café de Bugre (Cordia ecalyculata)
Canafistula (Peltophorum dubium)
Canela Amarela (Ocotea velutina)
Canela Guaica (Ocotea puberula)
Capixingui (Croton floribundus)
Carne de Vaca (Cletlra scabra)
Carobão (Jacaranda micrantha)
Casca D’Anta (Rauvolfia sellowii)
Castanha do Maranhão (Bombacopsis glabra)
Cedro Rosa (Cedrela fissilis)
Cereja do Mato (Eugenia involucrata)
Chuva de Ouro (Lophantera lactescens)
Embira de Sapo (Lonchocarpus cultratus)
Fedegoso (Senna pendula)
Fruta da Condessa (Rollinia mucosa)
Goiaba (Psidium guajava)
Grumixama (Eugenia brasiliens)
Guaçatunga (Casearia sylvestris)
Guajuvira (Cordia americana)
Guaramirim (Plinia rivularis)
Guarita (Astronium graveolens)
Ingá de Metro (Inga edulis)
Ingá Feijão (Inga marginata)
Jaboticaba sabará (Plinia trunciflora)
Jerivá (Syagrus romanzoffiana)
Juquiri (Mimosa regnellii)
Laranja de Macaco (Posoqueira latifolia)
Mamica de Porca (Zanthoxylum rhoifolium)
Maricá (Mimosa bimucronata)
Monjoleiro (Senegalia polyphylla)
Morototo (Schefflera morototoni)
Palmito Jussara (Euterpe edulis)
Pata de Vaca (Bauhinia forficata)
Pau Brasil Ornamental (Caesalpinia echinata)
Pau Cigarra (Senna multijuga)
Pau d’alho (Gallesia integrifolia)
Pau Ferro (Caesalpinia ferrea)
Pau Jacaré (Piptadenia gonoacantha)
Pessegueiro Bravo (Prunus sellowii)
Saboeiro (Sapindus saponaria)
Saguaragi (Colubrina glandulosa)
Tamanqueiro (Aegiphila sellowina)
Tucaneiro (Citharexylum myrianthum)
Urucum (Bixa orellana)


DIA DA CAATINGA É CELEBRADO NESTE SÁBADO

Parna Boqueirão da Onça: conservação - Eraldo Peres/ Arquivo MMA

26/04/2018

Bioma semiárido mais biodiverso do mundo sofre com ocupação humana e desertificação. MMA promove ações para reduzir impactos.

Mandacaru, xique-xique, veado-catingueiro, asa branca, soldadinho-do-araripe, arara-azul-de-lear... Os nomes de plantas e animais são a melhor tradução da riqueza natural da Caatinga, o bioma semiárido mais biodiverso do mundo e o único exclusivamente brasileiro.

São 932 espécies de vegetais, 178 de mamíferos, 590 de aves, 241 de peixes. Muitas delas são endêmicas, ou seja, só existem no local. E, o pior, algumas estão ameaçadas de extinção.

Neste sábado (28), comemora-se o Dia Nacional da Caatinga. "É o momento para refletirmos sobre a importância de avançarmos na agenda de conservação desse que é o terceiro maior bioma brasileiro e o principal do Nordeste", diz o secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), José Pedro de Oliveira Costa.

Para marcar a data, o MMA promove, entre outros eventos, o 1º Dia de Campo sobre a implantação de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas e Redução da Vulnerabilidade Climática (Urad), nesta sexta (27), em Sergipe.

ECOSSISTEMAS

A Caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional. Abrange áreas dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais.

Vinte e sete milhões de pessoas vivem atualmente na região, o que causa forte impacto sobre os recursos naturais. Nada menos que 80% dos ecossistemas originais foram alterados, principalmente por meio de desmatamentos e queimadas, em um processo de ocupação que começou nos tempos do Brasil colônia.

Ainda hoje, grande parte da população da Caatinga utiliza os recursos da biodiversidade para sobreviver. Por outro lado, esses mesmos recursos, se conservados e explorados de forma sustentável, podem impulsionar o desenvolvimento da região.

A partir dessa visão, que busca conciliar a preservação com o uso sustentável, o governo federal promove, por meio do Ministério do Meio Ambiente, um conjunto de ações para proteger o bioma.

Entre elas, destacam-se 25 unidades de conservação (UCs) federais que, juntas, guardam 4 milhões de hectares de Caatinga. As mais recentes, criadas em abril, são a Área de Proteção Ambiental e o Parque Nacional do Boqueirão da Onça. "Estamos todos muito felizes pela recente criação do Parque Nacional e da Área de Proteção Ambiental do Boqueirao da Onça com quase um milhão de hectares na área hoje mais preservada da Caatinga", destaca o secretário de Biodiversidade.

BOQUEIRÃO DA ONÇA

Com 345.378 hectares, o parque é a segunda maior UC de proteção integral do bioma. Junto com a APA, forma um grande mosaico que, além de possuir grande variedade de ambientes, abriga animais endêmicos e em risco de extinção, entre eles, a onça-pintada, o maior felino das Américas. A onça tem no Boqueirão um de seus principais refúgios.

A APA, que é uma UC de uso sustentável, tem mais de meio milhão de hectares e permite a exploração de atividades produtivas, como o turismo ecológico. A ideia é propiciar emprego e renda para populações tradicionais, como quilombolas e comunidades de fundo de pasto (que se caracterizam pela posse e uso comunitário da terra).

A conservação da Caatinga está intimamente associada ao combate à desertificação, processo de degradação ambiental que ocorre em áreas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas. No Brasil, 62% das áreas susceptíveis à desertificação estão em zonas incluídas no bioma, sendo que muitas já estão bastante alteradas.

CONVENÇÕES

No contexto internacional, a Caatinga está relacionada diretamente a duas das três principais convenções de meio ambiente no âmbito da Organização das Nações Unidas - a Convenção de Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção de Combate à Desertificação (CCD).

Esse contexto pode ajudar na conservação do bioma. O MMA, por meio das secretarias de Biodiversidade e de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, trabalha, junto com parceiros, no sentido de agilizar a implantação das duas convenções no país.

A proteção da Caatinga tem ainda ligação com a mudança do clima que, entre outras coisas, causa a redução do volume das chuvas e, em consequência, a dificuldade de recarga dos aquíferos - fator decisivo para acelerar o processo de desertificação. Tudo isso alerta ainda mais a sociedade para a importância de se conservar o bioma.



SISTEMA AJUDA PRODUTOR RURAL A FAZER RECOMPOSIÇÃO AMBIENTAL EM QUALQUER BIOMA BRASILEIRO

Foto: Ana Clara Rodrigues Cavalcante

01/04/2018

Com o objetivo de auxiliar produtores rurais no processo de adequação ambiental da paisagem rural, a Embrapa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e diversas instituições parceiras desenvolveram uma ferramenta que faz recomendações personalizadas ao produtor rural para recompor a paisagem nativa de sua propriedade.

Chamada de WebAmbiente, a ferramenta estará disponível gratuitamente na internet e será lançada quarta-feira (28) às 10h30, no auditório do Ministério da Agricultura. Trata-se de um sistema de informação interativo que contempla o maior banco de dados já produzido no Brasil sobre espécies vegetais nativas e estratégias para recomposição ambiental. A ferramenta engloba todos os biomas brasileiros.

Programa sugere espécies nativas e orientações de preparo

Ao acessar o sistema, o interessado tem à disposição o Simulador de Recomposição Ambiental. A ferramenta oferece sugestões de estratégias de recomposição e uma lista de espécies para adequação ambiental do imóvel rural a partir de algumas respostas dadas pelo produtor rural. Ao fornecer informações básicas como localização e tamanho da propriedade rural, o internauta recebe uma lista de espécies nativas apropriadas para o plantio, estratégias de recomposição mais adequadas às condições da área e orientações relativas ao preparo inicial do local. Após usar o simulador, é possível baixar ou imprimir o relatório com as sugestões para recomposição.

Para utilizar o simulador, é necessário apenas fazer um simples cadastro da área. Em seguida, o sistema faz algumas perguntas relacionadas às áreas que deverão ser recompostas (se área de preservação permanente, reserva legal, uso restrito, ou área de uso alternativo do solo), suas características e as de seus solos, e os riscos associados àquela recomposição. De acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados José Felipe Ribeiro, que coordenou a elaboração da ferramenta, quando o produtor repassa essas informações, é possível escolher, a partir da biologia das espécies, quais são as mais adaptadas àquelas condições.

Auxílio à adequação ao Código Florestal

Além do Simulador de Recomposição Ambiental, quem acessar o WebAmbiente poderá obter, no link “Espécies Nativas”, uma relação de todas as 782 espécies nativas já listadas. A busca pode ser textual, ou por bioma. A relação traz o nome científico das espécies, seu nome popular, uso econômico e a qual estratégia de ocupação ela pertence. “As recomendações fornecidas por meio da ferramenta podem ser usadas não apenas como subsídio para a elaboração de projetos visando a recuperação ambiental, mas para beneficiar a adequação das propriedades rurais às determinações do Código Florestal brasileiro”, afirma o pesquisador. A disponibilização desses dados também busca dar suporte à formulação de estudos e políticas públicas que visam recuperar ambientes degradados ou alterados.

“Além de todas essas recomendações específicas, o usuário do WebAmbiente também tem acesso a um vasto material de apoio para auxiliá-lo a entender melhor tudo o que está envolvido na recuperação ambiental”, explica Alan Nakai, analista da Embrapa Informática Agropecuária e um dos desenvolvedores da tecnologia. “O sistema fornece um extenso glossário, não só com definições, mas também com explicações aprofundadas sobre diversos assuntos envolvidos, incluindo ilustrações e links para outras fontes. Há também uma seção multimídia na qual o usuário pode buscar por vídeos e publicações”, detalha o especialista.

Projeto especial

O WebAmbiente foi elaborado no âmbito do Projeto Especial 8 da Embrapa: “Soluções Tecnológicas para a adequação ambiental da paisagem rural junto ao Código Florestal”. Iniciado em maio de 2014 e com término previsto para abril de 2018, o objetivo é estimular o cumprimento do novo Código Florestal brasileiro (Lei 12.651/2012) por meio da disponibilização de soluções tecnológicas da Embrapa para recuperação de Áreas de Reserva Legal (ARL), Áreas de Proteção Permanente (APP) e Áreas de Uso Restrito (AUR), assim como de seus coeficientes técnicos e econômicos, necessários à execução dos projetos de adequação. O Projeto Especial também apresentou como um de seus resultados a página especial sobre o novo Código Florestal, lançada em julho de 2016.

Pesquisa em rede por Bioma

O trabalho de levantamento das informações que alimentam o WebAmbiente envolveu diretamente oito unidades da Embrapa: Agrobiologia, Amazônia Oriental, Cerrados, Clima Temperado, Informática Agropecuária, Meio Ambiente, Pantanal e Semiárido. O trabalho começou pelo Cerrado, bioma que serviu de modelo para os demais. “O método utilizado foi baseado em revisão bibliográfica e workshops com especialistas. Utilizamos dados da literatura específicos sobre plantas arbóreas que ocorrem no bioma Cerrado. Essas informações foram então validadas nos workshops que contaram com a participação de especialistas da Embrapa, Universidade de Brasília (UnB), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de viveiristas experientes”, explicou o pesquisador Felipe Ribeiro. Além disso, também foram consultados banco de dados de herbários com foco na Região Centro-Oeste.

As espécies foram selecionadas a partir de informações relacionadas aos meses de coleta de sementes, atributos botânicos (nome científico e vulgar, família, sinonímia) e de tecnologia de sementes no que diz respeito à porcentagem de germinação e beneficiamento. A classificação foi baseada nas fitofisionomias do bioma Cerrado: florestais (Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca, Cerradão) e savânicas (Cerrado Denso, Cerrado Típico, Cerrado Ralo, Cerrado Rupestre, Parque de Cerrado, Palmeiral e Vereda). Por fim, as espécies também foram classificadas quanto a seus agentes polinizadores e dispersores.

Pantanal

Já a lista das espécies recomendadas para recuperação de áreas do bioma Pantanal foi elaborada pela Embrapa Pantanal em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Segundo a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade pantaneira da Embrapa, Catia Urbanetz, os critérios para a seleção das plantas mais adequadas a cada local foram a ocorrência (é preciso que elas tenham existido na região anteriormente), abundância (espécies raras são menos recomendadas) e a funcionalidade de cada uma.

“Temos que nos perguntar, em primeiro lugar, como era esse ambiente que vai ser restaurado. Era uma área de campo? Era inundável ou ficava em um trecho mais alto? Nos dois casos, quais são as espécies mais indicadas para enriquecer o ambiente e induzir à restauração? ”, questiona a pesquisadora. O software oferece opções para a recuperação de três formações vegetais (campestre, florestal e savânica) e nove fitofisionomias do Pantanal: campo inundável, não inundável, de altitude ou morraria, cerradão, mata semidecídua, mata seca ou decídua, mata ripária, cerrado típico e chaco).

Mata Atlântica

A organização da lista de espécies para restauração ambiental na Mata Atlântica foi coordenada pela Embrapa Agrobiologia e contou com a colaboração de pesquisadores de outras unidades da Empresa, além de profissionais de instituições parceiras com relevante atuação no bioma. “Já havíamos feito um estudo no passado que resultou na elaboração de uma lista preliminar de espécies florestais e seus atributos funcionais, como a capacidade de fixação biológica de nitrogênio e a atratividade de fauna silvestre. O objetivo era reunir informações que auxiliassem na compreensão do papel ecológico de cada espécie na restauração”, conta o pesquisador Luiz Fernando Duarte de Moraes, que coordenou os esforços para a compilação das espécies recomendadas para a Mata Atlântica.

Para a composição da relação atual foram selecionadas mais de 130 espécies da lista inicial, às quais foram acrescidas informações como fitofisionomias de ocorrência, estratégia de estabelecimento, período de frutificação e desempenho no campo. De acordo com o pesquisador, no que diz respeito à estratégia de estabelecimento, as espécies foram divididas em duas categorias, considerando a classificação adotada em outros projetos de restauração: espécies que tendem a crescer mais rapidamente e acelerar a recomposição da área (chamadas de espécies de recobrimento) e as indicadas para aumentar a diversidade nas ações de restauração. “O acesso a essa lista permitirá que técnicos e agricultores possam planejar adequadamente as ações de restauração ambiental nas propriedades rurais”, salienta Moraes.

Pampa

Se para alguns biomas a disponibilidade de informações era grande, para outros, esse trabalho teve de ser iniciado praticamente do zero. Foi o caso da lista de espécies relativas ao Pampa, uma vez que ainda são escassas as informações sobre a restauração ecológica desse bioma. “Há pouca pesquisa em restauração dentro do bioma e, por isso, essa é considerada a primeira compilação de dados sobre restauração ecológica do Pampa do Brasil. Acredito que não tenha nada similar, nem no Uruguai e na Argentina", afirma o pesquisador Ernestino Guarino, que atua na Embrapa Clima Temperado (RS).

“A imagem tradicional do Pampa são os campos, mas também ocorrem florestas e savanas, que são importantes para o espaço. Então, temos indicações de plantas para restaurar as diferentes formações vegetais do Pampa disponíveis na ferramenta WebAmbiente”, afirma. Guarino destaca que o sistema irá apresentar informações sobre 181 espécies ao todo, fornecendo dados sobre época de floração, frutificação, melhor estratégia para plantio, taxa de crescimento, como se comporta em cada um dos ambientes e em quais regiões do bioma podem ser plantadas. Após a divulgação das espécies, as próximas etapas preveem a realização de capacitação de técnicos da assistência técnica e extensão rural. Os principais parceiros envolvidos nesse trabalho são as universidades Federais do Rio Grande do Sul e de Santa Maria, Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS) e a Fundação Zoobotânica do RS.

Caatinga

O trabalho relativo ao bioma Caatinga também envolveu uma instituição de ensino e pesquisa. No caso, foi o Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental, vinculado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Foi compilada inicialmente uma lista com mais de 120 espécies. Entre essas, foram selecionadas as 40 melhores destinadas à recuperação ambiental, levando em conta critérios como porte, necessidades nutricionais, tipos de solo, etc. Para cada uma delas, foram reunidas informações diversas que auxiliam na compreensão do seu papel ecológico na restauração. Também foram anexadas fotos de todas elas, para que a espécie seja facilmente reconhecida pelo usuário.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido Iêdo Bezerra Sá, “uma das características mais marcantes da Caatinga é a resiliência que o bioma apresenta, ou seja, a capacidade de se recuperar após um evento de estresse, como é o caso das secas recorrentes na região ou intervenções do homem”. Para ele, essa compilação de informações contribui para o conhecimento e entendimento da dinâmica do bioma e de suas plantas, facilitando sua utilização pelos agricultores, técnicos, engenheiros e demais interessados.

Amazônia

Por fim, compõem a plataforma WebAmbiente para o bioma Amazônia cerca de 200 espécies, que vão desde as palmeiras nativas, como açaí, até produtoras de madeira de alto valor econômico, como cedro e pau-rosa. A pesquisadora Noemi Vianna, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), explica que essas informações são resultado do cruzamento de dados de inventários florestais de quatro áreas de estudo de monitoramento da floresta (parcelas permanentes) e de onze áreas de coletas de sementes espalhadas, principalmente, no estado do Pará. 

“Nós analisamos dados do Museu Paraense Emílio Goeldi, que mostram que a Amazônia é dividida em áreas de endemismo, como diziam os antigos botânicos, ou seja, o que ocorre aqui perto de Belém não ocorre em Santarém ou em outra região. Algumas espécies, no entanto, ocorrem em todas as áreas, que são as chamadas espécies plásticas. E cruzamos essas informações à lista de espécies de inventários florestais e de áreas de coleta de sementes de diferentes regiões do estado, então conseguimos cobrir uma área bastante diversa”, detalha a pesquisadora.

O trabalho resultou, inicialmente, em uma lista de 600 espécies com nome científico, família, local de ocorrência, além de alguns dados sobre a fenologia e principais usos. Após o refinamento das informações, a lista final chegou a 211 espécies de diferentes usos, com informações que vão desde a identificação detalhada da planta, área de ocorrência, fenologia, até a produção de mudas, o plantio e a indicação de ações a serem tomadas para recuperação de determinada área.

“Nós demos uma atenção muito grande ao levantamento das espécies que podem ser usadas para recomposição ambiental dos diferentes biomas. As usadas no Cerrado são diferentes das usadas na Amazônia, que por sua vez diferem daquelas do Semiárido. Foi feito um trabalho muito detalhado de organizar todo o conhecimento dessas espécies com sistemas de busca que permitem – por bioma, por fitogeografia – identificar todas aquelas recomendadas pela pesquisa para a recuperação ambiental ”, afirmou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes.

Fonte: Embrapa


O que é um bioma? A diversidade de biomas do Brasil



01/03/2017 

Cidade do Vaticano (RV) - No Brasil, a dimensão comunitária da Quaresma é vivenciada e assumida pela Campanha da Fraternidade. A cada ano, a Igreja destaca uma situação da realidade social que precisa ser mudada. Este ano, o objetivo é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho.

A partir do tema ‘Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida’ e o lema ‘Cultivar e guardar a criação’ (Gn 2.15), a Igreja conscientiza e pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem, sejamos conduzidos à vida nova”, afirma a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O texto-base está dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. 

Mas o que é um bioma? Quantos são os biomas brasileiros? Que riscos correm? Quem responde é o Professor e Doutor João Luiz de Moraes Hoeffel, especialista nas áreas de Educação, Gestão, Planejamento e Sociologia, com ênfase em Estudos Ambientais. A entrevista é do especial realizado pela Província Francsicana Imaculada Conceição do Brasil. 

Para ouvir a entrevista, abra o link abaixo:

http://media02.radiovaticana.va/audio/audio2/mp3/00571854.mp3
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...