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PREMIER DO HAITI RENUNCIA APÓS ONDA DE PROTESTOS CONTRA ALTA NOS COMBUSTÍVEIS

Jack Guy Lafontant se reúne com membros do Parlamento em Porto Príncipe
ANDRES MARTINEZ CASARES / REUTERS

19/07/2018 

País foi sacudido por violentas manifestações que deixaram saques e quatro mortos

PORTO PRÍNCIPE - O primeiro-ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant, comunicou neste sábado sua renúncia ao Congresso, que preparava sua destituição diante da violência que tomou conta do país após um forte aumento nos preços dos combustíveis.

— Antes de chegar aqui (Parlamento), apresentei minha renúncia ao presidente Jovenel Moïse, que a aceitou — disse Lafontant aos legisladores.

O Haiti foi sacudido por violentas manifestações entre 6 e 8 de julho, depois de o governo anunciar um forte aumento dos preços dos combustíveis, de 38% para a gasolina, 47% para o diesel e 51% para o querosene.

Dezenas de lojas foram saqueadas e queimadas, e ao menos quatro pessoas morreram durante os distúrbios.

O gabinete de Lafontant, que chegou ao cargo em fevereiro de 2017, rapidamente voltou atrás e retirou o anunciado aumento de preços.

Barricadas em chama em meio protestos na capital haitiana contra o aumento de preço 
dos combustíveis - HECTOR RETAMAL / AFP
Fonte: O Globo

Haiti realizará eleições em 20 de novembro

Homem coloca um pano para cobrir o telhado de sua casa destruída após 
passagem do furacão Matthew em Les Anglais, no Haiti
Foto: Andres Martinez Casares/Reuters

16/10/2016

1º turno, realizado há um ano, foi anulado após denúncias de fraude.
Passagem do furacão Matthew deixou 473 mortos e adiou pleito.

O Haiti celebrará eleições presidenciais e legislativas em 20 de novembro e o segundo turno, em 29 de janeiro de 2017, informou nesta sexta-feira o Conselho Eleitoral Provisório. O anúncio é feito depois de o pleito ser adiado várias vezes.

Os haitianos deviam ter ido às urnas no domingo passado, mas a votação foi adiada devido à devastação provocada pelo furacão Matthew, que deixou pelo menos 473 mortos e provocou uma nova crise humanitária em um país já devastado pelo terremoto de 2010.

O primeiro turno das eleições, realizado em outubro de 2015, foi anulado em meio a violentos protestos nas ruas e a denúncias de fraude maciça, deixando o país mais pobre das América em um limbo político desde então.

Os resultados foram rejeitados pela oposição, que denunciou "um golpe de Estado eleitoral" para favorecer o então presidente, Michel Martelly. O candidato apoiado pelo governo, Jovenel Moïse, obteve 32,76% dos votos, contra 25,29% de Jude Célestin, que qualificou os resultados como "farsa ridícula". A comissão independente de verificação e avaliação eleitoral recomendou a anulação desse primeiro turno, após constatar fraudes.

Após a a saída sem sucessor de Michel Martelly, em fevereiro, o Parlamento elegeu o presidente interino Jocelerme Privert.

Falta de água e comida

A angústia é um sentimento que começa a se estender entre a população de Jeremie, no sudoeste do Haiti, perante a falta de água e de alimentos. Oito dias depois de o furacão Matthew arrasar a cidade, a ajuda humanitária ainda não consegue chegar ao local.

Pessoas se reúnem à beira-mar em local atingido pelo furacão Matthew em 
Jeremie, no Haiti (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

A Polícia Nacional do Haiti patrulha constantemente a região e não duvida na hora de sufocar a menor ameaça de revolta, como a que ocorreu esta semana, quando um grupo de homens bloqueou uma das ruas de acesso ao centro. Pelo menos um foi detido depois que duas barricadas foram montadas para exigir a entrega de comida, bebida e remédios que parecem nunca chegar.

Os colégios que se tornaram abrigos para a população, como o Sainte Marguerite d'Youville, acolhem centenas de pessoas e são um perfeito reflexo da urgência que é a chegada de ajuda.

Além dos problemas logísticos causados pela dificuldade de acesso às regiões mais castigadas, outra razão para a demora é a falta de coordenação institucional, que continua impedindo o desenvolvimento de uma ação humanitária eficiente para atender as necessidades básicas da população.

Fonte: G1 Haiti


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