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ABELHAS DEVEM SER PROTEGIDAS PARA GARANTIR O FUTURO DOS ALIMENTOS

No Sudão do Sul, a produção de mel pode ser importante para a economia. Unmiss/Eric Kanalstein

20/05/2018

Este domingo, marca-se o primeiro Dia Mundial da Abelha; mais de 75% das culturas alimentares mundiais dependem, em certa medida, da polinização.

No primeiro Dia Mundial da Abelha, marcado este domingo, a Organização das Nações Unidas para Agricultura Alimentação, FAO, avisa que pessoas e governos devem fazer mais para proteger estes insetos ou arriscam uma queda acentuada na diversidade de alimentos.

Segunda a agência da ONU, as abelhas estão sob grande ameaça devido aos efeitos combinados da mudança climática, agricultura intensiva, pesticidas, perda de biodiversidade e poluição.

Ação

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, está na Eslovênia, para a cerimônia oficial. O responsável disse que os países precisam fazer a mudança para políticas e sistemas alimentares menos poluidores e mais sustentáveis.

Segundo ele, "não se pode continuar a concentrar no aumento da produção com base no uso generalizado de pesticidas e produtos químicos que ameaçam culturas e polinizadores.”

O ministro da Agricultura, Florestas e Alimentos da Eslovênia, Dejan Židan, disse que este é o momento de "transformar palavras em ações e realizar atividades específicas para conservar as abelhas e outros polinizadores, cuidando assim de sua sobrevivência e, consequentemente, da nossa própria sobrevivência."


A importância das abelhas vai muito além da produção de mel. Unmiss/Eric Kanalstein

Comida

Mais de 75% das culturas alimentares mundiais dependem, em certa medida, da polinização para rendimento e qualidade. A ausência de abelhas e outros polinizadores acabaria, por exemplo, com as culturas de café, maçãs, amêndoas, tomates e cacau.  

Graziano da Silva disse que "cada um de nós tem uma responsabilidade individual em proteger as abelhas e que "até mesmo o cultivo de flores em casa para alimentar abelhas contribui para esse esforço."

O número e a diversidade de polinizadores diminuíram nas últimas décadas. Segundo a FAO, existem provas de que o declínio é, sobretudo, consequência das atividades humanas, incluindo mudanças climáticas.

A agência da ONU diz que práticas agrícolas sustentáveis, e em particular a agroecologia, podem ajudar a proteger as abelhas reduzindo a exposição a pesticidas e ajudando a diversificar a paisagem agrícola.

A cerimônia oficial para o primeiro Dia Mundial da Abelha acontece este domingo na cidade eslovena de Breznica

Fonte: ONU News


OPINIÃO: PROTEGER AS ABELHAS É DAR ESPAÇO À NATUREZA

Substâncias neonicotinoides usadas em herbicidas são apontadas como responsáveis por 
declínio da população de abelhas - Foto: DW / Deutsche Welle

01/05/2018

Proibição de neonicotinoides é boa notícia tanto para insetos polinizadores como para pragas da agricultura. Solução exige esforços de pesquisadores, indústria e agricultura, opina o jornalista Fabian Schmidt.O fato de a Comissão Europeia ter banido três inseticidas da classe dos neonicotinoides, provavelmente nocivos a abelhas, é à primeira vista uma boa notícia para o meio ambiente. Abelhas e muitos outros insetos - úteis e prejudiciais aos seres humanos - ficam mais bem protegidos.

Mas o fato de que os inseticidas não poderão ser mais usados não significa necessariamente que as abelhas realmente passarão a ter uma vida melhor. É forte a suspeita de que os agricultores vão passar a recorrer a outros pesticidas, que provavelmente vão usá-los em concentrações mais altas. E é questionável que essas substâncias sejam realmente mais seguras e melhores para os insetos do que as agora proibidas.

Uma coisa é clara: a agricultura moderna não se sustenta sem herbicidas. As pragas se adaptam muito rapidamente e podem matar colheitas enormes em tempo recorde. E há mais uma verdade incômoda - sobretudo para muitos amigos da agricultura orgânica. Apenas a agricultura industrial pode sustentar a crescente população mundial. Sem uma produção eficiente de alimentos, haverá crises de fome.

Existem soluções para este dilema, mas elas exigem maiores esforços conjuntos de pesquisadores, indústria e agricultura: pesticidas bem seletivos, apenas para pragas muito específicas. O melhor seriam aqueles agentes que já atuam no estágio larval e, assim, evitam que as pragas possam se desenvolver. Ao mesmo tempo, as substâncias não devem atuar sobre organismos benéficos.

Isso é muito mais complicado do que um inseticida de amplo espectro, com o qual é possível se proteger de muitas pragas ao mesmo tempo. Porque cada praga tem de ser reconhecida individualmente, com uma estratégia de combate. Isso requer um alto nível de conhecimento técnico entre os agricultores. Isso custa tempo, dinheiro e, no final, sempre haverá, apesar disso, prejuízos nas colheitas.

Muito mais importante para a preservação da biodiversidade seria algo bem diferente: temos que dar mais espaço à natureza, sobretudo nas áreas onde podemos investir sem arriscar grandes perdas.

Os legisladores devem delimitar faixas verdes ao longo de estradas e caminhos nos campos que não podem ser desmatados. Assim, arbustos, árvores e flores silvestres podem se expandir novamente. Em volume, isso não mudaria muito em relação ao rendimento de um campo industrialmente cultivado, mas seria um grande ganho para a natureza.

E também nas cidades e nos vilarejos de interior podemos fazer muito mais não só pelos insetos, mas também pelos pássaros: por que não damos mais chances ao prado com flores, onde agora existe um gramado bem cortado? Por que cada dente-de-leão precisa ser arrancado? Por que paisagistas criam enormes superfícies mortas de cascalho, nas quais cada suposta erva daninha é imediatamente arrancada ou queimada com o lança-chamas? Por que tudo é tão pavimentado e sem plantas?

Um pouco mais de "desordem" na nossa paisagem não faria mal. E então, abelhas, moscas polinizadoras, borboletas e companhia também teriam novamente boas oportunidades de desenvolvimento - assim como muitos outros bichos.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 


ONU PROCLAMA 20 DE MAIO COMO DIA MUNDIAL DA ABELHA

Dia Mundial da Abelha será observado a partir de 2018. Foto: Banco Mundial.

22/12/2017

Celebração quer aumentar a consciência sobre importância das abelhas e de outros polinizadores; Assembleia Geral também adotou Década da Agricultura Familiar e Ano Internacional dos Camelídeos.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

As Nações Unidas proclamaram 20 de maio como o Dia Mundial da Abelha, em resolução que pretende "aumentar a consciência sobre a importância dos insetos e alertar sobre o número cada vez menor" de abelhas.

A decisão adotada esta quarta-feira pela Assembleia Geral determina que a data será observada a partir de 2018. A proposta da Eslovênia teve o patrocínio de 155 Estados-membros.

Ameaças

Com a decisão, pretende-se promover ações de educação e atividades para aumentar a conscientização sobre a importância das abelhas e de outros polinizadores, as ameaças que enfrentam e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável.

A Assembleia Geral também adotou 2019 como o início da  Década da Agricultura Familiar e 2024 como Ano Internacional dos Camelídeos, grupo do qual fazem parte camelos, lhamas e dromedários.

Fome

Em nota, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, destaca que estas decisões estão ligadas a temas de atuação da agência "em termos de organização e compartilhamento de informações".

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, saudou as resoluções sobre o que chama "questões importantes que ajudarão a aumentar a atenção sobre o impulso global para dinamizar o alcance da fome zero até 2030".

A agência da ONU estima que os pequenos agricultores são responsáveis por mais de 80% da alimentação mundial, mas paradoxalmente "são muito mais vulneráveis à fome".

Camelídeos

Já os camelídeos são o principal meio de subsistência de milhões de famílias pobres em 90 países que muitas vezes vivem em ecossistemas mais hostis do planeta.

Estes mamíferos "têm uma contribuição direta para a segurança alimentar, são fundamentais para a conservação da biodiversidade e outra pedra angular dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável".

De acordo com a FAO, os camelídeos são uma fonte principal de proteínas, leite, fibras para roupas e também fornecem fertilizantes, além de servirem como animais de carga e de transporte.


Pesquisa diz que animais silvestres são mais eficientes na polinização


Abelhas de diferentes espécies de vários locais do mundo polinizam flores 
(Foto: Reprodução/'Science')

01/03/2013

Abelhas nativas, morcegos e outros animais podem ajudar na agricultura.
Pesquisa foi publicada na edição da revista 'Science' desta semana.

Rafael Sampaio
Do Globo Natureza, em São Paulo

Um estudo realizado por mais de 50 cientistas de diversos países, publicado pela renomada revista "Science", afirma que animais silvestres são, em várias situações, polinizadores mais eficientes do que as abelhas comuns (Apis mellifera), muito utilizadas para polinizar culturas agrícolas.

Morcegos, beija-flores, besouros e abelhas de espécies diversas, não só da espécie Apis mellifera, são capazes de polinizar vários tipos de plantas. No caso de culturas agrícolas, a polinização por animais silvestres fez aumentar a frutificação em até duas vezes, ressalta Juliana Hipólito, pesquisadora de ecologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e uma das autoras do estudo, publicado nesta quinta-feira (28).

"Isso está relacionado à qualidade da deposição do pólen. Os polinizadores nativos demonstraram maior eficiência nesse quesito em certas culturas agrícolas", diz a pesquisadora. Em todos os cultivos em que animais nativos fizeram a polinização, independente da presença da Apis mellifera, houve ganho na reprodução, afirma ela.

saiba mais

Sem competição
Juliana aponta que, no início do estudo, os pesquisadores imaginaram que haveria competição entre as abelhas comuns e animais polinizadores nativos, caso ambos convivessem na mesma área. A situação praticamente não ocorreu.

"Basicamente não há relações fortes de competição como a gente achava que haveria. Constatamos que polinizadores nativos, como vespas, podem ajudar na agricultura", diz a pesquisadora. "A Apis mellifera pode ter papel complementar ao dos animais silvestres [na polinização]."

Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e também autor do estudo, Breno Magalhães Freitas informa que foram estudadas cerca de 600 áreas agrícolas (como fazendas) em todos os continentes do mundo, exceto na Antártica.

"A prática atual da agricultura é não se preocupar com os polinizadores silvestres", afirma. Segundo ele, quando os animais nativos são eliminados de uma área agrícola, "o produtor tende a pensar: 'eu posso colocar colmeias de abelhas para polinizar'", mas isso está longe de aumentar a eficiência na agricultura.
"O trabalho mostra que as abelhas comuns polinizam, mas não são muito eficientes. Os polinizadores [abelhas e outros animais] não são excludentes", pondera o pesquisador.

A maioria dos animais polinizadores são abelhas de diversas espécies - elas representam de 70% a 80% dos seres com esta função, segundo Freitas. "Não quer dizer que uma espécie é melhor do que a outra. Elas são complementares."

Abelha pousada em flor, em Jerusalém; espécies silvestres se 'especializam' em polinizar certas plantas 
(Foto: Baaz Ratner/Reuters)
Especialistas
Os animais silvestres tendem a ser mais eficientes na polinização porque são "especialistas" em certos tipos de planta, afirma o pesquisador. "Eles atingem um grupo menor, e com isso conseguem ser eficientes naquela planta que visitam", ressalta.

Já as abelhas comuns, também chamadas de abelhas europeias, polinizam vários tipos de plantas. "Elas não são especialistas, fazem uma polinização básica, mais geral", diz Freitas.

Exemplos de animais polinizadores nativos do Brasil são abelhas mamangavas, essenciais para a reprodução do maracujá. Já o caju pode ser polinizado tanto por abelhas centris, um tipo natívo, quanto pela Apis mellifera. "Elas se complementam", afirma o professor da UFC.

Orientações para os produtores rurais são evitar o desmatamento ao redor de suas propriedades, para garantir o habitat natural dos animais silvestres que podem ser polinizadores. Também é importante usar menos agrotóxicos, afirma o professor.

Fonte: G1 NATUREZA

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