Chegada de tempestade tropical faz Haiti ordenar evacuação em zonas de risco

Imagem: Orlando Barría/EPA

29/08/2015

O governo do Haiti ordenou a suspensão de todas as operações de tráfego aéreo e a evacuação de algumas zonas no Sudoeste do país devido à chegada da tempestade tropical Erika, informou o ministro da Comunicação haitiano, Rotchild François.

A tempestade tropical Erika deve entrar neste sábado (29) hoje em território haitiano pela cidade de Anse-à-Pitre, na Região Sudeste, que, ao lado de Jacmel, no Sul, é considerada uma zona de risco. De acordo com o ministro, as autoridades municipais foram instadas a iniciar a retirada dos moradores para abrigos temporários.

Aproximadamente 2 mil desse abrigos, com capacidade para acolher 47 mil pessoas, já foram preparados.

Durante a sua passagem pela República Dominicana, a tempestade tropical Erika fez,pelo menos 27 mortos, causando também estragos em Porto Rico.

Desde 2008, nenhum furacão atinge o Haiti, mas, devido à vulnerabilidade da população e das habitações, enfraquecidas pelo terremoto de 2010, mesmo tempestades tropicais simples são suficientes para causar inundações mortais.

Em outubro de 2012, a tempestade Sandy atingiu a costa nordeste dos Estados Unidos, matando 60 pessoas no Haiti e destruindo mais de 18 mil casas por todo o país.

Nos Estados Unidos, a Flórida já se prepara para a chegada da tempestade tropical, possivelmente na segunda-feira, tendo o governador decretado estado de emergência.

Fonte: Agência Brasil



O medo que os segue: oferecendo cuidados de saúde mental para refugiados no Chade

Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos

29/08/2015

Psicólogos de MSF já atenderam cerca de 524 pacientes desde março deste ano

Ataques perpetrados pelo grupo Boko Haram na região do Lago Chade se intensificaram nas últimas semanas, e, como resposta, a presença militar na área também foi ampliada. O número de pessoas forçadas a deixar suas casas mais que dobrou, levando a um total de 75 mil deslocados no Lago Chade. O medo que se instaurou entre a população – que é composta por refugiados do Níger e da Nigéria, além de chadianos – tem sido cada vez mais acentuado pela violência contínua, que não mostra quaisquer sinais de arrefecimento. As necessidades de saúde mental são muitas, e com esse recente aumento da violência, elas só continuarão crescendo.

Desde o início de sua resposta à crise no Chade, em março de 2015, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) observou uma necessidade imediata de incorporar cuidados psicológicos às suas atividades médicas. Hoje, atuando no campo de refugiados de Dar Es Salam, na região do Lago Chade, os psicólogos de MSF ouvem as histórias de horror e de medo que assombram o cotidiano dos sobreviventes do conflito. Entre os pacientes que buscam apoio psicológico na clínica de MSF no acampamento, um em cada quatro apresentam sinais de depressão. Distúrbios de sono, reações emocionais intensas e de ansiedade relacionadas com o trauma também são comuns.

“Eu atendi Abeni*, uma menina de 16 anos que fugiu de Baga, na Nigéria”, lembra Forline Madjibeye, psicóloga de MSF. “Os pais dela foram mortos, assim como seus vizinhos. Ela pegou a mão do seu irmão pequeno e do seu sobrinho, bem como das quatro crianças que pertenciam aos vizinhos, e, de alguma maneira, chegou até aqui. Eu falei com ela ontem e ela disse que ainda não tem um cartão de refugiada, então não está recebendo nenhum alimento. As crianças ficam chorando porque estão com fome.”

Escapar dessa situação e chegar a um local com condições de vida extremamente difíceis só intensificam os efeitos psicológicos de um trauma como esse. De acordo com Forline Madjibeye, a responsabilidade de tomar conta de seis crianças em um acampamento de refugiados, junto ao que ela presenciou na Nigéria, teve um peso enorme sob Abeni. Ela continua sentindo medo, não consegue dormir, é extremamente estressada, e está sofrendo com depressão porque seu futuro é completamente incerto.

“Nós queremos poder devolver à Adeni algum senso de controle, para que ela possa lidar melhor com o medo e a tristeza que está sentindo e cuidar de si mesma e das crianças”, continua Forline Madjibeye. “Essa não é uma situação fácil, e outras pessoas, infelizmente, também passaram por isso. Então eu a encorajo a compartilhar suas experiências com os demais refugiados, e a não ficar em casa sozinha.”

Com o aumento da violência na região, a insegurança tem perseguido os refugiados desde o momento em que deixaram seus lares. Embora possam ter acreditado estarem fugindo rumo à segurança, eles ainda são assombrados pelos eventos, não se sentem seguros, e, assim, continuam revivendo o trauma. Seu “lar” agora é uma junção de tendas estruturadas no meio do deserto, onde eles podem estar vulneráveis a futuros ataques.

Aurelia Morabito, uma psicóloga que atua com MSF no Lago Chade há dois meses, explica que os sintomas apresentados pelos pacientes estão intrinsecamente ligados aos eventos traumáticos que viveram, mas também às condições de vida precárias e ao sentimento de medo que os refugiados enfrentam quando chegam ao acampamento.

“O processo de recuperação é longo. As pessoas testemunharam coisas horríveis; elas se tornaram refugiadas e depois chegaram a um acampamento onde a vida é sombria e muito difícil. Inicialmente, os pacientes têm estresse, não pós-traumático conseguem dormir. Mas não há outra opção além de ficar. Você não é só uma vítima do Boko Haram, você agora precisa passar pelo processo de aceitação de viver como um refugiado, ou de ter que tocar a vida em outro lugar, ou de ter que conviver com a realidade de que você não tem ideia do que o amanhã lhe reserva.”

Desde que o programa teve início em março, os psicólogos de MSF atenderam cerca de 524 pacientes. As equipes ofereceram consultas individuais, em família ou em dupla, e as crianças também podem participar de uma oficina de desenhos semanal para expressar o que estão sentindo.

“É mais fácil para as crianças expressarem o que estão sentindo por meio de desenhos”, diz Aurelia Morabito. “Depois, nós conversamos com elas e com seus pais sobre os desenhos, com o objetivo de ajudá-las a controlar seus medos. Em cada sessão, as crianças relembram histórias horríveis por meio de seus desenhos. Nós vemos ilustrações de armas e de helicópteros, e de pessoas decapitadas. Ouvimos histórias de crianças que fugiram da Nigéria, para depois sofrerem outro ataque no Níger, para voltarem novamente à Nigéria e presenciarem a violência mais uma vez. Muitas fugiram sozinhas durante a noite, ou passaram a noite escondidas na água, esperando que ninguém as encontrasse.”

The aim of the MSF mental health team is to provide support to the refugees to lessen the burden of the trauma, and to ensure that they have a professional to talk to for as long as they need. Psychologists listen to patients in a safe and confidential space, and through acknowledgement of their suffering, help them find the best coping strategies.

O objetivo da equipe de saúde mental de MSF é oferecer apoio aos refugiados para diminuir o fardo do trauma, e para assegurar que eles tenham um profissional com quem falar pelo tempo que precisarem. Os psicólogos ouvem os pacientes em um espaço seguro e confidencial, e por meio do conhecimento de seu sofrimento, os ajudam a encontrar as melhores formas de lidar com aquilo.

“Durante nossas sessões, os psicólogos de MSF ouvem e tentam normalizar as reações dos refugiados”, explica Aurelia. “Isso ajuda a estabilizar e a passar segurança aos pacientes enquanto eles se conectam com outros e compartilham experiências. Nós sabemos que não conseguimos parar o sofrimento, mas podemos ajudar as pessoas a lidarem melhor com suas reações insuportáveis.”

MSF atua na região do Lago Chade, no Chade, desde março de 2015, pouco depois das primeiras ondas de refugiados fugindo da violência do Boko Haram na Nigéria. Além de seu programa de saúde mental no campo de refugiados de Dar Es Salam, MSF também está administrando clínicas móveis que oferecem cuidados básicos de saúde à população local e deslocada. Em breve, a organização também irá incorporar um componente de saúde mental a essas clínicas móveis.

Na capital N’djamena, MSF apoiou hospitais do Ministério da Saúde após dois ataques do Boko Haram que aconteceram nos dias 15 de junho e 11 de julho. Desde abril, MSF treina funcionários do Ministério da Saúde na gestão de vítimas em grande quantidade de uma só vez, e fez doações a três hospitais da capital, para ajudar a ampliar a capacidade nacional de responder a cenários de emergência.

MSF atua no Chade desde 1981. A organização administra programas regulares em Abéché, Am Timan, Massakory e Moissala. Em julho deste ano, MSF também começou a trabalhar em Bokoro, na província de Hadjer Lamis, em resposta à desnutrição aguda na região.

*O nome foi alterado para proteger a identidade.

Fonte: MSF


Ban convoca para 30 de setembro reunião sobre a crise de migrantes

Grupo de afegãos chegam à Grécia. FotoAcnur/A. McConnell
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

29/08/2015

Secretário-Geral da ONU ficou "horrorizado e de coração partido" ao saber das mortes de refugiados que estavam dentro de um caminhão na Áustria; Ban Ki-moon apela aos governos para agirem com humanidade e compaixão.

O secretário-geral da ONU pronunciou-se nesta sexta-feira sobre a descoberta de 71 corpos em um caminhão abandonado entre a fronteira da Áustria com a Hungria.

Numa nota, Ban Ki-moon disse estar "horrorizado e de coração partido" com mais um caso envolvendo a morte de migrantes na Europa. Segundo Ban, relatos indicam que a maioria das vítimas era da Síria e o caminhão tinha inclusive crianças. A suspeita é de que morreram sufocadas.

Armadilha

O secretário-geral reconhece que têm sido feitas várias operações de busca e de resgate por parte das autoridades europeias, mas lembra que o Mar Mediterrâneo continua sendo uma armadilha fatal para refugiados e migrantes.

Para Ban, essas tragédias reforçam a falta de compaixão dos traficantes de pessoas, que têm atividades criminosas desde o Mar de Andamán, no Oceano Índico, passando pelo Mar Mediterrâneo, até a chegada à Europa.

Direitos

Essas tragédias também demonstram o "desespero das pessoas que buscam proteção ou começar uma vida nova", lembra Ban Ki-moon. A maioria desses migrantes é da Síria, do Iraque e do Afeganistão.
O secretário-geral da ONU destaca que a lei internacional é clara: refugiados têm direito de proteção e de pedir asilo. Por isso, Ban pede aos países para que não forcem essas pessoas a voltarem para suas nações de origem, nem discriminem esses refugiados.

Para ele, isso é também uma obrigação enquanto seres humanos. Ban Ki-moon apelou aos governos dos países que recebem esses refugiados a serem compreensivos, a ampliarem os canais legalizados de migração e para "agirem com humanidade e compaixão".

Reunião 

O secretário-geral da ONU lembrou que a crise de migrantes é sintoma de um problema maior: conflitos sem fim, graves violações de direitos humanos, falhas de governos e forte repressão que essas pessoas sofrem nos seus países, como a Síria.

Ban Ki-moon disse tratar-se de "uma tragédia humana que pede uma resposta política coletiva". Por isso, ele vai aproveitar a presença dos chefes de Estado e de governo que vão participar no mês que vem da Assembleia Geral e convocar uma reunião especial.

O encontro com os líderes sobre a crise dos migrantes deve ocorrer em Nova York, no dia 30 de setembro.

Fonte: Rádio ONU


FZB NA REDENÇÃO










































Fotos > Carlos Nascimento





Lideranças religiosas assinam Declaração Fé no Clima, como contribuição à COP21



26/08/2015

Lideranças de 12 comunidades religiosas firmaram hoje (25), no Rio de Janeiro, a Declaração Fé no Clima, na qual manifestaram posicionamento de consenso sobre as mudanças climáticas. O documento pretende ser uma contribuição informal do segmento religioso brasileiro à 21ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), que ocorrerá a partir de 30 de novembro, em Paris.

A declaração será encaminhada à presidenta Dilma Rousseff e aos ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foi sugerido também, na ocasião, que a declaração seja enviada ao Papa Francisco, como um desdobramento da reflexão proposta na Encíclica Papal Laudato Si – Sobre o cuidado da casa comum, além das entidades de meio ambiente dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro.

Os líderes religiosos participaram do Encontro Internacional Fé no Clima, promovido pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a organização Gestão de Interesse Público (GIP). O ponto central da declaração é que as mudanças climáticas não podem ser um tema apropriado no campo político e econômico, mas devem evidenciar a preocupação com as questões ambiental, de justiça e igualdade social e que isso não seja esquecido nas negociações entre os países.

“Porque, muitas vezes, isso vira uma discussão sobre quem emite mais e os mecanismos de pagamento por emissão. Não se deve perder de vista esse aspecto fundamental, que é a preocupação voltada para os ecossistemas e as pessoas mais vulneráveis”, destacou a antropóloga Maria Rita Villela, pesquisadora do Iser e coordenadora do encontro.

A Declaração Fé no Clima mostra a existência de sinergia também em relação à importância da confluência entre o conhecimento tradicional e o conhecimento científico e das comunidades tradicionais na defesa da natureza. Destaca a importância da juventude como propagadora da ideia de proteção do planeta. As lideranças religiosas sustentaram que o governo brasileiro precisa ser mais ambicioso no que se refere à redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), compatível com a necessidade de limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius até 2100.

As lideranças assumiram o compromisso de levar para suas comunidades o debate sobre as mudanças climáticas, em linguagem de fácil acesso para todos, que permita refletir sobre como a humanidade pode  transformar os modos de vida, de forma a promover a sensibilização e mobilização efetiva sobre o tema. Reiteraram, também, a interdependência entre todos os seres do planeta, colocando o ser humano como mais um ente importante da criação e não o dominador sobre as demais criaturas.




Principais doenças da banana serão apresentadas em Berlim

Banana nanica - Foto: Anapaula Lopes

24/08/2015 

Missão possível: alimentar a todos por meio de proteção vegetal adequada é o tema do XVlll International Plant Protection Congress (IPPC), de 24 a 27 de agosto de 2015, em Berlim, Alemanha. O pesquisador da Embrapa Miguel Dita irá apresentar trabalhos sobre a eficácia das práticas de manejo da Murcha por Fusarium da bananeira em pequenas propriedades de banana Gros Michel em Costa Rica e sobre endófitos associados às raízes de Musa spp. que podem promover o crescimento da planta de banana e inibir tanto a agentes patogénicos.

Conforme o pesquisador, "a murcha de Fusarium é uma das doenças destrutivas da bananeira. A exclusão da doença e usos de cultivares resistentes são consideradas as práticas de manejo mais eficazes. Além disso, o uso de material de plantio de cultura de tecidos livre da doença também tem sido recomendado para reduzir a propagação de Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc) em novos plantios por meio de rizomas infectados".

"Como a exclusão não foi possível especialmente a nível local e cultivares resistentes não estão sempre disponíveis ou não cumprem as exigências do mercado, estratégias de manejo são necessários para reduzir as perdas atuais de rendimento e aumentar a vida útil em novas plantações em solos já contaminados", diz Miguel.

O impacto de diferentes práticas de manejo para reduzir a sua intensidade foram estudadas em 15 fazendas de bananas 'Gros Michel' em Turrialba, Costa Rica:  utilização de material de plantio de cultura de tecidos; inoculação de plantas de cultura de tecidos com microorganismos endófitos durante a aclimatização; utilização de insumos orgânicos e uso de adubação química de acordo com a fenologia da cultura.

Os resultados deixam claro a dificuldade de controlar esta doença, mas revelam que o manejo do microbioma de de solo e raizes ajuda as plantas provenientes de cultura de tecidos a se defender melhor do patógeno. Adicionalmente, ficou claro que vitroplantas de variedades suscetíveis sem esses insumos não deve ser recomendado. Os resultados do primeiro trabalho são uma base que suporta a abordagem apresentadas no segundo trabalho.

O segundo estudo trabalha sobre a hipótese de que o processo de cultura de tecidos, prática recomendada em todo o mundo da banana para impedir a propagação de doenças, remove bactérias e fungos endofíticos que proporcionam benefícios para as bananeiras.

"O enriquecimento de material de plantio de cultura de tecido com endofíticos para proporcionar maior vigor e resistência a doenças é visto como uma estratégia promissora, mas o seu sucesso exige uma compreensão das complexas relações de endófitos e bananeiras", explica Miguel.

Neste trabalho, dezenove microrganismos endofíticos associados às raízes de Musa spp. foram caracterizados em relação a antagonismo contra Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc), compatibilidade crescimento em meio de cultura e promoção de crescimento de plantas de cultura de tecidos em casa de vegetação.

A maioria dos fungos previamente caracterizados inibiram o crescimento de Foc em determinados níveis e em diferentes interações foram verificados a compatibilidade entre endófitos mostrando total ou parcial incompatibilidade.

"Nossos resultados preliminares são bastante promissores e desde já contribuem para uma melhor compreensão das relações entre microrganismos endofíticos e raízes de banana. Produtos e práticas direcionadas ao manejo da cultura com base na formulação simples ou combinada de microrganismos para melhorar o material de plantio de cultura de tecido é o nosso objetivo final", diz Miguel.

Fonte: Embrapa


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