O mundo de portas fechadas

Foto: Eduardo Zappia

01/08/2015

Por Susana de Deus, diretora-geral de Médicos Sem Fronteiras Brasil

O aumento do número de pessoas que arriscam suas vidas, fugindo de conflitos sangrentos que assolam diversos países da África subsaariana ou buscando condições dignas de sobrevivência para si e suas famílias, colocou a Europa estado de alerta. Táticas militares foram traçadas para coibir a imigração, fronteiras foram fechadas e inúmeras reuniões feitas para se discutir a desestabilização que a chegada dessas pessoas pode causar à economia europeia. Em meio a todas essas discussões, uma informação passa despercebida: não são os países europeus os mais impactados pela imigração e o influxo refugiados no mundo.

A maioria daqueles que se veem levados a deixar seus países de origem acaba permanecendo nos arredores, muitos com a esperança de retornar tão logo o conflito retroceda. A atuação de Médicos Sem Fronteiras na maioria desses contextos de violência nos faz menos otimistas do que essas pessoas que levam consigo quase nada além de esperança. A continuidade dos conflitos e das situações de insegurança fazem crer que o número de refugiados não deve retroceder. E o debate acerca da garantia de seus direitos, sua dignidade e acesso à ajuda humanitária precisa ser priorizado.

Entre os dez países que abrigam o maior número de refugiados no mundo, não há um país europeu sequer. A relação divulgada pela agência da ONU para Refugiados (Acnur) é liderada pela Turquia, seguida de Paquistão e Líbano. Na lista constam ainda Irã, Etiópia, Jordânia, Quênia, Uganda e Chade.

Na Nigéria, a violência perpetrada pelo Boko Haram provocou a fuga de mais de 18 mil pessoas que foram buscar proteção na região do Lago Chade, desde o início do ano. Do outro lado da fronteira, essas pessoas encontram uma situação de pobreza extrema e um nível de insegurança ainda significativo, que já motiva o deslocamento interno da própria população do Chade. Esse não é único destino dos nigerianos nos arredores. Desde janeiro de 2015, os vizinhos Níger e Camarões também recebem milhares de refugiados – já se somam quase 140 mil. A crise nigeriana está acentuando uma situação já precária, afetando populações que já eram extremamente vulneráveis.

Sair do país em que nasceu, deixando para trás casa, amigos e familiares para se tornar um refugiado, definitivamente, é das mais difíceis decisões. É uma opção amparada em desespero. Nos três barcos usados por MSF no resgate de refugiados em meio à perigosa travessia pelo Mar Mediterrâneo, histórias como a da nigeriana Sandra se repetem. Grávida de oito meses, ela era a única mulher no meio dos 92 homens resgatados de um barco inflável à deriva em 13 de maio.

Sandra havia imigrado da Nigéria para a Líbia e não considera mais voltar para seu país de origem. Para não viver em meio à violência de incessantes confrontos, ela e o marido decidiram que a melhor saída seria arriscar a vida da mãe e do bebê na travessia que, só este ano, já matou 1.800 pessoas rumo à Europa. O marido ficou na Líbia trabalhando. Sandra seguiu com o cunhado, que havia deixado a Nigéria para acompanhá-la. Foram duas das 5.555 pessoas resgatadas pelos barcos de MSF até agora.

As pessoas que arriscam suas vidas nessas viagens, frequentemente, são as mesmas que assistimos em seus países de origem, como Nigéria, Líbia, Síria e Sudão. E, em contato com essas pessoas, nossas equipes constataram o óbvio: não se pode dissociar a narrativa da travessia das histórias épicas das quais elas fazem parte.

Estamos num momento da história muito triste e peculiar. Desde a segunda guerra o mundo não via um deslocamento tão grande de pessoas.  E talvez nunca se tenha visto tantas portas fechadas a quem, desesperadamente, clama por proteção. A humanidade não pode falhar com essas pessoas. É fundamental que cobremos da Europa, e de outros continentes que estão recebendo os refugiados, a dignidade humana a que elas têm direito. As ações precisam ser concretas e pautadas na compaixão pelas pessoas, em substituição ao discurso hostil da rejeição institucional.

Fonte: MSF


Iêmen: crimes de guerra e escassez grave do essencial

Foto: Sebastiano Tomada/Getty Reportage
01/08/2015

Por Dr. Mégo Terzian, presidente de MSF na França

Desde que o conflito eclodiu no fim de março no Iêmen entre rebeldes houthi e forças da coligação liderada pela Arábia Saudita, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestou assistência médica a quase 7 mil feridos de guerra.

Equipes de MSF trabalhando no país testemunharam mulheres grávidas e crianças morrendo após chegarem tarde demais a centros de saúde por conta da escassez de petróleo ou porque tiveram de esperar durante dias por uma breve trégua no conflito. Pessoas que precisavam de tratamento médico emergencial também morreram após serem mantidas em barricadas vigiadas por combatentes nas estradas.

MSF também ofereceu cuidados a vítimas de bombardeios perpetrados pela coligação – no fim de março, quando o campo de deslocados internos de El-Mazraa na província de Hajjah foi bombardeado, ferindo ao menos 34 pessoas, 29 das quais já chegaram mortas ao hospital; no fim de maio, quando um caminhão-tanque na cidade de Taiz foi atingido por bombas, deixando 184 pessoas com queimaduras graves; e, em 4 de julho, quando equipes trataram cerca de 70 vítimas em Beni-Hassan, no noroeste do Iêmen, após diversos ataques aéreos que tiveram como alvo um mercado movimentando no fim do mês do Ramadan.

Igualmente beligerante, os houthis bombardearam indiscriminadamente áreas residenciais densamente povoadas de Aden por semanas e, em 19 de julho, quando as forças de resistência do sul lutaram para recuperar o controle da cidade, também o fizeram em uma região densamente povoada. Em poucas horas, 150 vítimas – mulheres, crianças e idosos – chegaram ao hospital de MSF. Quarenta e dois chegaram mortos e diversas dúzias de corpos tiveram de continuar do lado de fora porque não havia mais espaço no hospital.

No país, a população está sofrendo com uma grave escassez de alimentos e medicamentos, e a gasolina tornou-se muito rara, ameaçando a sobrevivência dos mais vulneráveis. Com a falta de combustível para o funcionamento de geradores e estações de bombeamento, alguns hospitais não estão mais aptos a funcionarem e a obtenção de água limpa é cada vez mais problemática. Para conseguir gasolina, as pessoas ficam em filas por horas, ou até dias, com a esperança de poder fugir da zona de combate ou transportar uma vítima ou alguém doente ao hospital mais próximo. A estação de malária começou e casos suspeitos de febre hemorrágica estão aumentando. Embora MSF tenha conseguido as autorizações necessárias para levar mais de 100 toneladas de medicamentos e suprimentos médicos ao país, instalações do Ministério da Saúde e clínicas privadas não conseguiram, e não estão recebendo nenhum tipo de suprimento. Em Aden, o preço da farinha aumentou 70% em algumas regiões e a carne é praticamente inexistente. Dados coletados por MSF em Khamir e Saada mostraram que 15% das crianças estão subnutridas.

Crimes de guerra e a grave escassez de itens essenciais resultam na população sendo submetida ao dobro de sofrimento, causado não só por diferentes partes do conflito, mas também pela Resolução 2216 (2015) adotada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas em abril. Proposta pela Jordânia e apoiada ativamente pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, o objetivo da Resolução – Capítulo VII da Carta – era pôr um fim à violência no Iêmen, impondo, entre outras coisas, um embargo de armas sobre os houthis. A coligação militar foi, então, presentada com a oportunidade de bombardear toda a infraestrutura do país, como estradas, aeroportos, portos e postos de gasolina, que poderiam garantir uma vantagem militar aos rebeldes, e impor restrições às rotas aéreas e marítimas que, rapidamente, resultaram no isolamento de todo o país do resto do mundo. É óbvio que a Resolução escolheu o alvo errado na medida em que, longe de “pôr um fim à violência”, só impulsionou o apetite beligerante de diversas partes do conflito e prejudicou a população. A exceção de poucos comboios, a Organização das Nações Unidas, que manifesta sua enorme preocupação com a situação humanitária sempre que tem oportunidade, não estruturou uma rede de suprimentos para facilitar o transporte de itens de primeira necessidade, como medicamentos, alimentos e combustível.

Em face do que estamos testemunhando em Aden, tememos que as ofensivas lideradas pela coligação, na busca pela recuperação de territórios dos houthis, inflijam, a curto prazo, ainda mais violência sobre os civis encurralados pelas partes envolvidas no conflito e os exponham a retaliações armadas. Além disso, também tememos que aqueles países que apoiam a coligação em sua empreitada de “liberar” o Iêmen – custe o que custar – vejam essa violência como um efeito colateral aceitável. Um efeito colateral que pode ser a menor das preocupações dos governos, como vimos, nos últimos meses, durante nossas tentativas de reunir diplomatas em Paris, Genebra e Washington, por causa da necessidade de pressionar as partes beligerantes para que poupem a vida dos civis.

Ainda há tempo para os Estados responsáveis pelo custo humano do conflito fazerem tudo o que está ao seu alcance para reduzi-lo, sancionando os crimes de guerra como tal, cometidos por diversas partes, e restaurando urgentemente o acesso da população a serviços essenciais.

Fonte: MSF


MSF prorroga prazo de inscrição para oficina de jornalismo

Foto: Yann Libessart/MSF

01/08/2015

Interessados têm até o dia 9/08 para se candidatar a uma das 30 vagas

As inscrições para a segunda edição da oficina de jornalismo “Ajuda humanitária em pauta” foram prorrogadas para o dia 9/08. Proposta pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), a oficina tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento do olhar humanitário de estudantes de jornalismo interessados em trabalhar na cobertura de crises humanitárias.

Durante cinco manhãs de sábado – dias 12, 19 e 26 de setembro e 3 e 10 de outubro – os participantes terão a oportunidade de conversar e aprender com profissionais de ajuda humanitária de MSF e de outras organizações, além de jornalistas experientes. Entre os palestrantes que já confirmaram presença está a repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo, Adriana Carranca. A agência da ONU para refugiados (Ancur) e a Cruz Vermelha Internacional mandarão representantes.

No último encontro, será realizada a simulação de uma entrevista coletiva, que será o ponto de partida para que os estudantes escrevam reportagens sobre o assunto apresentado. 

O autor da melhor matéria será premiado com uma viagem para um dos projetos de MSF sobre o qual deverá escrever duas reportagens: uma para um dos veículos de comunicação da universidade em que estuda e outra para a revista ou site de Médicos Sem Fronteiras.

A oficina será realizada no escritório de MSF-Brasil, no Rio de Janeiro. Podem se inscrever estudantes dos cursos de graduação em comunicação e jornalismo, a partir do 4º período. Só serão consideradas as inscrições acompanhadas de currículo, carta de motivação e um texto de autoria do candidato.

Mais informações, clique aqui!

Angelina Jolie Pitt visita deslocados internos de Mianmar

Angelina Jolie Pitt conversou com várias famílias
desalojadas. Foto: Acnur/T.Stoddart

01/08/2015

Enviada especial da Agência da ONU para Refugiados está no estado de Kachin, onde 100 mil pessoas tiveram de abandonar suas casas; atriz apela por acesso humanitário à região.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A atriz americana Angelina Jolie Pitt está em Mianmar, em mais uma missão como enviada especial do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur. Ela chegou esta quinta-feira à cidade de Myitkyina, no estado de Kachin, no norte do país.

Lá, mais de 100 mil pessoas abandonaram suas casas e vivem como deslocadas internas desde 2011, quando foi quebrado um acordo de cessar-fogo entre o exército de Mianmar e grupos étnicos.

Saúde

Angelina Jolie Pitt conversou com várias famílias desalojadas e ouviu relatos sobre as dificuldades que enfrentam para acessar serviços básicos, principalmente cuidados de saúde.

Segundo o Acnur, uma senhora de 90 anos de idade contou à Jolie Pitt que se viu obrigada a abandonar sua casa pelo menos 10 vezes desde 1960, época de um golpe militar no país.

Dificuldades

A atriz e enviada especial também conversou com uma família que acaba de se tornar deslocada: o grupo passou 10 dias na floresta até chegar à cidade, mas lamentou que amigos e familiares permanecem presos na florestas e precisam de ajuda urgentemente.

Angelina Jolie Pitt reforçou a importância de se permitir o acesso de ajuda humanitária ao local, para que as famílias de deslocados internos recebam assistência.

Eleições

O Acnur explica que nenhuma organização de ajuda humanitária local ou internacional consegue acessar essa área de conflito há um mês. Em Mianmar, a enviada especial destacou que "mulheres e meninas precisam ter um papel no processo de paz do país".

Jolie Pitt lembrou que as negociações sobre um possível cessar-fogo continuam e as eleições gerais estão marcadas para novembro. Por isso, ela acredita ser "essencial que o povo de Mianmar, até mesmo os deslocados, possam participar de decisões que irão afetar seu futuro".

Fonte: Rádio ONU


Saiba mais sobre Logística Reversa




28/07/2015

Dentre os vários conceitos introduzidos em nossa legislação ambiental pela Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS está a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a logística reversa e o acordo setorial.

A logística reversa é um "instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada".

A Lei nº 12.305/2010 dedicou especial atenção à logística reversa e definiu três diferentes instrumentos que poderão ser usados para a sua implantação: regulamento, acordo setorial e termo de compromisso.

O acordo setorial é um "ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos".

O Decreto Nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010, que regulamentou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ratificou a relevância dada à logística reversa e criou o Comitê Orientador para a Implantação de Sistemas de Logística Reversa - COMITÊ ORIENTADOR. 

Por permitir grande participação social, o Acordo Setorial tem sido escolhido pelo Comitê Orientador, desde sua instalação em 17/02/2011, como o instrumento preferencial para a implantação da logística reversa.

O COMITÊ ORIENTADOR é presidido pelo Ministério do Meio Ambiente - MMA que desempenha, também, as funções de Secretaria Executiva.  É composto por mais outros quatro ministérios: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA; Ministério da Fazenda - MF; e Ministério da Saúde - MS. Representam esses ministérios junto ao Comitê seus respectivos ministros de Estado e, em caso de impedimento, seus representantes legais.

A estrutura do COMITÊ ORIENTADOR inclui o Grupo Técnico de Assessoramento – GTA instituído pelo Decreto Nº 7.404/2010  e formado por técnicos dos mesmos cinco ministérios que compõem o COMITÊ ORIENTADOR.  Sua coordenação, bem como a função de Secretaria Executiva, é exercida pelo MMA.

O COMITÊ ORIENTADOR e o GTA possuem a incumbência de conduzir as ações de governo para a implantação de sistemas de logística reversa, e têm centrado esforços na elaboração de acordos setoriais visando implementar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. 
Para estudar e buscar soluções de modelagem e governança para cada uma das cadeias de produtos escolhidas como prioritárias pelo COMITÊ ORIENTADOR foi criado cinco Grupos de Trabalho Temáticos – GTTs: 

> embalagens plásticas de óleos lubrificantes; 
> lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; 
> produtos eletroeletrônicos e seus componentes; 
> embalagens em geral; e
> resíduos de medicamentos e suas embalagens.


Os objetivos principais desses grupos são a elaboração de uma minuta de edital de chamamento para a realização de acordos setoriais bem como a coleta de subsídios para a realização de estudos de viabilidade técnica e econômica para implantação de sistemas de logística reversa – EVTE.

Após a aprovação da viabilidade técnica e econômica para implantação de sistema de logística reversa de uma determinada cadeia pelo COMITÊ ORIENTADOR, o edital de chamamento das propostas para acordo setorial é o ato público necessário para dar início aos trabalhos de elaboração destes acordos.

Situação dos Grupos Técnicos Temáticos e das negociações

Todos os grupos já concluíram seus trabalhos. A situação da implantação da logística reversa dessas cadeias, está mostrada a seguir:

Atualizada em 13/03/2015.

Outras iniciativas anteriores à PNRS para a devolução de resíduos

Existem cadeias que já possuem sistemas de logística reversa implantados, anteriormente à Lei nº 12.305/2010, por meio de outras tratativas legais nas quais citamos:

> pneus;
> embalagens de agrotóxicos;
> óleo lubrificante usado ou contaminado (Oluc); e,
> pilhas e baterias.

Informações sobre esses sistemas podem ser acessados em:


Fonte: SINIR


Como o artesão pode ajudar na preservação do meio ambiente



28/07/2015

O artesão que preserva a matéria-prima que trabalha também agrega valor ao seu produto.

Saiba como desenvolver melhores práticas para ser um produtor consciente e conviver em harmonia com o meio ambiente.

Vegetação

Se você trabalha com alguma forma de vegetação (madeiras, fibras ou flores nativas), certifique-se de que sua procedência seja de área com desmate ou manejo autorizado pelo órgão gestor da biodiversidade em sua região. Dê preferência a madeiras de florestas plantadas e não esqueça de colocar na etiqueta que sua matéria-prima tem licença ambiental.

Água

Se você utiliza água de poços, lagos ou rios, precisa regularizar sua atividade, solicitando consentimento de direito de uso da água.

Minerais

Os artesãos que extraem minerais de qualquer tipo, para uso em seu trabalho (areia, argila, pedras etc) devem, em primeiro lugar, solicitar regularização junto ao DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

Produção Limpa

Produção limpa significa trabalhar em um ambiente de produção que esteja em equilíbrio com o meio ambiente. Toda a produção é realizada com a preocupação de se adotar medidas eficazes na racionalização do uso de energia, água e matéria-prima. Os resíduos (sobras da matéria-prima do artesanato) gerados são mínimos e, quando possível, reciclados.

Reciclagem

Reciclagem é a repetição de um procedimento sobre um determinado produto/substância, com o objetivo de reaproveitar as propriedades do mesmo.

Benefícios da reciclagem

> Cada tonelada de papel reciclado evita o corte de 20 árvores;

> Cada tonelada de alumínio reciclado evita a extração de 5 toneladas de bauxita e o consumo de uma enormidade de energia elétrica, gasta para transformar bauxita em alumínio;

> Cada tonelada de plástico reciclado corresponde à produção de 20 mil novas garrafas, economizando energia e derivados de petróleo;

> Cada tonelada de vidro economiza 750 quilos de areia.

Dicas para o setor artesanal

> Evite gerar resíduos;

> Planeje cuidadosamente todas as etapas do processo de produção, evitando desperdícios;

> Reduza ou elimine o uso de matérias-primas perigosas, como tintas contendo pigmentos com metais pesados e solventes clorados;

> Utilize matéria-prima de melhor qualidade ou mais puras, a fim de evitar a introdução de contaminantes no processo;

> Utilize materiais reciclados, criando mercado para estes produtos;

> Desligue lâmpadas e equipamentos quando não estiverem em uso;

> Participe de cursos de capacitação ambiental.

Fonte: Sebrae


Dia do Agricultor: reflexões sobre a produção de alimentos

Atividade alimenta os brasileiros dia após dia
Crédito: Arquivo/FS

28/07/2015
  
Comemora-se hoje, em todo o Brasil, o Dia do Agricultor. A data não será celebrada com desfiles, pronunciamentos, festejos e eventos diversos, mas sim, com a mesma rotina de sol a sol: muito trabalho. É essa rotina que faz com que o Brasil seja um dos principais produtores de alimentos no mundo.

Esse cenário só é possível pela vocação que o país tem com a agricultura. Independente da cultura semeada no campo e do tamanho da produção, seja ela do agronegócio ou de âmbito familiar, o Brasil cresce no setor pela união de duas palavras: trabalho e inovação. Conjunto de ações que trazem resultados importantes para o desenvolvimento de uma região, como aponta o produtor e presidente da Associação dos Arrozeiros de Bagé, Ricardo Zago.

Conforme o dirigente, a introdução e adaptação de tecnologias, nos últimos 10 anos, fez com que a região de Bagé e municípios vizinhos alcançassem destaque mundial em produtividade por hectare de arroz. “Isso só se confirma porque há um constante retorno do que se ganha para mais investimento em tecnologia”, salienta Zago.

Para o produtor, a data de hoje é representativa, pois serve para mostrar a população que, por trás do dia a dia da população, está o agricultor que produz alimentos. “Não tem intempéries que afete o produtor na sua missão. Não tem nada que faça com que ele pare a produção de alimentos, além de gerar progresso para a região”, reforça.

Desafios
No entanto, Zago reitera que, hoje, o principal problema que os agricultores de Bagé enfrentam está na situação das estradas rurais. Os problemas de acessibilidade das vias às propriedades, dificultam o trânsito e o próprio escoamento da produção. A situação, reclamada ano após ano, gera por vezes um desestímulo na continuidade da produção agrícola. “Muitos produtores estão deixando de plantar em determinadas áreas por conta do acesso péssimo das estradas rurais. Além disso, essa situação provoca um encarecimento para produzir e o resultado é um alimento mais caro”, pontua.

Mesmo com esses entraves, o dirigente reforça o constante otimismo e esperança do agricultor para enfrentar os novos rumos. A soja é apontada por Zago como um novo desafio para a região, que com muito trabalho, trará novas perspectivas de desenvolvimento. “Ainda não temos o mesmo resultado que já alcançamos com o arroz em termos de produtividade consolidada. Mas não tenho dúvidas que, com o trabalho, iremos progredir ainda mais nessa área porque o agricultor sempre está animado e mantendo a esperança”, frisa.

Integração na Campanha
Essa perspectiva de unir cada vez mais a agricultura com a pecuária – atividade tradicional de nossa região – é defendida pelas empresas ligadas ao meio rural. O empresário Henrique Campagnol, da Probajé Sementes, em recente entrevista ao FOLHA do SUL, destacou que a ação de conciliar a pecuária com a lavoura de soja através da ILP (Integração da Lavoura-Pecuária), sendo bem conduzida, favorece o desenvolvimento regional.  “Pensando num sistema de produção onde ocorram benefícios mútuos para ambas as atividades e, consequentemente, uma maior lucratividade para o empresário rural através da otimização de recursos. Já existem muitos produtores se beneficiando dessa prática, porém há, ainda, muitos desafios para serem superados”, relata o empresário.

Produção familiar: 84% do que é consumido no país
É imperativo ressaltar a importância da agricultura familiar para o país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar está em 84% dos estabelecimentos agropecuários e responde por aproximadamente 33% do valor total da produção do meio rural. Essa importância para o prato diário do brasileiro é ressaltada pelo coordenador regional da Sindical Fronteira da Fetag, Mílton Brasil. “É uma data importante porque demonstra, também, o valioso trabalho feito pelo público da agricultura familiar, seja com o setor hortigranjeiro, produção de leite e até de arroz. Esse público precisa ser lembrado cada vez mais pelos órgãos do governo porque, atualmente, existem muitas linhas de crédito para serem acessadas, porém as garantias e exigências ainda são um empecilho para que o agricultor familiar aumente sua produção”, repercute Brasil. O dirigente ainda complementa que o setor, para a região, com grande número de agricultores familiares, deve ser sempre valorizado. “Há o trabalho voltado para as escolas, cuja merenda é produzida pelos agricultores familiares da região, além disso, a sociedade brasileira, quando consome essa produção, acaba consumindo produtos mais naturais e com pouco uso de agrotóxicos”, conclui Brasil.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para  a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado no último dia 15, o Brasil será o principal exportador de alimentos do mundo na próxima década.



Estação ReciclaPoa promove educação ambiental na cidade


A unidade estará em diferentes pontos da Capital nos próximos meses
Foto: Ivo Gonçalves/PMPA

28/07/2015 

No grande tabuleiro, um jogo que ensina as crianças a importância de dar o destino correto aos resíduos sólidos. Érico, Cauê, Ariadne e Emily passaram a manhã de domingo brincando e aprendendo a origem, a utilização e como descartar cada tipo de material. E no final da divertida aula, eles provam que a lição foi bem assimilada. "É importante separar o lixo e reciclar porque senão o mundo vai ficar muito sujo, cheio de lixo. Lá em casa a gente separa, depois meu pai leva no lixo seco", contou Érico de Almeida Wildner, de apenas 7 anos. A atividade faz parte da Estação ReciclaPoa, projeto lançado na manhã deste domingo, 26, no Parque Farroupilha, que integra a programação do aniversário de 25 anos da Coleta Seletiva da Capital, celebrado em julho. 

O projeto de educação ambiental reproduz uma miniunidade de triagem, que traz informações e mostra para o público o trabalho de separação de materiais recicláveis pós-consumo que é realizado nas UTs. No ato de lançamento, o prefeito José Fortunati destacou a importância da conscientização, uma vez que são recolhidas 2,200 mil toneladas de lixo por dia em Porto Alegre e, desse total, apenas 110 toneladas, ou seja 5% do total, vai para reciclagem. "Temos hoje a coleta seletiva em todos os 81 bairros da cidade. A partir de agosto teremos o serviço em 100% das ruas da cidade. Então não existe justificativa para que as pessoas não façam a sua parte", afirmou.

O prefeito destacou a sua participação no workshop com o Papa Francisco, no Vaticano, realizado na última semana, uma ação pioneira ao convocar 64 prefeitos para discutir questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, à preservação ambiental e ao combate à escravidão moderna, problemas comuns às cidades do mundo inteiro. "O que estamos fazendo aqui, ao incentivar a separação do lixo, dar o destino correto aos resíduos e gerar emprego e renda para as famílias que vivem da reciclagem, nada mais é do que cumprir a encíclica do Papa, que nos propõe pensar e efetivamente desenvolver ações voltadas para a sustentabilidade ambiental e humana, gerando oportunidades e dignidade para todos e preservando a natureza, nosso bem maior", concluiu Fortunati.

O diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), André Carús, convocou a população a ajudar a construir uma cidade mais limpa. "Somos uma Capital pioneira na coleta seletiva. Somos referência no investimento em unidades de triagem e políticas públicas voltadas para os recicladores. Mas precisamos avançar mais. Se a prefeitura está investindo nesse serviço, é dever do cidadão fazer a sua parte. Ao separar os resíduos e dar a destinação certa, estamos gerando emprego e renda para essas famílias", disse Carús.

Na mesma linha, o secretário municipal de Governança Local, Cezar Busatto, lembrou que o programa Todos Somos Porto Alegre, realizado em parceria com a Braskem, promove a qualificação profissional dos recicladores e a melhoria da qualidade de vida dessas famílias. Enquanto o representante do Fórum dos Catadores de Porto Alegre fez uma provocação aos moradores da cidade. "Quando você joga o lixo no chão, eu lhe pergunto: é assim que você age na sala da sua casa? A Terra é a nossa casa. Nós somos os responsáveis por ela", ressaltou Antônio Matos da Silva.

Sobre a estação - A estrutura conta com uma equipe de catadores das unidades conveniadas e é abastecida com resíduos fornecidos pelo DMLU. O estande, itinerante, passará por locais estratégicos da Capital para interagir diretamente com as pessoas e estimular a participação no processo de separação correta dos resíduos.

Objetivo - A Estação tem o objetivo de melhorar a qualidade dos materiais recolhidos pela coleta seletiva, promovendo o engajamento do cidadão na separação de resíduos, valorização do trabalho e aumento da renda dos catadores membros das UTs. A ideia é fazer com que o público enxergue os produtos geralmente descartados no lixo – plástico, papel, vidro e metal – como geradores de renda para as cooperativas de reciclagem. 

Destino dos resíduos - A destinação dos resíduos pós-evento ficará sob responsabilidade do DMLU, que entregará posteriormente para a UT cujos membros participaram da ação. 

Atividades - Nos próximos meses, a Estação ReciclaPOA estará em outros pontos estratégicos da cidade. Em cada um desses locais haverá representantes de Unidades de Triagem diferentes.

As empresas apoiadoras do projeto também realizam algumas atividades lúdicas junto ao público nos dias de exposição. A Braskem  participa com o Jogo do Ciclo do Plástico, que explica todas as etapas de fabricação do produto, desde a extração do petróleo ou da cana-de-açúcar até a reciclagem. Além disso, para facilitar o deslocamento e estacionamento de ciclistas e suas bicicletas, a empresa disponibiliza exemplares do seu bicicletário sustentável, produzidos com plásticos reciclados pós-consumo em parceria com a Suzuki Recicladora, de Estância Velha (RS). Cada bicicletário pesa 53 quilos, o que equivale a cerca de 14.550 sacolinhas plásticas recicladas.

A Triunfo Concepa apresenta ao público infantil o aplicativo para smartphones e tablets chamado For Kids, que conta com diversas atividades e jogos direcionados para a educação ambiental. Um deles, chamado de Joga Fora no Lixo, ensina as crianças a identificarem diferentes tipos de resíduos e a realizar o descarte nas lixeiras correspondentes.  

Sobre a coleta seletiva em Porto Alegre - A prefeitura anunciou em julho a ampliação da Coleta Seletiva na Capital, como parte da campanha ReciclaPOA. Ela tem o objetivo de divulgar as melhorias previstas com a implantação da nova coleta seletiva, que incluem o aumento dos dias das coletas, alteração de rotas e renovação de toda a frota. A ideia é também incentivar e melhorar a separação de resíduos na fonte. A Capital possui 19 unidades de reciclagem, abrigando mais de 800 cooperativados. São recolhidas cerca de 2,2 mil toneladas de resíduos diariamente na cidade. No entanto, apenas 110 toneladas são de resíduos recicláveis. 

Campanha ReciclaPOA na Redenção - O DMLU acompanha a atividade da Estação ReciclaPOA na Redenção no sábado e no domingo. Equipe da Assessoria Comunitária divulgará a campanha ReciclaPOA e irá orientar o público com relação ao descarte adequado dos resíduos e ao novo contrato da Coleta Seletiva, que começa a valer no dia 26 de agosto. Lançada no último dia 7, data em que Porto Alegre completou 25 anos de implantação da Coleta Seletiva, a campanha ReciclaPOA visa divulgar as melhorias do serviço, que passará a atender 100% das ruas e 19 bairros três vezes por semana. A campanha também tem como objetivo ampliar a separação dos resíduos.

Todos Somos Porto Alegre - O programa é uma política pública elaborada pela Prefeitura Municipal com o objetivo principal de promover a emancipação, por meio da inclusão, de carroceiros e carrinheiros em novas oportunidades de trabalho proporcionando o aumento da sua renda e uma vida mais digna para ele e sua família. A iniciativa visa a preparar estes trabalhadores, condutores de Veículos de Tração Humana e Animal (VTH e VTA), para acessarem novas alternativas de trabalho e renda em decorrência da redução gradativa da circulação de carroças e carrinhos na Capital até 2016, conforme o decreto nº 16.638, que regulamenta a lei nº 10.531. Também objetiva aumentar a renda per capta e a produtividade das UTs, além de melhorar as condições de trabalho dos catadores.

O orçamento do programa conta com recursos não reembolsáveis de R$ 9 milhões do BNDES Fundo Social e contrapartida de R$ 9 milhões da Prefeitura, totalizando R$ 18 milhões, além da parceria de empresas como Braskem, Triunfo Concepa, Senac, Sescoop-RS, Ambev, Celulose Riograndense e Bunge. O programa está estruturado em três projetos: Inclusão produtiva de Condutores de VTA’s e VTH’s, Reestruturação do Sistema de Triagem de Porto Alegre e Educação Ambiental.


Encalhe de baleias no Litoral Norte gaúcho preocupa especialistas

Entre junho e agosto, animais migram da Antártida a Bahia 
para reprodução | Foto: Paulo Ott / Gemars / Uergs / CP

28/07/2015

Em menos de um mês, três filhotes foram encontrados com marcas ou pedaços de redes

Em menos de um mês foram registradas três ocorrências de encalhe de baleias-jubarte no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A situação tem gerado preocupação para os especialistas em animais marítimos. O professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e presidente do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do RS, Paulo Henrique Ott, ressalta que estão sendo feitos estudos para entender o que aconteceu. 

Mesmo assim, há uma característica similar aos casos. “Eram três filhotes. O primeiro foi encontrado no dia 11 de junho, em Cidreira, e estava com marcas de rede de pesca. O segundo, em Arroio do Sal, em 2 de julho, estava totalmente enredado. E o terceiro, em 3 de julho, e tinha pedaços de rede no corpo”, disse Ott.

A pesca não é proibida nesta época. Segundo ele, o ideal é tentar identificar as áreas onde as baleias possam estar sendo atingidas. Como houve um aumento considerável na população nos últimos anos, isso pode ser um dos motivos para o aumento dos encalhes. Pesquisas apontam a existência de 20 mil baleias-jubarte na costa brasileira. 

Em 2014, a espécie deixou o grupo de animais em risco de extinção. Mesmo assim, o biólogo disse que existe preocupação, principalmente porque entre os meses de junho e agosto, as baleias migram da Antártida para o Banco dos Abrolhos, no litoral da Bahia, conhecida área de reprodução da espécie. Assim, é possível que, infelizmente, outros casos sejam registrados. 

A baleia-jubarte atinge 16 metros na fase adulta, chegando a pesar 35 toneladas. Em média, vive, no mínimo, 50 anos.


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