"A HISTÓRIA DA MINHOCA" NARRADA POR ELA MESMA

     


     Os que gostam de esbanjar conhecimento chamam-me oligoqueto. Também me tratam por anelídeo.  Para os ingleses, sou carthworm (verme da terra). Não gosto que me chamem verme – símbolo da insignificância e até de más intenções. Apesar disso, criaram até um neologismo: vermicompostagem, para definirem a transformação da matéria orgânica sob minha digestão e movimentos.  Outros mais sensíveis, preferem minhocultura.  A estes, obrigada.  E há os que me exploram: sabendo que apareço fácil (como por milagre) em todo o lugar úmido que tenha matéria bruta, resolveram confinar-me – e às minhas milhares de colegas – em caixotes onde nos amamos, multiplicamo-nos adoidadas; e de onde nos expulsam, vendendo-nos a quem tem terras pobres, rãs para tratar, peixes para fisgar.

     Sou hermafrodita: masculino-feminina.  Mas, quem for me comparar às flores batizadas em memória de Hermes e Afrodite, pensando que sou auto-suficiente (que me fecundo quando bem quero), terá uma surpresa. É que preciso de uma parceria (ou parceiro, se preferirem os mais ortodoxos em questões sexuais).  Tal parceria também é hermafrodita, mas (com o eu) não se basta, Precisamos nos unir – nos amar, fazendo intercâmbio de sêmen.  Assim garantimos a perpetuação de nossa laboriosa espécies.

     O azar nosso é que vivemos pouco: um, dois anos no máximo. Felizmente somos precoces.  Nasci à 40 dias.  Já sou adulta.  Já posso procriar.  Fecundada, porei ovos (casulos) que contêm cada ovinho se transformará em minúscula minhoca, só visível em microscópio.  Mas isso em termos máximos. A média fica bem abaixo: cada uma das minhas amigas adultas gera dois casulos por semana. Cada casulo acaba contendo só 2,5 ovos fecundados. Acontece que, de cada 100 ovos, 18 costumam gorar. Ainda assim, não há problema: nosso período de vida fecunda estende-se por até nove meses. Contaram-me por exemplo que quatro “casais” de minhocas adultas e bem nutridas geram 1.500 descendentes em seis meses.  Nada mal, convenhamos.

     Quem me chama de verme ignora, em seu desprezo, que tenho muitas exigências.  Uma delas: temperatura entre 13 e 22 graus.  De nada adianta quererem que habite uma pilha de compostos em fase de curtimento ativo, quente.  Ou fujo para baixo (em busca de terra), ou morro (se não escapar a tempo).  Outros, sabendo que não tenho olhos, acreditam que tolero a luz intensa.  Nada disso. Minha epiderme (se assim posso chamá-la) detesta muita claridade – e, pior que tudo, o calor direto do Sol. Mas tem suas defesas: produz uma substância que protege e garante minha sobrevivência quando algum engraçadinho revolve o esterco, expondo-me a todos os riscos: aves que me adoram, terra seca que me sapeca a pele.  Protegida pela substância, consigo voltar ao meu mundo subterrâneo.

     Meu olfato não é dos melhores.  Todavia, quem quiser garantir a perpetuação da minha espécie fique sabendo: detesto cheiro de alho, cebola, pimenta; não gosto de temperos, óleos, gorduras.  Para viver bem e procriar, preciso ficar na base da pilha de matéria orgânica em fermentação e ir cavando, subindo para o miolo, na medida em que este esfria. A pilha pode conter restos vegetais picadinhos, estercos, terra fértil, folhas coadas de chá, papel triturado, sobras de cozinha, borra de café. Explicando melhor: não abro mão de substâncias minerais (contidas no solo), carbono (representado por amidos e açúcares) e nitrogênio (dos materiais proteicos). Mas prefiro tudo em estado semibruto, semidigerido por bactérias e fungos.  Não me venham com adubo químico pensando que me alimentam: matam-me ou põem-me em fuga, para as profundezas.

     Detalhe: não devoro húmus, produzo-o.  Minha digestão feita por meio de fermentos e contrações, resulta num húmus puro, com pequeno teor de argila.  E, uma vez que não sou prófaga (não como o excreto), chego fatalmente a um compasse: acelerando a transformação da matéria orgânica em húmus – por meio das perfurações, secreções e dejeções – apresso meu fim.  Quando o húmus do adubo orgânico chega a 70 por cento, passo fome – e morro.  Mas (desculpem-me confessá-lo) também sou canibal.  Meu recurso extremo: papar os filhotes de minhas companheiras...

     Se morro, de fome ou de velhice, continuo prestando benefícios à matéria orgânica e ao solo agora enriquecido: elevo seu teor de nitrogênio, ao me decompor.  E faço como nada o faria, porque – contaram-me – meu corpinho seco contém até 72 por cento de proteína.

     Voltemos às minhas exigências.  Engana-se quem supõe que basta transferir minha colônia (milhares de companheiras) para um solo pobre ou árido a fim de melhorá-lo.  Aí morremos de fome ou de sede, quando não conseguimos debandar.  Região onde cai menos de 370 milímetros de chuva por ano não nos serve.  E chão fraco em matéria orgânica só nos serve de cemitério.

     Digo nós: é que formamos uma vasta comunidade de 3 mil espécies conhecidas em todo o mundo, embora os homens falem que só umas poucas têm “importância econômica”.  Tudo bem. Vejamos as mais prestigiadas.

     Uma gosta do solo com doses maciças de matéria orgânica.  É noctívaga e a maior de todas: a Lumbricus terrestris. Outra é a minhoca vulgar, que prefere muita umidade.  É mais encontrada do que a noctívaga.  Aceita solos menos férteis.  Chama-se Allolobophora caliginosa.  Terceira: pequena, delgada, que se dá bem em solos pobres de matéria orgânica.  Mas como faz túneis minúsculos, exerce pouco efeito sobre a constituição do solo.  É a Diplocardia verrucosa.  Agora, uma preguiçosa de nascença: a minhoca verde, curta e grossa.  Trabalha pouco.  Prefere enrodilhar-se e assim viver.  Seu nome, Allolobophora chlorotica.  Grande apreciadora dos estercos é a Eisenia foetida, também chamada anelídeo vermelho.  Tem anéis de tom amarelo e marrom cuja contração e distensão alteram muito o comprimento total da minha coleguinha.  Não gosta de terra cultivada. Finalmente, a Lumbricus rubellus, mais robusta que a minhoca dos estercos; tem cor marrom, mas sem os anéis amarelos.  Também gosta de estercos; não de terras cultivadas, a menos que estas recebam muito esterco semicurtido.

     São duas as que atacam (e transformam) o composto em fase de curtimento: a vulgar (também chamada “minhoca de campo”) e a noctívaga (ou “minhoca da noite”).  Mas não esqueçamos outras coleguinhas, capazes de atuar em solos pouco propícios.  Sei por experiência própria que um chão só é árido por ser impermeável: as águas apenas lambem sua superfície, escorrem e se acumulam em depressões distantes.  Não se infiltram. Daí a pouco, sob o efeito do Sol e ventos, o chão está seco de novo.  Mas, recebendo seu quinhão de matéria orgânica, torna-se meio de vida – e de proliferação – para minha família e outras semelhantes.  A infiltração das substâncias enriquece a camada inferior da terra.  Nós a atacamos, abrindo túneis de quilômetros.  E por aí hão de penetrar mais facilmente a água das chuvas e caldos orgânicos, para felicidade nossa.  A partir de então, começa este ciclo interminável: matéria orgânica + minhoca = maior porosidade = maior retenção de água = maior atividade da minhoca = melhor desenvolvimento das plantas que, morrendo, fornecerão mais cobertura à terra e a nós...

     Dizem-me que um cavalheiro chamado Hopp teve a pachora de verificar: em chão pobre e sem a nossa presença, a água tem a capacidade inicial de se infiltrar apenas 5 milímetros a cada minuto de chuva.  E chão fértil, bem povoado por nós, é infiltrado até a uma profundidade de 2,25 centímetros em um minuto!

     Somos portanto arados vivos.  E aramos cada vez mais fundo, na medida em que encontramos condições favoráveis.  Quanto mais penetramos, mais criamos tais condições.  Mas somos meio trapalhonas: de vez em quando perdemos o senso de orientação.  Somos enganadas pelo frio e umidade de superfície, pela pouca luz dos dias nublados.  Aramos para cima – e, antes de sairmos à superfície, causamos algum estrago em sementeiras que germinam.  Aí se explica por que, em tempos de total ignorância, os hortelãos moviam intensa guerra contra nós, irrigando a terra com querosene ou água de barrela.  É o único deslize que come temos – e ainda assim só nos longos períodos de chuva mansa.

     Pior para nós, que às vezes pagamos caro o engano de ir espiar a luz: encerramos a carreira no papo de algum pássaro.

     Faltaria contar como nos criam em caixotes e nos obrigam a fugir para o fundo sob o efeito da luz e calor de lâmpadas de 40 watts: Confinam-nos na base, que se torna um superpovoado campo de concentração.  Removem a terra de superfície.  Depositam-nos um pouco de matéria orgânica e nos exportam – para agricultores, pescadores de rãs... 

     Não vale a pena entrar em detalhes tão sombrios.  Sou uma independente minhoca do campo, sábia o bastante para dizer: ninguém precisa semear minhoca.  Basta que semeie bastante matéria orgânica semicurtida uma, das vezes ao ano. Aí apareço, como por milagre.  Por isso alguém até supõe que transgrido todas as leis da Ciência – que sou produto de geração espontânea...

Referência: 

DADONAS, M. A horta orgânica em seu quintal. São Paulo: Ground, 1987. 174 p. 

Governo publica normas para poupar água e luz em prédios federais

24/02/2015

Consumo deverá ser informado no sistema 'Esplanada Sustentável'.
Entre as medidas estão desligar as luzes à noite e fazer limpeza a seco.

O governo publicou uma portaria na sexta-feira (13) no "Diário Oficial da União" com medidas para que os prédios da administração federal poupem água e energia. De acordo com o texto, os órgãos terão que informar, mensalmente, os níveis de consumo, que serão registrados em um sistema batizado de Esplanada Sustentável.

A iniciativa ocorre num momento de crise hídrica na região Sudeste, que afeta o abastecimento de água para consumo e também a geração de energia elétrica.

Entre as práticas recomendadas na portaria estão desligar as luzes ao final do expediente e durante o almoço e também lavar os veículos a seco, quando possível.

Outros hábitos simples são estimulados pelo texto, como utilizar o ar-condicionado com as janelas fechadas e utilizar escadas quando for possível prescindir do elevador. A portaria também sugere que, nos jardins, plantas mais resistentes à seca sejam priorizadas no lugar daquelas que necessitam de irrigação mais frequente.

Os órgãos federais serão classificados de acordo com o nível de economia que conseguirem implementar. Aqueles que forem mais bem-sucedidos, serão chamados de unidades mais eficientes. Depois vêm as unidades com eficiência média e as unidades menos eficientes.

Fonte: G1


Poupar e educar: as armas de San Francisco contra a seca

Grave seca que atinge San Francisco há três anos obriga moradores a se adaptar
Crédito: BBC Brasil
24/02/2015

Em San Francisco, na Califórnia, os restaurantes deixaram de servir água aos clientes automaticamente, e agora só recebe um copo quem o pede ao garçom. Nos subúrbios da cidade, moradores começam a trocar seus gramados por plantas nativas que dispensem irrigação ou até por grama artificial.

As duas mudanças de comportamento são os efeitos mais visíveis em San Francisco da grave seca que há três anos atinge o mais populoso Estado americano.

Entre os san-franciscanos, porém, a falta de chuvas parece preocupar bem menos do que entre os paulistanos. Afinal, com o reservatório que abastece a cidade com 56% de sua capacidade, San Francisco lida com a seca numa posição muito mais confortável que São Paulo, onde o sistema Cantareira opera na reserva técnica desde maio de 2014.

O relativo conforto foi conquistado à custa de um esforço após graves estiagens nas décadas de 1980 e 1990, quando San Francisco enfrentou racionamentos e teve de remodelar a gestão de suas águas. Os episódios alertaram autoridades e moradores sobre a importância de poupar o recurso e puseram o tema na agenda das escolas da cidade.

'Políticas agressivas'

Nos últimos 20 anos, o consumo médio de água por pessoa em San Francisco caiu 12% e hoje é o mais baixo da Califórnia.

Mesmo assim, quando em 2013 a seca se agravou e o prefeito Ed Lee pediu aos moradores que reduzissem o uso de água em 10%, a cidade foi além e baixou seu consumo em 14%. A meta só era obrigatória para quem usava água para irrigação; entre os demais consumidores, a redução foi voluntária.

Não houve até agora racionamentos e, como voltou a chover nos últimos meses, acredita-se que a medida será evitada também neste ano.

"Pode parecer simples demais, mas nossa estratégia principal tem sido poupar a água", diz à BBC Brasil Tyrone Jue, diretor de comunicação da Comissão de Serviços Públicos de San Francisco, responsável pelo abastecimento de 2,3 milhões de moradores na região.

Entre as principais medidas adotadas pela comissão nos últimos anos, Jue cita a exigência de que donos de imóveis troquem vasos sanitários e chuveiros por modelos mais econômicos como condição para que possam vender os bens. Os bons resultados dessa política estimularam o governo da Califórnia a adotá-la em 2014.

San Francisco também passou a conceder descontos para os consumidores que substituíssem chuveiros, máquinas de lavar e privadas por equipamentos mais eficientes. E passou a investir na diversificação de suas fontes de água, até então restritas a uma represa no Parque Nacional Yosemite, no leste da Califórnia.

Hoje alguns parques, clubes e campos de golfe da cidade são irrigados com água de esgoto reciclada. San Francisco também começou a explorar um aquífero, que até 2016 deverá fornecer 15% da água potável distribuída aos consumidores.

Prédios inteligentes

Em seus esforços para reduzir o consumo, a prefeitura tem ainda dado incentivos fiscais para que novos edifícios instalem tecnologias verdes, como sistemas de captação de chuva e painéis solares.
A própria Comissão de Serviços Públicos de San Francisco se mudou em 2012 para um edifício projetado para ser um dos mais sustentáveis dos Estados Unidos.

Prédio da Comissão de Serviços Públicos foi projetado para ser 'sustentável'
Crédito: BBC Brasil

Ao custo de US$ 201,6 milhões (R$ 578 milhões), o prédio de treze andares é equipado com painéis solares, turbinas eólicas e um sistema de reciclagem de água. Ali a água que escorre nos ralos ou descargas é tratada no próprio edifício e reaproveitada para irrigar jardins no entorno.

Para Tyrone Jue, no futuro, edifícios com sistemas semelhantes poderão vender água reciclada a imóveis vizinhos ou trocá-la pela eletricidade gerada por painéis solares nessas unidades.

"Teremos um sistema de distribuição cada vez mais descentralizado, em que os consumidores dependerão menos das redes públicas e terão autonomia para tomar as decisões que lhes sejam mais vantajosas."

Na sala de aula

Em outra frente, a prefeitura tem contado com suas escolas para baixar ainda mais os níveis de consumo na cidade. Na escola municipal Ulloa, vizinha ao zoológico de San Francisco, alunos irrigam suas hortas com a água da chuva coletada por duas cisternas, construídas há dois anos.

Na escola municipal Ulloa, a água para regar hortas vem da coleta da chuva
Crédito: BBC Brasil

Além de ajudar a reduzir o consumo de água nas escolas da cidade em 43% desde 2013, medidas como essa mostram aos alunos a importância de poupar, diz à BBC Brasil a diretora da instituição, Carol Fong.

Nas paredes da escola, que tem 540 estudantes entre os cinco e doze anos, campanhas desenvolvidas pelos próprios alunos pregam que se economize água. Os cartazes têm frases em inglês e mandarim, já que a escola é bilíngue e formada, em sua maioria, por descendentes de imigrantes chineses.

"Ao planejar nossas ações pedagógicas sobre a seca, não queremos apenas ensinar aos alunos que eles devem poupar; queremos que eles levem os ensinamentos para casa e que a mensagem se espalhe por toda a comunidade", diz a diretora.

Moradora trocou o gramado natural por um artificial para poupar água
Crédito: BBC Brasil

Ao economizar água, os moradores de San Francisco não só se protegem de uma repetição dos racionamento das décadas de 1980 e 1990 como afastam um fantasma coletivo na cidade.
Em 1906, o grande terremoto que atingiu San Francisco foi seguido por um incêndio que destruiu quase todos os seus edifícios. Entre os moradores, conta-se que a cidade só foi consumida até o fim porque faltou água para apagar o fogo.

Fonte: BBC Brasil


União Europeia quer acordo climático mais rígido antes do fim do ano

Pássaros voam em céu poluído em Wuhan, província chinesa de Hubei.
Reuters/Stringer

24/02/2015

BRUXELAS (Reuters) - Líderes da União Europeia querem introduzir na lei internacional uma meta de corte de emissões globais de poluentes de 60 por cento até 2050, de acordo com o rascunho de um documento que coloca o bloco em rota de colisão com os grandes poluidores.

A União Europeia está determinada a instilar urgência no debate sobre a mudança climática antes da conferência internacional de Paris no final do ano, que irá tentar substituir o Protocolo de Kyoto sobre a contenção dos gases do efeito estufa.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia, o executivo da UE, irá publicar uma série de diretrizes para lidar com a mudança climática.

Um esboço visto pela Reuters confirma que os países-membros do bloco pretendem fazer suas próprias promessas a respeito do corte nas emissões até o final de março, e diz que outras nações de ponta, como China e Estados Unidos, deveriam fazer o mesmo.

“No total, estes compromissos – alinhados com a ciência – devem colocar o mundo no caminho certo para reduzir as emissões globais em 2050 em pelo menos 60 por cento abaixo dos níveis de 2010”, afirma o documento visto pela Reuters.

A União Europeia é responsável somente por cerca de nove por cento de todas as emissões. Os maiores poluidores são a China, que representa 24 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, e os EUA, com 12 por cento.

O documento da UE também propõe que o acordo de 2015 “deveria de preferência ser na forma de um protocolo”, que é a opção legal mais severa. Isso pode gerar resistência dos chineses e norte-americanos, que provavelmente irão preferir arranjos menos rígidos que uma lei internacional vinculante.

As opções no rascunho de texto para negociação para as conversas parisienses vão do pedido de algumas nações em desenvolvimento para zerar as emissões globais até 2050, o que significa que todas as emissões de gases do efeito estufa teriam que ser compensadas por projetos como o plantio de árvores, até metas vagas para limitar as emissões.   

Líderes da UE dizem que prazos curtos para cortes substanciais são essenciais, já que dão tempo para constranger os países que não oferecem nenhuma ação para que prometam reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.

O documento ainda afirma que em novembro a Comissão Europeia irá organizar uma conferência internacional para enfatizar o entendimento sobre a importância das promessas, conhecidas como propostas de contribuições determinadas nacionalmente (INDCs, na sigla em inglês).

O relatório pede a adoção de avaliações de progresso periódicas, já que é improvável que o acordo de Paris renda comprometimentos nacionais suficientes para manter o aquecimento global abaixo do nível de dois graus Celsius que os cientistas afirmam poder evitar as consequências mais devastadoras em termos de inundações, secas e outros eventos climáticos extremos.

(Reportagem adicional de Tom Koerkemeier em Bruxelas e Alister Doyle em Oslo)

Fonte: Reuters Brasil

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Cientistas da Espanha descobrem material alternativo à celulose

À esquerda, aparência do β-glucano; à direita, raiz colonizada por uma bactéria hiperprodutora de β-glucano (Foto: Divulgação/CSIC)
 
24/02/2015

Estudo detalha a produção deste novo tipo de polissacarídeo em bactérias.
Descoberta pode ter importante aplicação na química, saúde e alimentação.


Um grupo de pesquisadores da Espanha, ligados ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), descobriu um material alternativo à celulose produzido por bactérias do solo e que pode ter importantes aplicações na química, saúde e alimentação.


O estudo, que contou ainda com a participação de pesquisadores da Universidade Autônoma de Madri (UAM) e da Universidade de Sevilla, detalha a produção deste novo tipo de polissacarídeo em bactérias, que comparte propriedades com outros de interesse industrial, como a celulose e a goma curdlan.

No entanto, segundo explicaram os pesquisadores em um comunicado, o material recentemente descoberto é produzido de maneira natural por bactérias do solo benéficas para as plantas.


O estudo foi publicado na revista da Academia Americana de Ciências, a "PNAS", onde foi descrita a nova estrutura deste biopolímero e os mecanismos químicos que regulam sua produção.


Relação bactérias e plantas
Além disso, a pesquisa traz dados sobre o papel que pode ser desempenhado por este material nas relações que se estabelecem entre as bactérias produtoras e as plantas.


Os pesquisadores acrescentaram que o novo polissacarídeo apresenta uma estrutura mista entre a celulose e a goma curdlan, e que apresenta propriedades de ambos, mas também tem algumas características próprias que permitiram que o material tenha novos usos e aplicações biotecnológicas.


Os autores do trabalho afirmaram que já existem produtos feitos com celulose bacteriana que são usados como pele artificial no tratamento de feridas e queimaduras, e que estão sendo investigadas a possibilidade de se criar, entre outros, vasos sanguíneos artificiais.


Fonte: G1

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PF e Ibama prendem maior desmatador da Amazônia

24/02/2015
     
O grileiro Ezequiel Antônio Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, é preso em operação do Ibama em conjunto com a Polícia Federal em Novo Progresso, no Pará

O Ibama e a Polícia Federal Ambiental do Pará prenderam no último sábado (21) o grileiro Ezequiel Antônio Castanha, considerado o maior desmatador da Amazônia, segundo informou nesta segunda-feira (23) a organização ambiental. Ele foi preso em Novo Progresso, no Pará. A prisão chegou a contar com apoio da Força de Segurança Nacional.

Castanha é acusado de dirigir uma quadrilha que se apoderava ilegalmente de terras de titularidade pública na Amazônia para depois desmatá-las e vendê-las como pasto a um preço elevado.

A quadrilha operava na região ao redor da BR-163, no Pará, e segundo cálculos do Ministério Público estadual, era responsável por 20% do desmatamento ocorrido na Amazônia brasileira nos últimos dois anos. Somente a família do grileiro seria responsável por quase R$ 47 milhões em multas junto ao Ibama, sem incluir os autos de infração em nome dos demais integrantes da quadrilha.

A prisão de Castanha é parte de uma operação contra desmatadores realizada em agosto do ano passado, na qual o líder da quadrilha não tinha sido detido.

Ezequiel Castanha será julgado pela Justiça Federal e poderá receber pena de mais de 46 anos de prisão pelos crimes de desmatamento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos, entre outros.

Fonte: UOL

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60 mil mudas de árvores serão plantadas em Imperatriz até o final do ano

(Foto : divulgação SEPLUMA)
 
24/02/2015

Mais de 250 árvores já foram plantadas nos últimos dias. SEPLUMA faz doação de mudas de árvores à comunidade.
  
A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente – Sepluma, por intermédio do Núcleo de Educação Ambiental (NEA), realiza o plantio de mudas de árvores nos logradouros de Imperatriz. Na última semana, foram plantadas cerca de 250 mudas de árvores em diversos bairros e na área central da cidade, que tem como objetivo o embelezamento urbano do município e a preservação do meio ambiente.

A ação mobiliza moradores, escolas e agentes comunitários no sentido de propor o ordenamento da arborização urbana para melhorar a qualidade de vida da população e trazer um ambiente aprazível ao cidadão. A doação das mudas, bem como a assessoria técnica para o plantio é executada e planejada cuidadosamente pela Sepluma de forma a envolver toda comunidade nas ações educativas de preservação e recuperação da natureza.

Um dos bairros contemplados, o conjunto habitacional Itamar Guará, contou com a participação da comunidade local, estagiários e servidores da Sepluma, onde recebeu o plantio de variadas espécies. De acordo com o Secretário de Meio Ambiente Richard Seba Caldas, a secretaria está empenhada no plantio e na manutenção das mudas. O secretário reconhece, ainda, importância e a participação da população nessa campanha. “A secretaria possui equipes acompanhando o processo e dando manutenção nas mudas plantadas, mas é necessário que todos participem. Sem o apoio e participação da população o plano de arborização não avança”, conclui.

A iniciativa faz parte do programa Plano Municipal de Arborização do governo municipal, implementado pela secretaria, através da equipe do NEA. O trabalho é coordenado pela professora Gilene Oliveira de Araújo e auxiliado pela servidora Angela Lima Sousa, que tem como proposta revitalizar áreas carentes de arborização, as quais incluem: praças, bairros, escolas e demais interessados. O projeto conta também com a parceria da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra), Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Produção (SEAAP) e o apoio do Ministério Público Estadual do Meio Ambiente.

Com a ação foram beneficiados os bairros Maranhão Novo (Rua Mário Andreazza, entorno da empresa Friobom), Três Poderes (Rua Goiás, entorno da Pousada Três Poderes), conjunto habitacional Itamar Guará, Condomínio Ecopark, Conjunto Vila Vitória, Recanto Universitário, além da área central (ruas Monte Castelo, Maranhão, João Lisboa, Piauí, Pará e Antonio Miranda). Também foram contempladas as escolas municipais Darci Ribeiro, Frei Manoel Procópio e Santa Teresa.

Doação - Na última quinzena de janeiro, a Sepluma implementou o projeto “Adote uma Árvore” disponibilizando o telefone (99) 99904-4841, para quem interessar adquirir ou adotar uma muda.

A Sepluma objetiva fazer o plantio de cerca 60 mil mudas de árvores na cidade até o final do ano, e informa que ainda possuem mudas de diversas espécies arbóreas para doar à comunidade. O plantio e doação incluem as espécies: nin, ipês, oitizeiros,  manga, caju, açaí, pitomba, tamarindo, entre outras.

Fonte: Prefeitura de Imperatriz

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Chernobyl: De zona proibida a paraíso da vida selvagem

 
Exemplares de cavalos-de-Przewalski que vivem na zona de exclusão de Chernobyl foram gravados pelo cientista (Foto: Reprodução/BBC)


24/02/2015

Local de maior desastre nuclear da história agora abriga diversas espécies animais e vegetais.

Palco do maior desastre nuclear na história, Chernobyl, na Ucrânia, se tornou um inesperado refúgio para a vida selvagem.

Recentemente, o cientista Sergei Gashchak captou imagens da zona de exclusão situada entre a Ucrânia e a Belarus, que foi fechada para habitantes após o desastre.

Gashchak clicou animais que ressurgiram na região, como linces, lobos, alces e águias.


Mais de 300 mil moradores foram evacuados pouco após a explosão de um reator em Chernobyl, em 1986.


À época do desastre, poucos animais viviam no local. Mas após a saída de humanos da zona da catástrofe, mamíferos de grande porte voltaram e lá se estabeleceram.


Felinos e até ursos já foram registrados na região afetada pelo maior desastre nuclear do mundo (Foto: Reprodução/BBC)




Fonte: G1

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Cientistas buscam na Antártida a chave para o futuro da humanidade

23/02/2015

As chaves para responder às perguntas mais básicas da humanidade estão encerradas neste congelador continental do tamanho dos EUA mais a metade do Canadá: de onde viemos? Estamos sós no Universo? Qual é o destino de nosso planeta em aquecimento?

Os primeiros exploradores chegaram à Antártida há 194 anos, buscando riquezas do século 19 como peles e óleo de baleia e foca, tingindo com sangue as ondas do oceano. Desde então, o primeiro continente formado demonstrou ser uma arca de tesouros para os cientistas que tentam determinar tudo, desde a criação do cosmo até o quanto as águas se elevarão com o aquecimento global.

"É uma janela para o Universo e o tempo", disse a cientista Kelly Falkner, chefe do programa polar da Fundação Nacional para as Ciências dos EUA.

Durante cerca de 12 dias em janeiro, no meio do gelado verão antártico, a agência de notícias Associated Press acompanhou cientistas de diferentes áreas em busca de criaturas de forma alienígena, de pistas de contaminação presas no antigo gelo, restos do Big Bang, peculiaridades biológicas que pudessem conduzir potencialmente a melhores tratamentos médicos e, talvez o principal, sinais de um derretimento incontível. A travessia em um barco da marinha chilena ao largo das ilhas Shetland do Sul e da vulnerável península Antártica, que sai do continente como um dedo fraturado, foi de 1.340 quilômetros (833 milhas) e permitiu que a equipe da AP desse uma olhada em primeira mão neste continente vital.

A Antártida reúne imagens de montanhas silenciosas e brancas planícies, mas o mais frio, seco e remoto dos continentes não está adormecido. Cerca de 98% de sua superfície estão cobertos de gelo, o qual está em constante movimento. Sendo um vulcão ativo, a ilha Decepção é um cadinho de condições extremas. Há lugares onde o mar ferve a 100 graus centígrados, enquanto em outros pode estar abaixo de 0 grau. Embora o sol raramente brilhe nos escuros invernos antárticos, parece que a noite nunca chega nos dias de verão.

Os turistas vêm à Antártida por sua beleza e distância, mas para os cientistas tudo é trabalho. O que encontrarem poderá afetar a vida de pessoas a milhares de quilômetros de distância. Se os especialistas estiverem certos e a plataforma de gelo da Antártida ocidental já começou a derreter de maneira irreversível, o que ocorrerá aqui determinará se cidades como Miami, Nova York, Nova Orleans, Guangzhou, Mumbai, Londres e Osaka terão de combater de forma regular as inundações causadas pelo aumento do nível dos mares.

A Antártida "é grande e está mudando. Isso afeta o resto do planeta, e não podemos nos dar o luxo de fazer vista grossa ao que acontece lá", disse David Vaughan, diretor de ciência do Centro de Pesquisas da Antártida do Reino Unido.

Com frequência os cientistas encontram algo diferente do que procuravam. No ano passado, pesquisadores calcularam que o gelo no lado oeste do continente estava derretendo mais rápido que o previsto. No mês passado, cientistas que realizavam pesquisa geológica vital desse derretimento observavam 800 metros sob o gelo, na mais profunda escuridão, e tiveram uma surpresa: peixes de 15 centímetros de comprimento e criaturas semelhantes a camarões nadavam ao lado de suas câmeras.

Os geólogos estão fascinados pelos segredos da Antártida. Em uma recente expedição científica comandada pelo Instituto Antártico Chileno, Richard Spikings, um geólogo pesquisador da Universidade de Genebra, na Suíça, usou um enorme martelo para coletar amostras de rochas das ilhas Shetland do Sul e da península Antártica. Curiosos membros de uma colônia de pinguins no cabo Leogoupi observavam enquanto ele golpeava pedaços de granito preto e diorita que sobressaíam do mar meridional. Perto do fim da viagem de duas semanas, seus colegas começaram a chamá-lo de "Thor", em tom de brincadeira.

"Para compreender muitos aspectos da diversidade de animais e plantas, é importante entender quando os continentes se separaram", disse Spikings. "Assim, também estamos aprendendo sobre a verdadeira idade da Terra e sobre como os continentes estavam configurados há um bilhão de anos, há 500 milhões de anos, há 300 milhões de anos", comentou.

Ele acrescentou que essa compreensão o ajudará a entender o papel fundamental da Antártida no vaivém dos antigos supercontinentes. Com nomes como Rodinia, Gondwana e Pangea, os cientistas acreditam que eram enormes massas de terra que fizeram parte da história do planeta e que se uniam periodicamente com o movimento das placas.

Como não existe indústria local, qualquer rastro de contaminação preso no gelo e neve antigos provém de substâncias químicas que vieram de longe, como o chumbo que era encontrado no gelo até que foi eliminado da gasolina, ou os níveis de radiação de testes nucleares superficiais realizados a milhares de quilômetros e há muitos anos pelos EUA e a União Soviética, comentou Vaughan.

O gelo indica como os níveis de dióxido de carbono -- o gás que retém o calor na atmosfera -- variaram ao longo de centenas de milhares de anos.

É também o lugar onde um buraco na camada de ozônio, causado por gases refrigerantes e aerossóis feitos pelo homem, estaciona periodicamente por alguns meses e causa problemas. Ele surge quando a luz do sol volta à Antártida em agosto, provocando uma reação química que destrói as moléculas de ozônio e causa um buraco que alcança seu tamanho máximo em setembro. Ele se fecha com o clima mais quente em novembro.

Explorar a Antártida é algo que o chileno Alejo Contreras, 53 anos, começou a sonhar durante sua juventude, depois de ler o diário de Robert Falcon sobre sua travessia ao Polo Sul. Quando Contreras finalmente chegou ao Polo Sul, em 1988, deixou de fazer a barba, que agora alcança seu peito, e anda sem rumo fixo, como suas explorações.

A Antártida é "como o congelador do planeta", disse Contreras, que comandou 14 expedições ao continente. "E nenhum de nós se atreveria a sujar o gelo."

Devido à natureza virgem do extremo sul do mundo, quando um meteorito cai ali permanece intacto. Assim, os pesquisadores encontram mais meteoritos, muitas vezes do vizinho Marte, incluindo um descoberto há quase 20 anos que levou os cientistas inicialmente a pensar, de maneira incorreta, que haviam encontrado provas de que já houve vida em Marte. Este é um lugar com paisagens tiradas de um filme de ficção científica. A Nasa utiliza a localização remota do continente para estudar o que as pessoas teriam de enfrentar se visitassem Marte. O ar seco também é perfeito para que os astrônomos espiem o espaço profundo e olhem para o passado.

Durante uma viagem recente à ilha Decepção, Peter Convey, um ecologista do Centro de Pesquisas da Antártida do Reino Unido que visitou o continente durante 25 anos, suportou forte chuva, temperaturas congelantes e ventos de mais de 37 quilômetros por hora (20 nós) para coletar amostras de musgos esponjosos de cor verde e café, que crescem nas cinzas das montanhas de rocha negra da ilha vulcânica. Ele procurava chaves em sua genética para determinar o quanto a espécie havia evoluído na Antártida, isolada de outros continentes.

"Tive sorte e fui até a metade do continente, assim estive isolado do ser humano mais próximo por 400 ou 500 quilômetros", disse Convey. Nesse isolamento existem formas de vida raras, aumentando a esperança de que possa haver vida em outros ambientes extremos como Marte, o que inclusive há na atualidade, escondida sob o gelo da lua de Júpiter, Europa. "Este é um dos lugares mais extremos em que poderíamos esperar encontrar vida. E existe", indicou Ross Powell, um cientista da Universidade Northern Illinois, que em janeiro utilizou um submarino com controle remoto sob o gelo em uma parte diferente do continente, para decifrar o derretimento, quando viu peixes e crustáceos nadando ali.

Cerca de 4 mil cientistas chegam à Antártida para pesquisas no verão e cerca de 1 mil ficam para o duro inverno. Também há cerca de 1 mil pessoas alheias à ciência -- cozinheiros, motoristas, mecânicos, zeladores e o sacerdote da Igreja Ortodoxa mais meridional do mundo, situada no alto de uma colina rochosa na estação russa Bellinghausen. Mas a igreja na colina é uma exceção, um tênue raio de luz do mundo que existe ao norte. Para os cientistas, o que torna este lugar especial é o que há embaixo, que oferece uma janela para o passado e o futuro da humanidade.

"A Antártida, em muitos sentidos, é como outro planeta", disse José Retamales, diretor do Instituto Antártico Chileno, a bordo do barco da marinha que navega por Decepção e outras ilhas Shetland do Sul. "É um mundo completamente diferente."

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Fonte: UOL


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