Biodiversidade é a base para a vida na Terra

Barcos de pesca no México. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.


22/05/2016

Afirmação foi feita pelo secretário-geral da ONU para marcar o Dia Internacional para a Diversidade Biológica, este domingo 22 de maio; Ban Ki-moon pediu aos governos que protejam e evitem mais perdas no meio ambiente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a biodiversidade e os ecossistemas representam “a base para a vida na Terra, para os meios de subsistência e para o bem-estar das pessoas”.

No Dia Internacional para a Diversidade Biológica, este domingo, 22 de maio, Ban pediu à comunidade internacional que preserve e realize uma gestão sustentável de uma variedade de vidas no planeta.

Investimento

Em mensagem para marcar a data, o chefe da ONU declarou que “preservar a biodiversidade e evitar mais perdas significam um investimento essencial para o futuro coletivo” da humanidade.

Ele disse que a biodiversidade é uma questão importante na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ban explicou que o objetivo número 15 reconhece a importância de o mundo impedir as perdas ambientais.

Segundo o secretário-geral, apesar das inúmeras promessas, as perdas de biodiversidade continuam aumentando em todas as regiões.

Ban declarou que para reverter essa tendência serão necessárias ações de todos os setores, indo desde os Estados-membros e agências da ONU ao setor privado, acadêmicos e sociedade civil.

Desafio

Em mensagem, o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Achim Steiner, disse que “muitas pessoas não têm ideia da magnitude da diversidade de plantas e animais no planeta ou de seus habitats naturais”.

Steiner afirmou que “é muito pequena também a ideia sobre o atual desafio global sobre a perda de biodiversidade”.

O secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Bráulio Dias, declarou que “lidar com os causadores diretos e indiretos das perdas de biodiversidade exige uma atenção nos setores primários, como agricultura, florestas, pesca e aquicultura”.

Dias disse que “a demanda por comida, madeira, água e energia pode dobrar até 2050 devido ao aumento da população com um efeito concomitante e negativo na biodiversidade”.

Fonte: Rádio ONU

Estudantes haitianos comemoram Dia da Bandeira e debatem agressões sofridas por colega em Foz



22/05/2016

Publicado em 17.05,2016, pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana

As comemorações dos estudantes haitianos da UNILA, pelo Dia da Bandeira de seu país, terão contornos de protesto nesta quarta-feira (18). Uma das ações será o debate sobre as agressões sofridas pelo estudante Getho Mondésir, no sábado (14), no centro de Foz do Iguaçu, por um grupo que usou expressões de racismo e xenofobia. As atividades serão realizadas no Auditório da UNILA Jardim Universitário, onde também haverá manifestações culturais, como músicas tradicionais, danças folclóricas e declamação de poesias. O evento é gratuito e aberto à comunidade e tem início às 19 horas.

“Mulatos e negros venceram um sistema escravista, colonialista e segregacionista. Hoje, os haitianos voltam a gritar em voz alta: não às agressões físicas e aos atos de racismo no mundo e no Brasil, como aconteceu com Getho Mondésir”, diz Lourdy Regis, estudante de Saúde Coletiva e um dos organizadores do evento.

Getho recebeu garrafadas, socos e pontapés. Ele foi socorrido por um taxista e levado a uma unidade de saúde, onde foi atendido. O estudante passou o fim de semana em Cascavel e voltou a Foz do Iguaçu nesta segunda-feira (16). Após registrar boletim de ocorrência, Getho voltou a sentir-se mal e foi internado em um hospital da cidade, onde fará exames neurológicos.

A bandeira

pintura mostra mulher negra costurando a que seria a primeira bandeira do HaitiLourdy Regis conta que a homenagem à bandeira haitiana é realizada há 213 anos, desde que antigos escravos de Santo Domingo criaram a que seria a primeira bandeira latino-americana e conquistaram a independência do Império Francês, comandado por Napoleão Bonaparte. O Haiti foi a primeira nação livre da América Latina.

A primeira bandeira do Haiti foi costurada por Catherine Flon, depois que seu pai, comandante do exército revolucionário, rasgou a bandeira francesa, retirando a parte branca e deixando apenas a azul e a vermelha.

Serviço

Dia da Bandeira Haitiana
Data: 18 de maio
Local: Auditório da UNILA Jardim Universitário
Horário: 19h
Evento aberto e gratuito

Fonte: UNILA

MSF responde a surto grave de malária na RDC

MSF responde a surto grave de malária na RDC
Foto: Natacha Buhler/MSF

20/05/2016

A última ocorrência de uma epidemia como a atual foi em 2012, quando foram tratadas mais de 60 mil crianças

Na segunda-feira, 9 de maio, 141 crianças foram internadas durante a noite no hospital geral de referência de Pawa, na província de Haut-Uele, no nordeste da República Democrática do Congo. Havia de duas a três crianças em cada um dos 22 leitos da ala pediátrica e colchões estavam espalhados pelo chão, entre os leitos e pelos corredores. Um surto excepcionalmente grave de malária atingiu a área de saúde de Pawa e a vizinha Boma Mangbetu.

Faltam medicamentos para tratar a malária nos centros de saúde das zonas de saúde de Pawa e Boma Mangbetu.“Estamos tão cansados de assistir crianças morrerem!”, exclama o líder das comunidades de Gatua durante uma reunião com um enfermeiro da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). “Estamos enterrando crianças ininterruptamente desde março. O centro de saúde não tem mais medicamentos para malária e as mães estão levando suas crianças para casa para morrer. A única coisa que elas podem fazer é resfriar seus filhos com água para baixar a febre.”

No início de maio, MSF lançou uma intervenção de emergência nas zonas de saúde de Pawa e Boma Mangbetu em resposta a um pedido das autoridades de saúde, já sobrecarregadas. O primeiro passo dado pela organização foi a distribuição de aproximadamente 10 mil tratamentos antimalária baseados em artemisinina e de um grande número de testes rápidos de diagnóstico para 32 centros de saúde, a fim de garantir que a doença seja tratada rápida, efetiva e gratuitamente a nível local.

“Somente uma vez nos deparamos com situação similar: em 2012, durante uma intervenção nas áreas de Ganga-Dingila, Pawa, Poko e Boma-Mangbetu tratamos mais de 60 mil crianças com malária”, explica Florent Uzzeni, gestor adjunto de programa de emergência de MSF. “Hoje, nosso objetivo primário é tratar crianças com malária simples o mais rápido possível, para que elas não desenvolvam malária grave.”

Se a doença for tratada em tempo, e com a medicação correta, o risco de complicações pode ser significativamente reduzido. No entanto, a atual falta de medicamentos e seu custo excessivo levou à multiplicação dos casos de malária, causando muitas mortes de crianças em suas casas, sem acesso a cuidados de saúde. Portanto, MSF também vai oferecer suporte aos hospitais gerais de referência de Pawa e Boma Mangbety no tratamento desses casos com complicações, que geralmente demandam cuidados intensivos, transfusões de sangue e oxigenoterapia. A equipe médica de MSF também fortalecerá a equipe médica do Ministério da Saúde. Além disso, a organização oferecerá os equipamentos e medicamentos necessários, além de treinamento para melhorar a qualidade dos cuidados.

“Vamos oferecer ajuda nas áreas com os maiores números de casos de malária, mas sabemos que outras áreas de saúde nas províncias de Haut-Uele, Bas-Uele e Ituri também foram afetadas”, continua Florent Uzzeni. “Tratamentos efetivos existem e se todos os atores envolvidos no combate à malária no país agirem rapidamente, vamos conseguir impedir a morte de muitas crianças em consequência dessa epidemia.”


Conselho de Segurança critica falha em manter cronograma das eleições no Haiti

Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/Loey Felipe

15/05/2016

Acordo, firmado em 5 de fevereiro, previa plano para ciclo eleitoral com prazos estabelecidos para o pleito; órgão pediu a partidos e atores políticos que promovam diálogo e sentido de urgência para resolver a crise.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas afirmou que está profundamente decepcionado com a falta de eleições no Haiti.

Em nota, o órgão da ONU disse que atores políticos falharam no cumprimento da realização das eleições e da data para tomada de posse. Os prazos tinham sido estabelecidos num acordo selado em 5 de fevereiro. O documento previa um plano para a conclusão rápida do ciclo eleitoral.

Parceiros internacionais

Os 15 países-membros do Conselho pediram ao Haiti que assegure o retorno imediato à ordem constitucional.

Os integrantes do Conselho também ressaltaram o aumento no número de desafios enfrentados pelo Haiti. Para eles, os problemas só poderão ser resolvidos com uma coordenação estreita entre um governo, democraticamente eleito, a sociedade civil e os parceiros internacionais do país caribenho.
Ainda na nota, o órgão elogiou a restabelecimento do Conselho Eleitoral Provisório e a criação de uma comissão para avaliar e verificar as eleições, realizadas em 2015.

Esforços

O documento também condenou, de forma dura, qualquer tentativa de desestabilizar ou manipular o processo eleitoral. O Conselho de Segurança citou como exemplos casos de violência e pediu aos candidatos e partidos políticos que se abstenham de qualquer ato que possa levar à desestabilização.

O trabalho da Polícia Nacional Haitiana com o apoio da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, Minustah, foi elogiado pelo Conselho de Segurança, assim como os esforços da missão para manter paz e proteger os civis.

O subsecretário-geral para a área, Hervés Ladsous, deve visitar o Haiti para transmitir o sentido de urgência manifestado pelo Conselho de que a crise política seja resolvida o mais rápido possível.

Fonte: Rádio ONU

Nova guia da ONU sobre pesticidas busca eliminar toxinas perigosas

Pequenos agricultores nem sempre usam proteção quando utilizam pesticidas. Foto: FAO

11/05/2016

Manual da FAO e da OMS oferece etapas para acabar com pesticidas de alta periculosidade; produtos aprovados no passado são vistos agora como prejudiciais à saúde.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Duas agências da ONU anunciaram a criação de um guia para eliminar pesticidas de alta periculosidade.

Lançado neste 10 de maio, o manual da Organização Mundial da Saúde, OMS, e da Agência da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, traz diretrizes para reduzir os danos causados por pesticidas. Os mais visados são os de alto teor de risco para a saúde e o meio ambiente.

Efeitos crônicos

Os produtos com níveis de toxina mais altos são os atribuídos aos maiores casos de contaminação imediata, especialmente em países em desenvolvimento.

Já os pesticidas com efeitos crônicos de toxina podem causar câncer e até afetar o desenvolvimento em crianças em idade de crescimento.

Alguns destes produtos não são mais permitidos em países desenvolvidos, mas seguem sendo autorizados em países em desenvolvimento.

Existem até mesmo casos de pesticidas nocivos, permitidos em  nações desenvolvidas, que podem causar graves problemas em outros países, onde as condições de vida são diferentes.

Acordo

Em muitas situações, os agricultores não trabalham com proteção ou utilizam materiais que causam danos.

De acordo com o manual, um número pequeno de pesticidas altamente nocivos é geralmente a causa de casos de contaminação. O guia conta com diretrizes para ajudar os países a identificar e avaliar os riscos e a tomar as medidas necessárias.

Dependendo do contexto, pode haver a eliminação por etapa dos produtos. As condições locais devem servir sempre como base na avaliação.

A FAO também lançou um kit de registros de pesticidas para ajudar os governos a decidir sobre os casos.

O material serve também para reavaliar se produtos aprovados no passado passaram a ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Fonte: Rádio ONU

Save The Frogs! Manaus sedia evento para proteger sapos

Cartaz do evento Save the Frogs! internacional. Foto: Divulgação/Save The Frogs!

06/05/2016

Evento acontece paralelamente em mais de 59 países e tem como objetivo alerta a população para a extinção dos anfíbios

MANAUS - Sapos, rãs e pererecas estão longe da classe dos animais fofos. O Save The Frogs! acontece internacionalmente em mais de 59 países e tem como objetivo proteger a população anfíbia. Em Manaus, o evento acontece na quarta-feira (11), às 15h, no Museu da Amazônia (Musa).

O objetivo do evento é que os anfíbios tem, entre os animais vertebrados, o maior número de especies em extinção. Eles são partes essencial dos ecossistemas, tanto uma fonte de alimentos para algumas espécies, quanto predadora de outras.

A principal ameaça aos anfíbios é a destruição dos habitats. O professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Igor Kaefer, afirma que o desmatamento é um enorme impeditivo. “Muitos espécies recentemente catalogadas são em pouco tempo extintas por causa do desmatamento do seu território”, observa.


Dia da Língua Portuguesa celebra diversidade dos países lusófonos

Países de Língua Portuguesa. Imagem: Cplp

06/05/2016

Evento de 5 de maio comemora também os 20 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp; embaixador do órgão fala sobre a importância do idioma, língua oficial em nove países; festa da ONU tem música e culinária.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Foi comemorado neste 5 de maio o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, com eventos celebrando a diversidade dos nove países que tem o português como idioma oficial. São eles: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Como em todos os anos, a sede das Nações Unidas, em Nova York, é palco de um evento que homenageia a música e a culinária dos países lusófonos, que juntos, abrigam mais de 250 milhões de pessoas.

Duas Décadas

A festa ocorreu na noite desta quinta-feira, com a cantora caboverdiana Fantcha interpretando canções e com a chef portuguesa Luísa Fernandas apresentando pratos da culinária lusófona.

As comemorações são mais especiais em 2016, porquê a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, completa 20 anos. Em entrevista à Rádio ONU, de Lisboa, o secretário-executivo da entidade, Murade Murargy, destacou o papel do idioma para o mundo dos negócios.

Difusão

"A língua portuguesa entrou também na área econômica, na área de negócios. Tem saído muita literatura nesta matéria, em que a língua portuguesa é considerada uma língua de negócios. Hoje temos países que não são membros da Cplp, mas que estão desenvolvendo grandes projetos para a promoção e divulgação da língua portuguesa. Temos o caso da China, dos antigos países leste (europeu), países africanos também, empenhados no ensino do idioma. A língua portuguesa hoje é uma língua de comunicação, da ciência, da tecnologia e estamos tentando valorizá-la cada vez mais."
Segundo Murarde Murargy, o tema da celebração é "Cplp 20 Anos – A Diversidade Cultural Que Nos Une". O representante destaca também que a capital Brasília deve abrigar, ainda este ano, uma conferência sobre os países lusófonos, onde será adotada uma declaração sobre o futuro do bloco.

Fonte: Rádio ONU

PRÊMIO CIDADE PRÓ-CATADOR DESTACA INCLUSÃO SOCIOECONÔMICA DAS COOPERAT

06/05/2016

Das 40 inscrições consideradas aptas a participar da 3ª edição do Prêmio Cidade Pró-Catador, nove foram selecionadas - por uma comissão formada por representantes da Secretaria de Governo da Presidência da República, da Fundação Banco do Brasil e dos Ministérios do Meio Ambiente e do Trabalho e Emprego - para uma visita de avaliação local.

Em cada cidade, foram analisados critérios como inclusão social e econômica dos catadores, replicabilidade, impacto no público-alvo, integração com outras políticas, participação da comunidade e abrangência. Os municípios vencedores - Cachoeira de Minas (MG), Santa Terezinha de Itaipu (PR), Campo Largo (PR) e Canoas (RS) - receberam prêmios de até R$ 120 mil. Mais do que isso: ganharam um aval de qualidade para seu trabalho e passam a servir de exemplo para outros municípios em todo o país, mostrando que, com empenho, criatividade e engajamento, é possível obter resultados concretos de ampliação da reciclagem, com geração de trabalho e renda para os catadores. Saiba mais sobre os quatro projetos vencedores:

Cachoeira de Minas (Minas Gerais)

Foto: Divulgação

Duas vezes por semana, 100% da área urbana do município participa do programa de coleta seletiva, criado em 2008 para gerar trabalho e renda para os catadores que estavam nos lixões ou atuando individualmente nas ruas e dar a destinação correta para os recicláveis. O volume mensal é, em média, de 35 toneladas, o que representa um índice de reciclagem de 64,4%. O sistema é operado pela Associação dos Catadores e Amigos do Meio Ambiente (Aclama) que conta com 14 associados, com renda média de R$ 950,00. A prefeitura cede o galpão, paga as contas de água e energia e disponibiliza um caminhão com motorista e combustível para auxiliar na coleta. Cachoeira de Minas faz parte do Projeto Novo Ciclo, realizado pelo Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável – INSEA junto ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis com apoio da Danone. “Os próximos passos são expandir a coleta para a zona rural e melhorar a infraestrutura da Aclama, construindo um galpão mais adequado com os recursos da premiação recebida e o auxílio da prefeitura”, destaca Expedito de Oliveira, secretário de Indústria, Comércio, Agropecuária e Meio Ambiente.


Santa Terezinha de Itaipu (Paraná)

Foto: Divulgação

Em 2014, a prefeitura deu início a um novo sistema de coleta seletiva, em parceria com a Associação dos Catadores de Resíduos Recicláveis e/ou Reaproveitáveis de Santa Terezinha de Itaipu (Acaresti) que já atuava no município há dez anos. Desde então, o avanço foi notável. “A coleta cobre 100% do perímetro urbano e o perímetro rural, e totaliza 100 toneladas por mês, garantindo destino adequado para 70% dos materiais recicláveis gerados. Nossa meta é encerrar 2016 com um índice de 100% de reaproveitamento”, planeja Paulo Henrique Squinzani, diretor do Departamento de Meio Ambiente. A coleta é realizada de porta em porta, por dois caminhões-baús, com o apoio de dois motoristas, quatro coletores terceirizados e quatro catadores associados à Acaresti. O custo operacional é coberto pela prefeitura que faz a doação dos recicláveis à Associação para triagem e comercialização. Nesses dois anos, a quantidade de materiais recolhidos aumentou em 350%, a renda dos catadores cresceu de duas a três vezes e o grupo ganhou maior estabilidade e melhor controle de sua saúde e bem-estar. Com todas essas conquistas, o programa de Santa Terezinha de Itaipu tornou-se referência na região e também em outros países como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.


Campo Largo (Paraná)

Foto: Diego Pisante

Com mais de 112 mil habitantes, Campo Largo oferece, hoje, coleta seletiva diária e semanal em 100% de sua área urbana, recolhendo, em média, 233 toneladas mensais, o que representa 12% do total de resíduos sólidos gerados no município. Uma empresa terceirizada faz a coleta e os caminhões descarregam nas quatro associações que realizam a triagem e a venda dos materiais. Todo o lucro com a comercialização é dividido entre os associados. Desde o lançamento da coleta, em 2006, houve incremento de 926% na quantidade de recicláveis recolhidos, o que demonstra a mudança de comportamento da comunidade. Além disso, reduziu-se a exclusão social e houve melhora na qualidade de vida dos catadores. “Essa premiação em nível nacional fortalece o projeto localmente e pereniza as ações, pois sua repercussão permite que nossa metodologia se torne conhecida e respeitada pelas autoridades e pela comunidade e faz com que os participantes se sintam valorizados e reconhecidos. Esse fortalecimento vai além das divisas do nosso município, o que reverte em benefícios diretos para os catadores de todo o país”, avalia Walquiria Brusamolin, responsável pelo Projeto de Trabalho Técnico Social para Inclusão dos Catadores.


Canoas (Rio Grande do Sul)

Foto: Fernanda Gonçalves

Há seis anos, a prefeitura desenvolve o Programa de Coleta Seletiva Compartilhada e Inclusão Socioprodutiva de Catadores, com a contratação de quatro cooperativas para recolhimento e transporte dos resíduos até as unidades de triagem. Cada cooperativa possui um caminhão para percorrer um roteiro predefinido e as quatro utilizam, em rodízio semanal, um quinto caminhão conjunto que realiza a retirada dos materiais em empresas, condomínios, shoppings, postos de saúde e estabelecimentos públicos. Além das quatro contratadas, dois outros grupos recebem os resíduos para triagem e comercialização: a Cooperativa Mãos Dadas e o Ponto Popular de Trabalho - Incubadora de Triagem Solidária. O sistema atinge 88% dos domicílios, totalizando 217 toneladas de recicláveis por mês, e gera renda direta para 134 catadores, beneficiando mais de 430 pessoas, de forma indireta. “No valor pago pela prefeitura, estão incluídos todos os custos da prestação dos serviços, impostos, taxas e contribuições sociais, com reajuste anual pelo IPCA, mais um percentual de 5% sobre o valor mensal para investimento”, detalha Roseli Pereira Dias, diretora de Resíduos Sólidos e Coleta Seletiva da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.


O Cempre Informa conversou com o presidente da Fundação Banco do Brasil, José Caetano de Andrade Minchillo, sobre a relevância do Prêmio Cidade Pró-Catador. Confira:

Por que a Fundação BB apoia essa premiação?

A Fundação BB tem os catadores de resíduos sólidos como um de seus públicos prioritários de atuação. Além disso, a cadeia de resíduos sólidos é um dos cinco vetores destacados em nossa Estratégia Corporativa 2016-2018. Atuamos com as cooperativas desde 2007 e o Prêmio Cidade Pró-Catador é uma importante ferramenta de reconhecimento e disseminação das boas práticas voltadas à inclusão social e econômica de catadores, buscando um país socialmente justo e ambientalmente correto.

Qual o peso dos municípios na concretização da Política Nacional de Resíduos Sólidos?

Os municípios são os principais responsáveis pela gestão da cadeia dos resíduos sólidos. O trabalho é coletivo e realizado fundamentalmente pelas prefeituras, em parceria com os catadores, empresas privadas, a sociedade e os governos estadual e federal.

Qual a importância da inclusão dos catadores nesse processo?

O modelo de gestão compartilhada dos resíduos sólidos pressupõe a participação da sociedade, das empresas e do poder público e permite a contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis para prestação de serviços de coleta seletiva, triagem, processamento, beneficiamento e destinação adequada dos resíduos, incorporando esses trabalhadores formalmente n o processo d e g estão. Esse novo modelo alia a inclusão social promovida pelo reconhecimento dessa atividade à proteção do meio ambiente, empregando uma tecnologia social intensiva em trabalho e facilmente adaptável ao contexto social e regional. A precificação desse tipo de serviço permite valores justos e transparentes, distribuindo renda e desenvolvendo localmente as comunidades.

Fonte: Cempre

A parcela de culpa da comunicação na falsa sustentabilidade empresarial

06/05/2016

Por:  Backer Ribeiro

Todos os anos, no dia 5 de junho celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. Bonitos discursos são proferidos nesta data, comprovando mais uma vez que nunca na história se falou tanto sobre meio ambiente e sustentabilidade. Políticos de todos os níveis da administração pública, falam das medidas adotadas em suas administrações, ONG’s apresentaram seus projetos para a preservação e conservação do planeta, e as organizações empresariais trataram de mostrar para todos os seus stakeholders, e também para a sociedade, seus projetos de sustentabilidade que promovem a equidade econômica, social e ambiental e que também contribuem para a construção de um mundo melhor para as gerações futuras.

Entretanto, a proteção ambiental não pode ser assegurada somente com base no cálculo financeiro de custos e benefícios. O ambiente é um dos bens que os mecanismos de mercado não estão aptos a defender ou a promover adequadamente. Mais uma vez repito que convém evitar uma concepção mágica do mercado, que tende a pensar que os problemas se resolvem apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos.

Será demasiado esperar daqueles que são obcecados pela maximização dos lucros que considerem os efeitos ambientais que deixarão às futuras gerações? Há muita descrença em relação à sustentabilidade empresarial. Já no inicio dos anos 90, a professora Isabel Carvalho, defendia que “o surgimento de um ‘mercado verde’, ‘tecnologias limpas’, do ‘consumo sustentável’ mantém a mesma lógica da degradação ambiental, revestida pelo discurso do desenvolvimento sustentável”. Sustentabilidade tornou-se a palavra do momento, da moda, e todas as organizações querem “estar na moda”. Ser uma empresa sustentável, que pensa na preservação do planeta, que cuida dos seus funcionários e da sua comunidade, que desenvolve e comercializa produtos que não agridem o meio ambiente e não fazem mal à saúde das pessoas é, literalmente, um grande negócio.

Mas, a sustentabilidade não pode ser encarada como modismo, um diferencial em relação aos concorrentes ou mesmo como algo que possa agregar valor ao produto e/ou serviço. Sustentabilidade é o que vai garantir que essa mesma empresa continue existindo lá na frente, dando lucro aos seus proprietários e acionistas, seus herdeiros, produzindo bens que proporcionem conforto às pessoas e garantindo emprego à sociedade. Como sobreviver às novas mudanças, ao novo mundo, são respostas que deveriam nortear as organizações empresariais rumo à sua própria sustentabilidade.

Vivemos um momento delicado, a relação entre desenvolvimento econômico e qualidade de vida está caminhando para um divórcio. Grandes embates são travados e o objetivo é conciliar os diversos interesses sociais, econômicos e ambientais.

O que se pode perceber é que o “discurso sustentável” vem sendo apropriado pelo mundo empresarial corporativo, muito mais que em outros setores da nossa sociedade. As empresas se tornaram as grandes “guardiãs” do meio ambiente, são organizações socialmente responsáveis e também promovem o desenvolvimento sustentável do planeta.

Citando Rachel Carson: “o homem é parte da natureza e sua guerra contra a natureza é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo”. Como dizem corriqueiramente aqui no Brasil, é uma “febre” falar em sustentabilidade no meio empresarial, podemos chamá-la de “gripe da sustentabilidade”, pois nos últimos anos contaminou a todas as organizações empresariais instaladas aqui no país.

Os discursos empresariais estão recheados de valores que antes eram contraditórios à lógica capitalista, as propagandas e as mensagens na mídia corporativa mais parecem viagens utópicas dos hippies nos anos 70. CEO’s e dirigentes deliram frases de efeito. Eventos corporativos, publicações, rankings, e outros acontecimentos, que enaltecem a atuação sustentável das empresas ganharam um valor imensurável pela contribuição à imagem e reputação corporativa. O foco obstinado no lucro e a guerra de mercado parecem ter sofrido uma mudança brusca no seu direcionamento.

A visão empresarial ainda é muito míope. A sustentabilidade é um fator estratégico de sobrevivência, agrega valor à imagem institucional, dá credibilidade pública e liderança competitiva. Mas será somente essa a questão a ser levada em consideração? Será necessário passar por uma crise, um risco a imagem e reputação, para que ocorra uma revisão de valores institucionais e mudança na condução dos negócios.

Essas questões nos levam a uma reflexão sobre o papel da comunicação empresarial em relação à sustentabilidade. A qual propósito serve o comunicador que atua no mundo empresarial corporativo, ou qual deveria servir frente aos desafios de preservar o planeta para as futuras gerações. Deveria ser capaz de promover as mudanças de paradigma na forma de atuar da empresa, e assim agregar valor “sustentável” à sua imagem e reputação, ou somente criar discursos e propagandas para a disputa de novos mercados na luta contra seus concorrentes. Sabemos da responsabilidade do biólogo frente à proteção da ecologia, do médico e a proteção da vida, do engenheiro na garantia da comodidade da vida moderna, mas qual a responsabilidade do comunicador frente à sustentabilidade do planeta?

Somos os profissionais capacitados para perceber as mudanças e nortear os caminhos para o futuro, criar uma forte reputação às empresas e também dar sustentação nos momentos de crise. Sabemos que a comunicação também se dá no campo das percepções, portanto é imperativo que as empresas sejam “percebidas” como organizações sustentáveis. Mas não basta ser somente percebida, mais do que uma boa imagem a empresa deve construir uma boa reputação. Não basta falar que cuida do meio ambiente, tem que cuidar de verdade. As empresas precisam criar uma relação verdadeira com todos os públicos, contribuir com as políticas públicas, com a melhoria da qualidade de vida das comunidades, cuidar dos seus funcionários, dentre outras coisas. A consolidação de uma imagem socialmente responsável faz com que o meio empresarial busque formas de melhorar seu relacionamento com o meio ambiente e a sociedade, de modo a contribuir para um desenvolvimento sustentável, do qual também depende a sua sobrevivência.

O desenvolvimento sustentável tem que deixar o campo das aparências e passar a existir de forma completa no campo das ações, tendo o comunicador no papel central de ampliar o diálogo real formado através dessas verdadeiras ações e a sociedade. Sempre em busca de sustentabilidade e proteção do meio ambiente dentro e fora das empresas.

Esse texto é um excerto do artigo científico Razão Social ou Nome Fantasia: a comunicação empresarial na construção da sustentabilidade fantástica, escrito pelo Prof. Dr. Backer Ribeiro, para a publicação na revista Conexion Peru, em novembro de 2015. Para acessar o conteúdo completo visite http://communita.com.br/revista-conexion.html.

A Communità Comunicação Socioambiental surgiu em 2005 e é especializada no planejamento e gestão de ações estratégicas de comunicação e relacionamento com comunidades e outros públicos de interesse. A empresa oferece o serviço de diagnóstico socioambiental que atua no levantamento de informações sobre comunidades, lideranças e suas interações a fim de viabilizar - ambientalmente e socialmente - a implantação de novos projetos e empreendimentos. Além disso, realiza um completo planejamento e gestão de ações de comunicação para informar o empreendimento aos diferentes públicos, fortalecendo a opinião pública, promovendo relações de confiança e incorporando valor à imagem e reputação dos seus clientes. A Communità atua ainda em processos de licenciamento ambiental e desapropriação, assessorando a população impactada e minimizando conflitos, além de oferecer programas de relacionamento com comunidades por meio de projetos socioeducativos.

Entre os principais clientes estão empresas como EMTU - Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo, com o VLT da Baixada Santista, construtoras como Equipav, Estacon, Andrade Gutierrez, CR Almeida, Queiroz Galvão, em obras do Metrô, além de CNEN/IPEN, DERSA e Embrapa. Por meio de um trabalho ético e responsável, a Communità confere através de seus projetos um grande adicional de valor a seus clientes, os quais contam com o trabalho de uma equipe profissional altamente qualificada.

* Backer Ribeiro é fundador da Communità Comunicação Socioambiental.

Fonte: SEGS

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