Síria: mais de 50 mortos em ataque contra hospital em Aleppo



03/05/2016

MSF afirma que a situação permanece crítica na cidade síria, que foi totalmente bombardeada

É com profunda tristeza que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirma, até o momento, a morte de mais de 50 pessoas – incluindo pacientes e ao menos seis profissionais médicos – após os ataques aéreos contra o hospital Al Quds apoiado por MSF em Aleppo, na Síria. A instalação e áreas ao seu redor foram atingidas na noite do dia 27 de abril por bombardeios que não pouparam nenhuma parte da cidade.

“O céu está caindo em Aleppo. A cidade, onde têm se instalado consistentemente as frentes de batalha desse conflito brutal, agora está sob o risco de sofrer uma ofensiva completa, sem que lugar algum seja pouopado”, diz Muskilda Zancada, coordenadora-geral de MSF na Síria. “Ataques contra hospitais e profissionais médicos são um indicador devastador de como a guerra na Síria está sendo travada, uma das inúmeras maneiras brutais por meio das quais os civis estão sendo alvejados.”

Esta não é a primeira vez que o hospital Al Quds é atingido por bombas; a instalação já foi prejudicada e parcialmente destruída algunas vezes. A última delas foi em 2015. Além do Al Quds, MSF recebeu relatos de que outro centro de saúde, que não recebe o apoio da organização, também foi atingido.

“MSF apoia o hospital Al Quds desde 2012. Tem sido uma grande honra para nós poder trabalhar de maneira tão próxima com pessoas tão dedicadas”, diz Zancada. “Nós vemos dia sim dia não o quanto eles arriscam suas vidas em meio ao inferno dessa guerra, para garantir que a população possa ter acesso a cuidados médicos. Sua perda é nossa perda, e nós continuamos comprometidos em ajudar o hospital a retomar as atividades.”

Agora, MSF está desesperadamente preocupada com a situação das cerca de 250 mil pessoas que enfrentam a ameaça crescente de ficarem completamente isoladas, sem acesso a cuidados médicos.

“O ataque contra o hospital Al Quds destruiu um dos últimos locais em Aleppo onde se poderia encontrar humanidade. Aleppo já é um fragmento do que era antes; e esse último ataque parece determinado a eliminar até mesmo isso”, acrescenta Zancada.

MSF gostaria de atestar o trabalho heroico de médicos sírios em todo o país, que continuam tentando tratar suas comunidades em condições inimagináveis. O hospital solicitou apoio em termos de equipamentos médicos e medicamentos, e MSF está empenhada em ajudar nisso e em sua reconstrução.

MSF mantém seis instalações médicas no norte da Síria e apoia mais de 150 hospitais e centros de saúde no país, entre eles, o hospital Al Quds. A organização presta suporte à instalação desde 2012 com doações irregulares e desde 2014 com doações regulares de medicamentos.

Um olhar brasileiro para as dificuldades do Haiti

03/05/2016

Há um ano, no dia 28 de abril de 2015, o padre Rogério Mosimann da Silva chegou ao Haiti para reforçar a missão dos jesuítas brasileiro na capital do país, Porto Príncipe. O ex-capelão da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) voltou à instituição na última semana para dividir com antigos colegas, acadêmicos e comunidade o seu olhar sobre as dificuldades e belezas do local, que ainda luta para se reerguer do terremoto ocorrido no ano de 2010. 

Em uma fala descontraída e que a todo o momento era interrompida pelos participantes curiosos sobre as condições do país, Padre Rogério confirmou a vida difícil dos moradores de lá, que sofrem com problemas diversos como violência, escassez de energia elétrica e água, analfabetismo, corrupção dos representantes políticos, falta de oportunidades, deficiência ou inexistência de serviços de saúde. 

“Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela população, é constante o sorriso no rosto, a alegria e receptividade”, avaliou. De acordo com o padre Rogério, um dos principais problemas atuais do Haiti vem sendo com a formação de seu governo. “Ainda não ocorreu as eleições diretas e o presidente substituto, que deveria ter convocado eleições gerais para o dia 24 de março, não o fez”, explicou. 

Para o ex-capelão da UCPel, assim como ocorre em vários países da América Latina, lá a classe política também se encontra distante do povo. “O Haiti ainda está dividido e sem uma grande liderança, por isso fica difícil criar uma estabilidade”, comentou. O ensino do país é privado e caro, o que torna alto os índices de analfabetismo por lá. “A saúde também é precária e é bom torcer para não ficar doente”, avaliou.

O padre Rogério também comentou sobre o papel da Igreja Católica no território. Para ele, apesar de iniciativas interessantes mas isoladas, a Igreja ainda não consegue estar à altura dos desafios que apresentam o país. “A população é predominantemente católica, mas cresce a presença de outras religiões como a Igreja Pentecostal e permanece a presença de religiões africanas como o vodu”, disse.    

Problemas estruturais 

Ainda é possível, e em especial no centro de Porto Príncipe, ver escombros e muita destruição. “De 2010 para cá, diminuiu muito a quantidade de entulho, mas a catedral e o Palácio do governo, por exemplo, ainda permanecem destruídos”. O trânsito, conforme contou, é caótico e a falta de energia elétrica faz com que não existam semáforos. Protestos desordenados também são frequentes, sem pautas específicas e geralmente acabam dando espaços para atos de violência.       

Passado ainda presente

Na avaliação de Padre Rogério, os graves problemas enfrentados pela população haitiana são anteriores ao terremoto e surgiram antes da sua independência da França. “O Haiti acabou com a escravidão 84 anos antes do que o Brasil. Devido a isso, pagou um alto preço porque outras nações escravistas não toleraram o exemplo de libertação impondo embargos econômicos, reprimindo e ameaçando a população”, avaliou. 

Retorno 

Nos planos de Padre Rogério, o Haiti deverá ser o seu lar até o ano de 2017, mas existe a possibilidade de prorrogar a estadia até 2020. Lá, o ex-capelão da UCPel desenvolve trabalho junto ao Centro de Espiritualidade, localizado em Porto Príncipe. A rápida visita à UCPel e ao Brasil se deu para comemorar o aniversário de 60 anos de casamento de seus pais, que moram na cidade de Curitiba. A integrante da Capelania, Manoela Neutzling, agradeceu em nome da Católica a presença do Padre Rogério, que veio a Pelotas apenas para rever os antigos colegas. “Queremos agradecer a visita do nosso capelão e sua generosidade de vir até aqui para dividir sua visão”, finalizou. Após a conversa, Padre Rogério resou uma missa na Capela Central do Campus I.      

Fonte: UCPEL

Owens Illinois é certificada no Programa Pegada de Carbono da ABNT



03/05/2016

A maior produtora de vidro do mundo busca produzir de forma eficiente e sustentável

A Owens Illinois (O-I), a maior produtora de vidro do mundo, acaba de ser certificada no Programa Pegada de Carbono, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Pegada de carbono é a quantidade total de emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa (GEE) que são emitidos de maneira direta ou indireta por um determinado produto ao longo do seu ciclo de vida.

O Sistema de Medição e Certificação da Pegada de Carbono de Produtos foi desenvolvido pela ABNT em parceria com a Carbon Trust, organização sem fins lucrativos, sediada em Londres (Reino Unido), que tem como missão promover a transição para uma economia sustentável e de baixo carbono. O projeto também conta com o apoio da Embaixada Britânica no Brasil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC). A O-I aderiu ao programa em 2014.

Segundo Aline Borges dos Reis, analista de Meio Ambiente da O-I, a empresa optou por fazer a medição da pegada de carbono da tonelada de vasilhames de alimentos e bebidas, pois, dessa forma, seria possível avaliar o processo de produção de todos os produtos da fábrica. As medições foram feitas com base em dados de abril de 2014 a março de 2015. “Todo o processo foi muito instigante. Visitamos a sede da Carbon Trust, em Londres, onde recebemos treinamento e conhecemos casos de sucesso de grandes empresas ao redor do mundo. Depois, começamos a preencher os dados requisitados na calculadora de CO2”, explica Aline Borges dos Reis.

Diversos setores da companhia participaram do projeto e a coordenação ficou sob a responsabilidade da equipe de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. “Implementar o projeto na fábrica foi simples pois todos os dados solicitados já estavam disponíveis no sistema da empresa, era necessário apenas recolhê-los com as respectivas áreas e inseri-los na calculadora de CO2”, comenta a analista de Meio Ambiente da O-I.

Eficiência de forma sustentável

O processo de medição e certificação da pegada de carbono permite que a empresa identifique pontos de ineficiência, busque soluções para aperfeiçoar seus processos e reduza custos e riscos, agindo de acordo com as melhores práticas internacionais.

Para a Owens Illinois, o principal benefício desse projeto foi a oportunidade de identificar quais processos da fábrica emitem maior quantidade de carbono e se estão ocorrendo falhas. “Quando observamos que há muito gasto de energia em um processo, podemos avaliar se isso é normal à atividade ou se está havendo desperdício devido a algum equipamento que necessita de manutenção, por exemplo. Assim, podemos traçar estratégias para melhorar nossa eficiência energética”, explica Isabela Malpighi Maraucci, diretora de Saúde, Segurança e Meio Ambiente para a América Latina da O-I.

Após um ano de medições, a ABNT concedeu à Owens Illinois, em 2016, o Certificado de Conformidade da Pegada de Carbono de Produtos (Vasilhame de Vidro de Alimento e Bebida). A participação nesse programa está alinhada à estratégia global da empresa, que tem compromisso com a sustentabilidade e busca minimizar o impacto de suas atividades no meio ambiente. Agora, a O-I está analisando os dados das medições e preparando um plano de ação, com o objetivo de reduzir sua pegada de carbono e atingir, cada vez mais, eficiência em seus processos.

Sobre a O-I

A Owens-Illinois, Inc. (NYSE: OI) é a maior fabricante de embalagens de vidro do mundo e a parceira preferida de marcas líderes de produtos alimentícios e bebidas. Com uma receita de US$ 6.2 bilhões em 2015, a empresa é sediada em Perrysburg, Ohio, EUA, e emprega mais de 27.000 pessoas em 80 fábricas distribuídas por 23 países. A O-I oferece soluções de embalagem de vidro seguras, sustentáveis, puras, únicas e rentáveis em um mercado global crescente. Para obter mais informações, acesse www.o-i.com

Fonte: SEGS

Programa da ONU para o Meio Ambiente abre indicações para o prêmio Campeões da Terra 2016

Meio ambiente tem um papel crucial para se atingir os 17 Objetivos do 
Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Foto: CIAT/Neil Palmer

03/05/2016

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) recebe, até 31 de maio, indicações para a edição 2016 dos “Campeões da Terra”. O prêmio, principal reconhecimento da ONU na área de meio ambiente, homenageia anualmente visionários da sustentabilidade que inspiram ações transformadoras.

O prêmio é distribuído em quatro categorias: Política e Liderança; Ciência e Inovação; Visão Empreendedora; e Inspiração e Ação, e tem como foco defensores do desenvolvimento sustentável, do combate às mudanças climáticas e da dignidade humana nos níveis nacional, regional e global.

O meio ambiente tem um papel crucial para se atingir os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, estabelecidos no ano passado. Cerca de metade das metas estão diretamente relacionadas ao meio ambiente ou endereçam a sustentabilidade das fontes naturais, assim como medidas de combate à pobreza, investimentos em saúde, alimentação e agricultura, água e saneamento, habitação, energia, combate a mudanças climáticas e defesa do consumo sustentável.

No ano passado, a maior multinacional brasileira de cosméticos, a Natura, foi uma das vencedoras do prêmio Campeões da Terra 2015, na categoria ‘Visão Empresarial’. Entre as personalidades que já venceram o prêmio anteriormente estão o ex-presidente mexicano Felipe Calderón e o político e ativista ambiental norte-americano Al Gore.

Para fazer a sua indicação de um Campeão da Terra, preencha os dados, em inglês, na página do Programa. Para saber mais sobre a iniciativa, clique aqui.

PEC que altera licenciamento ambiental não reflete sua justificativa

03/05/2016

Por Fernando Cardozo Fernandes Rei e Maria Isabel Leite Silva de Lima

Na última quinta-feira (27 de abril 2016) a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado emitiu parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição 65/2012, apresentada pelo senador Acir Gurgacz (PDT/RO). A PEC 65/2012 acrescenta o § 7º ao artigo 225 da Constituição Federal, com o objetivo de, segundo a sua ementa, “assegurar a continuidade de obra pública após a concessão da licença ambiental”.

A explicação da ementa dispõe, ainda, que a apresentação do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) importa autorização para a execução da obra, que não poderá ser suspensa ou cancelada pelas mesmas razões, a não ser em face de fato superveniente.

O texto da PEC propõe a seguinte inclusão ao artigo 225, que garante a todos um direito ecologicamente equilibrado:

§ 7º A apresentação do estudo prévio de impacto ambiental importa autorização para a execução da obra, que não poderá ser suspensa ou cancelada pelas mesmas razões a não ser em face de fato superveniente. (NR)

O relatório do senador Blairo Maggi (PR-MT), substituído na reunião ordinária pelo senador João Capiberibe (PSB-AP), foi favorável à PEC, revestido de argumentos como a garantia de celeridade e a economia de recursos em obras públicas sujeitas ao licenciamento ambiental, além da dificuldade enfrentada pelos governantes para sua realização, seja pela morosidade na análise dos projetos pelos órgãos ambientais, seja em razão de decisões judiciais que obstam a continuidade das obras. A Comissão então aprovou o relatório, que passou a constituir o parecer da CCJ, favorável à PEC, e que será agora votada em dois turnos pelo Plenário do Senado.

Não é de hoje que o Parlamento brasileiro busca alterações na legislação ambiental que cuida do licenciamento, mormente flexibilizá-lo. É o caso do PL 654/2015, que acelera o licenciamento ambiental de obras consideradas estratégicas, de iniciativa do presidente do Senado, e o PL 8062/2014 que regulamenta o licenciamento, que tramita na Câmara, e cuja matéria é tema de, pelo menos, outros 11 projetos de lei (PL 3729/04 e apensados).

No âmago desse esforço parlamentar, a ideia, equivocada, de que o licenciamento ambiental impõe entraves ao pleno desenvolvimento econômico do país.

De volta à análise dos fundamentos que motivaram a elaboração da PEC e ao texto que esta propõe, há que se registrar clara dissonância entre ambas. Enquanto a sua fundamentação é no sentido de que a obra pública uma vez iniciada, após a concessão da licença ambiental, não poderia ser suspensa ou cancelada senão em face de fatos supervenientes, o texto da PEC propõe que a apresentação do EIA importa autorização para a execução da obra.

O próprio relatório da CCJ também é confuso, pois ao mesmo tempo em que se afirma inicialmente que a proposta tem por objetivo “impossibilitar a suspensão ou cancelamento de sua execução após a concessão da licença”, verifica-se que no decorrer da fundamentação que se admite que a proposta “inova o ordenamento jurídico na medida em que não permite a suspensão de obra ou o seu cancelamento após a apresentação do estudo prévio de impacto ambiental (EIA), exceto por fatos supervenientes”.

Note-se, ainda, que o texto da PEC não faz distinção entre obras públicas ou particulares, permitindo-se assim a adoção do procedimento a qualquer obra de significativo impacto ambiental, dissociando-se novamente da sua fundamentação.

Ademais, licença ambiental e EIA são instrumentos preventivos diferentes. A licença ambiental é o ato administrativo que autoriza a realização de determinada obra ou atividade sujeita ao licenciamento ambiental, enquanto o EIA é o estudo ambiental que deve ser apresentado pelo empreendedor para a análise da viabilidade e condições do projeto pelo órgão ambiental, em etapa anterior à concessão da licença ambiental prévia.

O EIA será obrigatório para as atividades em que a lei o exigir, ou, ainda, sempre que houver significativa degradação ambiental, de modo que, dependendo da magnitude do impacto e da atividade, poderão ser exigidos estudos simplificados, a critério do órgão ambiental. Uma vez aprovado o EIA pelo órgão ambiental, a licença prévia (LP) será emitida e suas condicionantes deverão ser cumpridas para as próximas etapas, na Licença de Instalação e na Licença de Operação.

A previsão legal do EIA pode ser encontrada na Constituição Federal (artigo 225,§ 1º, IV), na Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81) e seu regulamento (Decreto 99.274/90) e nas Resoluções Conama 01/86 e 237/97.

Como se observa a concessão da licença e a apresentação do estudo ambiental ocorrem em momentos diferentes, sendo que o EIA é documento necessário para a licença, vinculando-a ao apresentado no estudo. Desta forma, sem a análise do EIA pelo órgão ambiental, que poderá solicitar ainda a sua complementação, não haveria como serem estabelecidas condicionantes para a execução da obra, ficando, na prática, a critério do próprio responsável pela obra a forma como será feita.

Além de usurpar claramente a competência do órgão ambiental e permitir uma maior incidência de impactos negativos e de danos ambientais, a proposta de emenda, da forma em que está redigida, vai contra o próprio artigo 225 da Constituição, em seu §1º, IV, que diz que incumbe ao Poder Público exigir estudo prévio de impacto ambiental para a instalação de obra ou atividade de significativo impacto.

No ordenamento jurídico atual, o início da obra só é permitido por meio da obtenção de licença ambiental, não havendo autorização tácita para tanto, pelas próprias características dos atos administrativos, que devem ser expressos e formais.

O que a fundamentação da PEC prevê é que, após a concessão da licença, ou seja, após a análise e aprovação do EIA (e não sua simples apresentação), uma obra pública licenciada não possa ser paralisada por liminares, se não houver fato novo. Tal proposta parece acertada para a segurança jurídica, na medida em que o órgão ambiental é, segundo a lei, o responsável por licenciar as obras, de modo que a recorrência de liminares acaba por prejudicar o seu poder de polícia e o andamento do licenciamento ambiental para os administrados.

Não significa dizer que os órgãos ambientais ficarão maculados de qualquer interferência do Poder Judiciário, mas na verdade que deverá haver uma maior ponderação nas medidas cautelares caso não seja efetivamente revelado num primeiro momento o vício de legalidade no ato administrativo que concedeu a licença, para que se evitem desperdícios nos recursos públicos e transtornos à população, sem ferir naturalmente o artigo 5, XXV, da Constituição Federal.

A abrangência do texto da PEC, no entanto, se mostra temerária ao dispor que a obra iniciada “não poderá ser suspensa ou cancelada pelas mesmas razões a não ser em face de fato superveniente”, pois está pautando, inclusive, o próprio órgão ambiental, indo de encontro ao artigo 19 da Resolução Conama 237/97.

A norma prevê que o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, poderá suspender ou cancelar uma licença expedida, em três hipóteses: (i) violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais; (ii) omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença; (iii) superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

Vale ainda dizer que a alegada ineficiência que motivou a PEC, no entanto, também é fruto do próprio quadro atual das instituições e órgãos ambientais brasileiros, que, por vezes, por falta de repasses e investimentos do próprio Poder Público e por falta de pessoal e estrutura suficiente e adequada para atender a demanda ambiental, acabam por afetar o bom funcionamento da Administração. Logo, não se trata apenas de flexibilizar normas ambientais ou criticar o sistema atual, mas na verdade propor mudanças que resolvam a raiz do problema.

De fato, a demora na análise dos processos e o atual licenciamento em três etapas são custosos aos empreendedores e governantes, sendo plausível repensar a simplificação do procedimento, mas que passe, necessariamente, pela apresentação de estudos pertinentes a cada caso e pelo estabelecimento de exigências exequíveis pelo órgão ambiental, que culminem por fim na concessão da licença, para que, só a partir daí, se dê início à execução da obra, ou, se for o caso, que concluam com celeridade pela inviabilidade do empreendimento.

Parece-nos, portanto, que o parágrafo 7º que pretende ser incluído ao artigo 225 não reflete a fundamentação da PEC 65/2012, merecendo, se no mérito considerada, ser emendada e aperfeiçoada para que a licença ambiental (e não apresentação do EIA) importe na autorização para execução da obra, obstando-se o seu cancelamento e/ou suspensão senão em face de fatos supervenientes à situação inicial, vícios de legalidade, ou ainda, nas hipóteses do artigo 19 da Resolução Conama 237/97.

* Fernando Cardozo Fernandes Rei é professor titular de Direito Ambiental da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Professor associado do programa de doutorado e mestrado em Direito da Universidade Católica de Santos.

* Maria Isabel Leite Silva de Lima é advogada, mestranda em Direito Ambiental pela Universidade Católica de Santos-SP. Especialista em Gestão Ambiental e Sustentabilidade pela UFSCAR.

Plano diretor e agenda ambiental

03/05/2016

O plano diretor estabelece as diretrizes do desenvolvimento urbano. Grande parte das cidades ainda não têm tal plano.

Por: Ricardo Ernesto Rose

Até os anos 1950 o Brasil era um país essencialmente rural, com somente 35% de sua população vivendo em áreas urbanas. Atualmente, mais de 85% dos brasileiros vivem em cidades, a maioria delas com até 100 mil habitantes. São as cidades, concentrando a maior parte dos habitantes, que têm um forte impacto nas atividades econômicas e na gestão dos recursos do país. Esta a razão pela qual é importante que os municípios criem planos que ordenem seu crescimento, possibilitando um desenvolvimento harmônico e voltado ao bem estar de sua população.

Um dos principais instrumentos para ordenar o crescimento de uma cidade é o Plano Diretor. Este é um plano que servirá como diretriz à expansão territorial, populacional e econômica de uma cidade. Na definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), um Plano Diretor é o "instrumento básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de desenvolvimento urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados (ABNT, 1991)". Parece óbvio, mas o Plano Diretor tem como função principal proporcionar um crescimento planejado dos municípios - coisa que a maior parte deles não coloca em prática.

Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic), contendo diversos dados sobre os 5.570 municípios brasileiros. Lançado pela primeira vez em 1999, o estudo investiga o funcionamento das instituições públicas municipais em seus diversos aspectos. Chama a atenção na atual edição (2015) de que metade das cidades do Brasil não dispõe de um Plano Diretor. Segundo matéria sobre o assunto publicada no jornal O Estado de São Paulo, a ausência de um Plano Diretor em tão grande número de cidades pequenas e médias revela a ausência de peritos, preparados para realizarem este tipo de trabalho junto às prefeituras. Mesmo assim o avanço nesta área foi considerável, já que há dez anos somente 14,5% dos municípios tinham o plano.

Com relação ao planejamento urbano levando em consideração os aspectos ambientais - tema da Agenda 21 lançada durante a Eco 92 no Rio de Janeiro -, somente 22% das cidades brasileiras estão em fase de implantação deste programa. Emílio La Rovere, coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente do programa de pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma em declaração ao jornal O Estado de São Paulo: "É preciso mudar a cultura dos prefeitos e capacitar o corpo técnico dos municípios. Em geral, eles incham a folha de pagamentos, empregam parentes, prestam favores políticos, não têm funcionários de carreira".

Para a maior parte dos municípios a agenda ambiental ainda é um plano para um futuro longínquo. Sem recursos financeiros e pessoal capacitado, as cidades mal conseguem atender suas prioridades imediatas, como a gestão dos resíduos urbanos, o tratamento dos efluentes domésticos e a varrição e limpeza das ruas. Até a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi postergada pelo Congresso para 2018, por não ter a maioria dos prefeitos condições de implantá-la. Dadas as condições atuais do país, já faremos muito se conseguirmos universalizar o Plano Diretor e fazer com que seja efetivamente seguido por todas as administrações.

Sobre o autor

Ricardo Ernesto Rose

Consultor em inteligência de mercado, desenvolve atividades de marketing, transferência tecnológica e consultoria comercial na área da sustentabilidade. Jornalista, autor, com especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Coordenou o lançamento de diversas publicações sobre os setores de meio ambiente e energia e escreve regularmente para sites, jornais e revistas. É editor dos blogues "Da natureza e da cultura" (www.danaturezaedacultura.blogspot.com.br) e "Considerações oportunas" (http://consideracoes-oportunas1.webnode.com/). Autor dos livros “Como está a questão ambiental – 100 artigos sobre a relação do meio ambiente com a economia e o clima”, “Os recursos e a cidade” e “A religião e o riso e outros textos de filosofia e sociologia”. Contatos através do site www.ricardorose.com.br

Urso polar preso em rede de plástico demonstra ameaça humana ao meio ambiente



03/05/2016

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

O impacto ambiental causado pelos seres humanos não é novidade. Nenhum outro animal consegue transformar paisagens inteiras e interferir na vida de milhões de outras espécies, de forma tão destrutiva. Apesar disso, poucas pessoas se dão conta do seu papel nesse cenário.

Basta considerar que todos os anos, mais de 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas ao redor do mundo e cerca de 8.8 milhões acabam descartadas no oceano. Os números impressionam e mostram o tamanho dos danos no ambiente marinho, mas, no dia a dia de uma pessoa comum, todo esse estrago corresponde a pouco mais de uma garrafinha plástica. Em escala global, o consumo diário de cada um de nós se torna uma ameaça gravíssima ao meio ambiente. E para onde vai todo esse lixo? A resposta está nessas imagens terríveis, publicadas pelo One Green Planet.



Os ursos polares estão cada vez mais ameaçados, principalmente pelas mudanças climáticas, mas também pelo lixo que invade seu habitat. Milhares de toneladas de plástico estão sendo jogadas no gelo do Ártico e este urso da foto é uma das suas vítimas.

Tragicamente, o urso polar não é o único animal a sofrer com o nosso lixo. Cerca de 700 espécies marinhas estão ameaçadas de extinção devido ao sufocamento por plástico, ingestão de resíduos ou exposição a toxinas do lixo humano. Quanto mais lixo é descartado nos oceanos, mais animais morrem.

Chegou o momento da humanidade reconhecer as consequências de suas ações e mudar com urgência. Esse urso polar preso em uma rede de pesca representa o impacto de cada atitude tomada no cotidiano, mostrando que já passou da hora dos seres humanos fazerem escolhas mais sensatas e éticas.

Prorrogadas inscrições para o Tela Verde

Cena do documentário Peruaçu - Divulgação

24/04/2016

Espaços exibidores interessados em participar do circuito têm até 10 de maio para se inscrever. Neste ano, eles recebem 28 filmes.

As inscrições para os espaços interessados em exibir a 7ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente – Circuito Tela Verde (7º CTV) foram prorrogadas até 10 de maio. A mostra conta com 28 filmes sobre meio ambiente e tem a finalidade de promover debates socioambientais em todas as regiões do Brasil, motivados pelos filmes, além de ampliar a consciência sobre meio ambiente junto à população.

Podem ser espaços exibidores: instituições de ensino, organizações não governamentais (ONGs), cineclubes, empresas, coletivos educadores, pontos de cultura, bibliotecas, associações de bairro, cooperativas, núcleos da sociedade civil organizada e aldeias indígenas, entre outros. Para se inscrever, basta preencher este formulário.

Cada espaço selecionado receberá um kit composto por guia orientador da mostra, cartaz e adesivo para identificação do espaço, além, é claro, dos DVDs com os filmes. Terão prioridade instituições não-formais de ensino. O espaço exibidor tem autonomia para definir quais vídeos irá exibir e a instituição poderá realizar quantas mostras quiser com o kit do CTV.

Após a realização das mostras, os responsáveis pelo espaço deverão enviar uma avaliação ao Departamento de Educação Ambiental do MMA. Os relatos podem ser enriquecidos com fotos e vídeos.

OS FILMES

No final de fevereiro, o Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou o resultado da seleção dos filmes que serão exibidos no 7 º Circuito Tela Verde. Neste ano, os vídeos também serão exibidos no programa Documentação da TV NBR.

Confira abaixo a lista dos vídeos que compõem a mostra.

• #Diretas Já? – de Liana Ébano e Lucas Barbosa
• 3ª Mostra de Curtas Ambiental – Nascentes - Weriton Azevedo Soroldoni
• 3ª Mostra de Curtas Ambiental - O Segredo - Weriton Azevedo Soroldoni
• 3ª Mostra de Vídeos Curtas Ambiental - D.O Alerta - Weriton Azevedo Soroldoni
• Amamos Butiá - Embrapa Clima Temperado, Universidade Federal de Pelotas, CEAMA e Flora Pelotensis
• Bailarina do Lagomar - Laboratório de Cinema Ambiental da UFRJ - Macaé
• Cerrado: berço das águas do Brasil - WWF Brasil
• De barriga cheia - Instituto Albatroz
• Documentário Peruaçu - Instituto Biotrópicos & Rupestre Imagens
• Educação para a redução de desastres associados a deslizamentos de terra - Marcos Barreto de Mendonça
• Enrolados - Instituto Albatroz
• Flash Mob, campanha Brasília Limpa Rodoviária - UnB TV / SLU / Núcleo de sustentabilidade – UnB / DEX
• Gruta do Salitre - Instituto Biotrópicos & Rupestre Imagens
• Lapinha para sempre - Guilherme Cunha Conrado, Lilian Stockler de Souza, Marli Resende, Tatiana Rodrigues de Jesus e Geraldo Tadeu Rezende Silveira
• Naturalmente Ambiental - Felipe Augusto Correia Monteiro
• O engenheiro da terra - Cauê Canabarro
• Paraíso Esgotado - Fernando Coelho, Filipe Barbosa e Kayo Pereira
• Parque Estadual do Sumidouro Agindo localmente... Memórias de colaboradores e moradores do entorno - Mirian Apoliana Lelis, Jucileide, Graciele Pereira Martins, Luísa Cunha Cota, Érica Aparecida de Oliveira e Rogério Tavares de Oliveira
• Prêmio Mandacaru. Projetos e Práticas Inovadoras em Acesso à Água e Convivência com o Semiárido - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS)
• Programa Animarte T2:E01 - Associação Cultural Animare
• PROGRAMA ANIMARE T2:E06 - Associação Cultural Animare
• Programa Cooperação Cisternas BRA 007-B - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS)
• Projeto de Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Sururu na Lagoa Mundaú em Maceió (AL) -Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS)
• Que se lixe o lixo! - Instituto SuperAÇÃO e Agente que Fez Animações
• Rodeio, de que lado você está? - Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal
• Terra do Meio -    Marcelo Salazar e Rafael Salazar
• Toriline: O espantalho marinho - Instituto Albatroz
• Você conhece o Cerrado? – WWF Brasil

Vazamento de petróleo se espalha por duas regiões da Itália



24/04/2016

Chuvas destruíram barreiras de proteção e líquido vai ao mar

As chuvas que atingem a região de Gênova destruíram uma barreira de proteção no rio Polcevera e liberaram uma grande quantidade de petróleo que estava retido após o vazamento ocorrido na Iplom na noite de domingo (17).

    Com isso, o líquido poluente já se espalha por cerca de 28 quilômetros tanto na região de Gênova como em Savona, onde atingiu o mar na área de Loano. "A situação é complicada. Não sabemos quando petróleo poderá acabar atingindo o mar. A Capitania dos Portos fez uma reunião e declarou situação de emergência para a região", informou o porta-voz da Defesa Civil, Gianni Crivello.

    Segundo os últimos cálculos, a mancha de petróleo no mar de Loano aumentou de ontem (22) para hoje e já tem dois quilômetros de comprimento com uma largura de 500 metros.

    O ministro italiano de Transportes e Infraestrutura, Graziano Delrio, informou em nota que o governo acompanha a questão e que a "situação é delicada, mas está sob controle". Já o titular da pasta de Meio Ambiente, Gian Luca Galletti, informou que dois navios da frota nacional estão ajudando a Capitania dos Portos nos locais mais críticos.

    O derramamento de petróleo ocorreu na noite do dia 17 enquanto o líquido era transferido de um navio para a sede da Iplom, em Busalla, Gênova. Segundo a empresa, houve a ruptura de uma tubulação enterrada do oleoduto. Segundo o comandante da Capitania dos Portos de Gênova, Giuseppe Bonelli, houve o vazamento de cerca de "500 a 600 metros cúbicos de petróleo".

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