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Chuva constante faz Cantareira ter maior alta desde o início da crise

19/02/2015

Apesar das chuvas deste mês, racionamento não está descartado.
Demais reservatórios que atendem a Grande SP também subiram.

(Foto: Arte/G1)

O sistema Cantareria se beneficiou mais uma vez das chuvas constantes de fevereiro e teve nesta quarta-feira (18) sua maior alta em um único dia desde o início da crise, em janeiro de 2014. O nível das represas passou de 8,3% para 8,9%, segundo boletim divulgado pela Sabesp.

As chuvas até agora já superaram em 29% o previsto para 28 dias. O volume de precipitação (257 mm) também é o maior desde o começo da crise, mas o racionamento ainda não está descartado pelo governo e a situação ainda é critica. No mesmo dia do ano passado, o manancial, que abastece 6,2 milhões de pessoas, estava em 18,4%, e os dois volumes mortos ainda não tinham começado a ser captados.

Nesta quarta-feira também choveu nos outros cinco sistemas que abastecem a Grande São Paulo. O Guarapiranga, segundo maior em número de pessoas abastecidas (5,2 milhões), foi de 55,6% para 56,3%. O Alto Tietê, sistema em estado mais crítico depois do Cantareira, passou de 15,2% para 16,3%.

Sistema Cantareira teve 14ª alta de fevereiro (Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo)

Nível das represas
Confira abaixo o volume dos seis sistemas que abastecem a Grande São Paulo:

Cantareira: 8,3% para 8,9%;
Alto Tietê: subiu de 15,2% de 16,3%;
Guarapiranga: subiu de 55,6% para 56,3%;
Alto Cotia: subiu de 34,7% para 35,3%;
Rio Grande: subiu de 82% para 82,9%;
Rio Claro: subiu de 33,2% para 34,6%.

Na sexta-feira (13), o governo de São Paulo divulgou que não descarta rodízio de água. Também informou que irá criar um plano de contingência caso seja necessário adotar o racionamento.

Escassez de chuvas foi o motivo apontado pelo governo como problema no abastecimento. Por isso, recomenda à população que economize no consumo.

O Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), em São José dos Campos (SP), divulgou relatório no início de fevereiro mostrando que o Cantareira poderia secar em junho considerando a média de chuva dos últimos meses. O relatório traz cinco cenários e, no pior deles, com previsão de chuva 50% abaixo da média, não haveria mais água no meio do ano.

Multa
A Sabesp começou a entregar no início da semana passada as contas de água com multa para quem excedeu a média do consumo. A sobretaxa na conta foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) e a multa varia entre 40% e 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014.

A multa foi de 40% para quem consumiu até 20% a mais do que a média do período anterior e a taxa foi de 100% para quem utilizou mais que 20%. A medida é válida somente na parte do gasto de água encanada, que representa metade do valor da conta. Os outros 50% são referentes ao serviço de coleta de esgoto.

Bônus
Entre fevereiro e outubro do ano passado, a companhia concedeu bônus de 30% na conta de clientes que economizassem 20% ou mais de água em relação à média de consumo entre dos 12 meses que vão de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014.

A medida foi adotada para estimular a redução no consumo. Desde novembro, o desconto gradual passou a ser dado para os imóveis que reduzirem o consumo entre 10% e 20%. O desconto foi prorrogado até o fim de 2015.

O nível de água das represas do Sistema Cantareira subiu de 7,1%, no sábado (14), para 7,3% neste domingo (15), segundo boletim divulgado no site da Sabesp. Elas abastecem 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Fonte: Globo.com

Reservatório de Santa Branca, que abastece o RJ, atinge volume morto

Represa de Santa Branca, que atingiu o volume morto neste domingo. 
(Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo)

28/01/2015

É o segundo abastecedor do estado a secar em cinco dias, segundo ONS.
Pezão levará a Dilma plano para amenizar consequências da estiagem.

O reservatório de água de Santa Branca (SP), o menor dos quatro que abastecem o estado do Rio de Janeiro, atingiu o volume morto neste domingo (25), informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Este é o segundo abastecedor a ficar sem volume útil desde o início de 2015. Na quarta-feira (21), o reservatório de Paraibuna (SP), o principal do sistema, também esgotou seu volume útil.

O volume morto é a água que está abaixo do nível das comportas e que precisa ser puxada por bombas. Desta forma, as hidrelétricas são automaticamente desligadas. O volume morto do reservatório de Santa Branca tem 131,2 hectômetros cúbicos de água.

Desde quarta-feira (21), a hidrelétrica de Paraibuna foi desligada devido à quantidade insuficiente de água para geração de energia. A usina de Santa Branca também foi desligada ao atingir o volume morto.

(CORREÇÃO: Diferentemente do que informou o G1, a hidrelétrica de Paraibuna está desativada desde que a água atingiu o volume morto, na quinta-feira. A informação foi corrigida às 18h32)

A Secretaria de Estado de Ambiente informou que não vai fazer mudanças operacionais no sistema do Rio Guando, que retirar cerca 100 metros cúbicos de água por segundo do Rio Paraíba do Sul, através de uma transposição, por enquanto. Mas o secretário André Corrêa não descarta nenhuma medida que possa minimizar os efeitos da estiagem.

"Vivemos a maior crise hídrica dos últimos 84 anos. Continuo a pedir a colaboração de todos no uso racional da água", disse André Corrêa.

O secretário e o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae), Jorge Briard, também vão se reunir com representantes de indústrias que captam água da bacia do Guandu para avaliar alternativas do consumo de água destas empresas. Segundo a secretaria, a prioridade é o abastecimento humano.

Pezão em Brasília
Nesta quarta-feira (28), o governador Luiz Fernando Pezão apresentará à presidente Dilma Rousseff, em Brasília, um plano para amenizar as consequências da estiagem. A proposta foi elaborada por técnicos da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e da Secretaria estadual do Ambiente.
Segundo a assessoria de imprensa do governo estadual, Pezão detalhará também um programa de reflorestamento das margens dos rios Paraíba do Sul e Guandu, além do projeto de saneamento da Região Metropolitana do Rio.

Segundo o governador, se a estiagem não terminar, "algumas cidades podem ser prejudicadas". A declaração foi dada no município de Italva, no Noroeste do Rio de Janeiro, durante o lançamento do programa Rio Emergencial Rural – conjunto de ações emergenciais para beneficiar pequenos produtores rurais já prejudicados pela falta de água.

Represas
Além de Paraibuna e Santa Branca, o sistema de abastecimento do Rio inclui Jaguari, também em São Paulo, e Funil, em Itatiaia, no Sul Fluminense.

Todos ficam dentro de hidrelétricas e, além de produzir energia, armazenam água para abastecimento do Rio Paraíba do Sul – que passa pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Ao todo, quase 16 milhões de pessoas recebem água do Paraíba do Sul. A maioria do estado do Rio, incluindo a Região Metropolitana.

Segundo o boletim Diário da ANA, o nível médio da bacia do Rio Paraíba do Sul estava em 0,66% no domingo (25). Ele registra a média de água dos quatro reservatórios que abastecem o Rio. As hidrelétricas de Jaguari (1,72%) e Funil (3,75%) permanecem com volume útil. O último, no entanto, atingiu seu menor nível desde que foi criado em 1969. 

Se comparado com anos anteriores, o atual nível da bacia do Paraíba do Sul está muito abaixo do normal. No boletim mensal de outubro de 2013, a média dos reservatórios era de 48,2%. Em 2009, o nível chegou a 80,8%.

Quatro reservatórios que abastecem o Rio estão com reservas baixas (Foto: Editoria de Arte / G1)

A crise hídrica que atinge o Rio é causada pela falta de chuva dos reservatórios que abastecem o estado. Uma peça-chave para entender o abastecimento não só do Rio, mas de todo o Sudeste, é a Bacia do Paraíba do Sul, que abastece 77 municípios, sendo 66 no Rio – 57 e mais 9 da Região Metropolitana – e 11 em São Paulo. O sistema leva água diretamente para 11,2 milhões de pessoas.

O Rio Paraíba do Sul resulta da confluência dos rios Paraibuna e Paraitinga, que nascem no Estado de São Paulo, a 1.800 metros de altitude, na Serra da Bocaina.

O curso da água percorre 1.150 km, passando por Minas Gerais e Rio de Janeiro, até desaguar no Oceano Atlântico em São João da Barra (RJ). Os principais usos da água na bacia são: abastecimento, diluição de esgotos, irrigação e geração de energia hidrelétrica.

As águas de Funil também abastecem o reservatório de Santa Cecília, em Piraí (RJ), que integrado a outros reservatórios de Ribeirão das Lajes, vai abastecer o Sistema Guandu.

As reservas do Paraibuna, principal  reservatório do Rio Paraíba do Sul, ficaram abaixo do nível das hidrelétricas e, segundo a ANA, o reservatório passou a operar o volume morto – que não tem capacidade para gerar energia.

Mas ainda há volume suficiente para ser transposto para a bacia hidrográfica do Rio Guandu, que abastece de água mais de nove milhões de consumidores da Região Metropolitana do Rio.

Risco de racionamento
De acordo com a Cedae, companhia que abastece o Grande Rio, embora o Sudeste esteja enfrentando a maior crise hídrica dos últimos cem anos, o risco de racionamento ainda está afastado.

Segundo a empresa, nos últimos dois anos foram tomadas medidas como a redução da transposição de 190 mil metros cúbicos por segundo para 100 mil metros cúbicos por segundo. E mesmo assim, para abastecer a região Metropolitana, a Cedae só precisa captar 45 mil metros cúbicos de água por segundo.

Essas manobras, segundo o secretário estadual de Meio Ambiente André Corrêa, já possibilitaram uma economia de aproximadamente 400 milhões de litros de água.

Há mais de um ano a Cedae veicula em rádios, jornais, TVs e redes sociais campanhas sobre o uso consciente da água, como jingle gravado por Martinho da Vila e comerciais com as personagens de animação Esbanja e Manera. Entre as dicas de economia, o consumidor deve fechar o chuveiro enquanto ensaboa o corpo durante o banho, fechar a torneira enquanto escova os dentes e não lavar calçadas ou carros com mangueiras.

Fonte: Globo.com


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