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ENEM RETA FINAL: PROFESSOR DE BIOLOGIA EXPLICA A RELAÇÃO ENTRE O LIXO E O MEIO AMBIENTE


01/11/2017

A redação do Enem será aplicada no dia 5 de novembro, na primeira fase do exame. O lixo é um dos assuntos que pode ser tema da redação este ano.

Por G1 Petrolina*

Na reta final para o Enem, o G1 Petrolina e Região, com o auxílio do professor Diego Alcântara, selecionou cinco possíveis temas para a redação deste ano. A seleção foi feita com base em uma lista divulgada no G1, com 14 apostas de professores para a redação 2017. Entre os assuntos, está a relação entre o lixo e o meio ambiente. Qual é a melhor maneira de descartar esse material? O que fazer com o lixo eletroeletrônico? É sobre isso que vamos falar agora.

Professor de biologia na região de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e de patologia na Universidade de Pernambuco (UPE), Adauto Almeida Neto nos ajuda a entender um pouco mais sobre o tema. No vídeo acima, o professor Diego Alcântara mostra como você pode trabalhar esse assunto em sua redação.

“O lixo termina sendo uma grande problemática social da modernidade. Primeiro porque você tem um aumento demasiado da população do mundo e, com o aumento da população, termina aumentando aquilo que a gente consome, aquilo que a gente descarta e isso gera o lixo. O grande problema do lixo é, justamente, o lixo orgânico, porque esse, muitas vezes, não há a necessidade de reutilizá-lo ou de reciclá-lo, o que seria o ideal em relação ao despejo do lixo”, explica o professor.

De acordo com o professor Adauto, as cidades não estão, muita vezes, preparadas para essa demanda. Assim, o lixo termina sendo lançado em ambientes naturais, gerando uma série de problemas relacionados à própria degradação do ambiente, causando alguns impactos.

Descarte irregular de lixo prejudica o meio ambiente (Foto: Reprodução/EPTV)

“Esse impacto pode ser observado em várias áreas de ecossistemas terrestres e aquáticos. Impacto no rio, com o assoreamento; nos lençóis freáticos, com a absorção do chorume; impacto com a própria destruição do ambiente, a mudança das cadeias alimentares”.

O professor afirma que o uso sustentável do lixo é um desafio. “Hoje está se pensando em como se usar esse lixo de uma forma sustentável. E o que é a sustentabilidade? A sustentabilidade é você tentar utilizar os recursos da natureza, utilizar daquilo que nós consumimos e descartamos em benefício mútuo. Tentar reutilizar de uma forma sustentável, economicamente rentável e que não seja degradado o ambiente. Isso é a sustentabilidade. Usar o recurso sem degradar".

"Existem os problemas relacionados à produção excessiva de material não-biodegradável. O saco plástico precisa ser reduzido. A garrafa pet precisa ser produzida, mas com uma reutilização.”

Professor Adauto Almeida Neto nos ajuda a entender um pouco mais 
sobre o lixo (Foto: Emerson Rocha)

Outro desafio em relação ao lixo está relacionado aos produtos eletroeletrônicos. Como cuidar desse material? “Esse é um lixo que, infelizmente, as cidades ainda não sabem o que fazer com todo esse descarte de equipamentos como pilha, radiotransmissor, equipamentos que envolvem circuitos. Vem se tornando um grande problema porque não se sabe o que fazer com esses materiais. Esse material tem que ser descartado em um determinado setor, que, muitas vezes, não existe na cidade, para que aquele lixo eletroeletrônico seja, de alguma forma, reciclado”.

Qual seria o papel do cidadão no tratamento do lixo?

“Primeiro, o ideal é que as pessoas tenham no seu consumo caseiro uma divisão para tentar separar os materiais. Aquele lixo orgânico é colocado em um recipiente, o lixo sintético, o plástico por exemplo, ele vai para outro recipiente, o lixo eletrônico em outro. Fazendo essa separação e direcionando esse lixo para um determinado tipo de órgão, você vai organizando esse material e impactando menos o ambiente”.

Entre as soluções para minimizar os efeitos do lixo no ambiente, de acordo com o professor Adauto, está a educação ambiental. “A educação ambiental é necessária. E o que acontece? A educação acadêmica, básica, infelizmente ela é uma problemática social. As pessoas, principalmente, que não têm acesso e não sabem o que é educação ambiental, elas são os principais veículos dessa contaminação do ambiente”.

“Em termo de boa utilização do lixo, a grande vitrine mundial são os países que apresentam uma educação ambiental fortalecida. Países europeus. A gente tem a Inglaterra, que é um país superlimpo que tem um trato com o lixo muito eficiente, principalmente, por causa da educação ambiental. As pessoas não abrem a janela para jogar um copo plástico na rua. No Brasil a gente tem uma problemática grande porque a população é muito grande, temos o problema social e econômico muito forte que termina criando essa barreira e o lixo vai se acumulando”.

Descarte e tratamento do lixo

"Em relação ao lixo existem alguns princípios básicos que a gente precisa entender sobre o descarte . Existem algumas formas de tratar esses resíduos", diz o professor, listando as cinco maneiras.

1 – O lixo pode ser incinerado. A incineração é um recurso que termina favorecendo a destruição do lixo, no entanto, existem alguns efeitos colaterais em relação a esse sistema. Por exemplo, a poluição. Queimando, você emite monóxido e dióxido de carbono, que são gases tóxicos. Isso causa um efeito ambiental destrutivo, por exemplo em relação ao efeito estufa. A incineração necessitaria de um ambiente específico, de um tratamento desses gases poluentes, por tanto se tornaria mais caro.

2 – O aterro: o aterro sanitário é uma prática que muitas cidades terminam desenvolvendo em função de que, tendo uma área a ermo dentro da natureza, dentro do próprio espaço da cidade se constrói um aterro para se depositar todo o lixo produzido na cidade. Existem efeitos colaterais. Precisa ter um local absurdamente isolado. Não pode ter relação com outros seres daquele meio, inclusive os seres humanos, já que alguns vivem do lixo. O aterro tem que ser bastante isolado. E, ao mesmo tempo, o grande problema do aterro é a infiltração de todo chorume, que é aquele produto orgânico liberado depois do processo de fermentação bacteriana do próprio lixo. O chorume se infiltra e os lençóis freáticos terminam se contaminando.

Aterro sanitário é uma prática comum nas cidades (Foto: PMM/Divulgação)

3 – Lixão: os lixões, que são aqueles acúmulos em determinados locais, eles são preservados para que depois, parte desse lixo, seja separado para se fazer, por exemplo, uma reciclagem, o que seria ideal.

4 – Reciclagem: você separando bem o lixo, ele vai ser reutilizado e você volta para a questão da sustentabilidade.

Separação de resíduos permite a coleta seletiva de lixo e reciclagem 
(Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)

5 – Compostagem: você vai reunir o material orgânico em um determinado local específico, já previamente dividido em comportas ou espaços específicos onde aquele lixo será deposito. A comunidade bacteriana, os microrganismos que utilizam aquela matéria orgânica vão atuar naquele lixo e dessa biodigestão, todo o resíduo orgânico, vai sendo separado, onde fertilizantes, adubos podem ser produzidos e gases que são liberados na fermentação, um deles é o metano, que pode ser usado, por exemplo, para a obtenção de energia elétrica. Você pode acender uma lâmpada utilizado o gás que é produzido através da biodigestão.

* Colaboração: Amanda Franco, Amanda Lima, Beatriz Braga e Emerson Rocha

Fonte: G1 Petrolina e Região

Catadores terão espaço exclusivo para negociar pauta sobre lixões

Foto: Naiara Pontes/SG

21/04/2015

“São mais de três mil lixões e aterros em funcionamento” garantiu Alex Cardoso, do Movimento Nacional dos catadores de Material Reciclável (MNCR). Segundo o dirigente, é fundamental a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos que determina o encerramento dos lixões com inclusão dos catadores. 

No encontro que aconteceu na segunda-feira (13/4) em Brasília, a secretária de Diálogos Sociais e os dirigentes do Movimento Nacional dos Catadores definiram um calendário de trabalho para o ano de 2015. Foi marcado para o início de junho o início das atividades do Comitê Interministerial de Inclusão Social e Econômica de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (CIISC).

Coordenado pela Secretaria-Geral, o comitê congrega 25 órgãos do governo federal que possuem interlocução com a pauta de catadores. Ele é articulado por meio de oito grupos executivos que tratam de temas específicos, sempre relacionados aos catadores e à sua inclusão na Política Nacional de Resíduos Sólidos e à coleta seletiva solidária nos órgãos públicos do governo federal.


DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA PASSA PELO FIM DOS LIXÕES



02/04/2015

O reaproveitamento de recicláveis põe em marcha um sistema que não apenas permite sua reinserção na cadeia produtiva como assegura renda para milhões de pessoas em todo o mundo.

De acordo com um estudo do Banco Mundial, trata-se de um contingente de 15 milhões de indivíduos (equivalente à população do Equador), dos quais 4 milhões estão na América Latina, onde pelo menos 75% trabalham de forma insalubre em lixões.

“Essas pessoas sofrem de doenças crônicas e envelhecimento precoce”, explica Ricardo Schusterman, especialista em Desenvolvimento Social do Banco Mundial. A eliminação dos lixões e a reorganização desses catadores em cooperativas são etapas essenciais para lhes assegurar maior dignidade e renda. Segue nesse sentido a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), promulgada em 2010, que determinava o fim dos lixões em todo o país até agosto de 2014. Por pouco esse prazo obteve prorrogação de mais quatro anos, vetada pela presidente da República, Dilma Rousseff - veto este confirmado por senadores e deputados, em 17 de dezembro.

“A dimensão do problema da gestão dos resíduos sólidos é significativa. No entanto,o Brasil tem obtido progresso consistente no setor, apesar das dificuldades que envolvem a questão.”
Catalina Marulanda, do Banco Mundial.

“O Brasil produz mais de um terço do lixo sólido municipal da América Latina e Caribe. Desde 2000, investimentos em aterros sanitários mais que dobraram a quantidade de dejetos sólidos descartados adequadamente – hoje, mais da metade do lixo produzido é descartado em aterros sanitários. Ainda assim, há grande disparidade entre as práticas de descarte nas regiões brasileiras. Aproximadamente 70% do lixo gerado é descartado de forma correta no Sul do país, já nas regiões Norte/Centro-oeste são menos de 30%”, enumera Catalina Marulanda, especialista líder da Unidade Urbana da Região da América Latina e Caribe do Banco Mundial.

Segundo a especialista do Banco Mundial, “os principais desafios continuam sendo a descentralização das municipalidades responsáveis pela gestão de resíduos sólidos que, em muitos casos, possuem capacidade técnica limitada para preparar projetos viáveis, capazes de atrair o setor privado. Além disso, muitos municípios não têm recursos para realizar processos de licenciamento ambiental complexos para a construção de novos aterros e enfrentam passivos sociais e ambientais significativos por conta de áreas de descarte desregulamentadas”.

Os consórcios intermunicipais têm se mostrado uma boa solução para resolver problemas comuns como a construção e gestão de aterros, o desenvolvimento da coleta seletiva e a formalização dos catadores. “Num país com a dimensão do Brasil, a gestão dos resíduos sólidos é ainda mais complexa. No entanto, há que se registrar o progresso realizado nos últimos quinze anos”, destaca Catalina. Segundo dados do Banco Mundial, um latino-americano produz entre 1 e 14 quilos de lixo por dia. Se fosse separado na fonte - ou seja, nas próprias residências, aproximadamente 90% poderia ser convertido em combustível ou reciclado. A responsabilidade compartilhada - premissa da PNRS - mostra-se, portanto, cada vez mais necessária para lidar com a questão dos lixões sob todos os ângulos.

Para saber mais: www.worldbank.org/

Fonte: Cempre


Com prazo esgotado, Ceará ainda tem 280 lixões em funcionamento

Apenas 10 cidades do Ceará têm aterros adequados (Foto: Cid Barbosa/Agência Diário)

04/08/2014

Meta de lei federal era extinção dos lixões em agosto de 2014.
Segundo Conpam, dos 184 municípios, apenas dez utilizam aterros.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela lei federal n°12.305 em agosto de 2010, definiu 2 de agosto de 2014 como data limite para o fim dos lixões no país. Quatro anos depois, o prazo está esgotado, e a realidade no Ceará está longe da determinada por lei. De acordo com o levantamento do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente do Ceará (Conpam), o estado ainda tem 280 lixões em funcionamento.

Dos 184  municípios, apenas dez (Fortaleza, Caucaia, Maranguape, Maracanaú, Eusébio, Aquiraz, Meruoca, Sobral, Mauriti e Brejo Santo) destinam os resíduos sólidos em aterros sanitários. De acordo com o Conpam, outros municípios chegaram a construir aterros, mas, por falta de uma gestão diferenciada e do custo alto da manutenção, eles voltaram a ter aspecto de lixão.
Entre os impactos negativos, a destinação inadequada dos resíduos sólidos em lixões gera contaminação dos lençóis freáticos e recursos hídricos superficiais, doenças como leptospirose, contaminação do solo e mudanças climáticas.

Aterros regionais
Entre as dificuldades levantadas pelos gestores, a maioria afirma a falta de recursos para construir e manter um aterro sanitário. A lei federal estabelece a possibilidade de consórcios entre os municípios vizinhos para gerenciar os aterros, além de apoio estadual e federal. A Secretaria das Cidades do Estado do Ceará acompanha a formação de 22 consórcios públicos, divididos em regionais, e a elaboração dos projetos executivos para captação dos recursos e construção dos aterros sanitários.

De acordo com o secretário adjunto das Cidades, Mário Fracalossi, 144 municípios do estado fazem parte desses consórcios e 13 projetos estão na fase de elaboração ou de licitação. Destes projetos, apenas dois, com sede em Sobral e Limoeiro do Norte, já estão com recursos assegurados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do Estado, para a construção dos aterros, que devem demorar um ano para começar a funcionar.

“Essa questão do fim dos lixões é mais complexa. Em curto prazo, não há uma situação que vislumbre todos os municípios. Antes de qualquer coisa, as prefeituras precisam, no mínimo, ter unidades para triagem, realizar coletas seletivas. A maioria dos municípios ainda nem realiza a coleta seletiva. Requer um conjunto de ações e há um problema de ajuste na gestão fiscal dos municípios”, afirma Fracolossi.

Quatro consórcios públicos do Ceará foram formados por iniciativa própria dos municípios, os que terão sedes em Baturité, Paracuru, Pedra Branca e Viçosa do Ceará. Juntos, os quatro consórcios somam 25 cidades. O aterro consorciado de Baturité será um dos com a maior utilização de municípios. Ao todo, serão 11 cidades beneficiadas.

Ministério Público
O Ministério Público do Estado do Ceará tem realizado fiscalizações, observando as normas ambientais e o funcionamento dos lixões e de aterros. De acordo com a promotora de Justiça Socorro Brilhante, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Ecologia, Meio Ambiente, Urbanismo, Paisagismo e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Caomace), 30% dos municípios cearenses foram notificados por problemas no descarte dos resíduos sólidos. Em alguns casos, foram assinados termo de ajustamento de conduta (TAC). Em outros, os promotores tiveram de ingressar com uma ação civil pública contra a gestão.

“Eu considero a situação grave. Quando a lei pede que os planos já estivessem em execução, a maioria dos planos de gestão ainda não foi nem concretizada”, afirma a promotora de Justiça. Segundo a coordenadora do Caomace, os gestores que não cumprirem a lei podem responder por improbidade administrativa e crime ambiental.  “Agora, os promotores irão tratar com os gestores que têm interesse em resolver, acompanhar a execução dos projetos e dar prazos. Os que não demonstrarem interesse, o Ministério Público pode entrar judicialmente com ação civil pública e penal”, explica.

Fonte: G1


Lei exige fim de lixões até este sábado; 60% das cidades não se adequaram

Lixão da cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte, em foto de 21 de julho 
deste ano (Foto: Marcílio de Araújo/G1)

02/08/2014

Política de Resíduos Sólidos determina extinção de lixões até 2 de agosto.
Cidades com lixo a céu aberto podem responder por crime ambiental.

Termina neste sábado (2) o prazo de quatro anos para as cidades brasileiras adequarem sua gestão do lixo às regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Sancionada em 2 de agosto de 2010, ela determina ações como a extinção dos lixões do país, além da implantação da reciclagem, reuso, compostagem, tratamento do lixo e coleta seletiva nos municípios.

Pela lei, a partir deste domingo (3), as prefeituras com lixo a céu aberto podem responder por crime ambiental, com aplicação de multas de até R$ 50 milhões, além do risco de não receberem mais verbas do governo federal. Os prefeitos, por sua vez, correm o risco de perder o mandato.

Em tese, se a legislação for cumprida à risca, muitas cidades podem ser punidas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, somente 2.202 municípios, de um total de 5.570, estabeleceram medidas para garantir a destinação adequada do lixo que não pode ser reciclado ou usado em compostagem.

Os municípios que não terão o aterro sanitário a tempo de se enquadrar na lei estão espalhados por todas as regiões do Brasil. No Paraná, por exemplo, há cidades que até dois meses atrás sequer haviam apresentado um plano de adequação. Uma saída para os pequenos municípios paranaenses pode ser a formação de consórcios para uso conjunto dos aterros, para evitar que cada localidade tenha que arcar com os custos de ter o seu próprio.

No Rio Grande do Norte, somente Mosssoró e a Região Metropolitana de Natal têm aterros. Situação semelhante vive  Rondônia, onde só Ariquemes e Vilhena já se adequaram. A capital, Porto Velho, já escolheu o local de seu novo aterro, mas as obras ainda não começaram.

O estado do Rio de Janeiro tem 93% do lixo indo para destinação correta, mas, ainda assim, tem vinte lixões que precisam ser desativados. O estado de São Paulo também tem municípios com lixões irregulares, como  Presidente Prudente e Ourinhos. O Distrito Federal ainda está licitando a construção das células protegidas de seu novo aterro sanitário. Enquanto isso, seus resíduos vão para um lixão, sem nenhum tratamento.

Mesmo sabendo que 60% dos municípios não cumprem a lei, o governo não pedirá prorrogação de prazo para que o programa passe a vigorar. André Vilhena, diretor da associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), afirma que o Brasil já venceu a fase de, na véspera, precisar esticar prazos por não haver cumprimento de metas.

Plano Nacional de Resíduos Sólidos PNRS 
(Foto: Editoria de Arte/G1)
Segundo ele, há a possibilidade de prorrogação por meio de acordos firmados entre os municípios e o Ministério Público. “O prazo se encerra, mas quem não cumprir pode fazer a prorrogação por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC)", explica. Ele disse ainda que isto ajuda a analisar a particularidade de cada município. A maioria enfrenta problemas de falta de verba.

Principais objetivos
A PNRS tem como prioridades a redução do volume de resíduos gerados, a ampliação da reciclagem, aliada a mecanismos de coleta seletiva com inclusão social de catadores e a extinção dos lixões. Além disso, prevê a implantação de aterros sanitários que receberão apenas dejetos, aquilo que, em última instância, não pode ser aproveitado.

Esses aterros, por sua vez, deverão ser forrados com manta impermeável para evitar a contaminação do solo. O chorume, líquido liberado pela decomposição do lixo, deverá ser tratado. O gás metano que resulta da decomposição do lixo, que pode explodir, terá que ser queimado.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os instrumentos da PNRS ajudarão o país a reciclar 20% dos resíduos já em 2015. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes a 2012 e que são os mais recentes, apontam que só 3,1% do lixo gerado no país naquele ano foi destinado à coleta seletiva e que 1,5% dos resíduos domiciliares e públicos foram recuperados.

Naquele ano, o Brasil gerou 62,7 milhões de toneladas de resíduos sólidos e coletou 57,9 milhões de toneladas deste total. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a Abrelpe, 42% do montante coletado teve destinação inadequada e em 3.352 cidades os detritos foram encaminhados para lixões ou aterros controlados – que, para especialistas, são apenas lixões melhorados.

Incapacidade técnica
Geraldo Antônio Reichert, coordenador da Câmara temático de Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), afirma que a maioria das cidades com problemas na gestão dos resíduos sólidos não cumpriram o prazo a tempo por não terem dinheiro em caixa e não conseguirem financiamento do governo federal.

O presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, disse que os altos índices de destinação irregular poderiam ter caído se os municípios tivessem utilizado instrumentos disponíveis na Lei de Saneamento Básico, que incluem verbas do governo federal para obras. Mas, segundo ele, faltou capacidade técnica às prefeituras para montar projetos adequados às regras da União.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, nos últimos quatro anos foram disponibilizados R$ 1,2 bilhão para que estados e municípios realizassem o planejamento das ações e iniciassem medidas para se adequarem à nova legislação de resíduos sólidos. Mas apenas 50% do montante foi efetivamente aplicado.
“São situações de incapacidade técnica de municípios, incapacidade de acessar recursos. Tem situações, inclusive, que podem ser resolvidas entendendo melhor a integração dos planos municipais”, declarou a ministra Izabella Teixeira, na última quinta-feira (31).

Atualmente, somente três estados possuem plano de resíduos sólidos: Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. O ministério não divulgou o total de municípios que já têm o plano definido.

Fonte: G1 Natureza


Alunos do Galois visitam lixão da Estrutural


12/09/2012

Na quinta-feira, 13 de setembro, 300 alunos do Colégio Galois de 6ª a 8ª séries, com idades entre 11 e 14 anos, participarão da Saída Pedagógica para visitar o Lixão da Cidade Estrutural. A partida do colégio está marcada para 14h, com retorno previsto para 17h. Durante a visita, haverá palestra de um líder comunitário sobre reciclagem. A atividade tem o propósito de ampliar temas importantes estudados nas disciplinas de Português e Literatura (poesias de catadores de lixo e trabalho infantil), História e Geografia (Consumismo, Revolução Industrial, Capitalismo e o meio ambiente), Ciências Biológicas (chorume e seus efeitos) e Educação Bíblica (solidariedade).

As turmas estarão sob a coordenação dos professores Renata Fontenele, da cadeira de Ciências Humanas, Carlos Alexandre, coordenador da cadeira de Ciências Biológicas, e Nei Vieira, diretor pedagógico do Ensino Fundamental II.  Mais que aprender, os estudantes também levarão doações de alimentos não-perecíveis, roupas, sapatos, agasalhos, cobertores, livros e brinquedos para a comunidade do local. “O objetivo é ver na prática os fundamentos teóricos estudados em aula e também realizar, de forma concreta, ações de solidariedade, uma vez que faz parte de nossa proposta pedagógica a formação de cidadãos mais conscientes, mais justos e fraternos”, explica Renata.

No retorno, será montado um mural de fotos. Nas salas de aula serão promovidos debates nas seguintes disciplinas:

Biologia – continuação do livro trabalhado em sala, “Lixo e sustentabilidade”, abordando agora a questão do chorume e seus efeitos. O gás metano e os problemas ambientais em função do acúmulo do lixo.

Português – análise de textos sobre o assunto, poemas de ex-catadores de lixo de Brasília, redações sobre temas ligados ao assunto.

Literatura – análise do livro Oliver Twist que se passa em plena Revolução Industrial, como viviam as crianças, a questão do trabalho infantil e uma comparação com a realidade brasileira atual, tanto sobre o trabalho infantil, como o trabalho escravo.

Geografia - Consumismo, Revolução Industrial, Industrialização, suas causas, efeitos e consequências para o meio ambiente.

História - Revolução Industrial, ontem e hoje. Escravidão. Trabalho infantil ontem e hoje. Preconceito racial e social. Capitalismo e seus reflexos.

Educação Bíblica - solidariedade, voluntariado, amor ao próximo, contato com realidades diferentes das vivenciadas por eles e desapego aos bens materiais.

Curso online de Biologia e Taxonomia de Macroinvertebrados Aquáticos

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