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Copa do Mundo traz reconhecimento ao trabalho de catação de materiais recicláveis

Foto: Divulgação/MNCR


01/08/2014

Durante a Copa do Mundo Fifa, catadoras e catadores vinculadas/os ao Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) participaram da coleta seletiva nos diversos estádios onde foram realizados os jogos. Em Porto Alegre (RS), uma equipe de 39 catadoras e catadores foi responsável pela coleta no estádio Beira-Rio.  

O lucro de R$ 25.000,00 obtido no envio da coleta para a central de resíduos ainda não teve seu destino definido, mas deverá ser revertido à Rede de Catadores de Materiais Recicláveis de Porto Alegre e Região (Catapoa). Entre os materiais mais coletados estavam papel, plástico e metal, que geraram, em média, 22 toneladas.

Segundo Luciano Menezes, coordenador operacional do MNCR, a contratação de cooperativas de catadoras e catadores de materiais recicláveis para atuarem na Copa mostra que estas têm condições de prestar serviços em grandes eventos. A partir daí, Luciano celebra o maior resultado da parceria: a negociação do contrato com o Internacional para a realização da coleta em jogos realizados no Beira Rio em Porto Alegre.

A equipe de catadoras e catadores, que agora possui o “Selo de aprovação FIFA”, recebeu treinamento com carga horária de quatro horas, onde foi orientada sobre o manuseio dos equipamentos utilizados durante o Mundial e na dinâmica de trabalho dentro do estádio. Além de receberem informações sobre segurança e questões comportamentais, catadoras e catadores fizeram um reconhecimento do local, identificando áreas satélites (local onde os resíduos ficaram armazenados durante os jogos), e, assim, puderam elaborar a estratégia das coletas.

As e os integrantes da equipe, que receberam auxílio de R$ 80/dia, atuaram nos espaços de acesso do público, na entrada da torcida, nos corredores, nos vomitórios (áreas de acesso às arquibancadas) e nas áreas externas do estádio.

Para isso, chegavam ao Beira-Rio cinco horas antes do início do jogo. Encontravam-se seis horas antes no portão de acesso e dirigiam-se à central de resíduos, onde definiam questões práticas e partiam para o trabalho.

Reconhecimento

"Viver a Copa foi muito mais do que dinheiro. Foi o reconhecimento do nosso trabalho."

Graziela de Arruda Alves, 32 anos, da Vila Bonsucesso, no Bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, foi uma das 39 catadoras que participou da coleta no Beira-Rio. Nestes 45 dias trabalhados, grávida de oito meses, Graziela conseguiu juntar recursos com o dinheiro do auxílio para construir o quarto do bebê que está a caminho.

Durante os dias de trabalho, a recicladora acordava às 4h30min para iniciar o expediente no galpão às 7h, sem hora para terminar. Em dias de partida, chegou a sair do Beira-Rio de madrugada, por volta da 1h30min.

O esforço, porém, não foi motivado apenas pelo dinheiro. O principal mérito foi trazer reconhecimento para o trabalho das catadoras e dos catadores. Através dessa iniciativa, o grupo fechará outros contratos para grandes eventos, como o que está em negociação com o Internacional.

As e os integrantes da equipe vieram da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Cavalhada (Ascat), Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Industrialização (Coopertinga), Associação de Catadores Torotama (ACT), Associação dos Catadores da Vila Nova Chocolatão, Associação Comunitária do Campo da Tuca/Setor Reciclagem(ACCT), Associação dos Recicladores Rubem Berta, Associação dos Catadores da Lomba do Pinheiro (UTC) e Cooperativa de Trabalho dos Catadores do Município de São Leopoldo (Uniciclar).

O que a reciclagem preservou nestes jogos da Copa

Água – 17.216 metros cúbicos
Areia – 14 toneladas
Árvores – 5.182 unidades
Carvão mineral – 12 toneladas
Energia – 1.446 MWh
Minério de ferro – 82 toneladas
Petróleo – 997 barris

Resíduos coletados nos outros estádios da Copa

Arena Pernambuco: 14.207 toneladas
Arena Pantanal: 17.019 toneladas
Beira-Rio: 20.643 toneladas
Arena Amazônia: 18.979 toneladas
Arena Baixada: 19.554 toneladas 
Arena Fonte Nova: 36.141 toneladas
Mané Garrincha: 29.653 toneladas
Castelão: 39.256 toneladas
Arena Corinthians: 35.730 toneladas
Maracanã: 44.660 toneladas
Mineirão: 59.757 toneladas
Arena das Dunas: 51.419 toneladas
TOTAL:  387.018 toneladas

As informações são do site www.catasigcopa.com.br



Mergulhadores voluntários ajudam coral haitiano

Foto: The New York Times
Jessika Laloi se prepara para seu primeiro mergulho de snorkel em Cotes des Arcadin, no Haiti, ao lado de Gregor Hodgson e outros voluntários

Organização dos Estados Unidos treina moradores locais a mapear fauna marinha do Haiti, castigada pela sobrepesca

Era uma manhã de verão imaculadamente clara, um dia perfeito para o mergulho. Ainda não havia lixo na praia. Alguns voluntários muito animados, alguns um pouco apreensivos, colocaram máscaras e entraram no mar quente, ansiosos para participar de uma equipe de eco-mergulhadores responsáveis pelo levantamento e talvez um dia por ajudar a salvar os corais em perigo no Haiti.

Apenas uma coisa estava em seu caminho: para a maioria deles – como Jessika Laloi, 21 – esta era a sua primeira vez no oceano. Até alguns meses atrás, Laloi nem sequer sabia nadar cachorrinho.

Agora ela estava no oceano em shorts e regata, com um colete salva-vidas amarrado ao seu corpo, deixando de lado os tumultos que tomaram conta de sua vida desde que sua casa desabou no terremoto que abalou o país um ano e meio atrás.

"Mergulhar e nada são maneiras de perceber que você está no ambiente", disse Laloi. "Você é parte dele. Você não tem que destruí-lo."

A degradação ambiental é abundante no Haiti – desmatamento, erosão, poluição – e na maioria das vezes é difícil de não ver. Mas há décadas o ambiente marinho do país sofre sem que ninguém soubesse. Seu sistema de corais, uma atração para mergulhadores estrangeiros na década de 1970 e 80, em grande parte morreu por causa da sedimentação e das mudanças climáticas, mas principalmente da pesca excessiva.

"É provavelmente a pior sobrepesca que eu vi no mundo", disse Gregor Hodgson, diretor do Reef Check, uma organização sem fins lucrativos da Califórnia que monitora a saúde de corais ao redor do globo. Hodgson, que tem liderado o treinamento de Laloi e seus companheiros haitianos, disse que sua organização tem trabalhado em corais de 90 países.

Meses após o terremoto que devastou Porto-Princípe, Hodgson voou para o Haiti para inspecionar os corais, verificando se havia danos causados pelo terremoto. Em vez disso, ele encontrou algo mais alarmante: milhares de corais morto e quase nenhum peixe. Ele estima que cerca de 85% dos corais do recife local morreram.

No Haiti 54.000 pescadores dependem do oceano para a sua subsistência, de acordo com o Ministério da Agricultura, que supervisiona a gestão da pesca. Nas últimas décadas, conforme os peixes que pescam mais normalmente desapareceram, muitos deles passaram a sobreviver com o uso de rede e lança na pesca de peixes pequenos que vivem nos recifes de corais. Agora, esses também quase desapareceram totalmente, e as algas tomaram conta.

Em um mergulho recente perto da Ilha La Gonave, Hodgson encontrou um imenso coral morto, coberto por algas e esponjas e quase desprovido de peixes.

O Haiti tem a segunda maior costa de todos os países do Caribe, mas é o único que não estabeleceu áreas marinhas protegidas, onde a pesca é restrita ou fora dos limites, de acordo com o Programa Ambiental da ONU. Então, o Reef Check decidiu fazer um levantamento dos recifes e propor que o governo haitiano crie parques marinhos onde os peixes podem se alimentar, crescer e se reproduzir.

"É uma situação incomum entrar em um país onde não há ecologistas marinhos e não programas de biologia marinha nas universidades", disse Hodgson. "Estamos começando do zero."

Pierre Guy Lafontant, diretor geral de pesca do Haiti, reconheceu que a pesca excessiva é um problema, mas que as autoridades foram receptivas à ideia de estabelecer águas protegidas. Mas se o governo não consegue impor seus regulamentos de pesca existentes, será que os pescadores poderão ser persuadidos a obedecer a existência de uma linha invisível na água?

"Isso seria o meu sonho mais profundo", disse Lafontant, "mas a realidade é totalmente diferente. Para os pescadores, não há alternativas. A pobreza é a lei."

Henry Hilaire, pescador há 36 anos, removia as redes de um barco com vários outros haitianos em águas que o Reef Check espera eventualmente serem protegidas.

"Nós não encontramos peixes o suficiente", disse Hilaire sobre sua pesca, "mas temos que levar o que encontramos. Não é peixe suficiente para ganhar a vida."

Hilaire tirou dois peixinhos da sua rede, cada um de cerca de cinco centímetros de comprimento. "Eles são realmente muito novos para manter", disse ele, mas "as circunstâncias são tais que se não mantivermos, nós passaríamos fome."

Muitos dos mergulhadores em treinamento do Reef Check foram solidários com os pescadores.

"Eles estão desesperados, tentando sobreviver, então é muito difícil dizer que não podem pescar aqui", disse Romain Louis, 37, professor de literatura que espera se tornar parte da equipe de eco-mergulhadores.

Sob a orientação do Reef Check, quando os voluntários demonstram proficiência em natação e mergulho, eles podem aprender a mergulhar, mapear os corais e contar as espécies cruciais de peixes, ouriços e lagostas – basicamente tudo que as pessoas gostam de comer.

A organização começou a recrutar mergulhadores voluntários no início deste ano, mas o processo tem sido lento. De acordo com Hodgson, apenas um dos 30 candidatos selecionados para um teste de piscina em abril sabia nadar metade do seu comprimento. O resto não sabia nadar.

Mas apesar da falta de experiência, os voluntários demonstram paixão e curiosidade.

"É emocionante", Melissa Barbot, 24, estudante de arquitetura, disse depois de um mergulho com snorkel. "Esta é a minha primeira vez e naturalmente estou maravilhada."

Para alguns estudantes, aprender a mergulhar também provou ser terapêutico.

"Quando eu vi o quão fantástico é", disse Laloi sobre a água, "eu esqueci que vivo numa região muito feia."

Antes do terremoto, Laloi era estudante universitária formada em medicina. Quando o terremoto começou, ela pulou do segundo andar de sua casa, pois ela estava desmoronando ao seu redor. Depois disso, ela viveu com sua tia em uma tenda e passou a atender feridos pela Cruz Vermelha.

"Meu cabelo começou a cair e eu ganhei muito peso – eu fiquei grande", disse ela. "O psicólogo disse que era estresse."

No final de seu terceiro dia de aulas com o Reef Check, Laloi saiu da água eufórica e um pouco sem fôlego.

"Foi um alívio", disse ela, olhando para o oceano. "Quando eu estava lá, eu esqueci do terremoto. Esqueci de tudo, da minha tristeza, tudo. Era como se eu estivesse vivendo uma nova vida."

"Eu vou vir aqui muito, muito, muitas vezes para que eu possa ver o mar", acrescentou. "Eu acho que os peixes estão felizes em me ver."

14º CONTBRAS participa de campanha de reflorestamento em Porto Príncipe

Porto Príncipe (Haiti) – No dia 21 de abril de 2011, militares do BRABAT 1 procederam ao plantio de aproximadamente 3.500 mudas de árvores nativas do Haiti. Tal iniciativa é parte de um Projeto de Impacto Rápido que visa contribuir para a recuperação da cobertura vegetal do país. Para a tarefa, foram contratados 250 trabalhadores haitianos por intermédio da ONG “Organização Nacional de Jovens Profissionais para Proteção do Haiti (ONJPSH)”, especializada em mão-de-obra para trabalhos de conservação do solo.




Parceria Brasil e Haiti vai além das forças militares


A missão de homens e mulheres do contingente brasileiro no Haiti vai muito além de manter o ambiente estável e seguro. Com um olhar sensível, os soldados dos Batalhões Brasileiros (Brabatt 1 e 2) têm colocado em prática alternativas de reintegração social e econômica da população haitiana.

Uma delas é a produção de mudas para reflorestamento, que contou com a ajuda do haitiano Jude Brice, formado em agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no município fluminense de Seropédica. Ele idealizava o projeto antes mesmo de ingressar no curso. O intercâmbio foi possível graças a convênio entre os dois países.

Dez mil mudas da árvore nativa Ticolombien, conhecida pela resistência, foram plantadas nas encostas e 260 pessoas empregadas no plantio. “Os locais escolhidos são considerados de risco e propícios para inundações”, afirma o tenente Victor Almeida. O projeto deu tão certo, que mais 10 mil mudas serão plantadas em outra área degradada.

Brice permaneceu no Brasil de 1999 a 2004, quando concluiu o curso e voltou ao seu país com o sonho de sanar os problemas que afetam o meio ambiente haitiano. “Em 2004 tivemos uma enchente que matou muita gente. Queria garantir que uma tragédia como essa nunca mais acontecesse”, lembra.

Do Brasil ele só traz boas lembranças. “Eu já admirava o país por conta do futebol. Também passei a apreciar o bom humor brasileiro. Foram cinco anos e sete meses e nada de mal aconteceu comigo. O período foi muito bem aproveitado”, garante.

Brice tem uma relação especial com o Brasil. Quando a capital haitiana tremeu no dia 12 de janeiro do ano passado, às 16h53, causando mais de 200 mil mortes, ele e mais dois colegas estavam no quinto andar do Quartel General da Minustah [Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti]. O prédio desabou. Jude permaneceu preso nos escombros por 24 horas. No primeiro momento, ele foi socorrido pelo Batalhão Brasileiro, em seguida, uma equipe trabalhou durante 13 horas para resgatá-lo.

“Quase perdi o braço esquerdo, que ficou paralisado por três meses”, relata.

Hoje, Brice ainda traz sequelas da tragédia que matou seus dois colegas, mas segue cheio de iniciativas para que o seu povo possa viver com dignidade. A ideia agora é preparar um novo projeto em sua cidade natal, Paillant, ao sudoeste do Haiti. “Eu seria um cara 100% realizado”, comemora.

Fonte: http://blog.planalto.gov.br/categoria/haiti-pos-terremoto/


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