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Síntese Diária da COP30 – 10 de Novembro

10/11/2025

Dia 1: segunda-feira, 10 de novembro

Preparado pela Equipe de Comunicação da COP30

Áreas temáticas de foco: Adaptação, Cidades, Infraestrutura, Água, Resíduos, Governos Locais, Bioeconomia, Economia Circular, Ciência, Tecnologia e Inteligência Artificial

Resumo Geral:

Elevando a Adaptação por Meio do Poder da Tecnologia

A COP30 foi aberta hoje em Belém com uma poderosa demonstração de solidariedade e compromisso, inaugurando era de ação climática global marcada pela implementação, inclusão e inovação. No dia 1, as Partes adotaram rapidamente a agenda oficial da COP30 — um forte sinal de consenso que reafirma a confiança no multilateralismo e na determinação global de acelerar o Acordo de Paris. Essa adoção antecipada, juntamente com a eleição do Embaixador Ambassador André Corrêa do Lago como Presidente da COP30, definiu um tom claro: esta é uma COP voltada para resultados, transformando compromissos em ações concretas para as pessoas e para o planeta.

A tecnologia surgiu como a força determinante do dia. O Green Digital Action Hub e o AI Climate Institute incorporaram a visão da COP30 para uma transformação digital justa, equipando os países em desenvolvimento com dados, ferramentas e treinamento para projetar suas próprias soluções climáticas. Na Mostra de Inovação Agrícola, foram anunciados novos compromissos para promover a inovação agrícola e sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas, incluindo USD 1,45 bilhão da Fundação Gates para ampliar o acesso a inovações que ajudem os agricultores da África Subsaariana e do Sul da Ásia a se adaptarem a condições climáticas extremas e USD 30 milhões arrecadados pelo Centro Global de Metano (Global Methane Hub) para reduzir as emissões de metano do cultivo de arroz.

Os líderes também avançaram significativamente no financiamento para adaptação e resiliência. O Fundo de Resposta a Perdas e Danos, operacionalizado em tempo recorde, lançou seu primeiro edital de financiamento, enquanto os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs), fornecem mais de USD 26 bilhões para economias de baixa e média renda em 2024. A Declaração de Belém sobre Fome e Pobreza, anunciada na semana passada e endossada por 44 países, lançou uma nova Parceria para Proteção Social Resiliente ao Clima e Financiamento da Agricultura de Pequenos Produtores.  O progresso do Dia 1 instilou um senso renovado de otimismo — provocando que ao elevar a adaptação por meio da tecnologia, o mundo está redefinindo a resiliência, transformando a vulnerabilidade em força e a ambição em ação.

Ações e Resultados Principais:

Negociações:

- A COP30 se inicia em um espírito de colaboração, com as Partes unidas em torno da Agenda.

A adoção da agenda negociada no primeiro dia da COP30 é uma poderosa afirmação de unidade global, sinalizando o compromisso coletivo da comunidade internacional com o multilateralismo e a ação climática conjunta. Em um momento de crescentes tensões geopolíticas e ambientais, esse consenso precoce demonstra a determinação mundial em cooperar além das diferenças e implementar soluções urgentes que protejam as pessoas, acelerem o Acordo de Paris e construam um futuro mais seguro e sustentável.

“Preciso agradecer a todas as delegações pelo fantástico acordo alcançado sobre a agenda na noite passada. Esse acordo não apenas nos permitirá começar a trabalhar intensamente já hoje, como também nos ajudará a explicar ao mundo por que as questões adicionais levantadas são realmente importantes.” — Embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30

- Operacionalização Rápida do Fundo de Resposta a Perdas e Danos

O Fundo de Resposta a Perdas e Danos (FRLD) foi operacionalizado em tempo recorde e lançou seu primeiro edital de USD 250 milhões, passando do desenho à execução e abrindo um canal crucial de apoio para países em desenvolvimento na linha de frente da crise climática.

“Esta é uma COP da implementação. Hoje temos grandes novidades nesse sentido. O Fundo de Perdas e Danos, que foi criado recentemente na COP28, já começou a operar. Eles lançaram um edital de US$ 250 milhões, mostrando a rapidez com que esse fundo — criado há menos de dois anos — já está se movendo para a implementação.” — Ana Toni, CEO da COP30

- Embaixador André Corrêa do Lago é eleito Presidente da COP30

O Embaixador André Corrêa do Lago foi eleito Presidente da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas. Ele conduzirá os trabalhos e liderará a agenda ao longo do próximo ano, para acelerar a implementação climática.

Agenda de Ação:

- Liderança e Ação por um Futuro Digital Verde

Os parceiros lançaram o Green Digital Action Hub, uma nova plataforma de cooperação online para aproveitar a inovação tecnológica contra as mudanças climáticas, sediada no Brasil como um legado da COP30. O GDA Hub fornecerá ferramentas, conhecimentos e dados para ajudar as nações a ampliar as tecnologias verdes, reduzir o impacto ambiental da tecnologia e garantir o acesso a soluções digitais sustentáveis para todos. Com base na Declaração da COP29 sobre Ação Digital Verde — apoiada por 82 países e mais de 1.800 partes interessadas.

- Lançamento do AI Climate Institute

O AI Climate Institute (AICI) — uma nova iniciativa global lançada na COP30 – visa  capacitar pessoas e instituições em países em desenvolvimento para utilizar a inteligência artificial (IA) em ações climáticas. Com base na equidade e na sustentabilidade, a AICI se empenhará em promover a IA como uma ferramenta de empoderamento, permitindo que os países do Sul Global projetem, adaptem e implementem suas próprias soluções climáticas baseadas em IA, incluindo modelos leves e de baixo consumo de energia adequados aos contextos locais. O instituto oferecerá programas de treinamento (oficinas para formuladores de políticas sobre conceitos de IA, dados climáticos e exploração de casos de uso; laboratórios avançados para profissionais técnicos; experiência prática na construção de aplicações de IA eficientes em termos de recursos e do mundo real) e um Repositório de Aprendizagem Digital com cursos e estudos de caso sobre aplicações climáticas em diferentes setores.

- Lançamento do Nature’s Intelligence Studio:

▪ Apresentando a Amazônia e outras regiões biodiversas como polos de inovação, o Studio impulsionará a inovação inspirada na natureza para o desenvolvimento sustentável local. Liderado pela Universidade de Oxford (TIDE Centre) em parceria com o INPA e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), o estúdio terá sede na América Latina e no Caribe, inicialmente em Belém.

▪ Promoverá a pesquisa, o envolvimento político e modelos legislativos para proteger inovações inspiradas na biologia e garantir a partilha de benefícios para os inovadores locais e as comunidades que salvaguardam o banco de ideias da biodiversidade.

▪ Em 14 de novembro, o Studio lançará um “ideathon” com o CAF para apoiar inovadores que desenvolvem soluções inspiradas na natureza, além de apresentar o Atlas de Energia das Inovações da Natureza, uma ferramenta aberta de IA que conecta desafios energéticos da indústria a soluções biomiméticas.

- Acelerando a Infraestrutura Pública Digital (DPI) e os Bens Públicos Digitais (DPG) para o Clima:

O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos do Brasil, a Aliança de Bens Públicos Digitais (DPGA) e a ITS Rio publicaram um Plano para Acelerar Soluções (PAS) que inclui o lançamento da Coleção DPG Clima — um repositório global de Infraestrutura Pública Digital (DPI) e Bens Públicos Digitais (DPG) para o clima — oferecendo mais de 20 ferramentas de código aberto para pelo menos 30 países que podem aplicar essas inovações em questões como resposta a desastres, energia, água e agricultura.

- Desafio de Inovação DPI para Pessoas e Planeta:

Lançado em conjunto com a JICA, Co-Develop, Fundação Gates, Centro de Infraestrutura Pública Digital (CDPI) e Boston Consulting Group (BCG), e em parceria oficial com a presidência da COP30, este Desafio selecionou cinco inovadores que desenvolvem soluções transformadoras baseadas em Infraestrutura Pública Digital (DPI) para resiliência climática e social, concedendo a cada um deles USD 100.000 em financiamento para apoiar o desenvolvimento e os testes de campo de suas soluções. Os vencedores incluem Trust Carbon, Kazam, Akvo, Rahat e Circularise. Mais informações podem ser encontradas aqui.

- Declaração conjunta dos bancos multilaterais de desenvolvimento para a COP30: Acelerando as ações para adaptação e resiliência

▪ Em Belém, os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) anunciaram que, desde 2019, duplicaram o apoio a investimentos em adaptação, destinando mais de USD 26 bilhões para economias de baixa e média renda em 2024.

▪ Para impulsionar ainda mais esse esforço coletivo em direção ao investimento em adaptação, os MDBs lançaram uma nova estrutura para o financiamento da natureza, incluindo: (i) Princípios Comuns para Acompanhar o Financiamento da Natureza e (ii) Guia Prático para a Seleção de Métricas de Resultados. Essas ferramentas foram projetadas para auxiliar no desenvolvimento de produtos financeiros de alta qualidade e atrair mais capital privado para a natureza.

- Campanha Corrida pela Resiliência

▪ Liderada por mais de 40 iniciativas parceiras e 1.700 membros em 164 países, a campanha anunciou que 437 milhões de pessoas — cerca de uma em cada 18 pessoas — agora vivem com maior resiliência climática, apoiadas por USD 4,18 bilhões em financiamento para adaptação e melhor proteção de 18 milhões de hectares de ecossistemas.

▪ Esse esforço de acompanhamento, o primeiro do tipo liderado por atores não estatais, mostra o progresso coletivo em direção à meta de alcançar 4 bilhões de pessoas até 2030, demonstrando que a adaptação inclusiva, liderada localmente e viabilizada por financiamento não apenas protege vidas, mas também gera oportunidades, equidade e desenvolvimento sustentável em todo o mundo.

- O Papel Fundamental do Combate à Fome e à Pobreza pela Justiça Climática

Uma nova Parceria para a Proteção Social Resiliente às Alterações Climáticas e o Financiamento da Agricultura Familiar, foi lançada hoje no âmbito da Agenda de Ação da COP30. A Parceria promove o Plano para Acelerar Soluções (PAS) com objetivos claros e mensuráveis para impulsionar ações e acompanhar o progresso, incluindo o apoio a planos nacionais de implementação liderados pelos países para a proteção social adaptativa, a agricultura familiar e o acesso a soluções hídricas no Benim, Etiópia, Quênia, Zâmbia e República Dominicana.

▪ Até 2028, o plano estabelece um grupo de coordenação conjunta de doadores de financiamento climático para alinhar carteiras em apoio aos esforços de combate à fome e à pobreza.

▪ O lançamento se baseia na adoção, em 7 de novembro, da Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada no Ser Humano por 44 países, um compromisso histórico desenvolvido com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

- Agricultura Inteligente para o Clima em Escala:

Duas ferramentas digitais inovadoras foram introduzidas para apoiar a agricultura climaticamente inteligente em grande escala:

▪ O Brasil e os Emirados Árabes Unidos, em parceria com a Fundação Gates, a Embrapa, o CGIAR e a ai71, introduziram o primeiro modelo de linguagem grande (LLM) de IA de código aberto do mundo para a agricultura — um avanço rumo a um sistema alimentar global mais resiliente e equitativo.

▪ A ferramenta de previsão de IA centrada no agricultor da AIM for Scale visa capacitar mais de 100 milhões de agricultores até 2028 com percepções em tempo real, fortalecendo a tomada de decisões climaticamente inteligentes, a preparação para riscos e a inovação inclusiva em sistemas agrícolas em todo o mundo.

- Mostra de Inovação Agrícola — US$ 2,8 bilhões para Adaptação e Resiliência de Agricultores e Fortalecimento dos Sistemas Alimentares Globais

▪ Doadores internacionais anunciaram mais de USD 2,8 bilhões para adaptação e resiliência de agricultores, para fortalecer os sistemas alimentares globais.

▪ Em apoio ao chamado da Presidência brasileira da COP30 para fazer desta a “COP da implementação”, os compromissos visam ampliar o apoio a pequenos agricultores em regiões mais pobres que enfrentam os impactos mais severos dos eventos climáticos extremos. Os fundos serão investidos em tecnologias e ferramentas para ajudar agricultores a se adaptarem, construírem resiliência e fortalecerem sistemas alimentares locais que alimentam e empregam bilhões de pessoas.

“A inovação agrícola é o motor da resiliência climática.”
— Mr. Martin van Nieuwkoop, Diretor de Desenvolvimento Agrícola, Fundação Gates

Mobilização Global:

- Hoje marcou a abertura oficial da Zona Verde da COP30, o espaço dedicado da Cúpula onde sociedade civil, instituições públicas e privadas e líderes globais se conectam para promover soluções climáticas concretas, ampliar o diálogo público e fortalecer novas redes e alianças.

▪ Em um painel sobre "O Papel da Mobilização Popular no Enfrentamento da Crise Climática”, Mikaelle Farias, jovem ativista da equipe de Campeões Climáticos Jovens da Presidência da COP30, falou sobre as ações voltadas à inclusão de crianças e jovens no centro desses espaços de negociação oficial, as iniciativas em andamento — como o Acampamento Cidade das Juventudes — e os esforços para garantir que jovens e crianças sejam mencionados nos textos finais das negociações da COP30.

“Esta é a COP com a maior participação de crianças e jovens dos últimos três anos. Estamos vivendo um momento simbólico aqui em Belém, que mostra nossa capacidade de unir forças, construir esforços coletivos e mobilizar para enfrentar a mudança do clima.” 
— Mikaelle Farias, Equipe de Campeões Climáticos Jovens da COP30.

Fonte: COP30

Jardins verticais gigantes mudam visual da Cidade do México

Jardins verticais do Via Verde: projeto prevê cobrir 60 mil metros quadrados de 
mais de mil colunas em rodovias da cidade.

22/08/2016

Quem não se encanta ao ver um jardim bem cuidado? Imagine então se deparar com megaestruturas de concreto revestidas de vegetação verdinha no meio das ruas e, ainda por cima, na posição vertical. Pois a Cidade do México ganhou neste mês um projeto piloto chamado Via Verde, que promete transformar o visual da capital.

Gigantes jardins verticais foram instalados em colunas de uma das principais rodovias da cidade pelo grupo Verde Vertical, organização sem fins lucrativos que promove o design verde como forma de melhorar a qualidade de vida nos espaços urbanos e revitalizá-los.

O projeto completo prevê cobrir 60 mil metros quadrados de concreto de mais de mil colunas em rodovias da cidade, gerando 27 quilômetros de vias verdes. Os benefícios vêm em dose dupla: beleza para os olhos e ar puro para a cidade.

Via Verde

Imagem do projeto Via Verde: projeto ajudará a filtrar mais de 27 mil 
toneladas de gases poluentes nocivos à saúde. 

Pelos cálculos do grupo, os jardins verticais ajudarão a filtrar mais de 27 mil toneladas de gases poluentes nocivos à saúde e também apreender e processar 10 toneladas de metais pesados presentes no ar, como chumbo, cádmio e cobre. Em larga escala, os jardins verticais também ajudam a reduzir as ilhas de calor nas cidades.

Eles contarão com um sistema de rega automática por gotejamento, além de captação de água da chuva da rodovia superior. Segundo o grupo, as espécies de plantas utilizadas são de alta resistência, baixo consumo de água e apropriadas para as condições ambientais da região.

A instalação dos jardins verticais custará cerca de 300 milhões de pesos mexicanos (cerca de 52 milhões reais) e terá um custo mensal de manutenção de 23 milhões de pesos (cerca de 400 mil reais).

Montagem / Via Verde

Montagem da estrutura do jardim vertical: iniciativa privada vai financiar 
100% da instalação e manutenção mensal necessária. 

Segundo o site do projeto, a iniciativa privada vai financiar 100% da execução do ViaVerde bem como a manutenção mensal exigida. Em troca o governo da Cidade do México concederá uma licença para as empresas utilizarem 10% da área total para fins publicitários.

Apesar da grande popularidade e das boas intenções, o projeto recebeu críticas pontuais da comunidade arquitetônica questionando se os jardins verticais são a melhor solução para combater a falta de verde e a poluição. Críticos argumentam que projetos dessa natureza são uma forma de maquiar o verdadeiro problema: o fato de governos gastarem muito dinheiro na criação de rodovias para automóveis e atração de novas montadoras, e investirem muito pouco na criação de espaços públicos e áreas verdes para as pessoas. 

Um vídeo publicado na página do projeto resume a investida, veja:

Fonte: Exame.com


Experiência de Florianópolis pode influenciar alteração no 4º Distrito

Eduardo Costa relatou em seminário experiência na Lagoa da 
Conceição, em Florianópolis - MARCELO G. RIBEIRO/JC

17/08/2016

Isabella Sander

Palestrante no VI Seminário de Gestão Urbana Sustentável, realizado ontem na Assembleia Legislativa, o engenheiro e professor Eduardo Costa considera possível transformar as cidades brasileiras em mais humanas e inteligentes. Para tanto, a meta das prefeituras deve ser projetar os municípios pensando em como estes seriam agradáveis para as crianças. Docente na Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Costa apresentou, durante o evento, sua experiência como diretor do Laboratório de Cidades mais Humanas, Inteligentes e Sustentáveis (LabCHIS), que tem auxiliado os gestores de Florianópolis a qualificar seus bairros.

Jornal do Comércio - Qual experiência do LabCHIS pode ser passada para Porto Alegre?

Eduardo Costa - Nós discutimos os conceitos principais da cidade humana e inteligente. São maneiras de transformar nossas cidades, que estão um caos completo, em cidades mais agradáveis de se viver. Isso tem a ver com tecnologia, mas também com comportamento. Não é só colocar câmeras e centrais de controle, apesar de isso ser importante. Também é preciso trabalhar o comportamento, a atitude das pessoas, a regulação da cidade, o plano diretor municipal, tudo que é importante para tornar a cidade mais habitável.

JC - Como isso está sendo feito em Florianópolis?

Costa - O que estamos fazendo é pegar bairro a bairro e transformar cada um em um espaço mais humano e inteligente. Estamos começando pela Lagoa da Conceição, que já é um bairro interessante, que todos acham muito agradável. O problema é que, hoje, a Lagoa só tem lazer e moradia, ainda não tem trabalho. Então, estamos agora levando trabalho, que depende de regulação, mudança nas regras. Depois, vamos para outros bairros da cidade, até que a cidade toda esteja mais inteligente.

JC - Se o foco for em cada bairro separadamente, não pode haver uma defasagem no primeiro quando se chegar ao último beneficiado?

Costa - O processo é dinâmico. O nome do projeto é "Cidade mais humana, inteligente e sustentável". Isso tem que ser feito o tempo todo. Temos que trabalhar isso continuamente, para que a cidade seja cada vez mais agradável. Há um conceito muito importante, que é pensar a cidade para a criança. Imaginar como a cidade seria, para ser legal para as crianças. Quando ela for legal para as crianças, será legal para todos nós.

JC - De que maneira essa concepção pode ser trazida para Porto Alegre?

Costa - A ideia é, a partir dessa primeira experiência em Florianópolis, pegarmos um bairro de Porto Alegre, provavelmente o 4º Distrito, que é o que está sendo mais estudado atualmente, e aplicar todos os conceitos lá. A partir daí, pode-se espalhar o conceito para a cidade toda.

JC - O projeto tem tido aceitação entre poder público e empresários?

Costa - A repercussão é muito boa, porque, no fim, todo mundo mora na cidade. Então o cidadão não pode ficar contra o governo, a empresa não pode ficar contra o pessoal do meio ambiente. Todo mundo mora na cidade, então temos que melhorar a vida para todos.

JC - É caro implantar a sustentabilidade?

Costa - Tem coisas que são caras, mas os primeiros passos, não. Os primeiros passos dependem muito mais de atitude, de querer fazer diferente. Por exemplo, investir em calçada. Hoje (ontem), eu estava andando por Porto Alegre com uma moça na rua e o salto do sapato dela trancou no meio do piso. Situações assim são muito desagradáveis. Imagina termos boas calçadas? Calçada é algo importantíssimo. É preciso criar espaços de calçada para todo mundo andar a pé e com conforto.

Crescimento demográfico dos anos 1970 gerou sub-habitação

Segundo o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, a inversão do fluxo migratório no Rio Grande do Sul nos anos 1970 levou milhares de pessoas a buscar moradia em médias e grandes cidades, como a capital gaúcha. Na época, mais de 300 vilas populares foram criadas. O crescimento demográfico gerou problemas de sub-habitação envolvendo mobilidade urbana, tratamento de esgoto, água potável, tratamento do lixo, entre outros.

"De lá para cá, a cidade tem procurado construir alternativas para dar conta desses desafios, como grandes obras de saneamento básico, a implantação de coleta seletiva em todas as ruas da Capital e o investimento em ciclovias", cita Fortunati. Exemplo concreto é o 4º Distrito, região industrial de Porto Alegre, cuja revitalização está sendo pensada de forma sustentável pela prefeitura em parceria com universidades, entidades e organizações não governamentais da área.

Lígia Miranda, organizadora do VI Seminário de Gestão Urbana Sustentável e ativista da Associação TodaVida, considera que a sustentabilidade não é cara - pelo contrário. "Conseguimos provar que tendo um prédio sustentável, por exemplo, reduzimos o consumo de energia e de água. Essa ideia de que a sustentabilidade custa muito dinheiro é errada, pois, na verdade, se trata de usar todos os recursos muito bem. É mais barato ser sustentável do que não ser", observa.
Capital agora tem vaga viva



Florianópolis bate pela 2ª vez recorde de "cidade que mais recicla óleo"



05/11/2015

Sabe aquele óleo de cozinha velho? Ele pode ser descartado em um dos 250 pontos de coleta de Florianópolis (SC) e evitar danos ao meio ambiente. Nos últimos 17 anos, mais de três milhões de litros de óleo deixaram de ir para o ralo ou para o lixo por causa de um programa de reciclagem de óleo, o ReÓleo, da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis).

Por ações como essa, a cidade ganhou pela segunda vez o título do Guinness Book de "cidade que mais recicla óleo no mundo". Os danos do descarte inapropriado são severos, explica a bióloga Natália Zanotelli Borges. "Nos rios, lagos e mares, o óleo deprecia a qualidade das águas e sua temperatura sob o sol pode chegar a 60ºC, matando animais e vegetais microscópicos, que seriam alimentos para animais maiores, assim há todo um desequilíbrio", disse.

A mortalidade dos peixes é sentida pelo pescador Aniltom da Silva, 48 anos, que vive no Campeche, no Sul da Ilha. "Cada dia é mais difícil. Os peixes estão sumindo, indo para alto mar, onde só os barcos industriais conseguem pegá-los. As pessoas jogam tudo na água, esgoto, lixo, um dia encontrei até um sofá. Essa história do óleo é complicada, o povo não sabe que mata os bichos. Acho que em poucos anos não teremos mais pesca artesanal na ilha", disse.

O diretor da Amola (Associação dos Moradores da Lagoa da Conceição) Alésio dos Passos Santos também percebe os malefícios que o óleo traz à natureza. "Na orla há muitos restaurantes, nem todos descartam o óleo do jeito que tem que ser. Podemos ver pela cor da água o sofrimento da Lagoa. Também surgiram algas enormes para tentar drenar a poluição e oxigenar a água", disse.

Quando entra no sistema municipal de esgoto, o óleo entope encanamentos, dificulta e encarece o tratamento, explica Moura. E, no ambiente, em condições de baixa concentração de oxigênio, pode haver transformação em gás metano, que gera combustão.Luiz Falcão de Moura, diretor do ReÓleo

Óleo de cozinha velho pode virar sabão

Antes de entrar para o Guinness, o ReÓleo criou uma estrutura de coleta em 250 pontos de entrega, situados em escolas, postos de gasolina, supermercados e condomínios de Florianópolis. O programa também envolve mais de 1.300 estabelecimentos comerciais.

Um dos primeiros empresários a participar do programa foi o dono dos restaurantes Mirantes, Marcelo João Lourenço. Ele conta que entrega cerca de 800 litros de óleo por mês. "Esse é um projeto simples, fácil de aderir e que nos deixa tranquilos, pois sabemos que o nosso trabalho não causa dano ambiental", disse.

Os galões de óleo de cozinha coletados são acondicionados na sede da (Comcap) Companhia de Melhoramentos da Capital. Quando há galões suficientes, um caminhão de Curitiba (PR) os recolhe. Na empresa paranaense Ambiental Santos, o óleo é transformado em produtos de limpeza.

Segundo o ReÓleo é possível transformar óleo em sabão e detergentes, em composição de plásticos, tintas e borrachas, na formulação de cosméticos, em energia para fábricas e na construção civil para desmoldar pavimentos.

Fonte: UOL

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