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Como funciona a primeira estrada elétrica do mundo, inaugurada na Suécia

Caminhões contam com sistema articulado conhecido como pantógrafo que permite 
que se conectem à rede elétrica (Foto: Scania CV AB)

29/06/2016

Objetivo é redução de emissões de dióxido de carbono; experimento deve se repetir na Califórnia.

BBC Mundo

A Suécia tem uma missão: conseguir fazer que, até 2030, o setor de transporte não utilize mais combustíveis fósseis.

No mercado já existem soluções para diminuir as emissões de automóveis privados, como os carros elétricos e híbridos.

Mas uma dos desafios é reduzir a contaminação produzida por caminhões de carga que, no país nórdico, representam 15% das emissões de dióxido de carbono.

Por isso, o país está testando uma solução inovadora: autoestradas elétricas - as primeiras dos mundo. Nelas, os veículos pesados podem ser alimentados por uma rede elétrica graças a um sistema de distribuição de energia parecido com o utilizado nas linhas de trem da Europa.

O projeto, conhecido como eHighway, acaba de ser inaugurado em um trajeto de dois quilômetros da autoestrada E16, ao norte de Estocolmo.

Utiliza veículos híbridos que contam com um mecanismo instalado no topo da boleia do caminhão, chamado de "pantógrafo inteligente", que é acionado automaticamente quando entra neste trecho da via, se conectando às linhas de eletricidade instaladas sobre a pista.

Emissões zero
Diferentemente dos ônibus elétricos tipo tróleibus, os caminhões podem se desconectar da rede quando precisam trocar de pista - para ultrapassar outro veículo, por exemplo.

Nesse caso, o caminhão volta a usar diesel.

A velocidade máxima que o veículo faz quando conectado à rede elétrica é de 90 km/h.

"O eHighway é duas vezes mais eficiente que os motores convencionais de combustão interna", explica Roland Edel, engenheiro chefe do departamento de mobilidade da Siemens, a empresa alemã responsável pelo projeto. "(Nossa) inovação consiste em alimentar os caminhões com a energia que vem das linhas (elétricas)."

Durante o tempo em que estes veículos estão se movendo com eletricidade, eles não emitem dióxido de carbono e tem uma eficiência de 80%.

Com a tecnologia, "o consumo de energia se reduz à metade, e a contaminação ambiental local diminui", acrescenta Edel.

E a cada vez que o condutor freia, alimenta a rede elétrica com a energia cinética que é liberada.

'Complemento excelente'
Por ora, sistema funciona em um trecho de dois quilômetros

"Grande parte dos produtos que são transportados na Suécia passam por estradas. As autoestradas elétricas oferecem a possibilidade de libertar os caminhões da dependência do combustível fóssil", destacou Anders Berndtsson, chefe de estratégia da Administração Sueca de Transporte.

Quando os caminhões saem da rede, ativam o motor diesel para seguir o trajeto.

Este ano, a empresa alemã fará um piloto parecido na Califórnia, nos Estados Unidos, em um trecho de três quilômetros da estrada que conecta o porto de Los Angeles a Long Beach.

Os veículos pesados podem ser alimentados por uma rede elétrica graças a um 
sistema de distribuição de energia parecido com o utilizado nas linhas de 
trem da Europa (Foto: Scania CV AB)

Fonte: G1 Natureza


APLICATIVO TRANSFORMA CELULARES EM DETECTORES DE TERREMOTOS

Nos testes, o programa obteve uma taxa de 93% de sucesso na detecção de tremores

20/02/2016

Um novo aplicativo que transforma um smartphone em um sismógrafo está sendo testado por cientistas da Califórnia.

Os pesquisadores querem que as pessoas baixem o programa para ajudar a melhorá-lo. O objetivo é criar uma rede para reunir dados sobre temores e também emitir alertas quando necessário.

Os movimentos de terra destrutivos levam algum tempo para sair do epicentro de um grande tremor. E, com o aplicativo, pessoas em locais distantes poderiam receber alertas vários segundos antes em seus telefones.

"Alguns segundos de antecedência é tudo que é preciso", diz o professor Richard Allen, do Laboratório Sismológico da Universidade da Califórnia em Berkeley, à BBC.

"Baseado no que cientistas têm dito sobre terremotos, se todo mundo fosse para debaixo de uma mesa sólida, seria possível reduzir o número de feridos por causa de um tremor em 50%."

Algorítimo sofisticado

O aplicativo é baseado em um algorítimo sofisticado para analisar as diferentes vibrações que são detectadas pelo acelerômetro, um tipo de sensor, instalado no aparelho.

Esse algorítimo foi "treinado" para distinguir os movimentos humanos diários e aqueles específicos durante um terremoto. Tudo funciona sem o usuário perceber, como um programa que supervisiona a atividade física do dono do telefone.

O MyShake consegue captar um terremoto em 93% dos casos atualmente e consegue fazer isso mesmo quando o telefone está no bolso ou em uma bolsa.

Uma vez ativado, ele envia uma mensagem a um servidor central por meio da rede de dados, onde são calculadas a localização e a magnitude do tremor.

Os falsos positivos podem ser filtrados, porque o servidor está conectado às estações de vigilância sísmica e aos sistemas de GPS dos outros usuários do MyShake, o que permite comparar os dados.

Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas para o sistema Android, do Google. Uma versão para o sistema iOS, da Apple, deve ser lançada em breve.

No futuro, aplicativo enviará alertas para seus usuários


Alertas

É importante ressaltar que esta versão ainda não envia alertas de terremotos para os usuários. Só existem alguns sistemas assim no mundo hoje, como o ShakeAlert, que também é desenvolvido por Allen na Califórnia.

Eles buscam detectar as ondas de movimento primárias geradas por um terremoto, menos destrutivas que as secundárias.

A Califórnia tem várias estações sismológicas de ponta ligados ao sistema do ShakeAlert e, em 2014, enviou um alerta para usuários em São Francisco oito segundos antes de um terremoto ocorrer no Estado.

Isso incluiu o sistema de metrô da cidade, que busca ser capaz de detectar terremotos para poder desacelerar seus trens antes deles ocorrerem. Os telefones com o MyShake receberão avisos assim no futuro.

"O aplicativo pode contribuir para sistemas de monitoramento de tremores onde eles já existem, como na Califórnia", diz Allen.

"Mas pode também enviar alertas para regiões que não têm esses sistemas, locais como a Índia e o Nepal, onde terremotos costumam ser bastante destrutivos, e isso seja talvez seja ainda mais importante."

Fonte: BBC Brasil

Crustáceos invadem praias da Califórnia e formam 'tapete'



30/06/2015

O balneário americano de San Diego, no Estado da Califórnia, foi "invadido" por milhões de espécimes de um tipo de lagostim.

Levados pela maré, os crustáceos de cor avermelhada formaram em algumas localidades um "tapete" com até 40cm de espessura.

O mais surpreendente é que a espécie em questão, o Pleuroncodes planipes, normalmente vive longe das praias e em grandes profundidades.

Biólogos marinhos suspeitam que os lagostins tenham sido carregados para as areias por conta do aquecimento das águas do Oceano Pacífico pelo fenômeno meteorológico conhecido como El Niño.

Muitos estão morrendo e de acordo com relatos de banhistas há um cheiro insuportável nas praias.

Especialistas alertaram o público para não comer os lagostins, depois de vários relatos de que banhistas estariam coletando os animais. Embora não seja venenoso por si só, o Pleuroncodes planipes pode ter se alimentado de uma proliferação de algas tóxicas detectada na costa da Califórnia.

Fonte: BBC Brasil

“Nós não cortamos a água, premiamos o bom comportamento”

Paula Kehoe, diretora da Comissão de Utilidades Públicas de San Francisco.

28/04/2015

Califórnia, nos EUA, enfrenta as primeiras restrições obrigatórias de consumo de água

Paula Kehoe é a Jerson Kelman, presidente da Sabesp, de San Francisco. A cidade da Califórnia (EUA), dependente das precárias reservas de água e neve, atravessa a quarta crise hídrica da sua história e o governador do Estado, Jerry Brown, acaba de decretar as primeiras restrições obrigatórias da história do Estado. O Governo pretende reduzir em 25% o consumo urbano, menos do que a economia conseguida em São Paulo em média nos últimos meses.

A Comissão de Utilidades Públicas, a Sabesp de San Francisco, é inteiramente pública e atende 2,6 milhões de pessoas. O tamanho dela está muito longe da abrangência da Sabesp que deve cuidar do consumo de 25 milhões de clientes na Grande São Paulo, e longe estão também algumas estratégias adotadas na crise. Na Califórnia, a obrigação de economizar água não é compulsória para todos. A exigência feita a cada município depende do seu consumo. Assim, o esforço cobrado é maior de quem economiza menos. Embora dois terços do consumo da água seja residencial, o Governo do Estado mais rico e populoso dos Estados Unidos está se focando em outros usos. “No caso de San Francisco, nosso foco está na irrigação e no uso de água potável para coisas supérfluas como o jardim ou a limpeza das calçadas”, afirmou Kehoe durante o seminário de Gestão da Água em Situações de Escassez, organizado pelo Ministério de Meio Ambiente.

Pergunta. Como a população tem reagido à obrigatoriedade de reduzir entre 10% e 35% do consumo?

"No caso de San Francisco, nosso foco está na irrigação e no uso de água potável para coisas superfluas como o jardim ou a limpeza das calçadas"

Resposta. Em 2014 já estabelecemos uma redução voluntária de 10%, não oferecemos bônus nem castigamos com multas. Os únicos que foram e são penalizados são os que gastaram mais água que o permitido na irrigação. A população respondeu bem porque nós sempre estamos nos jornais, em campanhas na televisão, fazemos audiências públicas... Hoje as restrições em San Francisco ainda são voluntárias porque temos um consumo baixo. É uma das cidades que menos gasta do Estado, não aumentou a demanda, e não vai precisar reduzir mais neste ano. As pessoas estão respondendo bem, então não temos por que puni-las.Os californianos entenderam que não tem chovido, não tem nevado, entenderam a gravidade da seca.

P. Como são tomadas as decisões em uma empresa pública? Quem manda, o governador ou os técnicos?

R. O governador manda, o órgão regulador aprova e repassa as diretrizes para a companhia. No caso da redução do consumo obrigatória, o governador disse que havia que cortar e o conselho da companhia decidiu como devia ser aplicada esta redução de consumo e estabeleceu os percentuais de corte exigidos por município. Nem todos devem reduzir o consumo da mesma forma. San Francisco, por exemplo, não tem que cortar, mas há outros municípios que devem reduzir até 36%. Nós premiamos o bom comportamento dos consumidores.

P. Qual é o impacto econômico das medidas restritivas?

R. Nosso programa vai trazer uma perda de receita de 60 milhões de dólares até 2025. Isso é muito, mas é melhor ter um custo pela aplicação do programa de economia do que fazer investimentos ou comprar água fora. Acabamos de aumentar a tarifa, mas por projeções de longo prazo e não baseados na seca. Temos vendido propriedades para suavizar a situação econômica no curto prazo, mas provavelmente vamos ter que aumentar o custo fixo da produção de água [e revisar de novo a tarifa].

P. São Paulo mantém os chamados contratos de demanda firme que oferecem grandes descontos aos clientes que mais consomem. Existe algo parecido na Califórnia?

R. Os únicos contratos especiais que nós temos foram criados em 2009 para as 27 companhias que compram nossa água. Nós aplicamos várias tarifas conforme o consumo e quanto mais consomem mais pagam.

P. O que acha dessa fórmula?

R. Prefiro não opinar.

P. O que significa para um californiano a palavra “racionamento”?

R. Nós temos racionamento voluntário, quando o próprio cliente reduz seu consumo até um mínimo diário ou racionamento obrigatório, quando é determinada uma quantidade máxima para ser usada. Na crise da década dos 90 já tivemos racionamento para a população, hoje é só para a irrigação.

P. Existe a redução de pressão em San Francisco? Poderia ser uma alternativa?

R. Nós não cortamos a água. Poderia ser uma alternativa, mas só para os consumidores que não reduzem seu consumo. Poderíamos fazê-lo, mas não está nas nossas previsões.

P. O que sabe da crise hídrica de São Paulo?

R. Me interessa o conceito de bônus que aplica a Sabesp. Gostaria de saber mais sobre isso. Teremos várias reuniões nesses dias [na Sabesp, na Agência Nacional de Água...] para ver como podemos aprender com essa troca de experiências.

Fonte: El País


Poupar e educar: as armas de San Francisco contra a seca

Grave seca que atinge San Francisco há três anos obriga moradores a se adaptar
Crédito: BBC Brasil
24/02/2015

Em San Francisco, na Califórnia, os restaurantes deixaram de servir água aos clientes automaticamente, e agora só recebe um copo quem o pede ao garçom. Nos subúrbios da cidade, moradores começam a trocar seus gramados por plantas nativas que dispensem irrigação ou até por grama artificial.

As duas mudanças de comportamento são os efeitos mais visíveis em San Francisco da grave seca que há três anos atinge o mais populoso Estado americano.

Entre os san-franciscanos, porém, a falta de chuvas parece preocupar bem menos do que entre os paulistanos. Afinal, com o reservatório que abastece a cidade com 56% de sua capacidade, San Francisco lida com a seca numa posição muito mais confortável que São Paulo, onde o sistema Cantareira opera na reserva técnica desde maio de 2014.

O relativo conforto foi conquistado à custa de um esforço após graves estiagens nas décadas de 1980 e 1990, quando San Francisco enfrentou racionamentos e teve de remodelar a gestão de suas águas. Os episódios alertaram autoridades e moradores sobre a importância de poupar o recurso e puseram o tema na agenda das escolas da cidade.

'Políticas agressivas'

Nos últimos 20 anos, o consumo médio de água por pessoa em San Francisco caiu 12% e hoje é o mais baixo da Califórnia.

Mesmo assim, quando em 2013 a seca se agravou e o prefeito Ed Lee pediu aos moradores que reduzissem o uso de água em 10%, a cidade foi além e baixou seu consumo em 14%. A meta só era obrigatória para quem usava água para irrigação; entre os demais consumidores, a redução foi voluntária.

Não houve até agora racionamentos e, como voltou a chover nos últimos meses, acredita-se que a medida será evitada também neste ano.

"Pode parecer simples demais, mas nossa estratégia principal tem sido poupar a água", diz à BBC Brasil Tyrone Jue, diretor de comunicação da Comissão de Serviços Públicos de San Francisco, responsável pelo abastecimento de 2,3 milhões de moradores na região.

Entre as principais medidas adotadas pela comissão nos últimos anos, Jue cita a exigência de que donos de imóveis troquem vasos sanitários e chuveiros por modelos mais econômicos como condição para que possam vender os bens. Os bons resultados dessa política estimularam o governo da Califórnia a adotá-la em 2014.

San Francisco também passou a conceder descontos para os consumidores que substituíssem chuveiros, máquinas de lavar e privadas por equipamentos mais eficientes. E passou a investir na diversificação de suas fontes de água, até então restritas a uma represa no Parque Nacional Yosemite, no leste da Califórnia.

Hoje alguns parques, clubes e campos de golfe da cidade são irrigados com água de esgoto reciclada. San Francisco também começou a explorar um aquífero, que até 2016 deverá fornecer 15% da água potável distribuída aos consumidores.

Prédios inteligentes

Em seus esforços para reduzir o consumo, a prefeitura tem ainda dado incentivos fiscais para que novos edifícios instalem tecnologias verdes, como sistemas de captação de chuva e painéis solares.
A própria Comissão de Serviços Públicos de San Francisco se mudou em 2012 para um edifício projetado para ser um dos mais sustentáveis dos Estados Unidos.

Prédio da Comissão de Serviços Públicos foi projetado para ser 'sustentável'
Crédito: BBC Brasil

Ao custo de US$ 201,6 milhões (R$ 578 milhões), o prédio de treze andares é equipado com painéis solares, turbinas eólicas e um sistema de reciclagem de água. Ali a água que escorre nos ralos ou descargas é tratada no próprio edifício e reaproveitada para irrigar jardins no entorno.

Para Tyrone Jue, no futuro, edifícios com sistemas semelhantes poderão vender água reciclada a imóveis vizinhos ou trocá-la pela eletricidade gerada por painéis solares nessas unidades.

"Teremos um sistema de distribuição cada vez mais descentralizado, em que os consumidores dependerão menos das redes públicas e terão autonomia para tomar as decisões que lhes sejam mais vantajosas."

Na sala de aula

Em outra frente, a prefeitura tem contado com suas escolas para baixar ainda mais os níveis de consumo na cidade. Na escola municipal Ulloa, vizinha ao zoológico de San Francisco, alunos irrigam suas hortas com a água da chuva coletada por duas cisternas, construídas há dois anos.

Na escola municipal Ulloa, a água para regar hortas vem da coleta da chuva
Crédito: BBC Brasil

Além de ajudar a reduzir o consumo de água nas escolas da cidade em 43% desde 2013, medidas como essa mostram aos alunos a importância de poupar, diz à BBC Brasil a diretora da instituição, Carol Fong.

Nas paredes da escola, que tem 540 estudantes entre os cinco e doze anos, campanhas desenvolvidas pelos próprios alunos pregam que se economize água. Os cartazes têm frases em inglês e mandarim, já que a escola é bilíngue e formada, em sua maioria, por descendentes de imigrantes chineses.

"Ao planejar nossas ações pedagógicas sobre a seca, não queremos apenas ensinar aos alunos que eles devem poupar; queremos que eles levem os ensinamentos para casa e que a mensagem se espalhe por toda a comunidade", diz a diretora.

Moradora trocou o gramado natural por um artificial para poupar água
Crédito: BBC Brasil

Ao economizar água, os moradores de San Francisco não só se protegem de uma repetição dos racionamento das décadas de 1980 e 1990 como afastam um fantasma coletivo na cidade.
Em 1906, o grande terremoto que atingiu San Francisco foi seguido por um incêndio que destruiu quase todos os seus edifícios. Entre os moradores, conta-se que a cidade só foi consumida até o fim porque faltou água para apagar o fogo.

Fonte: BBC Brasil


Drone varrerá Amazônia em busca de civilizações antigas

Mais de 450 geoglifos foram identificados em áreas de desmatamento na Amazônia

18/02/2015

Cientistas britânicos vão usar um drone para fazer varreduras na Amazônia brasileira e procurar vestígios de civilizações antigas.

O avião não-tripulado que será enviado para a região é equipado com um laser que analisa e procura por áreas onde podem ter existido construções há milhares de anos.

O objetivo do projeto é determinar qual era o tamanho destas comunidades milenares e até que ponto elas alteraram a paisagem local.

Os pesquisadores anunciaram a iniciativa durante a reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), na cidade de San Jose, na Califórnia.

O projeto, uma parceria entre agências e instituições do Brasil e Europa, já conseguiu uma verba de US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) do Conselho Europeu de Pesquisa.

Dependendo dos dados obtidos, eles também podem ser usados para a elaboração de políticas de uso sustentável da floresta.

Mas a questão mais importante é tentar compreender a escala e as atividades das populações que viveram na Amazônia no final do período antes da chegada dos europeus à América, ou seja, os últimos 3 mil anos antes de 1490.

Padrões no solo

A equipe internacional vai tentar encontrar na Amazônia os chamados geoglifos, que são desenhos geométricos grandes feitos no chão.

O drone usado no projeto carrega um instrumento a laser que pode examinar 
áreas que não foram desmatadas - Foto: Xmobots

Mais de 450 destes geoglifos, em vários formatos geométricos, foram encontrados em locais onde ocorreu desmatamento.

Mas até hoje ninguém sabe exatamente o que estes círculos, quadrados e linhas representam - há indícios de que fossem centros cerimoniais.

No entanto, o que se sabe é que eles são provas de um comportamento coletivo.

"É um debate acalorado agora na arqueologia do Novo Mundo", afirmou José Iriarte, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha.

"Enquanto alguns pesquisadores acreditam que a Amazônia foi habitada por pequenos grupos de caçadores-coletores ou então por pequenos grupos de cultivavam apenas para a subsistência, que tiveram um impacto mínimo no meio ambiente, e que a floresta que vemos hoje foi intocada por milhares de anos, há cada vez mais provas mostrando que este pode não ser o caso."

"Estas provas sugerem que a Amazônia pode ter sido habitada por sociedades grandes, numerosas, complexas e hierárquicas que tiveram um grande impacto no meio ambiente; o que nos chamamos de 'hipótese do parque cultural'", disse o cientista à BBC.

Drone e satélite

O projeto de Iriarte prevê o sobrevoo do drone por algumas áreas da floresta que servirão de amostra.

O laser acoplado ao drone vai procurar geoglifos estão escondidos em regiões ainda não desmatadas.

Parte da luz deste laser, chamado de "lidar" ("light-activated radar", ou radar ativado pela luz, em tradução livre) consegue ultrapassar a barreira das folhas das árvores.

Serão feitas várias inspeções e, se a existência dos geoglifos for confirmada, os cientistas vão tentar determinar mudanças específicas que foram deixadas no solo e na vegetação pelos antigos habitantes.

Estas "impressões digitais" poderão ser buscadas por imagens de satélites, possibilitando uma busca em uma área muito maior da Amazônia, maior do que com o pequeno drone.

Em imagens aéreas normais, apenas os topos das árvores são visíveis

O instrumento a laser do drone faz o mapa digital da vegetação destes topos de árvores

Este mapa pode então ser removido e deixar apenas o sinal do laser que conseguiu 
ultrapassar a vegetação e chegar ao chão

E, a partir deste projeto será possível avaliar como a Amazônia pode ser gerenciada de forma sustentável. Segundo Iriarte, não é possível especular quais seriam as mudanças futuras aceitáveis na Amazônia se não existir uma compreensão completa de como a floresta foi alterada no passado.
"Queremos ver qual é a pegada humana na floresta e então formar uma política (de uso), pois pode ser o caso de que a biodiversidade que queremos preservar seja o resultado de uma manipulação no passado desta floresta", explicou.

Ainda não se sabe quantos outros geoglifos o chão da Amazônia esconde

Fonte: BBC Brasil


Apple construirá usina de energia solar ao custo de US$ 850 milhões

12/02/2015

Planta ficará na Califórnia e produzirá energia para abastecer 60 mil casas.
Objetivo é alimentar data centers, escritórios e até lojas com energia limpa.

A Apple formalizará uma parceria com a empresa First Solar para construir uma usina de energia solar de US$ 850 milhões, afirmou Tim Cook, presidente-executivo da empresa, nesta terça-feira (10) durante o congresso anual de tecnologia do banco Goldman Sachs, segundo o site “Venture Beat”.

A planta será construída em Monterey County, na Califórnia (EUA). Segundo a Apple, a construção vai gerar energia para abastecer 60 mil casas. A fabricante do iPhone já produz energia solar na Carolina do Norte e em Nevada.

A fonte de energia renovável abastece, diz Cook, as centrais de dados da Apple. Agora, segundo o executivo, o objetivo é abastecer também os escritórios e as lojas varejistas. E a matriz energética não deve se concentrar apenas nos raios do Sol. Geração de energia a partir do vento, da água e até geotermal, estão na mira da Apple.

O mais novo data center da Apple, anunciado na semana passada, também será alimentado com energia solar. Ficará no Arizona e custará US$ 2 bilhões.

Fonte: G1


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