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Olimpíadas devem servir de estímulo para despoluição da Baía de Guanabara

13/12/2014

Apesar de não ser possível despoluir a Baía de Guanabara até os Jogos Olímpicos Rio 2016, o evento deve servir de estímulo para que o processo de limpeza continue, como ocorreu com a Baía de Sydney, na Austrália, após as Olimpíadas 2000.

De acordo com Paulo Cesar Rosman, professor de engenharia costeira do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os australianos também não conseguiram atingir nível satisfatório de despoluição para os Jogos, mas atualmente a situação está bem melhor.

“As Olimpíadas foram um degrau muito importante. Se não fosse a meta intermediária, as pessoas possivelmente não tomariam consciência e dariam tanta atenção para a necessidade de recuperação da Baía de Sydney. O mesmo podemos dizer da nossa sofrida Baía de Guanabara, que, sem dúvida, nos fará passar algumas vergonhas durante as Olimpíadas, porque as condições deixam muito a desejar”, ressaltou Rosman.

O tema foi discutido hoje (12),  no 1º Seminário sobre a Baía de Guanabara: Situação Atual e Perspectivas no Contexto dos Jogos Rio 2016, promovido pelo Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção (Sage), da Coppe-UFRJ, e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ciências do Mar (INCT Pro-Oceano).

Segundo o professor, investimentos como o do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), na década de 1990, cumpriram o previsto, que era avançar no saneamento básico da região. Porém os valores aplicados são insuficientes para a magnitude do problema.

“Juntando todos os projetos, talvez se alcance R$ 2 bilhões em 20 anos. O Maracanã custou R$ 1 bilhão. Você acha que dá para resolver o problema de cinco milhões de pessoas sem saneamento, urbanização e sistema de coleta de lixo gastando dois maracanãs? Ou o que se gastou no Maracanã foi uma roubalheira impossível de compreender, ou o que se gastou na Baía de Guanabara foi uma brincadeira em relação ao tamanho da encrenca”, acentuou.

Para Paulo Cesar Rosman, é preciso investir pelo menos R$1 bilhão por ano para que a Baía de Guanabara consiga, em 10 anos, atingir situação aceitável. Por enquanto, a verba prevista para o  Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam) é R$ 1,5 bilhão até 2016. O professor destacou que a poluição é apenas um efeito colateral da falta de desenvolvimento socioeconômico da região.

“Infelizmente, ainda temos um gande contingente de pessoas carentes, preocupadas em estar vivas semana que vem. Para essas pessoas, qualidade de vida é um luxo. Elas ainda não chegaram lá. Precisamos criar um desenvolvimento socioeconômico, de maneira que a cidadania delas seja resgatada, que elas consigam ter preocupação com a qualidade de vida. Quando isso ocorrer, o local onde moram ficará bonito, tera árvore, sem lixo no chão e valão de água negra em frente à casa. Ninguém aguentará isso. O dia em que 90% dos habitantes tiverem como principal preocupação a qualidade de vida e do ambiente onde vivem, a Baía de Guanabara está salva”, afirmou Rosman.

No seminário também foram apresentados temas relativos à diversidade biológica, contaminação viral, parâmetros de qualidade da água e sistemas de circulação de água na baía. Em outro seminário realizado hoje em Niterói, região metropolitana do Rio, o tema foi Utilização Turística da Baía de Guanabara.

De acordo com o ministro do turismo, Vinícius Lages, a ocupação turística da região pode começar antes mesmo da despoluição. “Ainda que não na velocidade demandada, estamos trabalhando para poder diminuir esses impactos, reduzindo a poluição e transformando este, que é um grande palco, um ecossistema natural que representa muito do que o Rio é. Principalmente para a cultura náutica, devemos cuidar da natureza e da paisagem. Isto tem a ver com a sustentabilidade do uso dos recursos do mar”, acrescentou.

Fonte: EBC


Olimpíadas 2016: Rio usa ecobarcos e barreiras para conter lixo nas regatas

Dez ecobarcos estão sendo usados durante evento-teste na Baía de Guanabara (Foto: Getty)

04/08/2014

O cenário é deslumbrante, com o morro Pão de Açúcar, o Corcovado e até a praia de Copacabana de pano de fundo. A estrutura da Marina da Glória, que ainda passará por adaptações para a Olimpíada de 2016, funcionou bem no primeiro dia da Regata Internacional de Vela. Os pontos positivos do primeiro-evento teste dos Jogos do Rio de Janeiro, no entanto, parecem ficar em segundo plano diante de um problema crônico que preocupa atletas, organizadores e autoridades: a poluição na Baía da Guanabara. Na tentativa de conter a sujeira nas raias de prova, estão sendo usados ecobarcos e outros tipos de barreiras.

Em janeiro, Martine Grael encontrou TV na água (Foto: Reprodução/Twitter)

Neste domingo, o brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba, reclamou que um saco plástico prendeu em seu barco durante a prova e rebateu declarações do prefeito carioca Eduardo Paes de que a água estava limpa. Há dois anos, o mesmo Bimba relatou ter encontrado um cadáver no mar. Na última semana, o australiano Mathew Belcher, medalha de ouro na Olimpíada de Londres-2012, achou um cachorro morto boiando durante o treinamento. Em janeiro deste ano, a brasileira Martine Grael foi supreendida por um monitor de TV flutuando no local e até postou foto em uma rede social na internet. Outros atletas relatam que também já se depararam com outros animais mortos na Baía, como gato, rato e até baleia.

A principal preocupação dos velejadores é que o lixo fique preso no leme do barco, atrapalhando o desempenho deles na prova. Para deixar a água em melhores condições, dez ecobarcos estão sendo usados para conter o lixo flutuante nas regatas. Três desses ecobarcos já estavam navegando no local desde o início do ano e foram responsáveis pela retirada de uma média de 11 toneladas de lixo por mês.

Além disso, uma parceria do Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) com 12 empresas privadas disponibilizou um total de 25 embarcações, entre bóias de contenção, lanchas e barcos de coleta, para intensificar o trabalho durante o evento-teste para a Olimpíada.

"A gente vem trabalhando com Governos Estadual, Municipal e Federal para atender todos os padrões que foram estabelecidos na candidatura. Sabemos da preocupação dos atletas. Até o final do ano passado, tínhamos três ecobarcos, hoje já temos dez. Temos mais de 12 a 14 barcos realizando outras ações para reter os lixos flutuantes, caso dos sacos plásticos. Temos focos nas cinco áreas de competição, para não ter lixo flutuante nessas áreas, temos que dar as melhores condições de performance para os atletas", explicou Rodrigo Garcia, diretor de esportes do Comitê Organizador do Rio-2016.

A medida é uma solução emergencial para a retirada do lixo flutuante, já que a despoluição da Baía de Guanabara é um procedimento mais complexo. A meta estipulada pelo Governo Estadual para deixar como legado dos Jogos ao Rio era de despoluir 80% do local. De acordo com a organização do Comitê Rio-2016, esta marca era de 12% em 2009 e, agora em 2014, 49,5% do esgoto despejado diariamente nas águas é tratado.

Em um hangout na semana passada para debater as condições da água para as provas de vela, a gerente de sustentabilidade do Comitê Rio-2016, Tânia Braga, deixou claro que a utilização dos ecobarcos e barreiras, no entanto, tem pequeno impacto no programa de despoluição permanente da Baía de Guanabara.

"Existem duas questões: a primeira são as condições gerais ambientais e a segunda são as condições para a competição esportiva. A nossa preocupação mais próxima do dia a dia está relacionada às condições esportivas. Do ponto de vista do legado, nos preocupamos, sim, com as questões ambientais, mas os Jogos não vão resolver o problema, que é histórico, como um todo. No entanto, a Olimpíada é importante para que a Baía seja tratada e esse será um legado histórico", afirmou Tânia Braga.

O evento-teste de Vela no Rio de Janeiro teve início neste domingo e termina no próximo sábado, dia 9 de agosto. Até lá, as condição climática é outro fator que pode influenciar na qualidade da água. Desta forma, os atletas já admitiram que torcem contra a chuva, já que isso poderia trazer ainda mais lixo para o local da competição.

O brasileiro Jorge Zarif veleja com o morro Pão de Açúcar ao fundo (Foto: Getty)

Fonte: ESPN


Regata dirá se Rio conseguiu isolar veleiros da poluição



03/08/2014

Despoluição da Baía de Guanabara é objetivo distante, mas Estado e município fizeram mutirão para evitar que lixo flutuante cruze o caminho das embarcações que participam do primeiro evento-teste da Olimpíada de 2016

A partir deste sábado, dia 2, e durante a semana seguinte, 324 velejadores de todo o mundo estarão singrando a Baía de Guanabara na Regata Internacional de Vela, uma das maiores competições do mundo na categoria e o primeiro – e importantíssimo – evento-teste da Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Em volta, terão o conhecido cenário de tirar o fôlego: Pão de Açúcar logo ao lado, Cristo Redentor mais ao longe, Aterro do Flamengo, ponte Rio-Niterói. Na água, porém, mora o perigo na forma de bichos mortos, colchões, eletrodomésticos e todo tipo de plástico que, vira e mexe, aparecem boiando na baía, ainda uma lixeira a céu aberto. Num esforço para impedir o encontro de veleiros com resíduos mal cheirosos – e a transmissão dessa imagem para o mundo, pesadelo número 1 da organização da Olimpíada –, a Secretaria do Meio Ambiente do estado e companhia de água e esgoto da região metropolitana uniram-se em mutirão nos últimos meses para tentar garantir a limpeza, pelo menos, dos trechos onde a regata vai acontecer. “Nosso trabalho era dar condições de navegação aos veleiros, e isso nós fizemos. Há metas mais ambiciosas para 2016, que também serão alcançadas”, afirma o secretário estadual da Casa Civil, Leonardo Espíndola, referindo-se ao compromisso do governo de que, quando a Olimpíada começar, 80% do esgoto que deságua na baía será tratado.

No esforço conjunto, os órgãos municipais cuidaram de ampliar o tratamento do esgoto procedente da cidade do Rio (52% hoje) e de Niterói (90%). Ao mesmo tempo, reformaram e reativaram quatro estações de captação de lixo subaproveitadas. A isso se juntou a compra, pela Secretaria do Meio Ambiente, de dez “ecobarcos”, coletores do lixo que boia na água, especialmente para o evento-teste de agora. Eles entraram em ação a partir de janeiro e, na semana da regata, serão reforçados por outras dez embarcações do gênero cedidas pela Petrobras e outras empresas. Essas medidas dariam conta, em teoria, de boa parte da limpeza (pelo menos da cosmética) da Baía de Guanabara, não fosse o fato de que só cuidam da metade dela que vai da ponte Rio-Niterói até o mar aberto. Na outra metade, a que banha a Baixada Fluminense e São Gonçalo, a maior parte do esgoto não é tratada. Pior: sequer há rede de esgoto abrangente. O resultado é uma montanha de lixo perenemente acumulada ao norte da baía. Os percursos da regata da semana que vem não passam por lá, mas a sujeira se move; e dependendo das marés e dos ventos,  pode se mover justamente na direção dos veleiros – e das câmeras de TV.

A limpeza da Baía de Guanabara nesta regata é ponto de honra para a organização da Olimpíada porque é exatamente lá, nesta mesma época do ano, que a vela vai disputar medalha em 2016. A reputação do local não favorece uma boa impressão. Em junho, o New York Times publicou longa reportagem sobre o lixo flutuante. Na semana passada, o australiano Matthew Belcher, medalha de ouro em Londres, num treino para a regata tirou foto de um cachorro morto boiando ao lado do seu veleiro. Há um ano, em uma competição pré-olímpica, um pedaço de plástico grudou no casco e prejudicou o desempenho de um barco. Velejadores brasileiros que conhecem bem a área frequentemente reclamam da sujeira e do esgoto que, tratado ou não, continua a ser lançado nela. “Como morador do Rio e coordenador técnico da equipe olímpica, espero que seja feito o possível para melhorar de fato o local de prova. As autoridades falam muito e fazem pouco”, dispara Torben Grael, brasileiro recordista de medalhas na vela.

Com belas praias interditadas aos banhistas há meio século, os projetos de limpeza efetiva da baía têm sido um sorvedouro de dinheiro público sem resultado visível – como o ambicioso Programa de Despoluição da Baia de Guanabara (PDBG), de 1994, que consumiu 1 bilhão de dólares antes de ser descartado por sua ineficiência. Com ou sem tratamento, nela se deposita o esgoto de 9 milhões de pessoas, um despejo dez vezes maior do que seu próprio volume. Diante da enormidade do problema, as medidas tomadas para a Olimpíada são um começo, mas não passam disso. Despoluir de verdade requer, além da remoção do lixo visível, tratar 100% do esgoto despejado em estações de alto grau de eficiência (nem todas são atualmente) ou desviá-lo para alto mar, dar fim ao lodo impregnado de poluentes e, feito isso, fiscalizar para que a sujeira não volte. Antes que isso aconteça, muita água (suja) ainda vai rolar.

Fonte: Veja



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