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Ativista Ana Paula Maciel chega a Porto Alegre

29/12/2013

Bióloga é recebida por familiares no Aeroporto Salgado Filho

Em meio aos gritos de "bem-vinda, Ana!" de amigos, familiares e fãs, a ativista Ana Paula Maciel chegou às 11h10min de sábado no aeroporto Salgado Filho, depois de cem dias retida por autoridades russas, a maior parte desse período presa sob acusação de vandalismo.

Com um ursinho polar de pelúcia na mochila e uma faixa com o dizer "Salve o Ártico", em português, a bióloga gaúcha posou para fotos e concedeu entrevista coletiva por 20 minutos. Parou duas vezes, como quem contém a emoção, e começou dizendo que o período, o mais difícil de sua vida, valeu a pena.

— A repercussão que nossa prisão teve fez tudo valer a pena. Foi um período difícil, mas deu a oportunidade de revelar ao mundo a causa que defendemos.

Ana Paula disse que não vai parar de protestar até que o Ártico tenha um santuário — local de proteção de espécies, a exemplo da Antártica. Entretanto, disse que não pensa em voltar a Rússia tão cedo para protestar contra a exploração de petróleo no Ártico.

— Não seria uma boa ideia no momento. Vou descansar e depois decidir os próximos passos.

Mais cedo, no aeroporto, o pai de Ana, Jaires Maciel, havia dito que o próximo destino seria a Nova Zelandia, já em janeiro, para defender as baleias. A informação que não foi confirmada pela ativista do Greenpeace. Mas ela indicou que continuará lutando contra a exploração de petróleo no mundo.

— Não queremos atacar as empresas se petróleo, mas o sistema de exploração petróleo. Continuaremos lutando contra petroleiras na Rússia, no Brasil e em qualquer lugar.

Ana Paula afirmou que a pressão internacional e o espaço dedicado pela imprensa foram fundamentais para sua libertação. Disse que a Rússia foi pega de surpresa pelos protestos à sua prisão e de outros 29 acusados.

— Não fosse pela repercussão, eu ainda estaria presa. A Rússia nos deu anistia por que era a única forma de sair do buraco no qual a própria Rússia havia se metido — disse Ana.

Quanto aos dois meses que passou na prisão, a bióloga contou que não tinha paz dentro da cela em razão dos gritos dos carcereiros e de uma música eletrônica que tocava das 6h as 22h na prisão.

— Não conseguia sequer ouvir o barulho da chuva. Agora, só quero descansar.

A agenda de Ana Paula está cheia. No sábado, depois de deixar o aeroporto seguiu com a família ao Restaurante Barranco, no bairro Petrópolis. À noite, deve jantar com a família na casa da tia na zona sul. Na segunda-feira, às 9h30min, tem encontro marcado com o governador Tarso Genro.

Ana Paula deixou São Petersburgo, na Rússia, por volta das 20h (14h em Brasília) de sexta-feira. Fez uma escala em Frankfurt, na Alemanha, e desembarcou às 7h em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O ativistas ficaram detidos inicialmente na cidade de Murmansk sob a acusação de pirataria marítima e, depois, foram levados a São Petersburgo, onde foram soltos sob fiança no final de novembro. Na semana passada, eles receberam do presidente Vladimir Putin anistia da acusação de vandalismo. Ana Paula disse que, embora esteja aliviada, a anistia significa perdão por um crime que eles não cometeram.

— Estou muito feliz em voltar para casa, mas ainda apreensiva porque não devolveram nosso navio e nem nossos equipamentos — afirmou, referindo-se ao barco Arctic Sunrise, apreendido pelas autoridades.

Questionada se pretende publicar o diário que escreveu na prisão, disse apenas:

— Vamos pensar, vamos pensar.

A bióloga acredita que o lobby petrolífero foi um dos motivos que levou à repressão. Disse que não considera a Rússia uma democracia porque a justiça não é independente. Relatou que os juízes recebiam telefonemas em meio às audiências e mudavam de postura. Segundo a ativista, a campanha pelo Ártico continuará e ela seguirá fazendo protestos, mas ela não pretende voltar tão cedo ao país governado por Vladimir Putin.

Chamou este "um dos episódios mais vergonhosos em 40 anos de campanhas do Greenpeace", sobretudo no Ártico, mas, embora tenha sido o período mais crítico de sua vida, a gaúcha diz que não se arrepende de nada e entende que a prisão valeu a pena porque reforçou a causa que defende, além de mostrar para o mundo como funciona o governo russo.

Segundo ela, a extração de petróleo é um assunto de conexão do ambiente global e "se derreter o Ártico os danos serão enormes, a Amazônia pode virar deserto".

Fonte: Zero Hora


Ativistas do Greenpeace presos recebem anistia do Parlamento russo

Grupo de 30 ativistas do Greenpeace que foram detidos na Rússia após 
ato contra exploração no Ártico; brasileira Ana Paula Maciel 
(embaixo, à direita) está entre eles (Foto: Dmitri Sharomov/Greenpeace/AFP)
19/12/2013

Anistia livra grupo de 30, que inclui brasileira, de acusação de vandalismo.
Anistia também beneficia membros do grupo Pussy Riot.

O parlamento russo aprovou nesta quarta-feira (18) um decreto que concede anistia a presos por atos de vandalismo e que beneficiará as 30 pessoas presas no país durante um protesto organizado pelo Greenpeace contra a exploração de petróleo no Ártico. A informação foi divulgada pela organização ambiental, em sua conta no Twitter.

De acordo com a organização ambiental, a anistia significa que os procedimentos legais contra os 28 ativistas e os 2 jornalistas freelancers devem ser cancelados e todos, exceto os 4 de nacionalidade russa, poderão ir para casa. Para isso, necessitam ainda de um visto que deve ser emitido pelo governo russo. Porém, segundo a assessoria de imprensa do Greenpeace, a organização ainda não sabe quando isso ocorrerá.

Ana Paula Maciel é uma das ativistas detidas na Rússia após ato contra 
exploração no Ártico (Foto: Dmitri Sharomov / Greenpeace)
O decreto aprovado nesta quarta-feira beneficiará também membros do grupo Pussy Riot, que cumprem pena de dois anos de prisão devido a um protesto que realizaram contra Vladimir Putin dentro de uma catedral. A decisão marca o aniversário de 20 anos da adoção da Constituição russa pós-comunista, em 1993. Segundo o texto aprovado por unanimidade, o perdão traz benefícios "para os setores sociais mais vulneráveis​​" e deverá libertar 25 mil pessoas. A anistia não contempla que tem uma condenação superior a cinco anos de prisão.

O grupo do Greenpeace foi preso no dia 19 de setembro e permaneceu detido durante dois meses sob a acusação de vandalismo. Em novembro, eles receberam o direito de responder ao processo em liberdade mediante pagamento de fiança, mas não poderiam deixar o país.

A prisão do grupo, chamado pelo Greenpeace de "30 do Ártico", provocou fortes críticas à Rússia por parte do Ocidente e foi vista como um sinal de que Vladimir Putin não pretende tolerar esforços para interromper a exploração de recursos da região do Ártico. O fim do processo representa a remoção de um dos obstáculos na relação da Rússia com o Ocidente nas vésperas de o país sediar as Olimpíadas de Inverno, em fevereiro.
  
Segundo informações divulgadas pelo Greenpeace, a brasileira Ana Paula Maciel, uma das ativistas presas no país, disse que está aliviada, mas não celebrando. "Fui acusada e permaneci dois meses presa por um crime que não cometi, o que é um absurdo. Mas finalmente parece que essa saga está chegando ao fim e em breve estaremos com nossas famílias", disse.

Fonte: G1 Natureza

Ana Paula ganha liberdade provisória

Foto:  Greenpeace
19/11/2013

A Justiça da Rússia parece que começou a abrir os ouvidos para as milhões de vozes que têm se levantado ao redor do mundo. A ativista brasileira Ana Paula Maciel e outras quatro pessoas acabaram de ganhar liberdade provisória, sob fiança, depois de passar exatos dois meses atrás das grades. Para você, o nosso muito obrigado por ter nos ajudado até aqui!

Porém, a história não terminou. A notícia é ótima, mas ainda não podemos comemorar. Outras 26 pessoas continuam em prisão preventiva, e o Comitê de Investigação russo está tentando estender a detenção deles por mais três meses. E como dissemos acima, a liberdade de Ana e dos demais é provisória. Ou seja, todos continuam sendo acusados de vandalismo e de pirataria e, se condenados, podem pegar até 20 anos de prisão.

 
 

Tudo isso apenas por terem feito um protesto absolutamente pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico. Se você, como nós, acha um absurdo o que está acontecendo, continue conosco pedindo a liberdade definitiva de nossos ativistas. Compartilhe com seus amigos para que eles também se manifestem pelo direito de defendermos nosso planeta. Junte-se a nós para Salvar o Ártico.

Abraços,
Fabiana Alves
Coordenadora da Campanha Clima e Energia
Greenpeace Brasil

Carta de Ana Paula


"Nem tenho palavras para agradecer a todas as pessoas que se importam e que clamam por nossa liberdade. Gostaria de agradecer especialmente o apoio do governo e do povo brasileiro, que têm se mostrado incansáveis em seu suporte pela minha liberdade".

“Depois de dois dias em uma cadeia, três em outra, agora estou sentada em minha cela na penitenciária para onde nos trouxeram dia 29 de setembro. Tudo isso depois de um protesto pacífico onde queríamos chamar a atenção do mundo sobre os perigos de danos ambientais ao perfurar em busca de petróleo no Ártico.”

Ana, que está presa com outros 29 colegas, resolveu escrever uma carta ao público, agradecendo pela solidariedade e pedindo para que as pessoas reflitam sobre seus hábitos. “Existem tantas mil pequenas ações que podem ser feitas todos os dias para salvar o Ártico, a Amazônia, os recifes de corais e todo o resto”, escreveu ela. “Promete que vai tentar. E eu vou saber que esse mês presa não foi em vão”.

Compartilhe com seus amigos, para que eles também enviem uma mensagem à embaixada russa, pedindo a libertação da ativista.

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