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Leonardo Boff participa de atividades ao Meio Ambiente em Jundiaí, SP


22/05/2013

A programação ao Dia Mundial do Meio Ambiente se estende pelo mês todo.
O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado em 5 de junho.

Leonardo Boff é o destaque nas atividades sobre o
Dia Mundial do Meio Ambientes de JUndiaí
(Foto: Rodolfo Tiengo/G1)
Com a palestra do teólogo e escritor Leonardo Boff, a Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente de Jundiaí (SP) dá início nesta terça-feira (21) aos eventos em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho. Estão programados 15 eventos.

“Tem muita coisa acontecendo e a cidade carece de uma discussão mais ampla sobre o meio ambiente”, diz o diretor de Meio Ambiente, Flávio Gramolelli. O diretor destaca ainda que Jundiaí tem uma série de questões ambientais que precisam ser discutidas, como o plano municipal de resíduos sólidos e o plano municipal de saneamento.

Outra questão que será discutida é a instalação de transmissores de radiações não-ionizantes, as torres de celular. “É um assunto delicado e precisamos revisar a legislação. Mas a população tem de saber o que está acontecendo e tem de participar da construção de políticas ambientais para o município”, frisa o diretor.

A programação do Mês do Meio Ambiente vai até o dia 22 de junho. Confira:

21 de maio – 19h30 – Palestra Sustentabilidade e Vida, com Leonardo Boff – Anfiteatro Unianchieta

25 de maio – das 8 às 18h30 – Palestra com professor Araken Martinho e Sérgio Gonçalves, secretário de Habitação de Osasco – Auditório da Faculdade Anhanguera

3 a 7 de junho – das 8 às 18 horas – Mostra Arte Eco, com artesãos de Jundiaí – saguão do Paço Municipal

4 de junho – das 9 às 11 horas – Protocolo de intenções e Plano de Prevenção e Combate a Incêndio Florestal – auditório do Paço Municipal

5 de junho – das 8 às 17 horas – Capacitação da Rede Municipal de Ensino – Parque da Uva

8 de junho – das 9 às 14 horas – Conscientização ambiental – Base Ecológica

9 de junho – das 9 às 17 horas – Distribuição de mudas – Parque da Cidade

9 de junho – das 8 às 12 horas – limpeza do Rio Jundiaí Mirim – avenida Humberto Cereser, no Caxambu

9 de junho – das 8 às 12 horas – caminhada ecológica no Parque Eloy Chaves – Parque Ecológico do Eloy Chaves

10 a 21 de junho – das 8 às 17 horas – Exposição ambiental interativa – Parque Comendador Antônio Carbonari (Festa da Uva)

15 de junho – das 8 às 12 horas – Treinamento de combate a incêndio – 12º GAC

17 a 21 de junho – das 9 às 17 horas – Exposição fotográfica: Águas de Jundiaí, Serra do Japi – Museu Solar do Barão

18 de junho – 8 às 16 horas – Fórum Instalação de Transmissores de RNI – auditório do Paço Municipal

20 de junho – das 9 às 11 horas – Fórum Política Municipal de Bem-Estar Animal – auditório do Paço Municipal

22 de junho – horário e local a definir

Fonte: G1


A ilusão de uma economia verde

24/10/2011 - Jornal do Brasil 
Por Leonardo Boff 

Tudo o que fizermos para proteger o planeta vivo que é a Terra contra fatores que a tiraram de seu equilíbrio e provocaram, em consequência, o aquecimento global é válido e deve ser apoiado. Na verdade, a expressão “aquecimento global” esconde fenômenos como: secas prolongadas que dizimam safras de grãos, grandes inundações e vendavais, falta de água, erosão dos solos, fome, degradação daqueles 15 entre os 24 serviços, elencados pela Avaliação Ecossistêmica da Terra (ONU), responsáveis pela sustentabilidade do planeta (água, energia, solos, sementes, fibras etc). A questão central nem é salvar a Terra. Ela se salva a si mesma e, se for preciso, nos expulsando de seu seio. Mas como nos salvamos a nós mesmos e a nossa civilização? Esta é real questão sobre a qual a maioria dá de ombros. A produção de baixo de carbono, os produtos orgânicos, energia solar e eólica, a diminuição, o mais possível, de intervenção nos ritmos da natureza, a busca da reposição dos bens utilizados, a reciclagem, tudo que vem sob o nome de economia verde são os processos mais buscados e difundidos. E é recomendável que esse modo de produzir se imponha. 

Mesmo assim não devemos nos iludir e perder o sentido crítico. Fala-se de economia verde para evitar a questão da sustentabilidade, que se encontra em oposição ao atual modo de produção e consumo. Mas no fundo, trata-se de medidas dentro do mesmo paradigma de dominação da natureza. Não existe o verde e o não verde. Todos os produtos contêm nas várias fases de sua produção, elementos tóxicos, danosos à saúde da Terra e da sociedade. Hoje pelo método da Análise do Ciclo de Vida podemos exibir e monitorar as complexas inter-relações entre as várias etapas, da extração, do transporte, da produção, do uso e do descarte de cada produto e seus impactos ambientais. Aí fica claro que o pretendido verde não é tão verde assim. O verde representa apenas uma etapa de todo um processo. A produção nunca é de todo ecoamigável. 

Tomemos como exemplo o etanol, dado como energia limpa e alternativa à energia fóssil e suja do petróleo. Ele é limpo somente na boca da bomba de abastecimento. Todo o processo de sua produção é altamente poluidor: os agrotóxicos aplicados ao solo, as queimadas, o transporte com grandes caminhões que emitem gases, as emissões das fábricas, os efluentes líquidos e obagaço. Os pesticidas eliminam bactérias e expulsam as minhocas que são fundamentais para a regeneração dos solos; elas só voltam depois de cinco anos. 

Para garantirmos uma produção, necessária à vida, que não estresse e degrade a natureza, precisamos mais do que a busca do verde. A crise é conceptual e não econômica. A relação para com a Terra tem que mudar. Somos parte de Gaia, e por nossa atuação cuidadosa a tornamos mais consciente e com mais chance de assegurar sua vitalidade. 

Para nos salvar não vejo outro caminho senão aquele apontado pela Carta da Terra: “O destino comum nos conclama a buscar um novo começo; isto requer uma mudança na mente e no coração; demanda um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal”(final). 

Mudança de mente significa um novo conceito de Terra como Gaia. Ela não nos pertence, mas ao conjunto dos ecossistemas que servem à totalidade da vida, regulando sua base biofísica e os climas. Ela criou toda a comunidade de vida e não apenas nós. Nós somos sua porção consciente e responsável. O trabalho mais pesado é feito pelos nossos parceiros invisíveis, verdadeiro proletariado natural, os microorganismos, as bactérias e fungos, que são bilhões em cada colherada de chão. São eles que sustentam efetivamente a vida já há 3,8 bilhões de anos. Nossa relação para com a Terra deve ser como aquela com nossas mães: de respeito e gratidão. Devemos devolver, agradecidos, o que ela nos dá e manter sua capacidade vital. 

Mudança de coração significa que, além da razão instrumental com a qual organizamos a produção, precisamos da razão cordial e sensível que se expressa pelo amor à Terra e pelo respeito a cada ser da criação, porque é nosso companheiro na comunidade de vida e pelo sentimento de reciprocidade, de interdependência e de cuidado, pois essa é nossa missão. Sem essa conversão não sairemos da miopia de uma economia verde. Só novas mentes e novos corações gestarão outro futuro.

Leonardo Boff é teólogo e escritor. 
- Caixa postal 92144, Itaipava, 25741-970 - Petrópolis, RJ. 
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