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Israelense cria plano para compra de 1,4% do planeta em perigo de extinção

06/08/2015

Uma iniciativa israelense apresentada nesta quarta-feira deseja que qualquer pessoa possa comprar partes do planeta com uma biodiversidade excepcional e em perigo de extinção, a fim de contribuir para salvar a Terra.

O projeto é obra do professor Uri Shanas, do Departamento de Biologia e Meio ambiente da Universidade Haifa-Oranim (norte de Israel), e com ele o docente pretende criar uma associação internacional, com financiamento coletivo e com uma contribuição mínima de um dólar por pessoa, para poder comprar zonas em perigo e conseguir salvá-las.

Ao contrário de outras iniciativas de indivíduos, grupos e instituições que adquirem territórios com fins de conservação, esta quer ser uma plataforma em massa, internacional e democrática, com a única missão de salvar o planeta, aponta seu promotor.

"Se conseguirmos conservar, embora seja uma pequena porcentagem (do mundo) que acolhe uma diversidade incomum de plantas e vida animal em perigo de extinção, podemos de alguma maneira interromper o atual processo de extinção das espécies", afirma Shanas, segundo um comunicado divulgado hoje pela Universidade Haifa-Oranim.

Para poder iniciar este projeto, o professor procura reunir US$ 25 mil.

O biólogo lembra que as espécies de plantas e animais em perigo de extinção se somam a outras devido ao aquecimento global e à constante destruição de espaços abertos.

"Nem sempre podemos prever as consequências do desaparecimento de uma só espécie do ecossistema, mas há exemplos de sistemas que colapsaram e tiveram consequências nos seres humanos após a extinção de uma única espécie", ressalta.

A iniciativa pretende comprar áreas que em seu conjunto compreendem em torno de 1,4% da superfície da Terra e são conhecidas como "pontos quentes de biodiversidade", o que significa que têm várias plantas e animais em perigo de extinção.

A compra destas zonas e sua transformação em reservas naturais salvará as espécies e, com isso, a vida do planeta.

Se conseguir suficiente dinheiro para criar o agrupamento, batizado como TIME (This Is My Earth), qualquer pessoa do mundo, inclusive uma criança, poderá somar-se a ela com a contribuição de um dólar.

Uma vez por ano, os membros votarão como investir o dinheiro arrecadado, com base em uma lista de "pontos quentes" de biodiversidade preparados por uma equipe internacional de cientistas.

Todos os integrantes da associação terão a mesma capacidade de votar, independentemente da quantidade que tenham apresentado.

Os membros de cada país serão responsáveis da compra das zonas em suas áreas geográficas.

"O objetivo é permitir aos residentes locais tramitar seus próprios recursos naturais. Nos interessa fundar uma organização que possa ajudar a educar desde uma idade cedo a se envolver, respeitar o meio ambiente e a democracia e, sim, salvar a Terra neste processo", conclui Shanas.

Para as doações, a página da iniciativa é http://igg.me/at/ThisIsMyEarth1.

Fonte: Terra


Gaza: um ano depois da guerra, palestinos ainda estão sufocados pela ocupação israelense

Foto: Susanne Doettling/MSF

24/07/2015

“As condições de vida continuam se deteriorando”, diz coordenador-geral do projeto de MSF em Gaza e na Cisjordânia

Um ano após a guerra de 51 dias em Gaza, centenas de palestinos com ferimentos graves resultantes dos ataques israelenses ainda ocupam as salas de espera da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) com necessidades de cirurgias reconstrutivas complexas e reabilitação física. Segundo MSF, com o bloqueio e o cerco contínuo a Gaza, é como se a última rodada de massacres entre israelenses e palestinos tivesse acabado de terminar. Hoje, MSF vê, talvez mais do que em qualquer momento de seus 20 anos de história levando cuidados médicos e psicológicos em Gaza e na Cisjordânia, como o sofrimento provocado pela ocupação de Israel foi banalizado e como um fim à ocupação é a única maneira de aliviar o sofrimento dos palestinos.

O custo humano da última guerra em Gaza foi chocante: mais de 2.200 pessoas foram mortas e mais de 11 mil feridas, incluindo cerca de sete mil mulheres e crianças. “Crianças de oito anos em Gaza não conhecem nada que não seja o bloqueio e a guerra desde que nasceram”, diz Erwan Grillon, coordenador-geral do projeto de MSF em Gaza e na Cisjordânia. “E eles já vivenciaram quatro ofensivas, duas das quais foram absolutamente devastadoras e mataram indiscriminadamente um número assustador de civis. A maioria dos nossos pacientes que ainda precisam de cirurgia e fisioterapia relacionadas com a guerra são crianças com menos de 18 anos.”  

Nas clínicas de MSF, os palestinos que ainda lidam com as complicações de seus ferimentos de guerra agora estão juntos a habitantes de Gaza, em sua maioria, crianças, que sofreram queimaduras graves por causa de acidentes com o aquecimento de sus casas ou na cozinha, em decorrência de terem sido forçadas a viver em abrigos danificados ou improvisados. Mais de 12 mil casas foram danificadas ou destruídas durante a guerra, assim como mais de 70 hospitais e estruturas de saúde.

O bloqueio militar israelense de Gaza continua impondo a escassez de suprimentos extremamente urgentes, incluindo materiais de construção que poderiam ajudar na reconstrução de alguns dos bairros que foram reduzidos a escombros pelas forças militares. Israel impõe restrições severas para a aquisição de cimento e outros materiais de construção, considerados itens de “dupla utilização”, que poderiam ser usados para criar armas. Por isso, poucas casas são reparadas na faixa de Gaza. 

“As condições de vida continuam se deteriorando”, diz Erwan Grillon. “Em nossa clínica de cuidados pós-operatórios em Gaza, a maioria dos nossos pacientes foram tratados por queimaduras causadas por explosões decorrentes do uso de produtos de aquecimento doméstico perigosos ou em acidentes de cozinha em casas danificadas durante a guerra. Desses, 60% eram crianças.”

Como consequência do bloqueio, as pessoas ainda estão vivendo em condições terrivelmente inseguras e quase totalmente dependentes de ajuda externa. A taxa desemprego bateu o recorde – mais de 40% ao todo, e mais de 60% entre os jovens – e 80% da população está ao menos parcialmente dependente de ajuda humanitária.

Embora a devastação da guerra em Gaza e seu bloqueio permanente tenham atraído grande atenção internacional, a ocupação da Cisjordânia ilustra outra forma de opressão, que também tem consequências na saúde pública. A população palestina na Cisjordânia é submetida a indignidades, ameaças e humilhações todos os dias. Hoje, devido aos assentamentos, atalhos, pontos de controle e envio de tropas militares, os palestinos só podem habitar menos de 40% da Cisjordânia. Os programas de saúde mental de MSF estão cheios de pacientes enfrentando problemas psicológicos como resultado de perseguições intermináveis, frequentes (e impunes) atos de violência de perpetrados impunemente pelos colonos contra indivíduos e propriedades, invasões noturnas, detenção administrativa, e outras ações.

“As histórias que nossas equipes nos contam são tais que só o relato desses fatos deveria ser o suficiente para denunciá-los”, diz Erwan Grillon. “Todos os dias, vemos pacientes, sendo um terço deles jovens com menos de 13 anos, em um estado constante de ansiedade e terror por causa das invasões noturnas e dos ataques de soldados israelenses. Estamos tratando as mesmas famílias, que apresentam os mesmos sintomas, durante os últimos 10 anos. Nada mudou.”

Como resultado direto da perpetuação da ocupação e do fracasso completo de qualquer processo político, os palestinos, tanto na faixa de Gaza quanto na Cisjordânia, estão encurralados em um ciclo interminável de violência que deve ser interrompido com franqueza e urgência. As medidas tomadas por Israel em nome da segurança devem ser julgadas a partir de suas repercussões humanitárias. E governos e instituições internacionais que apoiam explícita ou tacitamente essas políticas também devem considerar os custos humanos dessas decisões, visto a devastação inegável que elas têm causado.

“Tentar criar uma falsa equivalência em termos de responsabilidade pela situação atual na Cisjordânia e na Faixa de Gaza simplesmente obscurece a realidade da responsabilidade pela violência nos Territórios Palestinos Ocupados”, diz o Dr. Mego Terzian, presidente de MSF na França. “Ao empregar a retórica da autodefesa para ganhar território e continuar com essa ocupação brutal, Israel e seus aliados internacionais têm buscado codificar um sistema que está afundando os palestinos dia após dia, sufocando suas vidas e esperanças, e garantindo mais do mesmo no futuro.”

MSF atua em Gaza desde 1989, oferecendo cuidados médicos de acordo com as necessidades da população, atendendo às necessidades médicas específicas que não podem ser respondidas pelo sistema de saúde público, e respondendo às consequências diretas ou indiretas da violência. As atividades médicas incluem cirurgia, cuidados pós-operatórios, cuidados curativos, cuidados psicológicos, psicoterapia e terapia ocupacional, incluindo fisioterapia especializada para as mãos.

Na Cisjordânia, MSF mantém programas de saúde mental no leste de Jerusalém desde 2011, e nas províncias de Jenin, Hebron, Nablus e Qalqilya desde 2000.



Duas mil moedas de ouro antigas no fundo do mar em Cesareia

Foto de Kobi Sharvit/Israel Antiquities Authority/AFP

19/02/2015

Mergulhadores acabam de encontrar no fundo do antigo porto de Cesareia, na costa mediterrânea, duas mil moedas de ouro de mil anos que constituem o tesouro numismático mais importante já encontrado em Israel, anunciou na terça-feira a autoridade nacional de antiguidades.

Os membros de um clube de mergulho fizeram a descoberta por acaso, depois que tempestades removeram o fundo do mar do antigo porto de Cesareia (noroeste de Israel).

"No início acreditaram que se tratava de uma ficha de jogo" e perceberam seu erro quando recolheram várias moedas, indicou a autoridade. Avisaram ao diretor do clube de mergulho, que, por sua vez, informou as autoridades das antiguidades.

Os mergulhadores da autoridade detectaram 2.000 moedas de dinares, meio dinar e um quarto de dinar, a mais antiga cunhada em Palermo (Sicília) na segunda metade do século IX. Muitas das moedas remontam a dois califas fatímidas que reinaram do fim do século X ao primeiro terço do século XI em um território que cobre grande parte da África do Norte, Sicília e parte do Oriente Médio.

Em excelente estado de conservação, apesar dos mil anos no fundo do mar, as moedas não precisaram de uma limpeza, indicou Robert Cole, especialista em numismática. Algumas têm marcas de mordidas, que mostram que seus donos comprovaram sua qualidade com os dentes. Outras parecem ter recebido batidas.

As peças podem ser provenientes do naufrágio de um barco que transportava a arrecadação de impostos destinada ao governo central no Egito, afirma Kobi Sharvit, diretor da unidade de arqueologia marinha da autoridade das antiguidades. Ou o dinheiro estava destinado a pagar os salários da equipe que defendia Cesaria. Ou ainda, pertencia a um rico mercador cujo barco negociava com os portos mediterrâneos antes de naufragar.

A autoridade espera que o estudo do contexto permita saber mais detalhes.

Fonte: Terra



Israel e Palestina trocam acusações em discursos da Rio+20


O ministro da Proteção Ambiental de Israel, Gilad Erdan (à esquerda), e o ministro de Relações Exteriores da Palestina, Riad Malki. (Foto: Reprodução)
21/06/2012 

Palestinos alegaram não haver sustentabilidade sob ocupação israelense.
Ministro de Israel reagiu e reclamou de politização da conferência.

Representantes da Palestina e de Israel trocaram acusações durante seus discursos na sessão plenária da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, nesta quinta-feira (21). Os líderes deixaram de lado por alguns instantes o debate sobre o texto acordado na conferência para tratar da política regional.

O discurso palestino reclamou da ocupação israelense a seus territórios, e Israel respondeu reclamando que o debate tivesse deixado de lado a questão da sustentabilidade para tratar de política.

O ministro de Relações Exteriores da Palestina, Riad Malki, foi o primeiro a discursar, por volta das 16h. Ele alegou que alcançar o desenvolvimento e a sustentabilidade é um objetivo do povo palestino, mas que acha que "não pode haver sustentabilidade debaixo da ocupação", disse.

"O alcance do desenvolvimento sustentável do povo palestino inicia-se com a sua liberdade, o fim da ocupação, a independência do estado palestino e afirmando os direitos inalienáveis do povo palestino."

Gilad Erdan, ministro da Proteção Ambiental de Israel, respondeu durante seu discurso algumas horas mais tarde. "Ouvimos nossos vizinhos falando sobre os desafios de desenvolvimento que nós todos temos que sobrepor. Eu tinha esperado que sua mensagem não seria política, fiquei surpreso que não perdesse a oportunidade de politizar um fórum profissional que está longe disso", disse.

Segundo Erdan, as reclamações palestinas "estão longe da realidade. Israel dá aos Palestinos 60% mais água do que o acordo entre eles estipula. Eu poderia compartilhar mais fatos sobre os nossos vizinhos estarem ignorando questões de esgoto, que polui rios locais", disse.


G1.com

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