Memórias de uma árvore nascida em Porto Alegre


Quem conta esta história é uma velha e centenária árvore, uma Paineira, que viu quando tudo começou. Mas deixem que ela mesma diga o que aconteceu...

“... com o tempo tudo vai e tudo muda”.
Camões

(Página 11)

Nasci há muitos anos, tantos que já nem me lembro direito. Só sei que foi por volta de 1700. Isso mesmo. Foi há cerca de 300 anos! Nossa como tudo era diferente naquela época! Lembro que quando cheguei a este morro, pequenina, apenas uma semente carregada pelo vento, havia muitas árvores e flores silvestres por todos os lados. E a vista, ah! A vista era belíssima.

Assim que comecei a crescer e esticar meu tronco, podia ver o Guaíba lá embaixo, com suas ilhas e suas águas limpinhas e transparentes, cheias de peixes. Por onde quer que eu olhasse, lá estava ele, lindo, calmo, um espelho onde o Sol sempre gostou de refletir seu brilho e inventar, a cada dia, um pôr-do-sol mais colorido, mais iluminado, mais maravilhoso...

Naquela época, Porto Alegre nem existia. Onde hoje é o centro, havia apenas algumas casas de barro, cobertas de capim seco ou palhas de trigo.

As ruas não passavam de caminhos e tinham nomes bastante originais, como: Rua da Ponte, do Cotovelo, do Arroio, Rua Formosa, Travessa do Poço, Rua da Prainha, Rua da Cova da Onça, lembrando sempre alguma característica do lugar.
...

(Página 13)

E o povoado que já havia sido chamado de Porto do Viamão ou dos Dorneles, Porto de São Francisco dos Casais, Porto Alegre dos Casais, Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, mudou seu nome definitivamente para Porto Alegre, provavelmente em homenagem a uma pequena cidade existente em Portugal e muito parecida com a nossa, chamada “Portoalegre”.
...

(Página 28)

Ninguém mais pára para olhar meu imenso tronco espinhento, nem observa o joão-de-barro construindo sua casinha, ninguém ouve o chamado do bem-te-vi, nem se encanta com as belíssimas flores que cobrem minha copa na primavera...

E eu, que podia ver e ser vista à grande distância, hoje estou escondida no meio de tantos prédios. E me sinto cansada. Muito cansada.
....

A autora

“Sou gaúcha, natural de Porto Alegre.
Filha de alemães, deles herdei os cabelos louros, os olhos muito azuis e o sobrenome Muller. Depois de casada passei a assinar também o nome de meu marido: Poças.
Sempre gostei de ler e estudar. Me formei professora e jornalista.
Amo a natureza: as flores, os animais, o mar, o sol e adoro crianças. A elas dedico a maior parte do meu trabalho.
Não tive filhos mas me considero muito mãe. Todo livro que escrevo é como um filho, um pedacinho de mim.
Vibrei com o nascimento de cada um como estou vibrando agora com o mais novo: “Memórias de uma Árvore nascida em Porto Alegre”.
...
Um grande e carinhoso abraço,
Iria.”

Livro: Memórias de uma árvore nascida em Porto Alegre
Autora: Iria Muller Poças
Iriar Editora
Ano: 1993

2 comentários:

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