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Marcha da Resistência abre atividades de Fórum Social em Porto Alegre

Manifestantes caminharam pelo Centro da Capital segurando faixas e entoando cantos
PEDRO BRAGA/JC

18/01/2017

"Povos e movimentos em resistência", dizia uma das faixas seguradas pelos participantes da marcha que abriu nesta terça-feira o Fórum Social Temático de 2017, resumindo o tema deste ano do evento - resistência diante principalmente das reformas previdenciária e trabalhista almejadas pelo presidente Michel Temer (PMDB). Na ocasião, ativistas de movimentos feministas, indígenas, igualdade racial, centrais sindicais e estudantes partiram do largo Glênio Peres até o largo Zumbi dos Palmares. 

Os manifestantes caminharam - entoando cantos e segurando cartazes - pela avenida Borges de Medeiros, atrás de uma bateria de escola de samba e um carro de som no qual lideranças de várias organizações se revezavam fazendo discursos.  

Um grupo de sindicalistas - ligados principalmente à Central Única de Trabalhadores (CUT) e à Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) - segurava uma faixa com o seguinte dizer: "Resistência contra as mudanças na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas)".

O presidente gaúcho da CUT, Claudir Nespolo, disse que o fórum de 2017 é "o momento de lutar contra os ataques do governo Temer e sua base no Congresso Nacional aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários".

"Neste ano, o evento tem um papel especial, porque, nos momentos de crise, como o que estamos vivendo, o pensamento conservador ganha força. Então, é uma oportunidade para reorganizar a esquerda, aprofundar os laços de solidariedade entre as organizações e fortalecer as ações. O fórum impulsiona as forças progressistas", avaliou Nespolo.

Um grupo de indígenas segurava uma faixa que dizia: "Índio é terra. Não dá para separar. Queremos demarcação já". Uma das pessoas que segurava essa faixa era o índio caigangue da reserva indígena Borboleta, João Carlos Padilha. Ele reivindicou a demarcação de terras indígenas. "Nossa principal causa continua sendo a demarcação, pois o conflito pela terra é uma das causas que mais mata no Brasil", comentou Padilha.

Também havia ativistas de outros movimentos, como o representante do Fórum Paranaense de Religiões de Matrizes Africanas, Márcio Marins de Jogum. "Depois do golpe contra a presidente Dilma Rousseff, percebemos que tem ocorrido um desmantelamento de secretarias que desempenhavam um papel muito importante para a população negra e as comunidades tradicionais de matrizes africanas. O fórum é um momento de avaliar a conjuntura nacional e ver como podemos garantir os direitos da população", analisou o ativista.

Fórum Social Mundial de 2018 pode voltar a acontecer na capital gaúcha

O presidente gaúcho da Central Única de Trabalhadores (CUT), Claudir Nespolo, disse ontem que o conselho internacional do Fórum Social Mundial vai discutir, nesta semana, sobre a possibilidade de a próxima edição internacional do evento - em 2018 - voltar a Porto Alegre, cidade onde surgiu e ganhou dimensão internacional. 

Segundo Nespolo, é o momento de trazer o fórum de volta para a Capital, por conta do enfraquecimento da esquerda no Brasil - principalmente depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) - e por causa das reformas previdenciária e trabalhista proposta pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB). "Sediar o fórum impulsiona as forças progressistas locais", comentou o presidente da CUT.

O sindicalista falou ainda que deve haver uma disputa com o Equador para sediar o evento. "Os governos equatorianos têm implementado sucessivamente políticas bastante progressistas no país, que têm dado certo. Por isso, eles querem realizar a edição mundial do Fórum lá, para dar visibilidade às suas políticas sociais. Mas também existe o entendimento, bem forte, de que deve haver uma edição em Porto Alegre, o que pode ser já em 2018", concluiu. 

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