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Haiti: Comunidade internacional pede apoio financeiro para plano contra cólera

Um sistema de filtragem de água no Haiti sendo demostrado para líderes comunitários. 
Foto: ONU/Logan Abassi

19/09/2016

De acordo com dados epidemiológicos recentes, cerca de 27 mil pessoas foram diagnosticadas com cólera no Haiti entre 1º de janeiro e 27 de agosto de 2016, ou uma média de 788 casos relatados por semana. Os números são maiores que as médias semanais registradas em 2014 (559) e 2015 (693), embora inferiores à média de 6.766 casos por semana reportados em 2011.

Em meio ao forte impacto que a cólera continua gerando sobre a população do Haiti, representantes de organizações internacionais parceiras, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pediram na última sexta-feira (9) apoio financeiro e político para um plano de ação contra a doença lançado recentemente pelo governo haitiano.

O projeto de médio prazo (2016-2018), que visa a melhorar a coordenação entre os parceiros nacionais e internacionais; assegurar uma resposta rápida aos surtos; implementar a vacinação contra a cólera; a cloração da água e assegurar melhorias em saneamento – com foco em áreas vulneráveis à propagação da enfermidade –, precisa de 178 milhões de dólares em investimentos para entrar em ação.

O plano foi apresentado em forma de projeto na semana passada aos representantes da comunidade internacional no Haiti e foi o foco da reunião da Coalizão Regional para a Eliminação da Transmissão da Cólera na Ilha de São Domingos, realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – representação regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas – em Washington, Estados Unidos.

Além da OPAS, outros membros e apoiantes do plano incluem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Federação Internacional da Cruz Vermelha e as Sociedades do Crescente Vermelho, o Banco Mundial, os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, GHESKIO, entre outras agências bilaterais e organizações não governamentais.

De acordo com dados epidemiológicos recentes, cerca de 27 mil pessoas foram diagnosticadas com cólera no Haiti entre 1º de janeiro e 27 de agosto de 2016, ou uma média de 788 casos relatados por semana. Os números são maiores que as médias semanais registradas em 2014 (559) e 2015 (693), embora inferiores à média de 6.766 casos por semana reportados em 2011.

O número de mortes por cólera relatados, por sua vez, caiu de 3.951 registrados em 2010 para 322 mortes em 2015, e há 242 óbitos até agora em 2016. Isso é parte do declínio na taxa de letalidade de 2,08% em 2010 para 0,9% em 2016, significando melhoria do acesso e qualidade do tratamento.

“O Haiti ainda tem, depois de seis anos de intervenções de cólera, inaceitáveis números de casos em curso”, disse a diretora adjunta da OPAS, Isabella Danel. “Se o número de novos casos não for drasticamente reduzido, a cólera continuará sendo um grande problema de saúde pública para a população do Haiti.”

Plano de ação de médio e longo prazo

O projeto de plano atual segue um plano de curto prazo que foi realizado durante 2012-2015 e é parte de um plano nacional de 10 anos, que se estende até 2022.

O projeto de médio prazo (2016 até 2018) propõe um pacote de intervenções integradas em quatro áreas prioritárias: coordenação de atores nacionais e internacionais; prevenção da cólera; atendimento ao paciente e redução da transmissão da doença.

Na área da prevenção, o plano visa a vacinar cerca de 2,5 milhões de pessoas que vivem em comunidades de alto risco e melhorar o acesso à água potável através de água canalizada ou cloração doméstica.

Outros componentes fundamentais do projeto incluem campanhas de comunicação e mobilização social, a criação de sistemas de saneamento coletivos e individuais para ajudar as comunidades a eliminar a prática da defecação a céu aberto, e medidas para melhorar a água e saneamento em escolas e unidades de saúde. O projeto também prevê aumento do pessoal de saúde e treinamento adequado aos profissionais.

Além de pedir apoio ao projeto de médio prazo, os membros da coalizão enfatizaram a necessidade de investimentos a longo prazo para expansão da água e da infraestrutura de saneamento básico.

A coalizão convidou o governo haitiano, com o apoio de parceiros técnicos e financeiros, a se envolver no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) seis, que visa a assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

“Essa é a melhor maneira de combater todas as doenças relacionadas à diarreia e impulsionar a economia do país”, disse o representante da OPAS no Haiti, Jean-Luc Poncelet.



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