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Universidade portuguesa transforma bagaço de uva em novo biocombustível

Foto: DR

27/06/2016

Projecto da UTAD tem já um pedido provisório de patente e prevê a eliminação e aproveitamento de vários subprodutos da exploração agropecuária.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a desenvolver um biocombustível sólido através do aproveitamento de subprodutos da exploração agropecuária, com vista à redução do impacto ambiental.

Amadeu Borges, responsável pelo projecto e investigador da UTAD e do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), explica que a ideia é “desenvolver um biocombustível sólido, com elevado poder calorifico com vista não apenas ao aproveitamento sustentável de desperdícios e subprodutos agropecuários, mas também contribuir para a redução do consumo de energia primária, através de fontes de energia renovável, em detrimento dos combustíveis fósseis”.

O projecto prevê a eliminação e aproveitamento de subprodutos da exploração agropecuária como engaço e bagaço de uva, podas da vinha e de olival, dejectos de animais, entre outros.

“Transformados em estilha, em peletes e em briquetes, estes serão um biocombustível sólido, cujas principais vantagens serão a valorização económica e energética, mas também enorme potencial técnico, económico e ambiental”, defende o investigador.

O projecto já tem um pedido provisório de patente e, segundo Amadeu Borges, a Universidade Transmontana quer constituir, desta forma, uma alternativa às fontes de energia que “continuam actualmente muito dependentes dos combustíveis fósseis, motivo pelo qual as concentrações de CO2 na atmosfera continuam a aumentar”.

O investigador lembra que, nos últimos anos, as fontes de energia renovável se tornaram mais competitivas relativamente aos combustíveis fósseis e à energia nuclear e dá como exemplo a biomassa - resíduos naturais e resultantes da actividade humana na agricultura, floresta, indústria da madeira e subprodutos do cultivo da vinha, apontada como fonte de energia renovável com grande potencial e considerada uma fonte interessante de energia.

“O espectro de aproveitamento energético de biomassa é muito vasto e varia desde os biocombustíveis sólidos, para a combustão directa ou gasificação e combustíveis líquidos como óleo vegetal, bioetanol, metanol, até aos biocombustíveis gasosos como biogás ou gás de síntese. No caso da biomassa, como combustível sólido, a combustão directa tem a maior importância prática para a geração de energia térmica e eléctrica”, explica Amadeu Borges.

Campus pode ser laboratório vivo

A UTAD celebrou recentemente um protocolo com a Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis com vista ao estudo e desenvolvimento de biocombustíveis.

A colaboração da universidade será feita através do investigador do CITAB, Amadeu Borges, e vai incidir no estudo das emissões de gases nocivos ao meio ambiente, resultantes da utilização de biocombustíveis, quando comparadas com as dos combustíveis de origem fóssil, com vista ao seu melhoramento.

O investigador do CITAB vai ainda estudar a performance de motores, quando alimentados a biocombustível, e a produção de biocombustíveis gasosos.

Com este protocolo, o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Fontaínhas Fernandes, quer transformar o campus universitário num laboratório vivo.

“Uma das bandeiras, uma das marcas da universidade é a marca ambiental. Nós queremos transformar o campus num eco campus, num laboratório vivo onde possam ser testadas soluções para as próprias empresas”, explica o reitor, lembrando que “uma universidade situada nestes territórios tem uma quarta dimensão. Além do ensino, da investigação e da transferência de conhecimento, a fixação de pessoas e a coesão territorial. E nós não podemos esquecer esta ligação”.

Fonte: Renascencça

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