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Síria: “Nós esperamos que o massacre termine”

Síria: “Nós esperamos que o massacre termine” - Foto: MSF

04/06/2016

Enfermeiro supervisor do hospital Al Salamah, evacuado no dia 27/05, fala sobre a situação no distrito de Azaz, de onde as frentes de batalha estão cada vez mais próximas

Yahya Jarad é supervisor de enfermagem do hospital Al Salamah da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Síria, tendo se formado em 2007 como enfermeiro pela universidade de Aleppo. Na última sexta-feira (27/05), MSF teve de evacuar os pacientes do hospital Al Salamah e fechar a instalação à medida que as frentes de batalha se aproximavam. Também devido a essa situação, cerca de 100 mil pessoas estão encurraladas no distrito de Azaz, no norte do país.

“Nós esperamos que a guerra acabe e o massacre termine. Mas parece que isso não vai acontecer tão cedo.”

Eu comecei a trabalhar em MSF em outubro de 2012, e tenho trabalhado como enfermeiro supervisor no hospital Al Salamah desde então. Em fevereiro do ano passado, eu tive de deixar minha casa e me refugiar próximo do hospital. Nós nos mudamos para tendas e foi muito difícil, mas estamos tentando lidar com a nossa atual situação.

Uma nova onda de pessoas fugindo de suas casas chegou na região à medida que a frente de batalha se aproximava cada vez mais nos últimos 10 dias. Acampamentos próximo de zonas de conflito foram evacuados e as pessoas foram forçadas a fugir novamente. Agora, elas vivem em condições muito precárias, em meio a oliveiras, sem quaisquer serviços.

A cidade vizinha de Mare’a está completamente cercada

Distribuição de itens de primeira necessidade para famílias recém-deslocadas no distrito de Azaz (Foto: MSF) À medida que os confrontos se aproximavam, hospitais foram forçados a fechar. Nós tivemos de evacuar pacientes e equipes médicas. Apenas uma equipe reduzida foi mantida para lidar com a estabilização de casos emergenciais e encaminhar pacientes a outros hospitais e centros médicos.

Nós vivemos e trabalhamos em uma área pequena e isolada, que basicamente não recebe qualquer assistência, e nós não podemos encaminhar pacientes que não temos condições de tratar para Aleppo ou Idlib.

No meu trabalho normal, sou responsável por supervisionar a equipe de enfermagem, acompanhar os serviços oferecidos a pacientes e checar os equipamentos e ferramentas em uso no hospital.

Estamos falando sobre o único hospital da região norte de Azaz que pode oferecer vacinação às crianças. O hospital também dispõe de um ônibus que realizava atividades de encaminhamento nos acampamentos, registrava pacientes, levava-os ao hospital para tratamento, e depois de volta para casa.

Em fevereiro, a região presenciou um grande fluxo de pessoas que fugiam de suas casas e nós tivemos de estruturar uma equipe médica para lidar com a situação fora do hospital. A equipe, que inclui enfermeiros e assistentes de enfermagem, visitaram os acampamentos para identificar casos de desnutrição e necessidades de vacinação, detectar surtos e registrar doenças existentes, como infecções respiratórias.

Uma segunda equipe estava encarregada de realizar vacinações e transporte de pacientes para o hospital. Nós atendemos pequenos surtos de doenças, como sarampo e infecções do trato respiratório superior.

As pessoas esperam voltar para suas casas quando a guerra terminar, mas muitas casas foram destruídas e deixadas em ruínas.

Nós esperamos que a guerra acabe e o massacre termine, e que os deslocados tenham condições de voltar para casa. Mas parece que isso não vai acontecer tão cedo. Estamos fazendo o que podemos e além. Ficamos felizes quando vemos nossos pacientes recuperados. Isso nos dá mais ânimo para continuar o trabalho que estamos realizando.

Essa é uma situação humanitária difícil e as pessoas estão tentando lidar com isso, enquanto agências de ajuda estão lutando para fornecer itens básicos. Nós esperamos que a situação melhore. ”


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