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PRESIDENTE DO SENADO DO HAITI É ELEITO PARA ASSUMIR GOVERNO INTERINO

Jocelerme Privert discursa no Parlamento durante apresentação dos candidatos ao 
cargo de presidente no governo interino do Haiti (Foto: Andres Martinez Casares/Reuters)

20/02/2016

Escolhido pelo Parlamento, Jocelerme Privert fica no cargo até 14 de maio.
Crise política no país impediu realização do segundo turno das eleições.

O presidente do Senado do Haiti, Jocelerme Privert, foi eleito presidente interino do país neste domingo (14). A escolha foi feita pela Assembleia Nacional em dupla votação após uma sessão que durou mais de 10 horas.

Privert, de 63 anos, foi eleito pela maioria e fica no cargo de maneira provisória até 14 de maio, 10 dias depois da data marcada para o segundo turno das eleições presidenciais. Ele deve tomar posse ainda neste domingo para ser o 57º presidente da história do país.

Ele assume o cargo uma semana depois do fim do mandato de Michel Martelly, que assinou um acordo com os chefes da Câmara dos Deputados e do Senado para designar um governo de transição em virtude de não haver um sucessor eleito nas urnas.

Eleições adiadas

O Haiti deveria ter realizado em 24 de janeiro o segundo turno das eleições presidenciais, que foram adiadas dois dias antes pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP) por causa da situação de violência no país, que deixou pelo menos quatro mortos.

No primeiro turno, realizado em 25 de outubro, os candidatos que obtiveram mais votos foram o do governista Partido Haitiano Tet Kale (PHTK), Jovenel Moise, e o do opositor Liga Alternativa pelo Progresso e Emancipação Haitiana (LAPEH), Jude Celestin.

Este último se recusou a participar do segundo turno alegando "graves irregularidades" no processo.

Crise no Haiti: do terremoto ao caos político

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7 graus na escala Richter destruiu mais de 300 mil prédios. Mais de 200 mil pessoas morreram, e mais de 1 milhão de pessoas ficaram desabrigadas.

Quase 60 mil haitianos ainda viviam em cerca de 30 campos para desabrigados, segundo o último relatório da Organização Internacional de Migrações e da Defesa Civil haitiana, publicado em 31 de dezembro.

A tragédia nacional revelou as fraquezas estruturais do Estado, com crescente desemprego e impacto econômico imediato causado pela destruição. No campo político, eleições presidenciais e legislativas já sofreram acusações de fraudes e motivando protestos desde novembro daquele ano.

Agora, quase cinco anos após a chegada do ex-presidente Michel Martelly ao governo, essa nova eleição presidencial seria a única a ser realizada dentro do prazo legal.

Em razão de uma profunda crise entre o poder executivo e a oposição, as eleições parlamentares, municipais e locais foram atrasadas em mais de três anos.

Michel Martelly, cantor popular e político novato, iniciou seu mandato em maio de 2011, em um país que acabara de sofrer uma das piores catástrofes naturais das últimas décadas. Além disso, o desastre causou uma destruição estimada em 120% do PIB, reduzindo em ruínas a maioria dos edifícios públicos, incluindo o Palácio Presidencial.

Desde o final, em 1986, dos 30 anos de ditadura de Duvalier, o Haiti vive crises cíclicas, com eleições banhadas de sangue por causa dos ataques dos "tontons macoutes", o braço armado do regime Duvalier.

No entanto, o país havia feito história ao nascer, em 1804, da única revolta de escravos.

Fonte: G1

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